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Quinta-feira, Outubro 31, 2002
Melhores do ano
Novembro já dá as caras. Então vou fazer aqui a minha lista de melhores discos do ano. Ano passado fiquei emocionado porque várias pessoas pediram uma listinha dessas para mim. E eu sempre mudava. Agora estará devidamente registrada no spectorama.

1. Yankee Foxtrot Hotel - Wilco
2. Come Away With Me - Norah Jones
3. A Rush Of Blood To The Head - Coldplay
4. Sha Sha - Ben Kweller
5. Handcream For A Generation - Cornershop
6. Mali Music - Damon Albarn & Friends
7. Yoshimi Battles The Pink Robots - The Flaming Lips
8. The Eminem Show - Eminem
9. Down The Road - Van Morrison
10. Maladroit - Weezer empatado com About A Boy - Badly Drawn Boy

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Mais vício
Acho que estou ficando dependente de Supradyn.

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Passando a tesoura
Tem cortes de cabelo no primeiro parágrafo e na Menina do Didentro.

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Quarta-feira, Outubro 30, 2002
Os 30 discos dos meus 30 anos - Parte Seis
The Velvet Underground & Nico - The Velvet Undergound & Nico

Todo viciado sabe que é um viciado. Ele pode até negar. Mas que sabe, sabe. Desde criança apresentei sintomas graves de compulsão. Sempre precisei mais do que gostava. Você entende? Mais. Foi assim com os meus bonecos Playmobil, os meus gibis de heróis da Marvel, o sorriso das meninas. Com um perfil desses, poderia ter me tornado um viciado em drogas, álcool, sexo. Mas quis o destino que eu acabasse sendo um viciado em discos.

O primeiro sinal deste vício começou aos 14 anos, quando mentia aos meus pais para conseguir dinheiro para comprar os vinis que desejava. Aos 15 a situação piorou. Até o dinheiro que ganhava para comer, já que toda a minha família trabalhava e eu passava o dia todo sozinho, era gasto nas lojas do centro de Porto Alegre. E a ladeira não parecia ter fim. Eu estava condenado a ser um junkie musical.

E como todo junkie, eu sofria. Às vezes não conseguia dormir por causa de um disco que precisava. E o pior é que o meu vício sempre foi pelos discos mesmo. Gravar uma fita cassete nunca adiantou. Eu precisava sentir o cheiro do vinil, admirar a capa, ler todas as linhas do encarte. A minha vida não estava completa enquanto não visse o álbum que queria na minha prateleira.

Mas as coisas não eram tão fáceis em 1988. Principalmente se você estivesse desesperado por um disco importado. De tanto ouvir falar do The Velvet Underground, sem dúvida uma das bandas mais importantes de rock de todos os tempos, eu quase tinha espasmos ao saber que seria quase impossível ter o primeiro e clássico álbum deles em minhas mãos. E quando digo espasmos não estou exagerando.

A minha busca só acabou depois de meses revirando sebos. O único porém é que havia encontrado uma edição australiana sem a capa original. E se você já viu a capa de The Velvet Underground & Nico sabe que a capa faz parte do conceito do disco. Aquela banana concebida por Andy Warhol é um dos maiores ícones do mundo pop. Mas o que eu poderia fazer? O primeiro The Velvet Underground estava lá me esperando, pedindo para ser levado para casa, louco para passear no meu prato Akai. Decidi que iria comprá-lo de qualquer maneira, apesar do preço estúpido, já que estamos falando de um produto importado.

Sem dinheiro, fiz o que todo viciado faz. Vendi o que tinha em casa. E como só tinha discos, juntei uns vinte que não iriam fazer falta, entre eles um Lobão e um Sting que ganhei em uma promoção da Revista Bizz, e fui correndo para o sebo. O dono, mercenário, ainda pediu alguns trocados. Fiquei mais uns meses sem comer e pronto. Finalmente estava com o meu tão sonhado The Velvet Underground & Nico, a matriz da maioria das bandas que gostava, de The Jesus & Mary Chain a REM.

E como um viciado, senti o meu corpo relaxar e, ao mesmo tempo, girar a mil quilômetros por hora quando a agulha do toca-discos pousou sobre os sulcos do vinil. Como Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison, Maureen Tucker e Nico conseguiram ser tão doces e violentos em um único álbum? Em cada música, uma pequena revolução. Sunday Morning é o abre-alas, com sua melodia perfeita escondendo uma letra paranóica. Logo depois temos o proto-punk I'm Waiting For The Man, falando de drogas sobre uma batida quase tribal. E o que é Venus In Furs se não uma das melhores músicas de todos os tempos? E a apaixonante Femme Fatale? E o que dizer de I'll Be Your Mirror? Simplesmente um hino para quem está apaixonado por uma pessoa tímida. E ainda tem Heroin, There She Goes Again, Run Run Run, enfim, clássico atrás de clássico.

Se em 1988 The Velvet Underground & Nico era capaz de fazer um estrago e tanto, imagine em 1967. Por causa dele, o meu vício por música piorou. Fui obrigado a comprar mais discos da banda, de Lou Reed, de Nico, e de todas as centenas de grupos que se diziam influenciados pelas canções deste quinteto de Nova Iorque. Quando penso no quanto fiquei mais pobre por causa disso até fico com um certo peso na consciência. Mas quer saber? Esta compulsão só me faz bem. Nossa, isso parece papo de viciado mesmo.

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Buffy
Sou mesmo um desinformado. Descobri ontem que a Buffy, aka Sarah Michelle Gellar, é casada com o também ator Fred Prinze Jr.. Além de arrancar suspiros da minha namorada, o cara casa com a minha caçadora de vampiros predileta. Maldito!

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Ben e Norah
Já disseram que o cara lembra Pavement, Weezer e Ben Folds. Que ele faz rock alternativo modelo 1994 em 2002. A verdade é que Ben Kweller está longe de fazer rock alternativo. Pode parecer loucura, mas o seu disco de estréia Sha Sha é, na minha opinião, o equivalente masculino ao belo álbum Come Away With Me de Norah Jones. Assim como Ben Kweller, ela vai muito além do rótulo que lhe deram. O ponto de partida dele é o rock independente americano. O dela, o jazz com influências de música folk. Mas ambos se encontram no final da estrada, em um lugar ensolarado pelas canções pop. Por isso, acredito que são responsáveis por dois dos melhores discos de 2002. Top 5, com toda certeza.

