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Segunda-feira, Setembro 30, 2002
Mais um que reclama
O leitor Last Nite reclamou. E a sua frase hoje faz parte do primeiro parágrafo.

Posted at 20:40 by spectorama ::

Chega de enganação
Um dia eu teria que recomeçar a trabalhar. Pois então. Campanhas, concorrências, pequenas bobagens. Volte mais tarde, por favor.

Posted at 17:48 by spectorama ::

Domingo, Setembro 29, 2002
Crash
Neste processo maluco de escrever sobre os 30 discos mais importantes dos meus 30 anos sou obrigado a deixar de lado alguns álbuns maravilhosos. Um deles é o Lovely, lançado em 1988 pela banda inglesa The Primitives. Lembrei dele agora enquanto lia um texto sobre o The Jesus And Mary Chain na internet. Só pela perfect pop song Crash o disco já vale todo e qualquer investimento.

Posted at 20:21 by spectorama ::

Pensamento nem tão bobo do dia
A minha sanidade mental depende dos meus discos.

Posted at 20:08 by spectorama ::

Head on
O negócio é o seguinte: quem não gosta de The Jesus And Mary Chain bom sujeito não é. Ouvir o álbum Automatic no volume máximo é algo que todo mundo deveria fazer pelo menos uma vez na vida.

Posted at 20:07 by spectorama ::

Os 30 discos dos meus 30 anos - Parte Cinco
The People Who Grinned Themselves To Death - The Housemartins

Crescer com quatro mulheres dentro de casa significa, entre outras coisas (como ir até a farmácia para comprar absorvente íntimo sem saber direito o que é absorvente, muito menos íntimo), ser constantemente observado por olhares excessivamente críticos. Demorei quase dezoito anos para poder vestir o que queria sem que ninguém desse um pio. Todas as meninas eram minuciosamente analisadas: "fulana de tal usa vestidos hippies", "a outra tem pernas muito longas", "aquela olha estranho pra gente". Mas, acredite, nada disso se compara à perseguição nazista que sofria por causa das minhas orelhas.

O fato é que a família de minha santa mãe é famosa pelo tamanho das orelhas. Lembro de um dia que fomos visitar uns parentes do meu avó no interior de São Paulo e não tínhamos o endereço, apenas uma certa noção de onde ficava a rua. Parece piada, mas a minha mãe descobriu o lugar por causa da orelha gigante de um senhor japonês que estava sentado na varanda.

As minhas três irmãs mais velhas odiavam as suas orelhas de abano. Alguém me disse que tentaram me salvar, convencendo a minha mãe a prender as minhas orelhas com esparadrapo quando era bebê. Só que o meu pai me livrou de tal atrocidade. Já que o irmãozinho caçula teve que crescer feito um Dumbo, elas decidiram que os meus cabelos deveriam esconder as minhas asas. Ou seja, durante um bom tempo da vida fui obrigado a usar um corte tipo tigelinha.

Mas você há de concordar comigo. Com uma tigela na cabeça eu nunca iria poder curtir a minha adolescência. Era preciso fazer alguma coisa. Era preciso me rebelar contra as minhas irmãs. Era preciso deixar as minhas orelhas para fora.

A salvação surgiu em umas das minhas primeiras festas do segundo grau, hoje ensino médio. Por sorte, um dos meus colegas, o engraçadíssimo e gaudério Felipe, tinha um irmão que estava no terceiro ano. Assim, consegui entrar em uma festa mais adulta. E, nunca vou esquecer dessa cena, enquanto tentava dar um copo de café para o Felipe, que estava caindo de tão bêbado, ouvi uma música que me deu vontade de deixar o meu amigo ali, de porre, e sair pulando. Apesar da voz estranha do cara, o refrão era algo tão para cima que logo fiquei desesperado para saber quem estava tocando aquilo. E então alguém me mostrou o disco. O nome da música era Me And The Farmer, do álbum The People Who Grinned Themselves To Death da banda inglesa The Housemartins.

Consegui comprar o disco usando a desculpa que por muito tempo enganou o meu pai. Disse que precisava adquirir um livro para a escola. O que não era mentira. Mas fiz cópias xerox do livro. E, com o dinheiro, fui correndo para a Galeria Chaves, onde ficavam as melhores lojas de discos de Porto Alegre, e saí de lá com o meu The People Who Grinned Themselves To Death.

De todas as centenas de títulos de minha discoteca, este segundo álbum dos Housemartins é ainda um dos meus prediletos. É colocar no aparelho de som e sorrir. Até hoje eles são comparados aos Smiths, apesar de eu não conseguir encontrar uma conexão entre eles e a banda de Morrissey e Johnny Marr. Housemartins é muito mais feliz, mais pop, mais bem humorado. Além de caprichadas melodias, as suas canções possuem arranjos com influências de soul music e harmonias vocais que fazem de seus refrões pequenas delícias musicais. Ouça I Can't Put My Finger On It, The World's On Fire e Me And The Farmer e você irá entender o que estou falando. E o que de dizer do piano de Bow Down? E a balada Build (o hit de novela mais conhecido como melô do papel)?

Só que, como todo grande disco de minha vida, The People Who Grinned Themselves To Death não foi apenas importante por causa das músicas. No encarte, há uma foto do baixista Norman Cook, o cara que hoje atende pelo nome de Fatboy Slim. Quando vi aquele corte de cabelo, supercurto nos lados e com uma franjinha arrepiada, pensei é isso. Passei algumas semanas arranjando coragem, e fui ao barbeiro. E, assim, pela primeira vez em 15 anos de vida, deixei as minhas orelhas de fora. Você pode até pensar que foi uma conquista estúpida, mas estamos falando de uma das diversas etapas do rompimento do meu cordão umbilical. Um processo, aliás, que ainda não terminou. Porque uma vez caçula, sempre caçula.

Agora, o lado romântico da história. The People Who Grinned Themselves To Death também é um dos discos que mudaram a vida da mulher que hoje pela manhã voltou a me olhar com paixão. E acho que, mesmo com as minhas orelhas de abano, ela até que me acha um cara bonitinho.

Posted at 01:03 by spectorama ::

Sábado, Setembro 28, 2002
Don't think, just shoot
Só para constar: fotografar com uma Lomo é divertido demais. Logo irei digitalizar as fotos e disponibilizá-las na minha LomoHome.

Posted at 23:26 by spectorama ::

Sexta-feira , Setembro 27, 2002
E se...
...Bonequinha De Luxo fosse real e a Holly Golightly casasse mesmo com um brasileiro? Será que hoje teríamos netas tão bonitas quanto a Audrey Hepburn andando por aqui?

Posted at 16:49 by spectorama ::

Yoshimi é faixa preta em caratê
Mas nem tudo está perdido.

Yoshimi vai me ajudar a destruir os robôs cor de rosa.

Posted at 16:33 by spectorama ::

Travado
Eu até queria escrever hoje. Mas não dá. As palavras não saem. Travei.

Posted at 16:10 by spectorama ::

Da série músicas dos Smiths que deveríamos ouvir mais
Death Of A Disco Dancer. Que música.

Posted at 10:32 by spectorama ::

Quinta-feira, Setembro 26, 2002
A espera
Eu vou esperar com calma. E paciente. Zen como todo oriental deveria ser. Mas não vou esperar sentado, ok? Vou esperar de pé. Quero estar pronto para abraçar você.

Posted at 14:35 by spectorama ::

Check in
Vitaminas.

Yankee Foxtrot Hotel do Wilco.

Marlboro Lights.

Meia dúzia de livros de Douglas Coupland no chão.

Chá verde.

Coca-Cola em lata.

Pronto.

Hoje à noite vou fazer meu check in para o Cassino Hotel.

Posted at 11:37 by spectorama ::

Guitarras fazendo sexo
Reacreditar no rock and roll é fácil. Basta ouvir Built To Spill. Bem alto.

Posted at 11:28 by spectorama ::

Beautiful Audrey
Que fique registrado: Audrey Hepburn foi a mulher mais bonita que já pisou na Terra.

