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Sexta-feira , Novembro 29, 2002
Estafa literária
Sei que estou devendo parágrafos, mas a questão é que estou cansado. Isso mesmo: cansei. A minha cabeça precisava de um tempo sem pensar em nada que fosse relacionado aos meus projetos literários.

Mas semana que vem tudo volta ao normal.

Além disso, tenho dois contos encomendados que devem estar prontos até o dia 04 de dezembro.

Acho que cansei de novo.



Posted at 11:47 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Camera fanatic
Então. Decidi que vou colecionar máquinas fotográficas antigas e compactas (manuais ou automáticas). A minha primeira compra foi uma Olympus Trip 35 pela bagatela de trinta reais. A Sylvie fez um trabalho de mestre e deixou a câmera em ótimo estado. Nesta semana, fui o vencedor de um leilão no Mercado Livre e levei para casa uma New Canonet 28, fabricada pela Canon na década de 70. Também adquiri a minha tão sonhada Lomo Kompact Automat em outro leilão no eBay, mas ela ainda não chegou de Leningrado. E neste final de semana, um carioca vai procurar uma outra russa para mim em um mercado de pulgas do Rio de Janeiro.

O único problema é que não sei fotografar.



Posted at 11:40 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Into your arms
Os discos da manhã (se que isso lhe interessa): AM, primeiro do Wilco, a banda mais criativa do pop mundial, na minha modesta opinião; e Come On Feel The Lemonheads, dos americanos do, óbvio, Lemonheads. Aliás, este último álbum é tudo de bom. I'll Do It Anyway é uma música 100% feliz.



Posted at 11:29 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Tricolor gaúcho
Acho que vou fazer promessa para o meu Grêmio ser campeão brasileiro.



Posted at 11:24 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Quinta-feira, Novembro 28, 2002
Que venha o próximo
Ganhamos.

E agora? Quem será o próximo? São Paulo ou Santos?



Posted at 11:12 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Quarta-feira, Novembro 27, 2002
Onde o Grêmio estiver
Falando em futebol, na segunda eu assisti a Febre de Bola, o filme baseado no livro do Nick Hornby. Apesar de começar com a música There She Goes, da banda La's, achei o filme bem meia-boca. Colin Firth está muito blasé para o meu gosto. De qualquer forma, a cena em que o personagem principal entra pela primeira vez em um estádio de futebol, quando é criança, é de arrepiar. Antes do jogo começar o guri já está apaixonado pelo Arsenal. A verdade é que não existe nada mais emocionante do que sair do corredor que leva até as arquibancadas e ver toda a torcida de seu time vibrando. Só de pensar fico arrepiado. Adoro tanto ir ao Olímpico que mal presto atenção no jogo. Gosto de ver a torcida, o vendedor de picolé, o técnico, os reservas, o goleiro sozinho enquanto o Grêmio está no ataque. E ser abraçado por desconhecidos quando sai o gol... isso é que eu chamo de fraternidade.



Posted at 15:46 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Rodrigo Fabri neles, como diria o Galvão
E hoje o Grêmio vai ter que ganhar do Juventude de qualquer jeito.



Posted at 15:37 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Nothing heals me like you do
As pessoas deveriam prestar mais atenção nos discos de Heather Nova.



Posted at 11:06 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Terça-feira, Novembro 26, 2002
De onde sou
Existe uma rua em Porto Alegre chamada Doutor Timóteo. As suas duas primeiras quadras (ou últimas, não sei), quando você sai da 24 de Outubro em direção à Cristóvão Colombo, são cobertas por um túnel de árvores. No outono, as suas calçadas são forradas por um tapete de folhas úmidas. No inverno, o verde claro espanta um pouco o cinza da cidade. Na primavera, tudo são cores. E no verão, mesmo você suando com a terrível umidade da capital gaúcha, é possível sentir uma brisa sendo assoprada diretamente pelos galhos.

É na Doutor Timóteo que penso toda vez que sinto saudades da minha terra. Minha terra. Nunca pensei que um dia iria dizer isso com tanta ardência. Em dezembro, estou voltando para passar uns dias. Como diz o Verissimo, Porto Alegre é uma ótima cidade para voltar.



Posted at 22:26 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Lost cause
Tri este disco novo do Beck.



Posted at 16:06 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Minuano
Home sick.



Posted at 16:04 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Segunda-feira, Novembro 25, 2002
Wake up bomb
Despertadores tocam no primeiro parágrafo e na Menina do Didentro.



Posted at 14:04 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

These are the sad songs
Vou confessar agora: Suede é provavelmente uma das dez melhores bandas dos anos 90. Veja o disco que estou ouvindo agora. Sci-Fi Lullabies só traz lados B de singles e consegue ser melhor do que muitos álbuns dessas bandinhas hype que surgiram no Reino Unido nos últimos dois anos.