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Treme-treme
O Edifício São Vito treme no primeiro parágrafo e no Menina do Didentro.

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Terça-feira, Outubro 29, 2002
This is the day
Você viu Empire Records? Um filme sobre um bando de jovens que trabalham em uma loja de discos? Com as belas Liv Tyler e Renee Zellweger? Bom... o filme é meia-boca. Mas tem um final sensacional. Todos no telhado da loja dançando This Is The Day, da banda inglesa The The. Quem conheça esta música sabe o que quero dizer: é alegria pura.

Aliás, o diretor Allan Moyle dirigiu outro filme super rock and roll. É o Pump Up The Volume, com o Christian Slater fazendo o papel de um estudante que mantém uma rádio pirata. E tem também a linda Samantha Mathis. Pelo menos o cara sabe escolher as atrizes e a trilha-sonora.

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Tom Dowd
Faleceu ontem o produtor e arranjador Tom Dowd. Poderia citar aqui todos os artistas que trabalharam com o cara. Mas ele merece todo o meu carinho e respeito por ser um dos mentores da obra-prima Dusty In Memphis, da também saudosa Dusty Springfield. Este álbum, de 1969, é um dos discos da minha vida.

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Oh, Donna
Donna Tartt, a escritora que citei ontem, tinha 28 anos quando lançou o seu primeiro romance. A História Secreta logo se tornou um best-seller no mundo todo. Mais do que isso: um objeto de culto. A culpa disso é da própria autora que, para desespero de seus fãs, demorou 10 anos para publicar um novo livro. Se a moça vale todo este falatório? Vale. A História Secreta, que recebeu edição nacional pela Companhia das Letras, é um dos melhores romances de suspense dos anos 90. Na primeira página você já sabe quem matou quem e, mesmo assim, não consegue parar de ler. Junte a isso o olhar cínico sobre os jovens ricos dos Estados Unidos (influência de Bret Easton Ellis) e pronto. Você tem em mãos um clássico da nova literatura americana.

O novo romance de Donna Tartt se chama The Little Friend e acaba de sair lá fora. Se for metade de A História Secreta já está de bom tamanho.

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Palandi Anderson
Homenagem ao grande Eduardo Palandi: a trilha de hoje é Coming Up, o terceiro e perfeito álbum do Suede.

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Retrovisores
No espelho retrovisor do primeiro parágrafo reflete a Menina do Didentro.

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Segunda-feira, Outubro 28, 2002
A história secreta
Donna Tartt é que é escritora de verdade.

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Grêmio, com muito orgulho
O Tarso Genro não ganhou, mas pelo menos o meu time venceu o Gre-Nal.

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Pensar enlouquece
O Spam Zine é um dos poucos e-zines que ainda leio. Tenho a impressão de que sou mal visto entre alguns de seus editores, mas ok. Ninguém está aqui para ser unanimidade mesmo. Mas tem o Alexandre Inagaki, que sempre me pareceu uma ótima pessoa. Aliás, é uma ótima pessoa. Leia o blog dele e confira.

P.S.: Tenho muita vontade de colaborar com o Spam Zine. Alguém?

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Opine
É tecnicamente impossível colocar um sistema de comentários aqui. Ou é difícil, não entendi direito. Mas vou ver se dá para fazer um fórum ou coisa parecida.

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O dia em que Kevin Rowland me mandou um e-mail
Você sabe que estou obcecado por Dexy's Midnight Runners. Então pensei em fazer uma entrevista com o doido Kevin Rowland. Depois de enviar e-mails para diversas pessoas, acabei descobrindo o agente do cara. E hoje de manhã o próprio Kevin me escreveu. Como eu já esperava, ele não quer fazer uma entrevista. Falou que não tem nada a dizer. Fiquei mais fã ainda.

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Que pena, Tarso
O meu primeiro voto para presidente foi para Roberto Freire. Tinha 16 anos e fui até a minha sessão de bicicleta. Usava um botton do cara e, para ser sincero, estava emocionado. No segundo turno, fui de Lula. Desde então, todos os meus votos foram para o PT. Dessa vez, não votei. Estou feliz, claro. Mas muito, muito triste por não ter dado o meu voto ao Tarso Genro.

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Sexta-feira , Outubro 25, 2002
Para sempre no meu travesseiro
Há duas semanas aprendi esta expressão nova: dormir para sempre. Bonito isso. E é isso que queria fazer. Dormir para sempre de tão cansado que estou.

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Free Winona
Winona Ryder está esperando a minha visita.

Mr. Deeds, sozinho, é o programa para o final de semana.

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Eleições
Sinto que deveria dar uma força ao Tarso Genro no meu Estado.

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Exames, certezas, incertezas
Positivo ou negativo? Descubra no primeiro parágrafo e no Menina do Didentro.

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Quinta-feira, Outubro 24, 2002
Recadinhos
Provavelmente irei passar o dia na cama. Então quero deixar dois recados.

1. Don't Stand Me Down, do Dexy's Midnight Runners, é foda.

2. Out Of Time, com o Manic Street Preachers, e All Or Nothing, com o Starsailor, são igualmente fodas.

Dê um jeito de ouvir tudo isso.

Mas se não está a fim, ok.

Não tenho culpa se você quer ser menos feliz.

Posted at 06:10 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Fragmento de um texto em janeiro de 2002
às vezes, quando te vejo jogada na cama, naqueles segundos de espasmo elétrico pós-gozo, às vezes fico te desejando com dezessete anos, quando nem tu nem outro conheciam teu próprio corpo, com milhares de poros a serem abertos, e caminhos desconhecidos esperando por dedos e língua e coxas, às vezes tenho este sentimento machista e hipócrita e cafajeste, te quero virgem novamente às vezes, quando a mancha de sangue escorre pelo lençol e a dor vem antes do prazer, queria poder ser o teu primeiro homem, como se isso fosse fazer diferença no cronograma de nossa paixão, às vezes sinto inveja de todos que já pressionaram o peito contra o seu, como se o teu sabor tivesse que ser exclusivo de minha boca, porque queria ser o cara que te coloca de quatro, o cara que enfia o rosto entre tuas pernas, o cara que te aperta os pulsos, o cara que te faz ultrapassar a fronteira dos dezessete anos, às vezes, quando te vejo entrar no box do chuveiro, penso em te arrancar de lá, porque não te quero limpa, sem os restos meus que em ti ficaram às vezes, e queria ser o nome que ficou grifado em tua agenda e foi repetido incansavelmente nas conversas com as amigas no recreio da escola.

