Quinta-feira, Agosto 29, 2002
A frase em negrito foi enviada por Gardenal
A comida já não tem mais o mesmo gosto. Ouvir o telefone tocar não me deixa mais nervoso. Caminho olhando para o chão. A minha sombra está cada vez mais presente. Os discos são apenas caixas empilhadas na prateleira. Não sinto mais dor no pescoço. Escolher o que vestir não faz mais sentido. A espera não me incomoda mais. Prefiro ver a vida na horizontal enquanto não levanto de minha cama. Tomar banho é apenas necessidade. Compro qualquer marca de sabonete. Um pacote pequeno de pipoca é o suficiente para uma sessão de cinema. Não troco mais idéias. O controle remoto está sempre no mesmo lugar. Não acordo mais de madrugada. Esqueci de parar de fumar. Não confiro mais o extrato da conta corrente. Olhar para os lados ao atravessar a rua não é mais uma preocupação. Cancelei o seguro de vida. Joguei fora a coleção dos Stones. Acredite. Já fiz de tudo. Mas é como aprendemos a cantar no jardim de infância: como pode um peixe vivo viver fora d'água fria?
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Quarta-feira, Agosto 28, 2002
A frase em negrito foi enviada por Valeska
Vamos brincar de colher palavras? Ontem meias verdes longas sob vestidos pretos, mas ainda prefiro você de vermelho sangue com bolinhas de lã. Copos de cervejas vazios na mesa do bar, sambas e canções perdidos na memória gringa de cabelos longos demais. Fios negros atrapalham a visão, se ao menos você emprestasse os seus óculos, no mais, mais embaçado o meu olhar não poderia ficar. Diálogos mudos, conversas interrompidas em rompantes poéticos, exageros e flertes, rimas de segunda categoria, frases explodindo contra o piso de taquinhos cor de marfim. Minhas cartas não cabem em partituras porque não possuem a melodia das suas, poderia dançar ao som de suas sentenças, sabia? Dois para lá, dois para cá, dois aqui, dois acolá, dois passos em quatro pernas, dois será? Dizem que o seu gosto é gosto de guaraná, sorte de quem provar. Opa, está na minha hora, oba, você dirá. Amanhã tem mais? Olhe lá, a primavera não tarda a chegar. Palavras não dão em árvores, mas, mesmo assim, avise quando as suas flores começarem a nascer.
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Terça-feira, Agosto 27, 2002
A frase em negrito foi enviada por Veridiana
O parque de diversões, lembra? Nós costumávamos dançar no pórtico ao lado da barraca de maçã do amor. Tudo o que você precisava fazer era abrir os seus braços. E eu, com os sapatos vermelhos sujo de terra, mexia os meus quadris ao seu encontro. Era o seu pião particular. O corpo que rodopiava no centro de seus dedos. O vestido, um caleidoscópio de desenhos florais. Parava somente com a sua mão em minha cintura. Nossas barrigas quase se tocavam, não é mesmo? E os seus olhos brilhavam, e brilhando continuavam até o disc-jóquei colocar uma canção lenta no toca-discos. Agora fechados, os seus olhos não imaginavam que os meus, bem abertos, sonhavam. As crianças corriam desesperadas por entre os brinquedos. Algodão doce, pipoca, cachorro quente. E eu ali, sonhando, calculando quanto tempo ainda demoraria até você me tirar para dançar uma dança que nunca acabaria. Mas onde estariam os seus sonhos? Para você aquilo era apenas um dança e nada mais. Sem espaço para dúvidas e crianças. Sempre tão prático, você. Ainda lembro de nossos compassos, ainda perto eles estão. Os sonhos? Bem, os sonhos se foram quando deixei de ser o seu par predileto. O parque de diversões, lembrou agora? Pois é. Eles derrubaram tudo. Dizem que irão construir mais um daqueles prédios modernos. Apenas o pórtico continua lá. Mas ele já não é o mesmo sem a barraca de maçã do amor ao lado.
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Segunda-feira, Agosto 26, 2002
A frase em negrito foi enviada por Lucas Silveira
Se palavras fossem pessoas, o seu rosto teria o brilho de quem nos olhos tem poesia. A sua boca teria a curva de quem respira versos com alegria. Da rima você é a magia. Se palavras fossem pessoas, os seus cabelos caíriam feito vírgulas distantes do ponto final. Os seus dedos tocariam este teclado como um musical. É escrita e musa, afinal. Se palavras fossem pessoas, as suas curvas desenhariam esse's perfeitos. Os seus parágrafos se alinhariam perto de meu peito. O seu sorriso, um soneto. Se palavras fossem pessoas, o seu coração seria a leitura da entrelinha. As suas mãos se abririam como livros na escrivaninha. Sua pele, papelaria. Se palavras fossem pessoas não existiria mais esta fantasia que em mim persiste. Não estaria convivendo com esta fantasia que ainda insiste. Mas palavras são apenas palavras. E não há ninguém aqui para provar que você existe.