Posted at 10:09 by spectorama ::

Quarta-feira, Setembro 25, 2002
The thing called love
Então. Hoje é dia do Rei por aqui. O que me faz lembrar daquele filme do diretor Peter Bogdanovich chamado The Thing Called Love. É o último trabalho do grande River Phoenix, antes do cara morrer de overdose. Ele é um músico country em Nashville que se apaixona por uma cantora, interpretada pela bela Samantha Mathis. Um dia os dois decidem ir até Graceland. E na parte de trás de uma velha camionete eles dançam Can't Help Falling In Love. Se eu não me engano é mais ou menos isso que acontece. E eu nunca dancei Can't Help Falling In Love.

Posted at 21:03 by spectorama ::

... because I love you too much baby
Uma das minhas maiores dúvidas é por que diabos Suspicious Minds, do Elvis Presley, tem aquele final falso. Eu realmente gostaria de saber o motivo.

Posted at 20:50 by spectorama ::

Can't take my eyes off of you
É o jeito que você me vê que me faz querer você. Não entendeu? Leia o primeiro parágrafo.

Posted at 20:48 by spectorama ::

Dream a little dream of me
Eu fecho as portas dos armários antes de dormir para que os meus sonhos não se escondam por entre as roupas. Não quero encontrar um pesadelo no bolso do jeans no outro dia.

Posted at 16:17 by spectorama ::

Dupla não, casal
Somos também como Carole King e Gerry Goffin.

Posted at 14:55 by spectorama ::

Dupla
Eu e você, quando estamos juntos, somos como Jerry Lieber e Mike Stoller.

Posted at 14:52 by spectorama ::

Viva Las Vegas
Quando adquiri a coletânea 30 #1 Hits do Elvis Presley sabia que se tratava de um caça-níquel. Mas agradecer à Nike no encarte é um pouco demais. De qualquer forma, é um discão.

Posted at 14:32 by spectorama ::

Hope
Esperar nem sempre significa ter esperança.

Posted at 10:51 by spectorama ::

Terça-feira, Setembro 24, 2002
O seu riso voa
Tem risadas voadoras no primeiro parágrafo.

Posted at 22:49 by spectorama ::

Comente
Jorge Penny escreveu perguntando se eu penso em colocar um sistema de comentários aqui.

E você? O que acha?

Posted at 20:59 by spectorama ::

Conselhos do Tio André
Gabriel, o sobrinho gigante, disse que gostaria de ser médico para poder ganhar muito dinheiro. Você vê como são as coisas. Esta história de vocação não existe mesmo. Mas já que ele quer ser médico, vou sugerir para que seja um cirurgião plástico. E então ele poderá abrir uma clínica especializada em recriar ícones da beleza. Por exemplo, Brad Pitt é sem dúvida nenhuma o homem mais bonito do mundo. Tenho quase certeza que a minha vida seria bem melhor se eu tivesse o rosto dele. Gabriel poderia ficar milionário tranformando rostos normais em Tom Cruise, Cindy Crawford, Audrey Hepburn, James Dean, Rodrigo Santoro, Gisele Bündchen. Acho que vou registrar esta idéia.

Posted at 17:43 by spectorama ::

Os 30 discos dos meus 30 anos - Parte Quatro
A Revolta Dos Dândis - Engenheiros Do Hawaii

Às vezes, quando leio a palavra escritor ao lado do meu nome, sinto que estou insultando os meus autores prediletos. Falsa modéstia, insegurança, imaturidade, acredite no que você quiser. É a verdade, é o que sinto, e em dias como hoje apenas os sentimentos são verdadeiros.

Mas antes de jornais, revistas, fanzines, blogs e afins, havia o Flávio. Até os meus treze anos ele era apenas o primo que morava em uma casa na região metropolitana de Porto Alegre, com horta, galinhas e até um riacho para pescar. Nós brincávamos nos finais de semana, colocando fogo em bonecos Playmobil e fazendo carrinhos com madeira.

Até que uma viagem mudou tudo. Depois de um mês em Londrina, na casa de nossa tia, conhecendo o maior número de japonesas bonitas que já vi em minha vida, e ouvindo muita música, eu e ele deixamos de sermos somente primos para nos tornarmos grandes amigos. Logo ele aprendeu a tocar violão, com aquelas revistas com cifras que compramos em bancas, e nós começamos a nos encontrar sempre, para beber, fumar escondido e conversar sobre meninas. Era tempo de cigarros avulsos, Keep Cooler, reuniões dançantes, além de muito rock inglês e gaúcho. Sim, rock gaúcho. Nós adorávamos Cascavelettes, Replicantes, TNT, De Falla. Mas nenhuma banda do Rio Grande do Sul foi tão importante para nós quanto Engenheiros Do Hawaii.

Pronto. Você está olhando de cara torta. Ou quer desistir de ler. Por favor, tenha calma. Pode parecer sacrilégio, mas o segundo álbum dos Engenheiros é, na minha opinião, um dos melhores discos do rock nacional. A Revolta Dos Dândis possui uma sonoridade completamente diferente do que se fazia no Brasil naquela época. Talvez por causa do ego de Humberto Gessinger, o seu contrabaixo era o instrumento à frente de todos, formando uma cama sonora para as guitarras e violões de pitadas folk de Augusto Licks. Em suas onze canções, o disco resume tudo o que a banda, em suas dezenas de formações, fez nos trabalhos posteriores: melodias inspiradas, letras recheadas de trocadilhos, arranjos ora Roger Waters, ora Rush. A diferença é que em 1987 aquilo soava maravilhosamente novo e bom.

Por muito tempo Infinita Highway foi o nosso hino. Longa, quilométrica, épica. Até hoje sinto dores no peito quando lembro de sua linha de baixo. E o que falar de Refrão de Bolero? Eu e Flávio tínhamos o sonho de nos apaixonarmos por uma Ana só por causa da música. Terra De Gigantes então... essa era a predileta de nossas noites voz e violão.

E ainda havia os shows. Nós dois vimos mais de uma dezena de shows dos Engenheiros. Ficávamos de boca aberta com as improvisações do trio. Mal sabia a gente que aquilo não passava de releitura dos discos dos anos 70 que odiávamos. Para você ter uma idéia de como a gente era fã, o Flávio um dia conseguiu pegar uma palheta do Humberto Gessinger, e eu ganhei uma baqueta do Carlos Maltz.

Não há como separar a A Revolta Dos Dândis da minha amizade com o Flávio. Este guitarrista maluco, filósofo de quinta, dono de um coração gigante e perdido, que a esta hora deve estar em algum lugar no Japão. E não há como separar o Flávio da palavra escritor. Porque foi ele que, em uma carta escrita à mão (ah, estes e-mails impessoais), disse em um P.S. depois de me desejar feliz 16 anos: André, tu é um escritor. E, mesmo com todo o meu jeito torto de pensar, não vejo nessa frase nenhum insulto aos grandes nomes da literatura.

Posted at 15:04 by spectorama ::

O cara é foda
Isso é que dá ler os contos do Gustavo Fischer antes de dormir. O cérebro começa a pensar sem parafusos. Se é que você me entende.

Posted at 09:55 by spectorama ::

Children of the revolution
As crianças da geração pós-punk, crescidas sobre a influência do do it yourself, que um dia trocou o it por money, desembocando na new wave de cabelos esculpidos por falsos Rodins produzidos em série, bem, essas crianças foram expostas às mídias tradicionais e antes desconhecidas. Cobaias, talvez. E agora o estrago já foi feito. Os pais que hoje têm entre vinte e trinta anos, criados na classe média que iniciava o seu processo de extinção, começam a aplicar a mesma teoria de futuro feliz na educação de seus filhos. São matriculados em escolas de línguas, artes marciais, futebol, natação, vôlei, tênis, computação, piano, guitarra. E alguns ainda freqüentam encontros em igrejas e coisas parecidas. Como os pais, são capazes de ler e-mails enquanto assistem aos seriados da Sony, jantam, fazem o dever de casa e ouvem música.