Posted at 06:04 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Surto da madrugada ao som de Starsailor (quem diria)
O relógio está quase marcando seis horas da manhã. O sono já passou. Aos poucos você aprende a lidar com o cansaço em uma noite de trabalho. Agora o som está alto. E aí eu percebo. Eu tentei negar você. Tentei trocar você. Tentei encontrar outras paixões. Tentei me entregar à calmaria que a idade oferece na esquina. Mas quer saber? Eu amo você. Amo as suas guitarras, as suas distorções, os seus virtuosismos, as suas tosquices, a sua energia, os seus gritos, a sua barulheira, as suas baladas, o seu um-dois-três-quatro ad infinitum. Caralho. O que seria da minha vida sem você, meu amado e lindo rock and roll?

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Eu adoro covers, e você?
Graças a um cidadão alemão, consegui baixar todo o álbum 1 Love no Soul Seek. Para quem ainda não sabe, é uma coletânea organizada pelo semanário de música inglês NME em benefício da organização War Child. A idéia é ótima: nomes da atualidade regravando canções que foram número um nas paradas britânicas. O grande destaque é Manic Street Preacher tocando Out Of Time dos Stones (na verdade, ela foi hit na voz de Chris Farlowe). Mas a dupla McAltmont & Butler fez maravilhas também com Back For Good do Take That, os malas do Starsailor arrasam com All Or Nothing dos Small Faces e os Stereophonics não fazem feio com Nothing Compares 2 U da Sinéad O'Connor. A surpresa é o Jimmy Eat World com Firestarter do Prodigy. A música ficou irreconhecível. A decepção foi o grande Badly Drawn Boy. Mesmo acompanhado da ótima Jools Holland Band, ele não consegue melhorar Come On Eileen dos meus amados Dexy's Midnight Runners.

Mas Out Of Time... nossa. Muito foda.

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Quarta-feira, Outubro 23, 2002
Um parágrafo solitário
Já que não tenho nada para fazer aqui, decidi escrever um parágrafo sozinho. Até porque ele é baseado em fatos reais.

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Mais uma madrugada
Então tá. O ilustrador só vai enviar o storyboard às duas da manhã. Até lá eu fico aqui. Sem fazer nada.

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Doideira
De tempos em tempos acontece. A última vez foi com o Everything Must Go do Manic Street Preachers. Agora é com o Don't Stand Me Down do Dexy's Midnight Runners. Estou gostando tanto deste disco, mas tanto, que tenho vontade de jogar toda a minha coleção de CDs no lixo. Até os meus autografados pelo Ian McCulloch.

Posted at 20:52 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Introdução ao Dexy's
Ainda sobre o Dexy's Midnight Runners: Gilberto Custódio escreveu um ótimo texto sobre a banda no seu e-zine Esquizofrenia. Leia e saiba tudo sobre esta jóia perdida no tempo.

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O outro André
Hoje, no meio de uma reunião de trabalho, lembrei de uma das cenas mais legais da minha infância. Eu deveria ter uns seis anos e fui com a minha mãe ao circo. E apresentaram um tal de chimpanzé chamado André. Por motivos óbvios, fiquei maluco pelo bichinho. Aí na saída, a minha mãe perguntou se eu poderia tirar foto ao lado do meu xará. Foi lindo.

Posted at 14:02 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

As bolhas dos blogs
Bolhas de sabão voam do primeiro parágrafo para a Menina do Didentro.

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O último concerto de rock
The Last Waltz completa 25 anos em 2002. Dirigido pelo gênio Martin Scorsese, o filme traz a The Band em seu show de despedida. E que show. Neil Young, Bob Dylan, Van Morrison, Ron Wood, Eric Clapton e Muddy Waters são apenas alguns dos convidados. A energia no palco é emocionante, com todos os músicos celebrando a paixão pelo rock and roll.

Ainda vou falar mais sobre o show, afinal, The Last Waltz, o álbum, é um dos discos dos meus 30 anos. De qualquer forma, fica aqui o recado: o filme foi lançado em DVD. Assista.

P.S.: Se você é daqueles caras que faz nariz torto ao rock dos anos 70, como eu fazia até descobrir a The Band, lembre-se que até bandas mais alternativas reverenciam o grupo que acompanhou Dylan em sua fase elétrica. Levon Helm, baterista e vocalista, e Garth Hudson, multi-instrumentista, tocaram no excelente Deserter's Songs do Mercury Rev.

Posted at 10:47 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Terça-feira, Outubro 22, 2002
Soul covers
As capas dos discos de soul music dos anos 70 também são lindas. O que é a reverência de Roberta Flack neste First Take? E esta foto do álbum What Color Is Love? de Terry Callier? E o Stevie Wonder neste Music Of My Mind?

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Segunda-feira, Outubro 21, 2002
Dexy's poetry
Não havia uma banda como o Dexy's Midnight Runners nos anos 80. Liderado pelo genial Kevin Rowland, este combo juntou a atitude punk, a soul music e o folk celta em apenas três álbuns. Searching For The Young Soul Rebels, o primeiro, é um clássico. O segundo, Too-Rye-Ay, possui o hit C'mon Eileen. Mas é o terceiro que realmente surpreende. Em 1985, Don't Stand Me Down foi praticamente ignorado, principalmente porque Kevin Rowland decidiu que não estava pronto para a vida de pop star e sabotou a divulgação do disco. Além de ser ambicioso musicalmente, a banda assumiu um visual estranho, posando com uniformes de jogadores de golfe da Ivy League americana. Nada parecia dar certo. O Dexy's Midnight Runners acabou prematuramente, e Kevin se afundou na cocaína.

O motivo deste post é que em abril deste ano foi lançada na Inglaterra uma nova edição de Don't Stand Me Down, com o sugestivo subtítulo The Director's Cut. Kevin explica no encarte que na masterização do álbum em 1997, quando teve a sua primeira prensagem em CD, ele foi enganado pelo engenheiro de som, que insistiu em colocar efeitos de stereo enhancer na nova versão. Segundo Kevin, este truque funciona com bandas como o Oasis, mas não com o Dexy's Midnight Runners. O The Director's Cut, que a EMI inglesa honrosamente bancou, é a reprodução fiel do que a mente de Kevin criou, sem stereo enhancer e muito menos auto-sabotagem.