Posted at 12:38 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Classificados
De repente, comecei a gostar muito de fotografia. E estou procurando uma máquina fabricada nos anos 70 chamada Olympus XA. Se o seu pai tiver uma aí e não está usando, por favor me avise.



Posted at 10:55 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Sexta-feira , Novembro 22, 2002
Love and despair
Desesperos do bem no primeiro parágrafo e na Menina do Didentro.



Posted at 17:19 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Ice ice baby
Restaurantes e bolsas de gelo no primeiro parágrafo.



Posted at 14:24 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Quinta-feira, Novembro 21, 2002
Barcelona, Luka Bloom e Radiohead
Mas, veja você, a melhor cidade do mundo no mundo de spectorama não é Londres. É Porto Alegre. E a segunda é Barcelona. Se a capital do Rio Grande do Sul é uma mulher esperando por um convite para beber vinho em um sábado à noite, a capital da Catalunha é uma mulher vestindo vermelho, com os cabelos longos, sapatos de salto agulha e um sorriso sacana levando você de bar em bar. E foi em Barcelona que conheci o cantor irlandês Luka Bloom. Um dia o cara estava lá no pub que freqüentava e, de repente, sentou em um banquinho e começou a tocar violão e cantar. Juro: teve gente que chorou. Horas depois, descobri que o cara é cultuado na Irlanda. Desta minha viagem, trouxe dois álbuns dele. Folk de arrepiar a espinha, se é que a minha opinião lhe interessa. Mas o mais legal é o disco que Luka Bloom lançou em 2000, cujas músicas só tenho em MP3. Keeper Of The Flame traz covers acústicas de Inbetween Days do Cure, Bad da época em que o U2 valia alguma coisa, Dancing Queen do Abba, Make You Feel My Love do Bob Dylan, e mais um monte de coisa legal. Bonito é pouco para definir o disco. Mas a música que pega é a perfeita No Surprises do Radiohead em seu pico (depois, só ladeira para Thom Yorke e companhia).

P.S.: A parte do Radiohead é brincadeira, apesar de verdadeira. Recebi tantos e-mails reclamando que fico chamando a banda de decadente que decidi provocar mais um pouquinho. Desculpa aí, pessoal.



Posted at 23:06 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Cold cold heart
Ainda sobre esta história de amor à Inglaterra: encontrei este texto inédito em meus arquivos que, coincidência ou não, é o oposto do conto This Time. Não possui título, nem foi revisado. Escrevi em um momento de ócio durante um dia de trabalho do ano de 2000. E o nome do arquivo é Yo La Tengo. Provavelmente estava ouvindo um disco desta banda americana enquanto digitava estas pobres palavras.

Você lembra de quando éramos adolescentes e tudo que queríamos era passar o resto de nossas vidas na Inglaterra, ela pergunta, o som da TV do hotel ligada, quatro horas da manhã, vinte e dois graus centígrados, do outro lado da linha ele demora para responder, por alguns segundos ela chega a pensar que ele adormeceu, também, isso lá são horas de telefonar para alguém, bem que sua mãe disse que era falta de educação ligar para alguém depois das dez, lembra, ela repete, desculpa, ele diz, eu tô aqui tremendo de frio, tava colocando o aquecedor mais perto de mim, pois é isso mesmo, ela fala aliviada ao perceber que não, ele não adormeceu, é isso mesmo que queria dizer, como é que a gente iria agüentar passar o resto de nossas vidas naquele país gelado e cinzento se eu mal agüento o frio que é aí, ah, sei lá, ele suspira, existem outras compensações, tipo, ela pergunta, tipo, tipo, tipo, ora, você está na Inglaterra, Londres, sabe como é, além do mais, qualquer lugarzinho tem calefação, ele fala, mas sentir frio é tão ruim, olha só, você taí debaixo das cobertas, com o aquecedor ligado, e eu aqui, só de camiseta, falando contigo da sacada do meu quarto, nossa, ela pensou, isso foi muito direto, ele deve estar achando que eu sou oferecida, mas, porra, tanto faz, estamos a milhares de quilômetros um do outro, você tá ainda aí, ele pergunta, ah, tô sim, desculpa, tava viajando aqui, ela disfarça, viajando no quê, ele quis saber, nada não, sei lá, acho que nossas conversas estão começando a ficar perigosas, de repente tô eu aqui dizendo pra você que tô só de camiseta, não sei se deveria dizer algo assim, afinal, ela não consegue terminar, afinal o quê, ele interrompe, afinal, afinal, ela tenta encontrar as palavras, nossa, ela pensa ao olhar para o relógio, tá tarde e eu que queria ir para a praia amanhã cedinho, pegar um cor, essas coisas, afinal, nem sei o que somos, ela finalmente diz, o pior, ele fala, é que não somos nada, o silêncio, ela sem saber o que dizer, a brisa do mar tocando suas pernas, não somos nada ainda, ele acrescenta, ela não consegue esconder o sorriso, olha para a lua quase na altura de seus olhos, tá mesmo muito frio aí, ela pergunta, congelando, ele responde, então faz como eu, tira alguns dias de férias, vem me ver aqui, ela convida sem acreditar na força de suas palavras, vem passar calor comigo, ela diz, esquece a Inglaterra e vem passar o resto de sua vida suando ao meu lado.