Esta é a nossa geração: a geração das crianças multi-tarefas.

Mas os meus filhos. Ah, os meus filhos não. Vou criá-los em uma casa do interior. Sem televisão. Sem computadores. Sem a pressão de acompanhar os filhos dos outros. Nós vamos ouvir velhos vinis dos Beatles, e a primeira frase em inglês que eles vão aprender será i wanna hold your hand.

Uma coisa de cada vez.

Uma coisa de cada vez.

Posted at 09:49 by spectorama ::

Segunda-feira, Setembro 23, 2002
Aqui o SAC funciona (às vezes)
A leitora Glaurea Oliveira reclamou. E foi atendida. Ela á a co-autora do primeiro parágrafo de hoje.

Posted at 21:53 by spectorama ::

Beulah says
If we can land a man on the moon, surely I can win your heart.

Que frase.

Imagine quando chegarmos em Marte.

Posted at 17:35 by spectorama ::

Chet & Manuela
Manuela deixou de presente na minha caixa postal uma foto de Chet Baker. O que me faz lembrar que estou devendo uma revista para a garota. Sou um cara relapso mesmo.

Posted at 13:50 by spectorama ::

Ross Geller sabe das coisas
Ontem aconteceu a premiação do Emmy, o tal Oscar da televisão americana. Sou um fã confesso de alguns seriados e sitcoms, como Wonder Years, Mad About You, Party Of Five, Ally McBeal e Will & Grace. E, claro, Friends, que ganhou o Emmy de melhor seriado de comédia. Em um dos episódios dos seis amigos de Nova Iorque, o personagem Ross diz que a sua melhor música de amor de todos os tempos é Tupelo Honey, do mestre Van Morrison.

Então tá: em homenagem ao Friends, a música do dia é Tupelo Honey.

Posted at 12:18 by spectorama ::

Just like starting over
Feliz 2002 para vocês.

Estou tentando começar tudo de novo.

Tudo.

Posted at 12:10 by spectorama ::

Sexta-feira , Setembro 20, 2002
Máximas do Mini
Ele é que tem razão.

Se eu tiver um walkman, eu vou passear, eu vou ver o sol se pôr. Se eu tiver um walkman, eu vou trabalhar sem te esquecer. Se eu tiver um walkman, eu só vou te ouvir, eu só vou sentir você. Se eu tiver um walkman, eu vou ficar bem. Eu vou ficar bem.

Baixe a música Walkman no site do produtor Cholly.

Posted at 17:21 by spectorama ::

A design for life
Roubo versos dos outros.

We don't talk about love, we only want to get drunk.

I'll take a picture of you to remember how good you looked, like memory it has disappeared, naked and lonely within my fears.

And if you need an explanation then everything must go.

I want to fly and run until it hurts, sleep for a while and speak no words in Australia.

The happier I am when I'm with you, the harder it gets when I'm alone.

What's the point in always looking back, when all you see is more and more junk.

Posted at 15:39 by spectorama ::

Pensamento bobo do dia
A vida deveria vir com a função auto-reverse.

Posted at 15:30 by spectorama ::

2002
O meu inferno astral chegou cedo demais.

Por que diabos os anos pares sempre são piores que os anos ímpares?

Ou será que é só comigo?

Posted at 13:31 by spectorama ::

Dear diary
Eu gostaria de não ter vergonha e pudor, e transformar isso aqui em um diário íntimo. Gostaria de poder me abrir com você.

Mas provavelmente você iria pensar que tudo não passa de ficção.

Posted at 13:29 by spectorama ::

Festa da Giovanna
Esta frase link para fotos da Festa da Giovanna da FGV é apenas um teste para verificar quantas pessoas irão acessar o spectorama por causa do assunto. Quero medir o quanto nós gostamos de um reality show.

Ou seja, se você chegou aqui em busca das tais fotos, peço desculpas.

Posted at 10:37 by spectorama ::

Quinta-feira, Setembro 19, 2002
Coming back to you
Duas mulheres e um jardim esperam por você no primeiro parágrafo.

P.S.: O texto de hoje só foi possível graças à versão quebra-coração de Coming Back To You, original de Leonard Cohen, gravada por Martin Gore, da banda Depeche Mode. Busque os lenços de papel e leia a letra.

Posted at 22:30 by spectorama ::

Os 30 discos dos meus 30 anos - Parte Três
Substance - New Order

Grandes artistas possuem grandes biografias. É assim na pintura, na literatura, no cinema, e, claro, na música. De Beethoven aos Beatles, de Miles Davis a Bob Marley, de Noel Rosa a Renato Russo. Os melhores músicos, aqueles que deixaram de forma incontestável os seus nomes na história, eram pessoas extraordinárias. Mesmo se não tivessem alcançado o sucesso, mereceriam ter as suas vidas contadas.

E este é o caso dos ingleses do New Order. Acredito que Peter Hook, Bernard Sumner, Gillian Gilbert e Stephen Morris protagonizaram uma das mais belas histórias da música pop, e provavelmente a mais surpreendente e importante desde a década de 80.

Bela porque os três caras, antes do New Order, faziam parte de um dos ícones do pós-punk inglês, o, na minha opinião, superestimado Joy Division. Em 1980, no auge do sucesso, viram a carreira ser prematuramente abortada com o suicídio do amigo, vocalista e letrista Ian Curtis, considerado a alma da banda. Eles poderiam ter desistido, mas respiraram fundo, chamaram a tecladista Gillian Gilbert e formaram o New Order.

Surpreendente porque, mesmo com a descrença do público e da crítica, este quarteto de Manchester logo conquistou o mundo.

E importante porque não seria exagero dizer que o New Order é um dos grandes responsáveis pela consolidação da música eletrônica nos anos 90. Ouça Chemical Brothers, por exemplo. É impossível acreditar que aquelas batidas seqüenciadas com soul não têm origem direta nos grooves de Blue Monday.

A verdade é que a banda não fazia apenas músicas irresistíveis em uma pista de dança. As músicas eram irresistíveis, ponto. E eram a alegria das minhas tardes pós-escola enquanto ouvia a velha e boa Rádio Ipanema. Canções como Love Vigilantes, do álbum Low Life, e Paradise, do Brotherhood, simplesmente me injetavam um ânimo antes desconhecido. Ouvir New Order é como celebrar as diferenças: às vezes é rock, outras é pop, de vez em quando é eletrônico puro. E sempre é bom.

Mas o álbum do New Order que marcou a minha vida foi a coletânea Substance. O ano era 1987, e eu já tinha um aparelho de som completo só meu. Isso: só meu. Um Akai lindo, lindo, com caixas acústicas enormes. Alguns meses mais tarde, roubei as caixas Gradiente das minhas irmãs e fiquei com quatro caixas em um quarto minúsculo. À tarde, quando não tinha uma alma viva em casa, ouvia os meus discos no volume máximo, quase sempre deitado no chão. Certo. Chega de devaneios. A pergunta é: por que o Substance? A resposta é: porque foi o disco que mais me fez ganhar amigos.

Em 1988, poucos meses depois de eu ter comprado o meu Substance, troquei de escola. Fui fazer o segundo grau (ou, como dizem hoje, o ensino médio) no Colégio de Aplicação. Todas as 30 pessoas da minha turma eram desconhecidas para mim. Mas logo você vai descobrindo quem é quem. E eu, lógico, era o viciadinho em rock. Lembro que levava algumas coisas para tocar na sala do grêmio estudantil. E, aos poucos, os meus colegas pediam dicas e discos emprestados. O Substance foi provavelmente aquele que mais emprestei. Era um daqueles discos que agradava a todos, do cara que só pensava em jogar futebol à loira que olhava os outros com nariz empinado. Não sei se foi culpa dos grandes hits do New Order, mas eu, que nunca me encaixei perfeitamente em nenhuma turma, acabei ficando amigo de todos.

E há ainda o Ticiano Osório. Se você mora em Porto Alegre já deve ter lido uma matéria dele no segundo caderno do jornal Zero Hora. Pois bem. Por causa do meu Substance, o cara se tornou um dos maiores fãs de New Order que conheço. Além de ser um dos meus amigos do coração até hoje.