É verdadeiramente emocionante ouvir um disco como Don't Stand Me Down. Visionário, Kevin levou às últimas conseqüências a sonoridade celtic soul do mestre Van Morrison. São apenas sete canções, com letras confessionais e arranjos de tirar o fôlego, que mixam a raíz negra dos grooves dos metais e a poesia irlandesa do violino. O grande destaque é a épica This Is What She's Like, com uma introdução de dois minutos bizarra: uma conversa de Kevin e o guitarrista Billy Adams. Depois de todo este papo, ainda temos dez minutos de pura paixão. Kevin, com a sua voz grave, tenta explicar como é a sua amada, mas tudo o que ele consegue dizer é que ela não é como as outras. É a deixa para que ele critique a sociedade inglesa de forma cínica e irônica. E há ainda My National Pride, uma linda balada que, na verdade, é uma declaração de amor à Irlanda, o país natal de Kevin. Sem falar na presleyiana I Love You (Listen To This), e os oito minutos de The Waltz que encerram o disco.

Se você gosta de soul music, este é um investimento a se fazer. Até porque não é um álbum barato. Mas, em compensação, você recebe uma música inédita e um DVD com três clips sensacionais. E o mais importante: vai ter um disco imortal em sua prateleira. Aliás, Don't Stand Me Down não é um disco. É poesia pura.

Para você ter uma idéia do valor deste álbum, o famoso jornalista musical Everett True costuma dizer que Don't Stand Me Down é um dos discos que mudou a sua vida.

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Ouvidos e latidos
No primeiro parágrafo cachorros ouvem, na Menina do Didentro cachorros latem.

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Instant karma
E a última Uncut traz John Lennon na capa. Isso até poderia torná-la dispensável. Até porque o preço é quase proibitivo. Mas, veja bem, a revista vem com um CD-tributo ao ex-beatle. E tem Ian McCulloch, aquele do Echo & The Bunnymen, cantando Jealous Guy. Confesso que fiquei com uma sensação de que ele está em plena decadência, mas vale a pena. É aquela coisa. Até quando é ruim, Ian McCulloch é bom. Ainda mais interpretando Lennon.

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A noite do vovô alemão
Você já ouviu falar de Can? Sim, aquela banda alemã que surgiu no final dos anos 70 e praticamente criou o kraut rock, além de plantar as sementinhas do rock industrial. Então. Ontem São Paulo teve o prazer de receber o seu baterista Jaki Leibezeit, acompanhando o duo de música eletrônica Flanger. Juntos, eles produziram uma espécie de jazz eletrônico experimental dub. Muito, muito bom. O tal do Jaki é um vovô que toca bateria com tanta precisão que em alguns momentos você chega a acreditar que ele tem um robozinho na cabeça. E é muito simpático. Imagine um senhorzinho subindo no palco, ao lado de dois jovens ultramodernos, e simplesmente fazendo coisas com a bateria que muito guri não consegue fazer. Sensacional.

Posted at 09:17 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

A festa que nunca termina
24 Hour Party People é obrigatório para quem, mesmo aqui nos trópicos, acompanhou a transformação de Manchester em Madchester. Para quem nunca se emocionou com New Order e não dançou ao som de Happy Mondays, vale pela curiosidade, apesar de ser chato às vezes. O bom do filme é que o roteiro preferiu dar ênfase às lendas, o que traz muitos risos. De qualquer forma, a história de Anthony Wilson é muito foda. O cara simplesmente lançou o Joy Division, o New Order e os Happy Mondays. Além de ser um dos grandes responsáveis do surgimento da cultura rave. E não ficou rico com isso. Como ele mesmo explica no início do filme, a sua história pode ser resumida em apenas uma única palavra: Ícaro.

Cenas antológicas do filme: após o primeiro show dos Sex Pistols em Manchester, um dos personagens arranca o poster do Pink Floyd que tem no quarto; Tony Wilson diz que este mesmo show vai ficar para a história, o seu companheiro de televisão diz mas só 42 pessoas estavam lá e ele responde ué, na Última Ceia eram 12 pessoas; Shaun Ryder e Paul Ryder colocam veneno em pedaços de pão e matam centenas de pombos.

E tem a cena do suicídio de Ian Curtis. Nunca fui fã do cara. Mas até que me emocionei. Também, colocar Atmosphere para tocar é covardia.

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Sexta-feira , Outubro 18, 2002
The tide is high
Eu não sei de você. Mas quando eu era adolescente (cronologicamente falando) era apaixonado pela Debbie Harry. Blondie é tudo de bom.

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Mala Adams
Você ficou sabendo da história do cara que pediu uma música do Bryan Adams no show do Ryan Adams? Pois é. O caipira mais cool do rock (e muito superestimado, diga-se) desceu do palco e expulsou o engraçadinho. Que o Ryan Adams não é grande coisa como músico eu já sabia. Mas que ele não tem senso de humor é novidade.

P.S.: Se você é fã do cara, veja bem: adoro Whyskeytown.

Posted at 15:52 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Cinzas
Hoje o dia começa com Mojave 3. Combina com este cinza maldito.

Posted at 10:19 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Palavras e facas
Cortes e tédio existem no primeiro parágrafo e lá no Menina do Didentro.

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Quinta-feira, Outubro 17, 2002
Texto perdido em 1998
Primeiro vem a carência. Depois, o romance.

Não venha me dizer que passamos noites em claro pensando em alguém por causa de paixão ou atração. Muito menos amor. A razão desta busca desenfreada por um parceiro é o excesso de carência do ser humano. Nós nascemos carentes, crescemos carentes e vamos morrer carentes. Somos criados para depender de alguém: mãe, pai, irmão, irmã, tio, avó, avô, madrinha, padrinho, namorado, namorada, esposo, esposa, filhos, netos. Não importa de quem. O fato é que somos e sempre seremos dependentes.

Posted at 01:41 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Discão, discão, discão
Volto a dizer. Se você está enjoado de guitarras, curte um Elton John e quer ouvir música pop de verdade, dê um jeito de arranjar o novíssimo álbum Ben Folds Live. Acredito que já ouvi todo disco umas trinta vezes desde segunda-feira. E hoje provavelmente não saio da agência antes das seis da manhã. Dá para ouvir mais umas cinco vezes.