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A frase em negrito foi enviada por Débora
Você apenas lê estes livros descartáveis. Histórias tolas, dispensáveis, iletradas. Você fica aí ouvindo discos desconhecidos. Nomes complicados, músicas estranhas, nem para dançar servem. Você não tira os olhos destes seriados de televisão. Tão sem graça que já vêm com risadas prontas. Você só veste estes tênis para andar de skate. Como se fosse ainda um adolescente. Você continua preferindo McDonald's aos meus Fasanos. Que espécie de gosto é o seu? Você pede calcinha de algodão quando tudo o que quero é lingerie La Perla. Não entendo o seu tesão. Você nunca coloca a camisa para dentro das calças. E ainda me pergunta por que não vamos juntos aos meus jantares de negócios. Você só escolhe as frases que os seus amigos indies mandam. Coisa mais chata. Você se questiona como é que tudo isso pode dar certo. Porra, será que além de imaturo, chato e metido você ainda é burro? Isso, meu querido, é quase-amor. Quase. Porque você é incapaz de amar alguém que não seja você mesmo.
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Sexta-feira , Agosto 23, 2002
A frase em negrito foi enviada por Gustavo Fischer
Os envelopes começaram a chegar quando agosto já acenava o seu adeus na folhinha do supermercado. Anônimo de um jeito vice e versa, não identificava destinário, nem remetente. Apenas o endereço de sua casa, escrito em letra de forma com caneta azul, sobre o papel vermelho claro. Cheio de perguntas por dentro, ficava ele ali, no hall de entrada da casa, olhando para cada envelope que deslizava por debaixo da porta. Sentia o cheiro de fruta fresca e úmida, com gosto do amanhecer, um odor de tantas delícias que lhe abria o apetite. E, depois de toda a feira da rua de cima experimentar, descobriu. Era cheiro de morangos, mas não os graúdos, os pequenos. E dentro destes moranguinhos o que havia, perguntas agora. Respondo-te: fotos. Sim, fotos polaróides. Primeiro, chegaram os pés. Descalços, tamanho 35, deduziu ele, com as unhas pintadas de rosa bebê. Depois, vieram as pernas, divididas em uma série de fotos. Tornozelos, panturrilhas - adorava este nome, panturrilhas, talvez porque também lhe dava fome -, joelhos, coxas. Logo, surgiu a virilha, a cintura, a barriga, os seios. Dedos das mãos rosa bebê também, e braços, cotovelos, ombros. De quem era aquele corpo, não sabia. Imaginação de criança, inventava mil histórias ao deitar. Uma admiradora secreta? Brega, tu não precisas torcer o nariz, mas ele pensava coisas assim, bregas, piegas, inconfessáveis. A vizinha que ouvia jazz? A companheira de escritório do radinho azul? Ou a motorista das oito e trinta, que, parada com o carro ao lado do seu no mesmo cruzamento da Avenida Paulista, dirigia o olhar, crítico disso tinha certeza, aos outdoors? Poderia ser um pedaço de cada uma, quem sabe. Em dias de chuva, ele ficava à frente da varanda e montava a sua rementente com perfume de moranguinhos. Ela era assim, pedaços de polaróides grudados num vidro de janela basculante, colados pela chuva. Mas sempre tem um mas. História alguma termina sem um mas. E o mas aqui é que o último envelope não chegava. Aquele que iria desvendar o enigma, desnudar o rosto, descobrir a verdade. Sim, o último envelope não chegava, e não, o último envelope nunca chegou. Sobre a chuva, fumava o seu cigarro, suspirando lenta e letalmente pelo mistério que assim insistia em permanecer. Às vezes uma dorzinha no coração pontava. Mentia para si mesmo que era a nicotina, mas bem sabia. Não adianta mudar o que foi escrito no big-bang. A mulher que se ama, amigo meu, foi, é, e sempre será o que toda mulher foi, é e será. Fotografias instantâneas de partes tão homogêneas, mas que nunca, nunca mesmo, revelam quem ela é.