Preciso dizer mais?

Acho que não.

Só espero que esta história esteja à altura da história do New Order.

Será?

Você é que tem que me dizer.

Posted at 14:59 by spectorama ::

Desejo
Quero escrever um conto apenas com entrelinhas.

Posted at 11:46 by spectorama ::

Frestonia
Ouvir Aztec Camera faz bem.

I am burning blue for someone who flew too near.

Posted at 11:35 by spectorama ::

Pra acordar
Onze minutos de rock and soul: Creedence Clearwater Revival com I Heard It Through The Grapevine.

Posted at 10:41 by spectorama ::

Cavaleiro Jorge
Como é não fui descobrir isto antes?

Cavaleiro Jorge é um mini-portal pessoal do ilustrador gaúcho Jorge Penny. Tem blogs (dele e da namorada Fernanda Zanuzzi) e muita coisa legal.

Ah, e eles também estão se divertindo com uma Lomo.

Vai lá, vai.

Posted at 09:29 by spectorama ::

Quarta-feira, Setembro 18, 2002
Na cozinha
Tem pepinos e papaya no primeiro parágrafo.

Posted at 22:01 by spectorama ::

As melhores canções pop de amor de todos os tempos
Eu já contei esta história milhares de vezes. Por isso, fique à vontade para fugir daqui. Mas, se ficar, saiba que você vai ter mais um motivo para me achar repetitivo, maníaco, obsessivo.

Mas vamos ao que interessa.

Um dia decidi que iria comprar um disco do Elvis Presley. Simplesmente acordei com vontade de ouvir Suspicious Minds. Aí contei o dinheiro que tinha (lembre-se: era o final dos anos 80 e eu ainda não era um assalariado), chorei por uns trocados para a minha santa mãe, e logo estava com um álbum duplo do Rei. Mas logo esqueci Suspicious Minds. Porque sou este coração mole, acabei adquirindo um relacionamento intenso com Can't Help Falling In Love. E, depois de anos de pesquisa, ouvindo outras interpretações da canção (U2, UB 40, Luka Bloom, Lick The Tins, eels, entre outros), descobri que é a melhor canção pop de amor de todos os tempos. Porque no quesito ouvir quando se está apaixonado é tão perfeita quanto no quesito ouvir quando se está na fossa. Be My Baby, por exemplo, não possui este equilíbrio (ok, John Lennon tentou transformá-la em um pedido de reconciliação, mas, apesar de emocionante, a sua versão perde em magia).

Agora venha comigo para 1997. O meu vício por discos só aumentou. E o dólar, OBA, está ali-ali com o real. Entre os trocentos CDs que comprei neste ano, estava o terceiro álbum da banda inglesa Spiritualized, uma verdadeira orquestra comandada pelo atormentado Jason Pierce. E assim que coloquei Ladies And Gentlemen We Are Floating Space no CD player não tive dúvidas: a faixa título, uma referência ao livro O Mundo De Sofia, é a segunda melhor canção pop de amor de todos os tempos. Aliás, chamá-la de pop é até ofensa. Na verdade, é pura música barroca, feita com guitarras, sobreposição de vocais e sutis elementos eletrônicos. A sua semelhança com Canon Em Ré Maior, de Johann Pachelbel, é surpreendente.

No entanto, a grande surpresa é que a mente genial e perturbada de Jason Pierce decidiu citar Can't Help Falling In Love em Ladies And Gentlemen We Are Floating Space. A mixagem original contém os versos wise men say/ only fools rush in/ but I can't help falling in love with you. Mas aí a tal de Presley Estate, que controla os direitos autorais do Rei, resolveu estragar tudo, obrigando a mudança da letra. Ok. A canção ainda ficou sensacional, mas, putz, por quê? Por quê? Só que, graças aos bons deuses da música pop, a imprensa britânica recebeu algumas cópias do compacto antes do veto dos versos. Não demorou muito para esta versão chegar à internet e, claro, ao meu computador.

Ontem à noite, enquanto me preparava psicologicamente para escrever uns capítulos do livro novo, decidi ouvir um pouco de Spiritualized. Aí lembrei dessa versão. E, uau, existem poucas músicas no mundo capazes de levar você a uma outra dimensão como Ladies And Gentlemen We Are Floating Space. E citando Can't Help Falling In Love não tem para ninguém. É covardia. Nos últimos segundos, apenas um coro gospel repete wise men say/ only fools rush in/ but I can't help falling in love with you e a gente tem essa sensação de que está flutuando mesmo.

Todo este bla-bla-bla é só para dizer uma coisa: no meu mundo de discos, tudo se encaixa perfeitamente. Veja só: a segunda melhor canção pop de amor de todos os tempos contém versos da primeira melhor canção pop de amor de todos os tempos.

NÃO É MERA COINCIDÊNCIA.

P.S.: Baixe aqui a música.

Posted at 18:17 by spectorama ::

Ela chegou
A minha Lomo chegou. Espero que funcione.

Posted at 17:10 by spectorama ::

Sodajerk
Então acordei com vontade de ouvir Buffalo Tom.

Big Red Letter Day é o nome do álbum.

É engraçado sentir que 1986 está mais próximo de você do que 1993.

Posted at 10:21 by spectorama ::

Knock-knock
Preciso urgentemente atualizar os links do spectorama. Por enquanto, deixo aqui rastros das minhas viagens diárias. E uma delas é visitar a casa da Menina do Didentro. Não são apenas posts. São post-esias. Se é que você me entende.

Posted at 10:15 by spectorama ::

Terça-feira, Setembro 17, 2002
Pianos de cauda são pianos com véu?
Pianos choram no primeiro parágrafo.

Posted at 22:00 by spectorama ::

Pensamento bobo do dia
Quero tirar férias da vida.

Onde fica o departamento pessoal?

Alguém?

Posted at 14:38 by spectorama ::

Os 30 discos dos meus 30 anos - Parte Dois
Pretty In Pink - Original Motion Picture Soundtrack

Quando você tem três irmãs mais velhas, ler a Revista Nova se torna um hábito regular. Afinal, a publicação tem tudo que atrai um adolescente. Fotos de mulheres gostosas, reportagens sobre sexo, e, aqui e ali, alguma dica sobre cinema, música, literatura. E foi em uma coluna da revista que o publicitário Washington Olivetto indicou o livro O Apanhador No Campo De Centeio, de J.D. Salinger. Fiquei intrigado com o título do romance, mas imediatamente gostei da temática. Apesar de não entender metade das coisas que lia, já tinha uma predileção por autores que falavam da realidade de jovens, como os beatniks e a maravilhosa Susan E. Hinton, responsável por obras como Outsiders e Rumble Fish (ambas adaptadas ao cinema por Francis Ford Coppola). Uma das minhas irmãs percebeu o meu interesse e reafirmou a dica de Olivetto. Resultado: comprei o meu exemplar na Livraria do Globo, no centro de Porto Alegre, e menos de uma semana depois já havia devorado duas vezes o livro.

E é lógico que esta minha paixão pela vida dos adolescentes também se estendeu ao cinema. Ora, o ano era 1986, e o diretor, roteirista e produtor John Hughes estava se tornando um mestre no assunto, principalmente depois de Gatinhas E Gatões e O Clube dos Cinco. Mas o primeiro filme que vi com a marca Hughes foi A Garota de Rosa Shocking, no Cine Vitória. Talvez seja uma escolha estúpida demais, e nada intelectualizada para um escritor, mas este romance protagonizado por Andrew McCarthy e Molly Ringwald é uma das bases da minha literatura, ao lado de O Apanhador No Campo De Centeio e histórias em quadrinhos. Além disso, o filme também é essencial para a minha formação musical. É impossível esquecer a cena de abertura, com Pretty In Pink, dos Psychedelic Furs, servindo de fundo para que Molly Ringwald colocasse a sua meia-calça preta. Óbvio que saí do cinema desesperado para comprar a trilha sonora.