Posted at 01:20 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Quarta-feira, Outubro 16, 2002
We are one, but we are not the same
É difícil. Mas que a gente tenta, a gente tenta.

Posted at 23:31 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Versos de giz
Tem versos na calçada no primeiro parágrafo e no Menina do Didentro também.

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Os parágrafos da Menina
O primeiro parágrafo é, na verdade, uma adaptação do site Exploding Dog. A partir de frases e palavras enviadas por e-mail, o ilustrador Sam produz e publica belíssimos desenhos. Achei a idéia tão boa que decidi fazer o mesmo, mas inventando pequenos monólogos, histórias, fragmentos, pensamentos. Desde que o spectorama entrou no ar, em julho deste ano, já recebi mais de 300 frases. Mais do que um ótimo exercício literário, escrever os parágrafos é uma forma criativa e diferente de interagir com os leitores. Mas agora o conceito de interação, de troca de idéias, de colaboração está dando um passo à frente. Há quase dois meses venho acompanhando o blog Menina do Didentro, escrito por Ione Moraes. Sempre me surpreendo com a carga poética de seus posts, por isso não pensei duas vezes quando ela me fez a proposta de trabalharmos juntos. A partir de hoje, sempre que pudermos, iremos publicar, eu no spectorama e a Ione no Menina, dois parágrafos complementares. Funciona assim: eu escolho a frase, escrevo o texto, envio para ela e ela escreve um texto a partir do meu. Ou seja, agora os parágrafos possuem três autores diferentes. Eu, a Ione e, principalmente, você. Afinal, sem a sua parte no trato nada disso seria possível.

Posted at 14:26 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Terça-feira, Outubro 15, 2002
Emoção ou frescura?
Ontem à noite estava cansado. Queria dormir. Mas decidi ouvir o meu novo Ben Folds. E fiquei fascinado por esta música. Coloquei a faixa no repeat e comecei a escrever. Quando coloquei o ponto final no texto, estava chorando e o meu corpo estava mole. Acho que ao terminar de escrever o livro novo estarei em pedaços.

Posted at 20:07 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Dia de ação de graças
Ontem ouvi um obrigado por escrever. É ótimo ouvir isso. Mas, como vocês podem ver agora, eu é que tenho que agradecer.

Posted at 19:57 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Onde está o radar?
O Sérgio Kalil gravou e me fez prestar atenção em uma pasta de MP3 que tinha esquecido aqui no computador da agência. Radar Bros é o nome da banda. E o álbum ...And The Surrouding Moutains é a melhor coisa que o Pink Floyd fez desde 1980.

Posted at 19:47 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Desorganizado
Vou compartilhar agora a bagunça da minha mesa de trabalho. Veja só o que aqui está espalhado: escova de dentes, pasta de dente, dezenas de papeís, um pedido de criação, quatro editais de concorrência, quatro fitas VHS com comerciais antigos, celular, folhetos do Metrô, a Veja da semana, a Caras da semana retrasada, a Info deste mês, uma fita K7 gravada pela namorada, CDs (Ben Folds, Norah Jones, Beth Orton, New Order e uma coletânea compilada pelo Sérgio Kalil da banda Superphones), calendário, computador com um terço no monitor, lápis, telefone, fotografias. Tudo isso em um espaço mínimo. Preciso me organizar. Mas antes vou ali pegar um café.

Posted at 09:33 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Eu digo obrigado
A partir de hoje estarei sempre grato por você perder alguns minutos de seu tempo para ler as minhas linhas.

Posted at 09:21 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Segunda-feira, Outubro 14, 2002
Piano player
Às vezes queria tocar piano. Só para poder interpretar canções pop como Ben Folds no álbum Ben Folds Live. Mas tudo o que sei fazer é usar o teclado do computador.

Azar o seu.

E sorte da música.

Mas é sério: Ben Folds ao vivo, só com o seu piano, tem nota 10 no arrepiômetro.

Posted at 21:18 by spectorama ::

As novas doutrinas da Literatura
O caderno Mais, da Folha de São Paulo, publicou ontem as novas doutrinas da Literatura. O escolhido para escrever foi o grande Moacyr Scliar. Vale a pena ler o seu texto.

1. Mais do que nunca a síntese é bem-vinda: vivemos uma época de tempo escasso, na qual a atenção das pessoas é disputada por todos que têm algo a dizer ou a mostrar, e que não são poucos. Numa época assim, o romance-rio do passado, aquele catatau de mil páginas, não está com nada.

2. A chatice é crime, punível com a pena capital. É pior ser chato que ser medíocre, ainda que as duas condições não raro se combinem, para desgraça do leitor.

3. Humor é ótimo. Passou a época em que sisudez era sinônimo de qualidade. O sorriso do leitor equivale a um aplauso. A uma premiação.

4. Diferente do cinema, a literatura é uma coisa antiga, onde quase tudo já foi tentado. Experimentalismo é, portanto, uma faca de dois gumes. Não basta ser experimental, é preciso ser muito bom no que se está experimentando. Na literatura, como no laboratório, a maioria das experiências não dá em nada.

5. Certos estilos estavam demasiadamente ligados a uma determinada conjuntura para poderem sobreviver. Foi o caso do realismo socialista, do "nouveau roman" e até mesmo do realismo mágico. Inevitavelmente datados. Também foi o caso, mas em outro contexto, da ficção científica. Uma das vantagens das viagens espaciais (talvez a única) foi acabar com os homenzinhos verdes.

6. A época é de narcisismo desvairado, mas a palavra "eu" continua sendo das mais perigosas em literatura. Usa-se cada vez mais, e nada impede que seja usada, mas esse "eu" tem de, ao longo do texto, mostrar seu valor.

7. Outros gêneros estão disputando lugar com a ficção. No passado, o "roman à clef", inspirado em alguma figura da vida real, era muito prestigiado. Hoje, há biografias que os leitores lêem salivando: são titilantes, não hesitam em escandalizar ou em chocar e, como é o seu propósito, fazem sucesso.

8. Os séculos passam, mas a regra se consolida: boa ficção é aquela que conta, com arte, com emoção e com sabedoria, uma boa história.

Gostou? Eu adorei. É quase um resumo do que tento fazer. Apesar de querer me aventurar na ficção científica e utilizar com freqüência a primeira pessoa.

Posted at 16:28 by spectorama ::

Walverdes
Sábado teve show dos Walverdes em São Paulo. Pouca gente foi conferir a porrada deste trio gaúcho. Se eles estiverem passando pela sua cidade, não perca.