Posted at 22:45 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Quarta-feira, Novembro 20, 2002
Suede story
O conto que reproduzo abaixo foi escrito em 1997 para o saudoso fanzine Pôneifax. Até então pouca gente havia usado o termo pop ao lado da literatura. Só o Roberto Drummond em 1970, mas isso todo mundo lembrou só no ano passado. Mas o grande Gustavo Mini Bittencourt decidiu dizer que fazia literatura sobre jovens para jovens produzida por um jovem de vinte e poucos anos. Tudo bem. Os poucos já se foram. E o efeito Hornby transformou a tal literatura pop em algo para se olhar de forma desconfiada. Mas que fique registrado: o Pôneifax teve um papel fundamental para o surgimento de diversos novos escritores. E olha que o Mini só editou três.

Voltando ao conto, decidi colocá-lo no blog por dois motivos. O primeiro é que a Gabriela Sampaio publicou hoje a letra de This Time, música da banda Suede que dá título ao texto. E o segundo é que a temática tem a ver com toda a discussão de gostar ou não das coisas daqui. Era isso. Boa leitura.

This Time

Quando me perguntaram por que diabos eu estava indo para Londres em pleno Carnaval, respondi que, além de fugir das praias, sol, samba, axé, Marquês da Sapucaí, caipirinhas, Globeleza, estava em busca de uma inglesa sem marcas de biquíni, transparente de tão branca, com os cabelos pretos e curtos, e com aquele estilo tipicamente rock and roll que sempre procurei em uma mulher. São quase dez horas da noite em um pub qualquer no So-Ho, está um frio daqueles, já estou no meu sexto copo de Guinness, e, talvez seja o efeito do álcool, mas juro que encontrei quem estava procurando. Das caixas de som, surgem os primeiros acordes de "This Time" do Suede e ela começa a dançar com uma sensualidade nada britânica. Acendo um cigarro, penso que é falta de educação ficar olhando fixamente para alguém, mas não posso evitar. Ela movimenta o seu corpo todo coberto de roupas pretas, os sapatos masculinos acompanham o compasso da música, as mãos desenham círculos imaginários no ar, e isto é muito mais bonito do que qualquer rebolado. Foda-se o samba. Na segunda vez que Brett Anderson canta "this time is yours and mine", eu me aproximo e digo "Hi". Ela responde "Hello". Tento organizar os meus pensamentos para perguntar alguma coisa decente sem tropeçar no inglês. Mas estou muito nervoso. Nervoso demais para agir sem parecer um idiota. Fico em silêncio a sua frente, enquanto ela dança como se a minha presença não a afetasse. De repente, ela aproxima o seu rosto do meu e fala "Don't you love Suede?". Afirmo movimentando a cabeça. Agora, Brett Anderson jorra pelo som "This scene is you and me", e ela acompanha com a sua voz desafinada, e não posso mais aguentar, seguro o seu pulso. Ela pára de dançar e olha para mim. Sinto em minha mão direita um tecido familiar. Meu Deus: é uma fitinha do Nosso Senhor do Bom Fim. Eu quase tenho um ataque cardíaco aqui mesmo no pub, apago o cigarro e falo "Are you Brazilian?". "Yes", ela diz. "Bahia?", eu pergunto. Ela olha para a fitinha amarrada no pulso e responde "No.... São Paulo, this was a gift". Veja como são as coisas: atravesso o oceano em busca da mulher perfeita, e ela sempre esteve no mesmo continente que eu. Começo a rir sem parar e, desta vez, sou eu quem coloca o rosto perto do dela e digo "Você tem marcas de biquíni?". Ela ri. "Há dez anos que não vou à praia", diz. Por um milésimo de segundo, nós olhamos um para o outro e voltamos a dançar. "We're the lazy sons, we're the only ones", Brett Anderson profetiza antes do maravilhoso fraseado de guitarra final, e, novamente, penso "Foda-se o samba". É isso mesmo: foda-se o samba.



Posted at 20:43 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

O conto do Spam
Tive a honra de ter um conto inédito publicado na última edição do Spam Zine. Se você ainda não assina este e-zine, vou facilitar as coisas e publicá-lo aqui.