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Quinta-feira, Agosto 22, 2002
A frase em negrito foi enviada por Marília
O apartameno não seria tão pequeno se o piano não ocupasse metade da sala. Ele sentiu-se tentado em apertar as teclas marfim para, quem sabe assim, quebrar o silêncio. Mas teve medo. Sabia que isso não deveria sentir, mas quanto mais tentava não sentir, mais o sentimento sentia. Ajeitou-se então por entre o sofá e a luminária preta, com o pensamento ridículo de esconder-se, de passar desapercebido, talvez ela esqueça do convite para subir, beber alguma coisa, está tão cedo, vamos conversar mais. O fato é que conversas ele não queria mais. E nada havia para beber, logo ela disse Droga, sou mesmo uma avoada, a geladeira está vazia, os armários estão vazios, se você quiser a gente divide uma maçã. Ele riu, imaginou Adão, imaginou Eva, realmente conversa era o que menos desejava, até porque conversa você não deseja. Desejo é para. Para o que mesmo? Tudo bem, ele disse, não estou com sede, não estou com fome. Não deseja nada?, perguntou ela. Olha aí o desejo de novo. Ah-doraria que você tocasse algo no piano, desejou ele. Ela passou a mão pela madeira polida do instrumento, como quem fizesse carinho em alguém de carne e osso e pele, falou Não é um piano qualquer, antes de mais nada, você tem que entender isso, não é um qualquer piano, é um Piano, isso, Piano com pê maiúsculo. Ele sorriu. O apartamento já era minúsculo, o tom de suas palavras o faziam sentir menor ainda. Mas ela realizou o seu desejo. Tocou algo que ele, tão ignorante em suas canções pasteurizadas, não reconheceu, mas que o fez, sim, ter vontade de morder uma maçã. Quando percebeu, os seus olhos estavam completamente inundados, transbordando pequenas borboletas transparentes que escorriam pelo chão de tabuão do apartamento. Não agüentou mais. Agarrou as mãos de criança da mulher que ao piano sentava, e a levou para um lugar maior, pequeno o suficiente para que dois corpos se transformassem em um, e gigante o bastante para caber todas as notas flutuantes, todos os gostos da maçã, todos os desejos que não, acredite, não se encerram aqui.
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Quarta-feira, Agosto 21, 2002
A frase em negrito foi enviada por Franssuelen
Não poderia mais esconder. A imagem no espelho refletia a verdade. Cobriu o seu corpo com uma toalha, caminhou até o quarto e sentou na ponta da cama. "Adoro as tuas costas", ele disse, ainda deitado, ainda nu, ainda ofegante. "Adoro a curva que elas formam quanto tu fica de quatro", completou. Mas ela continuava em silêncio, massageando o couro cabeludo com os dedos. "O que houve?", ele perguntou, "tu tá estranha". "Tu quer saber mesmo?", desafiou ela, "se quer saber, é bom que tenha certeza de que hoje é o mesmo que ontem, mas eu sou um pouquinho mais diferente de todos". Ele arqueou as sobrancelhas. "O que tu quer dizer com isso?", quis saber. Ela deixou a toalha cair, desnudando o seu corpo. "Sou a mesma, mas as costas que tu tanto ama já não são as mesmas", ela respondeu. Ele engatinhou até a ponta da cama. Abaixo das omoplatas, viu pequenas asas brancas. "Não fique assustado", acalmou ela, "são apenas asas, eu sabia que um dia elas viriam, mas não sabia quando, e elas vão crescer ainda mais, se é que isso ainda te interessa". Sim, ele não sabia o que fazer. Mas aquelas costas não eram costas que você abandona assim, sem mais nem menos. Depois de alguns segundos em silêncio, ele a abraçou. "Adoro as tuas costas", repetiu, "mas, por favor, só não vá voar para longe de mim".
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Terça-feira, Agosto 20, 2002
A frase em negrito foi enviada por Ione
Você diz que o que me disse é brega, mas o seus dizeres vêm com sorrisos guardados de uma infância cujas lembranças não estão apenas em fotos desbotadas. Estão aqui, na curva de seus lábios, e se ao menos eu pudesse tocá-los. Mas não. Você me deixa sozinho depois de me fazer sorrir, e não tenho com quem dividir o suor de uma noite quente de inverno. Sim, não existe mais respeito no mundo, o tempo já não respeita as estações, e mesmo assim elas completam os seus ciclos, e hoje assim estou, triste, cansado, sentindo a idade me esperar na esquina. Me diga, qual é o seu segredo? Como manter a criança que existe em mim sem ferir o homem que cresce? Droga. Quase nada faz sentido quando o sentido é a contramão, e tudo que tenho é a imaginação. Imaginar como vai você. Simples. Complicado. Confuso. Vou me desfazer dos adjetivos agora, esquecer o ego, a autodepreciação. Vou parar de mentir que bebo. Vou queimar o que escrevi. Vou brincar de jogar os meus CDs de rock para os vira-latas pegarem. E, desesperadamente, irei revirar o baú de minha infância. Idade é assim mesmo: vem. Mas nem tudo vai. Então é isso. Vou buscar o menino de dentro de mim para brincar com menina de dentro de você.