Posted at 14:00 by spectorama ::

Machismo
O meu lado machista está no primeiro parágrafo.

Posted at 13:54 by spectorama ::

Sábado, Outubro 12, 2002
O primeiro texto de Dona Teresa
Ainda sobre a Dona Teresa: obrigado pelos e-mails emocionantes que recebi. E lembrei que o primeiro texto que escrevi na vida foi um poeminha para a minha mãe. O pedacinho de papel foi entregue enquanto ela se vestia em frente a um espelho. Dona Teresa era muito vaidosa, sabiam?

O poeminha era mais ou menos assim.

Pela janela
vejo uma flor e penso
é linda como uma mãe

Por que arrancá-la?


Posted at 17:44 by spectorama ::

Sexta-feira , Outubro 11, 2002
E mais
Sou o cara mais inseguro do mundo.

Posted at 18:07 by spectorama ::

Sobre escrever
Costumo ser cético. Mas sou muito paranóico em relação ao que escrevo. Quem sabe até supersticioso. Quando eu era criança não deixava ninguém ler os meus textos até o momento em que julgava ideal para mostrá-los. E isso quase nunca acontecia. Por isso, às vezes as minhas irmãs ou os meus pais mexiam nas minhas coisas. Eu tinha ataques histéricos. E jogava tudo fora.

Coisa mais fresca, não?

Voltando ao assunto. Também não permitia que outra pessoa lesse o meu texto se não fosse aquela para quem mostrei. Por exemplo, um dia o meu pai deu um poema que escrevi (sim, escrevia poeminhas) para um amigo. Ele estava todo orgulhoso do filho, mas mal sabia que eu entraria em crise. Fiquei muito, muito irritado.

Quando eu tinha doze anos a minha mãe conseguiu que o grande Luis Fernando Verissimo aceitasse falar comigo. É que a esposa dele era cliente dela, alguma coisa assim. Eu tive a pior crise da história. Por motivos que nem eu consigo entender, passei um ano sem escrever uma linha.

E durante muito tempo guardei todos os meus textos em pastas vermelhas. Achei que desse sorte.

Hoje tenho menos paranóias. Os meus arquivos estão perdidos em disquetes e HDs em casa, no trabalho, no apartamento de meu pai. E tudo o que escrevi à máquina deve estar em alguma gaveta em Porto Alegre.

Mas, claro, ainda tenho as minhas crises, os meus ataques, as minhas frescuras. Sei que nada disso melhora ou piora o que escrevo. No entanto, a relação com as palavras é algo muito pessoal. Tão pessoal que às vezes me torno o cara mais insuportável do mundo.

Por isso, se um dia fui estúpido ou dramático com você, desculpe.

Posted at 17:55 by spectorama ::

Blogs
Blogs que deveriam estar nos links se eu não fosse um desorganizado...

1. Jonas é um adolescente que escreve muito bem sobre o nosso amado rock and roll. Vale a pena ler o seu Yer Blues.
2. Randall Neto já escreveu três romances, todos inéditos, e é um dos meus mais queridos leitores. O seu Febre Alta é garantia de boa leitura.

Tem mais. Mas eu não lembro agora.

Posted at 11:13 by spectorama ::

Ultramen
O nome do álbum é O Incrível Caso Da Música Que Encolheu E Outras Histórias. A banda é a Ultramen. Hip hop, soul, samba, ragga e hard core. Discão.

Posted at 10:25 by spectorama ::

Quinta-feira, Outubro 10, 2002
Hipnotizados
Tem show de hipnose no primeiro parágrafo.

Posted at 13:53 by spectorama ::

Dona Teresa
Dona Teresa estaria completando 62 anos hoje. Nasceu exatamente um dia após uma das maiores paixões de seu filho, o que, no meu modo de ver a vida, não é uma simples coincidência.

É difícil falar, mesmo depois de seis anos. Ainda parece que ela está viajando e qualquer dia desses irá voltar. E nestes seis anos não passei um dia sem pensar em Dona Teresa. Cada vez que sento para escrever um texto, cada vez que vejo o meu primeiro romance em uma livraria, cada vez que os meus olhos passeiam por uma página repleta de letras, em todos os momentos em que me sinto verdadeiramente eu, lá está ela. Porque, você sabe, é por ela que escrevo.

Amo e respeito e agradeço a todos que um dia decidiram ler as minhas pobres palavras. Mas não há crítica ou elogio maior do que a crítica e o elogio de Dona Teresa. Eu trocaria todos os leitores que alcancei, e a grande maioria que ainda não alcancei, para vê-la esperando na fila da minha primeira sessão de autógrafos. Desculpe, mas só ela bastaria. Porque foi ela que me mostrou a magia dos livros, foi para ela que escrevi o meu primeiro poema, é para ela que dedico tudo o que faço.

E se hoje sou este escritor de estilo simples é porque a última lição de Dona Teresa foi meu filho, esquece as metáforas, esquece as complicações, escreva coisas que todos possam ler. Provavelmente o instinto de mãe já sabia que o meu maior predicado é a minha capacidade de colocar no papel histórias sobre pessoas como eu e você. Será que estou cumprindo a minha missão? Nunca vou saber. E isso dói. Dói tanto que nunca consigo chorar, ou abraçar as minhas irmãs, o meu pai, os meus sobrinhos e dizer caralho, como ela faz falta.

Espero que você entenda as palavras de hoje. Não sei se deveria me abrir tanto, mas às vezes é bom lembrar a todos o quanto é importante saber que não somos o que somos à toa. Tudo tem um começo. E o meu começo foi no dia 10 de outubro de 1940.

Então. Se você também sabe quem começou com tudo, dê um jeito de abraçá-lo ou beijá-lo hoje. Não faça isso apenas por você. Faça por mim. Talvez assim Dona Teresa se sinta mais feliz no dia de seu aniversário.

Eu e minha mãe agradecemos.

Posted at 08:44 by spectorama ::

Quarta-feira, Outubro 09, 2002
Apenas uma declaração de amor
Vejo partes de quem amo em fotografias espalhadas pela mesa. Então descubro. É preciso amar por partes para amar por inteiro. É brega, eu sei. Mas, guria, eu amo você.

Posted at 18:12 by spectorama ::

Voltei
Você pensou que eu havia desistido?

Que é isso.