Infelizmente, aqueles eram dias de mesadas. Ou melhor, uns trocados por semana para comprar sorvete, o meu alimento principal que, graças a Deus, os meus pais nunca deixaram de fornecer. Por isso, aproveitei uma ida noturna ao shopping center e, novamente na Lojas Renner, convenci o Seu Takeda que o seu filho merecia mais uma fita cassete. Ok, você deve estar pensando é apenas uma fita cassete. NÃO, eu digo em letras maiúsculas. Naquele pequeno pedaço de plástico estão as primeiras músicas que ouvi de bandas fundamentais como New Order, The Smiths, Orchestral Manouvers In The Dark e Echo & The Bunnymen. Você sabe o que isso significa? Bunnymen, por exemplo, é a minha banda do coração, aquela que está acima de tudo e de todos, e foi A Garota De Rosa Shocking que abriu os meus ouvidos.

E foi ouvindo diversas e diversas vezes Bring On The Dancing Horses (dos Bunnymen), If You Leave (do OMD), e Please Please Please Let Me Get What I Want (dos Smiths) que adquiri a mania de escutar música no volume máximo, deitado no chão, tocando uma guitarra imaginária. Depois dessa fita cassete também iniciei uma campanha por um walkman, se bem que não lembro quando ganhei o meu primeiro walkman.

O mais legal é que a trilha sonora está longe de ser perfeita. Metade das músicas são muito, muito ruins, com todos os clichês do rock dos anos 80. Até mesmo New Order e OMD podem soar datados, se compararmos com a música eletrônica feita nos dias de hoje. Mas, puxa, quem disse que as coisas mais importantes de nossa vida têm que ser perfeitas? O fato do álbum ter canções horríveis fez com que eu prestasse mais atenção nas boas faixas. Provavelmente foi ali que começou o meu comportamento maníaco-obsessivo de ouvir 100 vezes seguidas algo que gosto.

Hoje, tenho uma edição da trilha sonora em CD. A fita cassete está guardada em uma armário em Porto Alegre, junto com algumas coisas que escrevi quando era um adolescente (cronologicamente falando, é claro) e, confesso, algumas fotos de mulheres gostosas que recortei da Revista Nova.

Falando nisso, será que já chegou a edição deste mês aqui na agência que trabalho?

Posted at 14:00 by spectorama ::

Segunda-feira, Setembro 16, 2002
Pulgas
Tem uma pulga no primeiro parágrafo.

Posted at 19:58 by spectorama ::

Sentido
É isso que faz sentido quando você chega perto dos 30 anos.

1. Fechar os olhos e sonhar.
2. Abrir os olhos e sangrar.
3. Deixar a mente orar por notas.
4. Descobrir que você não é nada.
5. Ser seduzido sem o fetiche do corpo.

Posted at 16:50 by spectorama ::

Faustão? Gugu?
Às vezes a vida parece uma grande pegadinha. Onde estão as câmeras?

Posted at 15:33 by spectorama ::

O design do som
As capas dos discos de jazz são muito mais legais. Visite aqui e aqui.

Posted at 11:04 by spectorama ::

Domingo, Setembro 15, 2002
Contagem regressiva para os meus 30 anos
Em dezembro deste ano completarei 30 anos. E daí? E daí que irei comemorar escrevendo aqui sobre os 30 discos que mais marcaram a minha vida. A lista segue a cronologia das minhas descobertas, por isso The Cure, por exemplo, vem antes de The Velvet Underground. Espero que você goste dos textos. Afinal, isso sim é que é autobiografia.

Posted at 19:28 by spectorama ::

Os 30 discos dos meus 30 anos - Parte Um
The Head On The Door - The Cure

Antes dos discos apenas fitas cassete tocadas em um pequeno aparelho Sharp. Era uma época sem grandes obsessões também. Música era somente música. Algo para ouvir em meu quarto, quem sabe um pretexto para ficar sozinho em uma casa com três irmãs mais velhas.

Mas no final do verão de 1986, quando voltava da casa da praia de um primo mais velho, o rádio do carro estava sintonizado na Ipanema de Porto Alegre. É ridículo afirmar que vinte segundos de uma canção pop podem mudar tudo. No entanto, a vida está cheia desses momentos ridículos, insignificantes até, e muitas vezes nem prestamos atenção. Porque, acredite, se prestássemos, viver seria muito mais simples. A canção iniciava com uma virada de bateria, um baixo marcante e, aos quinze segundos, um violão aceleradíssimo parecia preencher todos os espaços possíveis do carro. E, mesmo se a melodia da letra não fosse tão cantarolável e, ainda assim, diferente de tudo que ouvira até então, o estrago já havia sido feito: Inbetween Days, da banda inglesa The Cure, é, sem dúvida nenhuma, a culpada pelos anos de obsessão pela música pop que viriam a seguir.

A primeira providência do início de março daquele ano foi convencer o meu pai de que eu precisava de uma fita cassete daquela banda. As minhas irmãs possuíam um aparelho de som completo, e agora este era o meu sonho, mas sabia que deveria esperar no mínimo até o meu aniversário por um presente destes. Aproveitei a ida anual ao shopping center para comprar roupas para a escola, e, nas Lojas Renner, perguntei se ele não estava disposto a me dar um pequeno presente. Apesar de ter outras cassetes em casa, coisas como Dire Straits e Madonna, o The Head On The Door logo se tornou um marco. Este álbum, sem dúvida o mais pop da longa carreira do The Cure, é o início oficial da minha coleção de discos. E, por causa dele, comecei a freqüentar outros bares, a ler as primeiras edições da Revista Bizz (até hoje sou grato de coração pelas dicas de gente como Sonia Maia, José Emilio Rondeau, José Augusto Lemos, Jean-Yves de Neufville, Alex Antunes, Fernando Naporano, Ana Maria Bahiana, Thomas Pappon, Marcel Plasse, Pepe Escobar, entre outros), a ser um rato de lojas de discos.

Os grandes fãs da banda talvez não concordem comigo, mas neste disco estão, uma após a outra, dez das melhores músicas que Robert Smith já escreveu em sua vida. É um dos raros álbuns que coloco e deixo rolar, ouvindo todas essas canções que transformaram a vida de um adolescente: da abertura perfeita com Inbetween Days ao clima latino de The Blood, da melancolia de Six Different Ways ao pop dançante de Close To Me.

Nos anos que se passaram, ainda nos 80, ainda fiz outras bobagens por causa da banda. Eu fiz questão de me vestir como eles, quase usei batom, e alimentava um sonho doido de trabalhar na gravadora Fiction. E, claro, em março de 1987, exatamente um ano depois daquele dia no carro, eu estava lá no Gigantinho para ver o Cure ao vivo.

Nada mais perfeito.

O primeiro show da minha vida foi da primeira banda da minha vida.

Posted at 19:25 by spectorama ::

Sábado, Setembro 14, 2002
Lições de vida
Um dos meus programas prediletos no final da década de 80 era ir ao cinema sozinho nas tardes em que não tinha aula. O Bristol, que ficava na histórica Oswaldo Aranha em Porto Alegre, era o meu lugar favorito. Uma sala pequena e velha, mas muito aconchegante. Subir aquelas escadas representava sair do meu mundinho de adolescente metido a intelectual e chato, que não sabia como tratar as garotas por quem se apaixonava.

Em 1989, então, em um dia de inverno, decidi ver Contos de Nova Iorque, um filme que reúne três curtas de Martin Scorsese, Woody Allen e Francis Ford Coppola. E esta talvez tenha sido uma das minhas mais inesquecíveis experiências cinematográficas. Porque até hoje sinto uma pontada no peito ao lembrar da primeira cena da história de Scorsese. Life Lessons abre com imagens de tintas e telas ao som de A Whither Shade Of Pale, aquele clássico da banda Procol Harum, cujo solo de órgão é uma das coisas mais bonitas da história do rock and roll. Desde então, adquiri uma certa obsessão por esta música e pelo filme. Voltei ao Bristol umas dez vezes, e depois que terminava o filme do Scorsese levantava da poltrona e ia embora do cinema. Decorei cada movimento de câmera (na minha opinião, os mais surpreendentes da carreira do diretor de O Touro Indomável), cada diálogo, cada cor que o personagem de Nick Nolte jogava sobre a tela gigante.