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Segunda-feira, Agosto 19, 2002
A frase em negrito foi enviada por Renata Torres
Você não sabe ser feliz foi a última frase que ouviu antes de fechar a porta. Às vezes não dá, pensava, simplesmente não dá. E não adianta procurar respostas, explicações, suposições, muito menos mergulhar em tentativas que fracassam no primeio diálogo. Que se foda. Vou dar o fora daqui, dizia em voz baixa, enquanto caminhava pela rua que, aos poucos, tinha as suas calçadas repletas de pessoas indo para o trabalho, pegando ônibus, táxi, dirigindo-se até a estação de metrô. Veja só que ironia, ela acorda, pede por sexo, digo que estou atrasado, sou expulso de casa e, sem querer, tudo aqui fora tem cara de recomeço. Aos poucos, perde-se na multidão, é apenas mais um, e por poucos segundos tem a impressão de que nunca mais será necessário discutir com alguém. Chega de bate-boca. Tudo o que preciso é ser mais um. Qualquer um. Até que ouve uma criança tocar a sua perna e falar Ei, acho que isso aqui é seu. Nas mãos da menina de olhos azuis, uma foto. E na foto, o bebê sorri, com as covinhas herdadas do pai. Droga, droga, droga. Como é que posso ser tão estúpido? Não, responde para a criança, isso aqui não é só meu não, e repete Não é só meu não. Com a foto no bolso de sua jaqueta, ele volta para o apartamento em busca do final... feliz.
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Sábado, Agosto 17, 2002
A frase em negrito foi enviada por Sylvie Piccolotto
Às vezes eu tenho medo de ser repetitivo. Ou a paranóia de ser vigiado surge trazendo vergonha. Será que sou brega? Será que sou bobo? Será que sou romanticamente estúpido? E por que, afinal, ser romântico, apaixonado, deslumbrado por uma mulher que te mostra o futuro nos olhos tem que ser sempre associado aos bregas, bobos e estúpidos? Mas poderei estar sendo óbvio. Porque tu sabes o que sinto. Sabes que, mesmo com tantos desentendimentos, só tu me entendes. Que não posso me desamarrar dos nós que fizemos um no outro. Sim, estou preso. E quer saber? Gosto disso. Tenho orgulho disso. Sou feliz por isso. Há tempos que não te abraço enquanto dormes. Há dias que não toco os teus pés ao acordar. Há noites que não sinto o meu antebraço adormecer por causa da pressão de teu pescoço. E eu quero sentir isso, sentir que sem a tua presença a minha não existe, quero tantas coisas por tanto tempo que o autor de nossa vida quiser. E que ela não coloque um ponto final agora. Porque antes que este parágrafo termine, é preciso dizer o que tanta gente já sabe: eu te amarei até o dia da minha morte e mais.
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Sexta-feira , Agosto 16, 2002
A frase em negrito foi enviada por Dago
Dona Mimi bem que avisou: "Filho, leva bastante paracetemol pro espaço porque você sabe o que acontece com as suas dores de cabeça". A mãe nem precisava lembrar, afinal, o garoto sabia mais do que ninguém quantas paredes, móveis, espelhos e eletrodomésticos havia explodido com a sua enxaqueca. E, com a mala cheia de comprimidos dorflex, aspirina, neosaldina e doril, ele entrou no foguete. Dona Mimi, toda orgulhosa, chorou ao vê-lo decolar no Cabo Canaveral. Dois meses depois, perto de Marte, o comandante gritou desesperado: "Um meteoro gigante está indo em direção à Terra!". A NASA reuniu todos os especialistas para planejarem uma ação emergencial, mas Bruce Willis estava filmando na China e só voltaria em três semanas, e até lá tudo já estaria reduzido a pó. Tentaram ainda contatar Sylvester Stallone, mas ele estava ocupado escrevendo o roteiro de um novo Rocky. Richard Gere se ofereceu para comandar a tarefa, mas salavr o mundo não é uma tarefa para um galã de cabelos grisalhos. A Terra estava condenada. E o garoto lá em cima, sem poder fazer nada, sem poder dar um último abraço em sua mãe. Sofrendo, abriu a mala para olhar a foto de sua mãe. Mas, por causa da gravidade zero, todos os comprimidos voaram pelo foguete, formando uma pequena nuvem de pontinhos coloridos. Desesperado, sem saber o que fazer, começou a sentir o seu cérebro sendo perfurado por minúsculas agulhas. Então o garoto teve uma dor de cabeça. E acidentalmente salvou o mundo. Ah, se Dona Mimi soubesse...