Demoro, mas volto.

Tem texto novo primeiro parágrafo.

Posted at 13:33 by spectorama ::

Quando eu tiver 62
Hoje é preciso deixar o trabalho um pouco de lado.

Se John Lennon estivesse vivo, ele estaria completando 62 anos. Nem sei exatamente o que dizer. E olha que sou capaz de ficar 62 anos falando apenas de Lennon. Todo amante de música pop, de rock and roll, tem o seu beatle predileto. O meu beatle predileto não é apenas um beatle. É um homem de verdade, um ser humano acima de tudo, cujo talento maior foi não ter medo de expor as fraquezas em cada uma de suas canções. Posso citar uma centena de compositores melhores que Lennon, e sei que você também pode fazer o mesmo. Mas ninguém compôs com tanta sinceridade quanto ele. Os discos de sua carreira solo formam uma das mais belas biografias musicadas que já ouvi. É a história de um cara como você e eu, que mudou os rumos da cultura pop, mas que era também egocêntrico, infiel, instável, deprimido e um pai ausente. Mas, ao mesmo tempo, era um cara apaixonado pelo rock and roll clássico, pela sua esposa e pela idéia de viver uma vida normal.

E por ser tão normal, tão gente como a gente, acredito que não mereça uma homenagem de ídolo. Apenas vou chegar em casa hoje à noite, colocar os discos dele para ouvir, e pensar que seria legal bater um papo com ele e, quem sabe, ouvir uma versão de Real Love ao piano.

É isso, então.

Feliz aniversário, meu amigo. Obrigado por tudo.

Posted at 12:15 by spectorama ::

Terça-feira, Outubro 08, 2002
Leituras
Finalmente encontrei uma edição em português de Franny & Zooey de J.D. Salinger. E no avião li A Balconista, romance de estréia do ator, roteirista e diretor Steve Martin. Se o livro é engraçado? De jeito nenhum. Há tempos que não lia algo tão blasé. E isso é um elogio.

Posted at 18:13 by spectorama ::

Segunda-feira, Outubro 07, 2002
Absurdo
Fui ao Rio e não conheci o Hiro.

Posted at 20:52 by spectorama ::

Tratante
Desculpe. Muito trabalho. Não dá tempo para escrever. Daqui a duas semanas tudo volta ao normal. Espero.

Posted at 20:47 by spectorama ::

Rio de Janeiro by Lomo
Tem fotos novas na minha LomoHome.

Posted at 19:28 by spectorama ::

Guri bom
Aleluia.

Finalmente uma nova voz do rock consegue me emocionar. Ben Kweller é quase um adolescente e seu disco Sha Sha já nasce perfeito.

Diria mais: é a coleção de música mais gostosa de ouvir que lançaram em 2002.

E olha que ouvi o disco apenas duas vezes e meia.

Posted at 13:43 by spectorama ::

Domingo, Outubro 06, 2002
Chegando em casa
O sol no Rio de Janeiro é mais perto que o sol dos outros.

Posted at 23:03 by spectorama ::

Sexta-feira , Outubro 04, 2002
Fragmentos de um bloco de notas
Perto de onde as ondas terminam, Melissa surge pequena, enquanto eu e meu pai, sentados em um banco de madeira, esperamos com paciência a quebra de mais um silêncio. Com a mão esquerda, ele segura um cigarro. A direita se movimenta delicamente pelo ar, regendo uma orquestra, acompanhando uma melodia que só ele é capaz de ouvir. E quando vejo Melissa tirando os sapatos, acontece. Ouço violinos, trumpetes, harpas, um piano aqui e ali.

Posted at 16:43 by spectorama ::

The catcher
Isso é imperdível para quem leu O Apanhador No Campo De Centeio. Você ainda não leu? O que está fazendo parado aí?

Posted at 11:08 by spectorama ::

Salinger é Deus
Why study when you can find true love?

E eu diria: why work when you can find true love?

Posted at 10:33 by spectorama ::

Problemas de e-mail
O meu e-mail txtmagazine.com está com problemas desde a última quarta-feira. Por favor, se quiser falar comigo use o bemybaby@spectorama.com.

Posted at 09:28 by spectorama ::

O trato
Desculpe se não estou conseguindo cumprir o meu trato. É que estou com muito trabalho. E quando sobra um tempo sou chamado por pessoas que não existem.

Posted at 09:25 by spectorama ::

Quinta-feira, Outubro 03, 2002
Casting
Os personagens de Cassino Hotel agora começam a controlar a história. Ontem o narrador chorou sem a minha permissão. Eles não me obedecem mais. Tenho uma idéia pronta para o capítulo e quando vejo nada do que planejei aconteceu. E já que são pessoas de verdade, decidi pensar em atores holllywoodianos cada vez que imagino como eles são. Vejamos.

João Pedro, o narrador, é um River Phoenix com 30 anos e totalmente atormentado.

Melissa, a cantora teen, é uma Natalie Portman de cabelos curtos e um jeito falso de ser sexy.

Letícia, a ex-namorada e melhor amiga, é uma Gwyneth Paltrow cheia de vida.

Mateus, o ex-amigo e marido de Letícia, é um Edward Norton de reações ambíguas.

Senhor Campos, o pai, é um Steve Martin com chapéu de pescador.

Parece bobagem, eu sei, mas isso é fundamental para continuar escrevendo.

Posted at 14:17 by spectorama ::

Ride Bob Ride
Ride Natty Ride de Bob Marley está entrando para a minha lista de melhores músicas de todos os tempos. Esta maravilha do álbum Survival é presença certa nos meus headphones há duas semanas.

Posted at 12:48 by spectorama ::

Quarta-feira, Outubro 02, 2002
O mundo precisa de amor
Este papo de decadência é um absurdo. Na verdade, sou um mala que anda de mal com o rock que está sendo produzido hoje. Nada mais me emociona, com exceção de Wilco e Coldplay. Por isso, estou desencavando discos antigos, e das coisas mais atuais estou dando preferência a reggae, dub e eletrônicos.

Mas a minha paixão atual é jazz. O meu amigo Sapo está me dando uma consultoria no assunto. Hoje fui atrás de coisas do pianista McCoy Tyner, que tocou com o John Coltrane, e encontrei o álbum What The World Needs Now... The Music Of Burt Bacharach. Sem comentários. Muito bom.