O relacionamento do pintor com a sua arte, em uma confusão psicótica, porém vital, com os seus relacionamentos amorosos e a música é algo que fala muito sobre a minha própria arte.

Nos últimos dias fui chamado de egocêntrico como nunca fui chamado em minha vida, deixando cada vez mais claro que, mais de dez anos depois, ainda não sei como tratar as pessoas que amo. E tudo isso se mistura de uma forma maluca em tudo que escrevo: perdido, aumento o volume do aparelho de som, e começo a escrever sem parar, como o personagem do filme, acompanhando o ritmo das músicas que ouço, em uma viagem dolorida que, infelizmente, muita gente acredita ser autobiográfica.

Não é.

Você pode até acreditar que é fácil tirar palavras de dentro de mim para expor ao mundo. Afinal de contas, o que são as minhas palavras senão um amontoado de pieguices, breguices e sentimentalismos? Mas o que você não sabe é que todos os dias eu penso em desistir.

No entanto, como o próprio pintor de Life Lessons diz se você desistir é porque já não era um artista desde o príncipio e você faz isso porque não tem escolha.

Eu não tenho escolha. E vou continuar, independente de você gostar ou não.

P.S.: Este desabafo surgiu porque o canal por assinatura HBO colocou Contos de Nova Iorque em sua programação.

Posted at 22:28 by spectorama ::

Insônia
O que você escreve é o que você vê. E o que você vê apenas você consegue ver. Então não venha me dizer que estas palavras são eu. Eu? Escritores improvisam? Jogam tintas sobre a tela? Solam com os teclados guiados apenas por uma espécie de feeling? São capazes de responder à ação do leitor como o ator responde à platéia? Sinto falta da máquina de escrever porque sinto falta do papel amassado. Bolas de folhas A4 no canto do quarto não deixam de ser uma espécie de produção. Alguém já inventou a literatura abstrata? Será que não estamos escrevendo mais do mesmo? Quando a barriga cresce demais fica difícil de enxergar o próprio umbigo. Sentir o cheiro de livros de Rosa e Cortázar me fazem querer fugir. Mas a única fuga que conheço tem o seu caminho nestas teclas tão conhecidas de um computador. Azar o seu.

Posted at 02:04 by spectorama ::

Sexta-feira , Setembro 13, 2002
Por que desistir?
Tem pipoca doce, balão e catavento no primeiro parágrafo.

Posted at 14:04 by spectorama ::

Casa nova
Pisos laminados mudam a acústica. A música me toca de forma diferente. As paredes precisam ser pintadas. Mas gostaria de comprar canetas coloridas e escrever textos e frases e versos soltos sobre a tinta branca.

Posted at 11:44 by spectorama ::

Jason
E hoje é sexta-feira 13.

Por isso, vou ouvir Portishead, que é música de filme de terror.

Posted at 11:11 by spectorama ::

Monster's Ball
Filme sobre redenção é o meu fraco. Sabe aqueles filmes que levam você ao fundo do poço junto com os personagens? E, na última cena, um olhar, um diálogo, um movimento qualquer, devolvem a esperança que um dia foi roubada da gente? À primeira vista podem ser considerados meros finais felizes. Mas, na verdade, é a vida real: quem um dia não conseguiu respirar um pouco depois de um sufoco daqueles e, então, disse tudo vai ficar bem?

O último filme que me deu um soco no estômago assim foi Magnolia, de Paul Thomas Anderson. O sorriso da personagem Claudia na cena final é simplesmente antológica. Mas, agora, Magnolia ganhou um forte concorrente. Ontem assisti no DVD A Última Ceia, de Marc Forster, e.

E.

Não tenho palavras. O filme é foda. A cena final, com os personagens, interpretados pelos ótimos Billy Bob Thorton e Halle Berry, comendo sorvete de chocolate na escada da casa é sublime.

É isso. Um dia você cai na real.

E, acima de nós, apenas as estrelas.

Posted at 11:10 by spectorama ::

Quinta-feira, Setembro 12, 2002
Jazzy
Até tentei fazer as pazes com o rock and roll. Mas então encontrei Largo, o novo álbum do pianista Brad Mehldau. Você consegue imaginar Paranoid Android, daquela banda decadente Radiohead, transformada em jazz? Se você está pensando em me dar presentes, aceito CDs de Miles Davis e John Coltrane.

Posted at 16:21 by spectorama ::

Lembranças mofadas
Tem mofo no primeiro parágrafo.

Posted at 15:05 by spectorama ::

Sampa
Desde que me mudei para São Paulo tomei mais sucos de laranja, comi mais pão na chapa, comi mais pão com bife, comprei mais CDs, li mais revistas, fui menos ao cinema, andei mais de táxi, escrevi mais textos, fui mais a shows, li menos livros, cortei menos os cabelos, fumei menos cigarro, comprei menos roupas, entrei mais em joalherias, ouvi mais bandas diferentes, fui mais a padarias, enganei mais no trabalho, andei mais de avião, comi menos costela bovina, peguei menos gripe.

Mas, bem, acho que está valendo a pena.

Posted at 11:07 by spectorama ::

Desorganizações spectorama
Não sou um cara organizado. As coisas têm os seus devidos lugares nos vários lugares por onde espalho as coisas. É confuso, mas é assim que a vida é. A bagunça não deixa de ser uma espécie de harmonia.

Posted at 10:45 by spectorama ::

Surtos
Quero entrar em uma aula de trumpete.

E depois vou usar terno, chapéu panamá e montar uma banda de ska.

Posted at 10:26 by spectorama ::

Quarta-feira, Setembro 11, 2002
Bernardo Mordomo
Ouvir a guitarra de Bernard Butler me dá vontade de acreditar de novo no rock and roll.

Posted at 17:27 by spectorama ::

Pergunta idiota
Não mexi um dedo na troca do piso do apartamento e estou muito cansado.

Será que é a idade?

Posted at 14:55 by spectorama ::

Teen love
Hoje tem amor adolescente no primeiro parágrafo.

A pergunta é: quando não tem?

Posted at 09:25 by spectorama ::

Terça-feira, Setembro 10, 2002
Minhas crianças
Eu amo os meus sobrinhos. Amo de paixão. Às vezes tudo o que desejo é passar uma tarde de domingo com eles. Cada um puxando uma parte de meu corpo. E, apesar de pensar neles todos os dias, assim sem ter motivos, existem algumas lembranças mais fortes.

Lembro quando o Gabriel, hoje com 12 (ou seria 13?), tinha uns 4 anos. Ele estava sentado no chão do meu quarto. Aí peguei um poster dos Beatles e comecei a ensiná-lo a dizer o nome de cada um. E ele aprendeu, mas, óbvio, logo esqueceu. Só que a idéia de que o tio adorava rock ficou: sempre que olhava para uma guitarra, dizia o meu nome.

Lembro quando a Fernanda, hoje com 10 (ou seria 11?), tinha uns 5 anos. Era Natal e o meu cunhado se vestiu de Papai Noel. Mas não era um Papai Noel. Era um Papai Noel de filme de terror. A coitadinha se assustou tanto que correu para os meus braços e pediu para que eu a levasse para o quarto. E ali ficou, agarrada em mim, e não deixava ninguém mais entrar. Só queria a minha companhia. Minha, entende? Aquilo me corta o coração até hoje. Foi uma das únicas vezes em que realmente senti que um dos meu sobrinhos precisasse apenas de mim.

Lembro quando o Lucca, hoje com 3 anos (desse eu tenho certeza), nasceu. Eu estava lá no hospital. Toda a família estava lá no hospital. E então o meu cunhado aparece na porta com o bebê no colo. Sim, talvez ele tivesse cara de joelho. Mas eu, no fundo, já sabia que seria essa criança genial e maravilhosa que é.

Então tá. Definição para saudade: saudade é uma criança me chamando de tio.