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Quinta-feira, Agosto 15, 2002
A frase em negrito foi enviada por Eduardo Matos
A porta que você abriu não se fecha mais. Os discos que você tocou não ensurdecem mais. As folhas que você rasgou não se colam mais. As roupas que você usou não se desnudam mais. Os livros que você leu não contam histórias mais. O lençol que você manchou não enrruga mais. As músicas que você cantou não encantam mais. As flores que você comprou não se abrem mais. O homem que você amou não existe mais: sou outro, outro ser, sendo outro. Porque você é assim re, volúpia, ação, enfim, você me é uma revolução.
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Quarta-feira, Agosto 14, 2002
A frase em negrito foi enviada por Yahntua Hari
Tua carne não me é mais objeto. Na caligrafia imperfeita de meu desejo é apenas substantivo de uma sentença que sentindo há muito não faz. Fracassamos no livro de nós dois. Agora nos contentamos em estarmos perdidos em sebos, mofando sobre o pó de peles que desaprenderam os segredos da eletricidade. Tu falas em uma tentativa, abre as tuas pernas, mas esconde raiva, mágoa e desprezo no útero que não consigo tocar. Teria coragem de te abandonar, mas o fim é igual para todos, então que seja contigo. A tua nudez aceito de volta, agora. O teu beijo não tem mais o gosto do desconhecido. Mas o que importa? Ficarei aqui, ajoelhado na cama, rastejando a minha língua submissa pelas tuas curvas até encontrar a tua boca. E assim, lambendo até a última gota de inferno subentendida na tua saliva, eu sangrei durante 27 minutos e gotejei vermelho pelo resto da vida.
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Terça-feira, Agosto 13, 2002
A frase em negrito foi enviada por Granado
É apenas sexo, ela disse ao acordar em um domingo à tarde, apenas sexo, tu me telefona, eu venho aqui, nós trepamos, dormimos e pronto. Mas às vezes quem telefona é tu, ele falou com ironia, como se pudesse convencê-la de que, sim, valia a pena tentar alguma coisa. A verdade é que o gosto de seu corpo já mais o satisfazia. Ele precisava mais. Ah, droga, suspirou ele, tu não tá entendendo o que quero dizer com tudo isso. Ei, ela retrucou, quem não tá entendendo é tu, estamos muito bem do jeito que estamos. Sentiu trezentos e setenta e nove borboletas saindo de seus casulos no estômago, mas enfim tomou coragem. Tô apaixonado, revelou. Então ela começou a gargalhar. Desculpe, falou, mas é que se apaixonar hoje em dia é tão fora de moda, que coisa mais antiquada, mais sem sentido. As risadas o atingiam como pequenas agulhas em sua pele. Tu quer saber o que é sem sentido?, perguntou, pois eu vou te dizer o que é sem sentido, sem sentido é eu conhecer cada parte do teu corpo, mas não saber como tu gosta do teu café, sem sentido é conhecer apenas as tuas melhores calcinhas, e nunca ter visto as tuas camisetas velhas, surradas, rasgadas, com as quais tu dorme quando tá sem um amante, sem sentido é ter como lembrança apenas o teu cheiro no lençol, veja bem, olhe para este apartamento, tenho quase 500 CDs na prateleira e não consigo encontrar um que me faça lembrar de ti, isso é sem sentido, te quero mais, te quero por perto, te quero tentando uma vida comigo. Em silêncio, ela ouviu todo o monólogo. Balançou a cabeça em sinal de reprovação. Vestiu-se sem dizer uma única palavra, pegou as suas coisas e foi embora. Uma hora depois os agentes de segurança nacional batiam àquela porta. Ele foi preso. E hoje vive em um antiquário.
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Segunda-feira, Agosto 12, 2002
A frase em negrito foi enviada por Thiago Borges
Sou só mais um cara normal, como muitos outros por aí, porém quis o destino que eu nascesse com dois corações. O que era para ser uma anomalia genética logo tornou-se uma vantagem física. Todos os exames, pelos quais passei durante a infância, comprovaram que a oxigenação ao quadrado multiplicava na mesma proporção a minha capacidade de crescimento e resistência. Apesar de toda a atenção da imprensa e dos cientistas, os meus pais fizeram questão de que eu não fosse tratado como alguém fora do comum. Por isso, quando completei 10 anos, nós fugimos para o interior de Minas Gerais. Ganhei um novo nome, um novo sobrenome, uma nova casa, uma nova vida. Devido ao meu condicionamento físico, consegui destaque como um desportista na escola. E, com isso, todas as meninas começaram a correr atrás de mim. Aos 16 anos a minha fama era tanta que até as alunas das escolas das cidades vizinhas organizavam excursões só para poderem me ver nas competições. Alícia estava em uma destas excursões, mas parecia estar ali apenas por brincadeira. Não olhava para mim. À noite, na tradicional festa dos campeões, ela me disse que queria apenas saber se eu era tão irresistível assim. Aquele desafio fez com que me apaixonasse pela primeira vez em minha vida. E, nos cinco meses que se seguiram, não descansei até conquistá-la. Amei Alícia em uma entrega sincera, honesta e submissa. Mas um dia Alice, a sua irmã gêmea que fora curar a sua tuberculose na montanha, voltou. Quando a vi, tão frágil e pequenina, ao contrário da força incondicional da irmã, não pude resistir. E me apaixonei. Foram necessários outros cinco meses, mas conquistei Alice também. E a amei com carinho, cuidado e devoção. No entanto, não havia contado a verdade a Alícia. Até porque ainda a amava. E quanto mais pensava, mais chegava à conclusão de que amava as duas de forma igual. Desesperado, enfim descobri que a culpa de tudo isso eram de meus dois corações. Decidi, então, que arrancaria um deles. Depois de 26 horas na mesa de operação, um dos meus corações foi removido com sucesso. O que restou bateu apenas por Alice. Mas a minha memória ainda chora de desejo por Alícia. Como disse antes, sou apenas um cara normal. Repito: um cara normal.