Posted at 16:54 by spectorama ::

Mais Pocket Book
Admiro a paixão das pessoas. Juliana Zambelo ama tanto o Belle & Sebastian que escreveu uma bela resposta ao meu post das 10h25 de hoje. Leia lá no Pocket Book.

Para encerrar o assunto (ou pelo menos parar de citar o blog da menina porque logo vão achar que estou ganhando royalties), deixo aqui algumas considerações.

1. New Order, acredito, nunca foi decadente. Sempre foi New Order, e isso é bom. É como o Jesus & Mary Chain era. Ou os Ramones, por exemplo. Essas bandas não eram decadentes porque as suas fórmulas não cansavam. A fórmula do Belle & Sebastian cansou. Adoro o álbum The Boy With The Arab Strap. É perfeito. Mas tudo o que ouvi depois foi um mais do mesmo sem sal. O show no Brasil foi realmente lindo, concordo. Nem tanto pelas músicas. Mas pela entrega da banda.

2. A entrevista com as Quadradinhas foi constrangedora porque falei demais. A culpa não foi delas. Até porque a Lara André fez um milagre editando a entrevisa. E será que alguém sabe por onde anda a Olívia Fraga?

Posted at 14:52 by spectorama ::

Cientistas
Ainda sobre o Pocket Book: existe uma parte no texto sobre o Coldplay que merece um copy and paste.

Chris Martin, por que você escreve tantas canções sobre amor ao invés de discutir assuntos como terrorismo ou fome no Terceiro Mundo?

"Questions of science, science and progress, do not speak as loud as my heart" ("Problemas da ciência, da ciência e do progresso, não falam tão alto quanto meu coração") - The Scientist

Se eu não me engano, existe uma passagem parecida no Clube.

Posted at 11:27 by spectorama ::

Pocket Book da Juliana
Juliana Zambelo fazia parte do saudoso Quadradinho. Sempre gostei muito de seus textos. Até porque temos muitas afinidades musicais. Lembro que quando esteve lá em casa, para uma das entrevistas mais constrangedoras da minha vida, ela ficou maravilhada com a foto do Stuart Murdoch, do Belle & Sebastian, que temos emoldurada. Ok, Juliana. Eu não fico bravo com você pelas críticas ao Coldplay. Desde que você me deixe dizer que Belle & Sebastian é uma banda decadente (não tanto quanto o Radiohead, veja bem).

Ah, já estava esquecendo o motivo deste post. Se você gosta de música, o Pocket Book, escrito pela Juliana, é parada obrigatória.

Posted at 10:25 by spectorama ::

Stone Roses meets Stereo MC's
Em tempo: Soul Hooligan é a surpresa da semana. Conheci a banda no disco de remixes dos Stone Roses. E na segunda-feira encontrei Music Like Dirt, o álbum de estréia deste trio britânico. É hip hop, soul, rock e psicodelia tudo junto misturado. Vale a pena conferir.

Posted at 09:04 by spectorama ::

Terça-feira, Outubro 01, 2002
Slave
Para alegrar a noite no trabalho: Le Tigre e Soul Hooligan. A gente é escravo, mas a gente dança.

Posted at 23:47 by spectorama ::

Mais fotos na LomoHome
Coloquei mais fotos na minha LomoHome. Mudei também o mural de fotos. Estou fazendo experimentações. Logo tudo vai ficar diferente.

Posted at 23:45 by spectorama ::

Minha LomoHome
Já coloquei algumas fotos na minha LomoHome. Lá existe um álbum chamado Sylvie + André. O legal é clicar em cima de uma foto e depois selecionar a opção animate (a correta é a terceira, da esquerda para a direira, com quatro retângulos). É pura diversão.

Posted at 13:25 by spectorama ::

Táxi cigano
Se você é fã do escritor J.D. Salinger como eu, e também foi bobo em perder The Royal Tenenbaums no cinema, aproveite que o filme acaba de ser lançado em DVD. O diretor Wes Anderson mergulha de forma apaixonada no mundo do autor de O Apanhador No Campo De Centeio. O sobrenome da família, os filhos gênios, a figura paterna, a pureza das crianças. O filme praticamente condensa as idéias dos contos de Salinger. Simplesmente maravilhoso.

E a trilha é nota dez. Só por ter Stephanie Says do Velvet Underground já merece todo nosso amor, carinho e devoção. Mas tem ainda a Nico cantando These Days em uma das cenas mais sexies de Gwyneth Paltrow (perde apenas para a cena dela no bebedouro em Great Expectations).

Posted at 09:39 by spectorama ::

Um grito pelo Scream & Yell
Em 1999, quando poucas pessoas acreditavam no meu trabalho, comecei a receber diversos e-mails de dois caras do interior de São Paulo. Marcelo Costa e Alexandre Petillo eram leitores assíduos das minhas soundtracks no extinto e-zine 1999, e se mostravam excessivamente empolgados com o que eu escrevia. Logo fiquei sabendo que eles editavam um fanzine em papel. A direção de arte era muito, muito tosca. Mas a qualidade dos textos compensava. Lendo o que eles escreviam sobre cultura pop descobri que a empolgação excessiva era apenas conseqüência da forma apaixonada que eles analisavam os livros, discos e filmes que gostavam.

O próximo passo, claro, seria a internet. E como e-zine o Scream & Yell cresceu. Ganhou mais leitores, colaboradores, admiradores, inimigos e amigos. O Petillo saiu para criar a Revista Zero, mas o queridíssimo Marcelo continuou tocando o barco até... hoje.

É... o Scream & Yell acabou. E talvez seja tarde demais para dizer obrigado. Mas, mesmo assim, aqui está. Obrigado por divulgar o meu trabalho antes mesmo dele ser publicado, seja com as cópias xerox dos originais do Clube ou simplesmente me dando um espaço no zine. Obrigado por apoiar o que acontece de novo na cultura pop. Obrigado até pelas fofocas que chegaram aqui em casa e muito me deixaram triste.

Acabou o Scream & Yell? Acabou. Mas você sabe, Marcelo, a paixão nunca acaba.

P.S.: Espero ansiosamente pelo seu próximo projeto. Boa sorte. Qualquer coisa, estamos aí. Sempre.

Posted at 09:38 by spectorama ::

All tomorrow's parties
Muito trabalho. Mas enquanto o meu dupla não chega, registro agora o disco que abre o dia. É o primeiro do Velvet Underground. Fundamental.

Posted at 09:28 by spectorama ::