Posted at 22:14 by spectorama ::

I'm so sorry
Há pó por todo o apartamento. A muito custo, limpei um cantinho para eu dormir. Então, por favor, entenda a falta de parágrafos nesta semana.

Posted at 21:44 by spectorama ::

Mais bobagens
Continuando o meu plano de tornar este blog algo mais divertido, apresento agora As Melhores Coisas Do Mundo Por Este Que Vos Escreve...

1. O Melhor Sorvete Do Mundo - Escolher o melhor sorvete do mundo não é uma tarefa fácil para um viciado em sorvete. Costumo apreciar todas as marcas, formas e sabores. Com exceção do tal sorvete de iogurte, que é uma verdadeira heresia. No momento, serei óbvio. O troféu vai para o sorvete de morango da Häagen Dasz.
2. A Melhor Música Do Mundo - Nesta categoria também não há surpresas. Be My Baby, interpretada pelas Ronettes, é imbatível.
3. O Melhor Cachorro Quente Do Mundo - Eu e o meu amigo Giba Miranda queríamos executar o plano maluco de escrever um guia pop de Porto Alegre. E nele, com certeza, nós mostraríamos para o Brasil - quiçá, o mundo - o melhor cachorro quente de todos os tempos. É do Rosário, ali na frente do Colégio Rosário, em Porto Alegre.
4. O Melhor Milk Shake Do Mundo - Também é de Porto Alegre, até porque passei 28 anos da minha vida na capital gaúcha. O prêmio é da lanchonete Rib's, o que me faz lembrar o meu maravilhoso sobrinho Lucca que chama carinhosamente milk shake de misto quente.
5. O Melhor Museu Do Mundo - Um dos melhores programas para um mochileiro em Londres é visitar os museus com entrada gratuita. A National Gallery é a minha predileta porque é gigantesca, não termina nunca, e sempre tem turmas de crianças em visitas guiadas. E, acredite, não há nada mais lindo do que ver uma menina de 6 anos falando sobre um quadro do Peter Paul Rubens.
6. A Melhor Música Dos Beatles Do Mundo - In My Life, disparada.
7. O Melhor Beatle Do Mundo - Se não fosse o John Lennon ainda assim seria o John Lennon.
8. O Melhor Nhoque Do Mundo - Para não dizer que não coloquei nada de São Paulo, meu atual lar, esta categoria tem como vencedor o Buttina, um restaurante muito legal que fica ali perto da Praça Benedito Calixto.

Para o seu desespero, esta lista continua qualquer dia desses.

Posted at 11:12 by spectorama ::

Tempo de reforma
O meu apartamento virou pó.

Mas logo vai ser um lugar melhor para se viver.

Espero.

Posted at 09:41 by spectorama ::

Sexta-feira , Setembro 06, 2002
Mini e D
Eu adoro este casal. E a declaração de amor que ela postou hoje é de arrasar. Leia agora.

Posted at 18:06 by spectorama ::

Wooooow
Antes de mudar definitivamente a história da música pop com o álbum What's Going On, lançado em 1971, Marvin Gaye já era um dos mais importantes intérpretes, compositores, produtores e músicos da gravadora Motown. Os seus maiores sucessos na década de 60 foram em duetos com cantoras como Mary Wells e Kim Weston. Mas o casamento perfeito foi com Tammi Terrell. Ao lado dela, Gaye cantou canções inesquecíveis como Your Precious Love, You're All I Need To Get By, Ain't Nothing Like The Real Thing e a obra-prima Ain't No Moutain High Enough.

Em Ain't No Moutain High Enough a dupla atinge a perfeição, em uma sincronia de sentimentos de arrepiar. E, finalmente, chegamos ao ponto que queria chegar: exatamente aos 1'40", enquanto Tammi canta com todo o seu coração, Gaye solta um wooooow antológico. Tenho quase certeza que é o wooooow mais poderoso do soul, e olha que o soul já rendeu muitos wooooows legais. O wooooow de Gaye é suingado, apaixonado, sensual, violento até. Foi depois de ouvir este wooooow que me dei conta que o cara é realmente insubstituível. Amém, Marvin Gaye, amém.

P.S.: A parte triste da história é que durante um show da dupla, em 1967, Tammi teve um colapso e caiu sobre os braços de Gaye. O diagnóstico: câncer no cérebro. No dia 16 de março de 1970, depois de lutar bravamente contra a doença, ela faleceu. Gaye ainda gravou um álbum de duetos com Diana Ross em 1973. Mas o casamento não foi tão perfeito assim.

Mais P.S.: A discoteca básica para este post é Marvin Gaye & Tammi Terrell - Greatest Hits: The Sound Of Young America.


Posted at 14:04 by spectorama ::

Quatro anos
Não. Eu não sou tão pessimista quanto pareço no primeiro parágrafo.

Posted at 12:32 by spectorama ::

Histórias verdadeiras
O canal por assinatura HBO colocou em sua programação o filme True Stories, dirigido por David Byrne. Assisti em 1987, no centro de Porto Alegre, influenciado pela trilha sonora homônima dos Talking Heads. O filme foi escrito a partir de diversas histórias reais e aburdas que Byrne compilava de jornais americanos. Tem a mulher que nunca sai da cama, o casal que nunca se fala diretamente, entre outras bizarrices.

Sei que a minha escolha é absurda, mas True Stories é o meu disco predileto do Talking Heads. Além de ser pop até o último fio de cabelo, faz parte dos dois primeiros vinis que comprei na minha vida (o outro é o Ocean Rain, do Echo & The Bunnymen). Ou seja, possui um enorme valor sentimental na minha discoteca.

Aliás... alguém sabe se aquela banda decadente chamada Radiohead foi batizada assim por causa da música Radio Head do disco supracitado?

P.S.: Supracitado é um termo muito sério. Viu como sou careta?

Posted at 11:25 by spectorama ::

Coisas de meninos
Vamos deixar este blog mais divertido. Vamos escrever aqueles comentários que os blogs de meninas têm. Vamos falar do meu íntimo.

Pausa para risadas.

Começamos com Coisas Que A Maioria Dos Homens Tem E Que Eu Não Tenho E Gostaria De Ter...

1. Barba - Eu queria ter barba para poder deixar aquela barba de Falcon. Ou, quem sabe, uma costeleta decente de vez em quando. Mas tenho apenas um bigodezinho ridículo. Que, por ser ridículo, é preciso tirá-lo todo dia. Para você ter uma idéia do quão pequeno é: um frasco de espuma de barbear dura seis meses. Ah, sei, você deve estar rindo porque uso espuma de barbear. Ora, é preciso cuidar da pele, não é mesmo?
2. Pêlos no peito - Não queria ter uma floresta. Alguns fiozinhos já me tornariam um poucos mais feliz. Sabe como é, um dia vou querer ser cafajeste e aí vou ter que usar a camisa com alguns botões abertos. E sem pêlos no peito não vai ser a mesma coisa.
3. Habilidades manuais (não sexuais) - Ontem, quando olhei para o piso laminado que acabou de chegar ao apartamento e para a parede que preciso pintar, percebi que não chego nem perto do meu pai e dos meus cunhados. Mas, de qualquer forma, acho que isso é preguiça e falta de laço mesmo. Um dia, quem sabe, eu ganhe uma caixa de ferramentas de presente de Dia dos Pais, e, para não decepcionar a criança, vou ter que aprender a fazer as coisas na marra.
4. Carteira de motorista - Não sou muito fã de carros. Mas acho que isso também é falta de laço.

Deve ter mais.

Mas isto é o suficiente por hoje. Pelo menos eu gosto de futebol. Ah... mas, droga, não jogo futebol. Que espécie de homem que eu sou?

Posted at 10:30 by spectorama ::

Eu sou um lomographer!
Este blog não aceita fotos por motivos conceituais. Mas agora pode ser que tudo mude.

Acabei de adquirir uma Lomo CyberSampler.

Aviso: não, não estou me tornando um cara moderno e fashion. Continuo o mesmo careta de sempre. Mas, pelo menos, tenho uma máquina fotográfica divertida.