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Sexta-feira , Agosto 09, 2002
A frase em negrito foi enviada por Dulcimeire Camoleis
Quando já não havia mais vida para viver, tornei-me do tamanho de minha alma. Minúscula, pequenina, quase invisível. E corri para a biblioteca. Vivi entre letras, páginas amareladas, fotos envelhecidas de autores esquecidos. De frase em frase, de história em história, de livro em livro, assim vivi. Uma mulher do tamanho de uma formiga escondendo-se por entre as estantes. Até o dia em que você me conquistou. Nunca havia lido palavras como as suas, quem dera ouvido. Você que soube mostrar todas as nuances de encontrar e desencontrar, de se ver nos olhos do outro e, no outro dia, desaparecer sem deixar vestígios. E agora a minha vida é sua. Vivo aqui, em sua orelha. Imaginando o que aconteceria se você estivesse vivo. Talvez eu quisesse fazer parte do mundo de novo. Somente para dedicar a minha vida para quem tão bem soube relatar a dor de uma paixão.
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Quinta-feira, Agosto 08, 2002
A frase em negrito foi enviada por Sara Lee
Que as suas fotos foram rasgadas, Alison, em mais um daqueles atos do homem que não soube crescer, brincando de namorar, como o Falcon que flertava com a Barbie da vizinha, que rasguei as suas fotos você sabe muito bem, o que não sabe é que agora nenhuma outra imagem me vem à cabeça senão a sua, provavelmente seja castigo, quem sabe feitiçaria sua, mas o fato é que agora nada eu consigo pintar, na ponta do meu pincel aparce apenas o seu rosto, o seu rosto de todas as formas e jeitos e sorrisos e lados, o seu rosto com todos os seus cabelos e coques e cortes, e já que não me resta outra alternativa, decido pintar você pela útima vez, o último retrato de Alison, pinto o seu rosto em uma última tentativa de esquecê-la, de apagá-la, de arrancá-la à força de minha memória, com tintas e tela, e descubro agora que as cores de esquecer são virulentas e pedregosas, tão fortes quando pincelo os seus traços, e, mesmo assim, frágeis ao se desmancharem em pequenos pedaços pelo espaço em branco, deixando a impressão nítida de que partes minhas ficaram em você, e partes suas ficaram em mim, assim, feito quadros que deixam a marca de suas molduras mesmo depois de serem tirados da parede, feito negativos de fotografias que estão escondidas debaixo da cama, feito duas crianças que um dia decidiram namorar, mas o sol lá fora estava forte demais, por isso, resolveram brincar no jardim com as outras crianças, sim, com as outras crianças.
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Quarta-feira, Agosto 07, 2002
A frase em negrito foi enviada por Guilherme
O Mestre dos Magos falou pra gente que no alto daquela montanha de gelo estaria o portal. Eu estava cansado, tinha fome, mas já não agüentava mais de saudades da mamãe. Por isso, falei pra mim mesmo, Bobby, você está bem crescidinho, quase um homem, não vai ser uma subidinha qualquer que irá dar medo. E, mesmo preocupado com o Uni, tomei coragem e fui. Chegar lá em cima nem foi o problema. O frio, nossa, o frio é que estava demais. Quando finalmente chegamos lá no alto, e o portal se abriu, vi que o Uni estava passando mal. Gritei pros outros irem embora, chorei, falei que não deixaria o coitadinho sozinho. Mas ele não estava mais respirando. Desesperado, abracei o seu corpinho. Não havia mais nada que eu pudesse fazer. Meu unicórnio morreu de frio. Rezei a Deus para que cuidasse bem dele, fiz o sinal da cruz, e entrei no portal. Agora estou em casa. E todo mundo diz que foi apenas um sonho meu.
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Terça-feira, Agosto 06, 2002
A frase em negrito foi enviada por Gabriel Valmont
O homem abriu a porta do escritório, e não precisou de um segundo para perceber que as coisas estavam fora do lugar. Todas as suas fotos ao lado de sua família, antes expostas com orgulho na parede ao lado da janela, agora estavam amontoadas ao lado da pilha de jornais velhos. Sobre a sua mesa não havia mais o projeto arquitetônico da casa nova, a vista para o mar, os detalhes das tintas para cada cômodo. Assustado, interfonou para a secretária: "Quem foi que mudou os planos? E os sonhos?". "O senhor mesmo", foi a resposta, "deixou tudo anotado pra eu fazer hoje de manhã". O homem suspirou. "Lembra?", a secretária disse. "Lembro", respondeu ele ao sentir a falta de perfume nas mangas de sua camisa. Sem dizer nada à secretária, saiu de seu escritório e tomou um banho de mar em Copacabana. O homem detestava mudanças. Mas não poderia evitá-las. Poderia somente torná-las salgadas.
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A frase em negrito foi enviada por Thais Auxilio
Joana pergunta como anda a gerente sabotadora, se continuo trabalhando feito uma doida, quando é que vou tomar coragem e pedir demissão. Naturalmente o assunto muda para a minha vida amorosa, sentimental, sexual, por isso presto mais atenção no cigarro sendo queimado conforme a minha aspiração do que em suas palavras. O sol se põe mais devagar aqui no morro, e a sensação de que a vida de Joana é tão perfeita quanto parece me deixa com raiva por sentir inveja. Encosto os meus braços sobre o apoio da varanda, olho para os prédios da cidade, tentando descobrir onde é que se esconde o meu quarto-e-sala de bonecas, e pergunto a mim mesma como é que isso aconteceu. Um dia estou velha demais para sonhar, mas jovem demais para desistir. Tenho vontade de gritar que nunca planejei viver uma vida perfeita, e que não tenho culpa se simplesmente deixei os dias se transformarem em passado sem que eu tivesse feito alguma coisa pelo meu futuro. Joana toca o meu ombro, quer saber se aceito mais uma xícara de café, que precisa ir à cozinha ver como está o bolo de chocolate que prometeu aos filhos, e eu só quero tomar sorvete, brincar de ser criança de novo como fazia antes. E não alcançar o botão do elevador, porque não quero sair do lugar. Desejo permanecer aqui, no mesmo andar, esperando pela sua visita. Você está me ouvindo? Você, que está me esquecendo em um destes prédios perdidos nas nuvens de poluição, entende o que quero dizer? Espero a sua visita. Enquanto isso, bebo o café de Joana. E queimo a minha língua.
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Segunda-feira, Agosto 05, 2002
A frase em negrito foi enviada por Rodrigo
Eu tenho muito a dizer, ela disse. Sobre?, ele quis saber. Sobre nós, eu e você, ela respondeu. E ele sempre tão impaciente, tão superior, tão cheio de si, olhou do alto e filosofou Sabe, às vezes, o muito nem é tanto assim, e o pouco é muito. Ela sorriu. Acabara de ouvir o que estava faltando. Abriu a porta, movimentou a cabeça, deixando uma cor dourada no ar, e disse Adeus.
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A frase em negrito foi enviada por Glen
Estou quente. E agora? O que vai fazer? Vai ficar parado aí? Olhar não arranca pedaço. As suas mãos sim. Então vem. Já disse. Estou quente. Muito quente. Apaga logo esta porcaria de cigarro. Dê uma última e longa tragada. E jogue toda a fumaça em nosso beijo. Quero ver a sua fumaça saindo pelas minhas narinas. Porque estou quente, pegando fogo. Isso. Vem rápido, vem devagar. Mas vem agora, vem. E, no caminho, não esqueça de passar pela cozinha. Traga gelo, uísque. Sorvete? Ouvi bem? Ok. Sorvete. Quero ser a sua casquinha. O seu, ops, copinho. Rá. Chocolate ou nozes? Chocolate e nozes. Morango e flocos. Creme e doce de leite. Tudo derrete em minha pele. Porque estou quente. Tudo derrete em sua boca, depois em minha boca, e em minha outras bocas. Vem, vem agora, vai. Porque estou quente. E hoje não quero refresco.