Posted at 10:03 by spectorama ::

Quinta-feira, Setembro 05, 2002
Azar o seu: mais um poeminha
Um poema com mais significado para quem mora em Porto Alegre, e já deu comida aos peixinhos no Parque da Redenção

quando a vida não faz mais sentido
fecho os olhos e logo imagino

a redenção

seja em seus braços
ou no parque em um domingo


Posted at 22:29 by spectorama ::

Os poemas chineses
Tem poema chinês no primeiro parágrafo.

Posted at 22:05 by spectorama ::

Sexy songs
Músicas que ouvi hoje e poderiam render belos strip-teases.

1. Stir It Up, com Bob Marley & The Wailers.
2. Let's Get It On, com Marvin Gaye.
3. Rocks Off, com Rolling Stones.

Aliás, Stir It Up é de uma sensualidade absurda (este absurda soou meio coluna social, mas ok).

Posted at 16:57 by spectorama ::

Posso dar uma de Alice?
Hoje, enquanto tomava banho e pensava na reforma do apartamento, eu me dei conta que desde que cheguei em São Paulo não queimei uma lâmpada. E em Porto Alegre vivia queimando lâmpadas. Por que será?

Posted at 16:25 by spectorama ::

Imagem do dia
Este blog não aceita fotos. Mas, se aceitasse, publicaria aqui a capa de Let's Get It On, o clássico sexy soul de Marvin Gaye. É uma das minhas fotos prediletas. A imagem consegue captar todo o espírito do disco: Marvin Gaye está em movimento, gritando, sentindo a sua música. É o perfeito retrato de um disco perfeito.

Em tempo: semana passada, mais precisamente no dia 28 de agosto, o álbum completou 29 anos.

Posted at 14:09 by spectorama ::

Tatoo you
Tipo assim: o rock'n'roll é uma instituição falida.

Mas Hang Fire, do Rolling Stones, é trilegal. Dois minutos e vinte segundos de um pianinho desenfreado.

Acho que preciso de um disco do Jerry Lee Lewis.

Posted at 10:59 by spectorama ::

Quarta-feira, Setembro 04, 2002
You look good wearing my future
Ainda sobre Alguém Muito Especial: adoro o final do filme. Keith, interpretado por Eric Stoltz, corre no meio da rua, à noite, tentanto alcançar Watts, a baterista mais linda da história do cinema, interpretada pela meiga Mary Stuart Masterson. Ela, coitada, está chorando porque o burro preferia ficar com a popular Amanda, interpretada por Lea Thompson. Finalmente eles se encontram. Ele pede desculpa, ela o chama de estúpido, ele coloca os brincos que comprara para Amanda nas orelhas dela. Aí ela pergunta: Como estou?. E ele responde: Você fica linda usando o meu futuro.

Nossa.

Só de lembrar desta cena já fico todo emocionado.

Então os dois caminham abraçados. A câmera se afasta. E começa a tocar Can't Help Falling In Love, aquela canção imortalizada pelo Rei Elvis, em uma versão tipicamente irlandesa da banda Lick The Tins.

Simplesmente antológico.

Posted at 12:10 by spectorama ::

Teen movies
Segunda-feira à noite passou na televisão a comédia para adolescentes Ela É Demais. É com aquele bonitinho de plantão, o Fred Prinze Jr., e a menina que fez o papel da Josie (das Pussycats), a Rachel Leigh Cook. Não resisto a este tipo de filme porque adoro escrever sobre e para adolescentes. Mas será que é apenas impressão minha ou as comédias teen dos anos 80 eram bem melhores? O enrendo continua basicamente o mesmo. Ou seja, aquela velha história da garota que não é popular na escola que se apaixona pelo garoto mais popular, ou vice-versa. Só que nos filmes da minha época - dizer minha época é coisa de velho - tudo parecia ser um pouco mais real.

A personagem de Molly Ringwald em A Garota de Rosa-Shocking era um patinho feio. E, o que é mais legal, não se transforma em uma princesa. Ela dá uma melhorada, é verdade, mas continua com o seu estilo de brechó. O que falar então do estudante interpretado por Eric Stoltz em Alguém Muito Especial? Puxa, o cara gasta todo o dinheiro guardado para a faculdade em um par de brincos. É triste. Nos filmes dos anos 80, os adolescentes sofriam mais. E sofrimento, caros amigos, é parte fundamental da adolescência. Precisamos dar um jeito nisso. Ou os jovens de hoje vão achar que as coisas são muito mais fáceis do que são.

Posted at 11:56 by spectorama ::

Enjoy the silence
Eu não acredito nessas coisas. Mas talvez esteja na hora de acender incensos, deitar no chão do apartamento, fechar os olhos e.

E ponto.

É isso.

Apenas ouvir o silêncio.

Posted at 11:36 by spectorama ::

Certidão de nascimento
A minha cidade está no primeiro parágrafo.

Posted at 11:30 by spectorama ::

Caribe
Desculpe aí.

Vou para Jamaica e já volto.

Posted at 10:25 by spectorama ::

Terça-feira, Setembro 03, 2002
I saw the best minds of my generation
Isso é que é poema.

Posted at 09:30 by spectorama ::

Poetando de novo
Outro poema estúpido.

na esquina da avenida brasil
entre camelôs e cachorros quentes
ali ela com ela, ela decidiu
que a sua vida estava no oriente

(então, partiu)

e nunca mais voltou
para os braços da gente


Posted at 09:20 by spectorama ::

Poetando
A partir de hoje vou brincar de escrever poemas.

olhar para você:
correr uma maratona
sem sair do lugar


Posted at 09:07 by spectorama ::

Segunda-feira, Setembro 02, 2002
Novos adultos
Você sabe que está ficando velho quando deixa de comprar uma revista de música para comprar um revista de decoração.

Estou passando pela primeira reforma de casa da minha vida.

Chega a dar frio na barriga.

Posted at 18:10 by spectorama ::

Autobahn
Vamos terminar o dia de trabalho com uma música de uma banda que sabe que é preciso expandir a mente. O meu amigo Gustavo Bittencourt tem razão: Autobahn 66, do Primal Scream, é música eletrônica das boas.

Posted at 18:07 by spectorama ::

Au-aus
Tem cachorro no primeiro parágrafo.

Posted at 15:30 by spectorama ::

Mais indicações
A Denise é namorada do meu irmão-rock. Ou seja, é quase minha cunhada. E ela está em Londres. E também tem um blog.

Posted at 10:34 by spectorama ::

Indicações
A Fran Sperb é gáucha. É fashion. É divertida. E tem um blog.

Posted at 10:32 by spectorama ::

Reggae e new age
O problema do rock and roll, acredito, é que faz com que a gente veja o mundo de olhos abertos e arregalados, injetando uma certa dose de adrenalina que às vezes não é saudável. O reggae praticamente obriga você a fechar os olhos e a relaxar. Não tem como não ficar mais calmo, mais zen. Em outra palavras: o reggae é a verdadeira música new age.

Posted at 09:29 by spectorama ::

Songs of freedom
A idéia de voltar a ouvir rock and roll está começando a ser descartada. O jornalista Emerson Gasperin, editor da Revista Frente havia me dito que a sua vida melhorou muito depois que se converteu ao reggae. Talvez seja uma boa idéia.

Posted at 09:13 by spectorama ::

Baixas temperaturas
O frio voltou e frio era para estar e agora estamos confusos que o frio voltou.

O mundo anda muito estranho mesmo.

Posted at 09:08 by spectorama ::

Domingo, Setembro 01, 2002
Dub Mamute
Ok. Lee Perry não veio. Mas a sua banda acompanhada do Mad Professor fez um dos shows mais legais que já vi e ouvi. Reggae e dub da melhor qualidade. Com direito a Police And Thieves, aquela música que o The Clash gravou. O mais genial foi ver o Mad Professor na mesa de som. Era como se estivéssemos assistindo a uma mixagem ao vivo. Sensacional.

Posted at 21:39 by spectorama ::