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Sexta-feira , Agosto 02, 2002
A frase em negrito foi enviada por Moca
Enquanto isso na Sala de Justiça o Super-Homem é derrotado mais uma vez pela Mulher-Maravilha, está caído, pisoteado, com o coração de ponta a cabeça, tão transfigurado que mal reconhece que um dia foi capaz de sentir desejo, amor, carinho, paixão, qualquer coisa assim que prestasse, mas a verdade é que a sua crença que desta vez fosse diferente agiu como um vilão, porque diferente não foi, ela disse um dia que era hora de esquecer forças, fraquezas, uniformes, identidades secretas e serem apenas dois corpos trepando pela paz mundial, mas tudo o que pôde oferecer foi um olhar de kriptonita, e não há justiça, não há certo, não há errado, as coisas são assim mesmo, a grande lição que Clark Kent aprendeu agora é que nenhum homem é Super-Homem, mas toda mulher é uma Mulher-Maravilha, e pronto, infeliz de você do sexo masculino, que é um derrotado.
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Quinta-feira, Agosto 01, 2002
A frase em negrito foi enviada por Ale Chang
Hoje queria ter acordado em Nova Iorque, eu disse ao desligar o despertador. Ah, resmungou ele junto com um bocejo, mas acordou aqui e, pior, ao meu lado. Dei uma risada boba típica dos casais cúmplices dos seriados de TV, como aquele do Mad About You, que, aliás, era um programa super-novaiorquino, senti uma pontada de orgulho por sermos assim, meio Sony, meio blockbuster, meio Hollywood, e falei Mas tu sabe que acordar em Nova Iorque sem o teu corpo ao meu lado não é a mesma coisa. Ele levantou da cama, tocou a ponta dos pés com as mãos, esticando todos os músculos das costas, o que me deu um certo tesão, mas já estávamos atrasados, por isso fiquei na minha, apenas observando todo o seu ritual. Primeiro o alongamento, depois os passos curtos, preguiçosos e arrastados até a porta do banheiro, aí ele parou e, com a tolha sobre o ombro, disse Mas nunca fomos pra Nova Iorque juntos, aliás nunca fui pra Nova Iorque. Sorri, puxei o lençol, falei Mas se acordar contigo aqui, neste fim de mundo, é bom desse jeito, imagina em Nova Iorque, só de pensar que a gente iria tomar um café, comer um bagel, ir pro trabalho de metrô, almoçar um sanduíche no Central Park, nossa, seria perfeito. Ele apenas ria, provavelmente estava pensando que a minha TPM havia chegado, que agora os surtos viriam um atrás do outro, e então perguntei Como se sentir em Nova Iorque estando aqui? Aí, sem dizer uma única palavra, ele se ajoelhou em frente à cama, puxou os lençóis, começou a beijar o meu corpo e a sussurrar coisas como Tá vendo este pé, este pé agora tá andando pela Quinta Avenida, e este joelho, este joelho tá sentindo o vento do verão de Manhattan, e as coxas, hum, acho que acabou de cair molho de cachorro-quente nestas coxas, alguém precisa dar um jeito, e esta barriga, a barriga tá roncando porque passou perto de uma deli, e nossa, que seios, estes seios querem o quê, já sei, querem experimentar todas as blusas de todas as lojas que tu vê pela frente, e, hum, esta boca, esta boca. Chega, pensei, chega, azar que estamos atrasados, azar que não estamos em Nova Iorque, com o dólar desse jeito só vamos para Nova Iorque se ganharmos na Mega Sena mesmo, azar, e louca de tesão, louca para dar, louca para comer, entreguei a minha boca, os meus seios, a minha barriga, entreguei tudo. Porque a verdade é que não existe cidade que eu queira explorar mais do que o seu corpo às sete e quarenta da manhã, horário de Brasília.
Posted at 22:46 by spectorama :: link
A frase em negrito foi enviada por Marcia Cristina
Eu soube que era você porque chorei ao vê-lo entrar no restaurante. Assim, sem mais nem menos, simplesmente tive vontade de chorar e, quando percebi, as lágrimas escorriam em litros pelas minhas bochechas avermelhadas pelo calor da lareira. Você sentou com os seus amigos, não me notou, nem ao menos me viu. Mas eu estava lá, sentada sozinha na mesa escondida no fundo do bar, chorando. As lágrimas caíam dentro do meu prato de sopa, fazendo pequenos plofts enquanto tentava engolir os soluços. E então aconteceu. As lágrimas não paravam, não paravam, não paravam e logo o prato de sopa estava transbordando feito uma cascata. Todos no restaurante começaram a correr, gritavam que era uma enchente sem imaginar que o meu choro era a causa de tudo. Não queria sair de lá, levantar da mesa, pagar a conta e nunca mais ver você. Mas... mas..., droga, o que fazer quando olhamos para a pessoa da nossa vida e os nossos olhos se enchem de lágrimas? Não dá para passar a vida inteira chorando. Por isso, tomei coragem. Antes que as minhas lágrimas levassem com elas todo o restaurante, decidi ir embora. E hoje eu sei que era você porque nunca mais chorei em minha vida.
Posted at 12:37 by spectorama :: link