Tatoo You

Parágrafo Primeiro. A vítima foi encontrada com o pescoço rasgado por uma corda de guitarra, os cabelos cortados em um penteado moicano e o peito marcado com a inscrição "R'N'R" rabiscado por gilete. O inspetor Russo estava em uma reunião com a diretora da escola de seu filho mais velho quando o telefone celular tocou. Ouviu com atenção os detalhes da perícia, pediu licença para a sua esposa, Desculpe, mas é uma emergência, e caminhou com pressa até a saída do prédio. Durante o dia tal tarefa era quase impossível de se realizar, uma vez que todos os corredores formavam um labirinto em formato de caracol para que os alunos não pudessem cabular as aulas. Agora, às sete e quarenta e três da noite, Russo precisava apenas atravessar uma longa passarela em linha reta. Enquanto ouvia o som de seus sapatos sobre o piso de borracha, tentava imaginar como o seu filho conseguira vencer o labirinto. Orgulhoso, não deixou de esconder um sorriso, mas havia coisas mais importantes para resolver. Ele sabia, mais do que qualquer um na Corporação, que aquele homicídio poderia significar a volta de uma onda de crimes políticos. Por isso, deu ordens ao motorista da viatura para que não se dirigisse ao apartamento onde o corpo da vítima havia sido descoberto, Vamos para os Subúrbios, existe alguém com quem preciso falar agora. Mas, inspetor, o capitão disse que precisa do senhor imediatamente. Russo não era o tipo de policial que desobedecia ordens, muito menos se sentia confortável em ir até os Subúrbios para interrogar um punk, no entanto, não havia outra alternativa. Anda logo, depois eu me entendo com o capitão, faça o que tô falando, dirija agora pros Subúrbios, você sabe se já identificaram a vítima? Ninguém disse pro senhor?, é Marcos Li. Russo não precisou ouvir o resto, deu dois tapas nas costas do motorista, Rápido, não temos tempo a perder. Parágrafo segundo. O parecer da escola foi rígido. Russo já esperava a notícia, por isso não ficou surpreso quando a sua esposa telefonou, Que vergonha, que vergonha, todos os nossos vizinhos vão ficar comentando que o filho do inspetor da Corporação foi expulso do colégio, você tem que dar um jeito nele, por favor, prometa que dessa vez não vai ser omisso. Olha, tô no meio de um caso, conversamos melhor depois. Desligou o telefone, e tentou se concentrar novamente. A família poderia esperar. Neste momento, o que estava em jogo era a estabilidade política do país. Há mais de cinco anos, quando a ala roqueira radical assumiu o poder, os crimes hediondos contra celebridades da música pop - e todas as suas divisões, da MPB ao eletrônico - foram subitamente esquecidos. No fundo, Russo desejava que a classe dos atores recuperasse a força que um dia tivera. Ou, quem sabe, os escritores pudessem, finalmente, deixar de ser apenas marionetes nos bastidores do Planalto. Mas os músicos de rock possuíam a maioria das divisas do país, além do apoio em massa da população. Eram mais atraentes, carismáticos e representavam um modelo a ser seguido pelos jovens. Grande farsa. Russo sabia que, por baixo da atitude juvenil e sensual, existia uma mentalidade fechada, preconceituosa, egocêntrica e, em alguns casos, ditatorial. E estava disposto a desmacará-los. Mesmo que isso significasse a sua aposentadoria precoce. Parágrafo Terceiro. No portão do estúdio, havia apenas uma foto em preto e branco, onde um jovem de calças rasgadas jogava a sua guitarra sobre o palco. O inspetor Russo respirou fundo e apertou a campainha. Depois de alguns minutos de espera, um homem abriu uma pequena janela do portão. Ele tinha os cabelos compridos e grisalhos, e uma longa barba tingida de vermelho. Sorriu para o inspetor, como se já o conhecesse. Ah, você não desiste, Russo. Saia pra rua agora, Tatoo, você tem muito o que explicar. Ainda sorrindo, o homem obedeceu. Quantas vezes vou ter que dizer que não tenho nada a ver com todos aqueles crimes, me deixa em paz, sou apenas um mero produtor de bandas punk, até já larguei a vida de militante. Aquele sorriso muito irritara Russo, mas desta vez ele não iria entrar naquele jogo. Não foi preso porque os seus amigos no Planalto apagaram todas as provas, mas ambos sabemos que você é um assassino filho da puta. Ora, seu inspetor, só porque tem um distintivo de merda não significa que pode ficar me acusando, me ameaçando, desembucha logo, diz aí o que quer. Tatoo sabia ser dissimulado. Ah, caralho, você sabe por que tô aqui, acabaram de encontrar Marcos Lima morto, foi enforcado com cordas de guitarra, cortaram os seus cabelos em um moicano e ainda escreveram "R'N'R" no seu peito, isso não é familiar pra você não? Uma gargalhada. Tatoo ria alto, uma risada rouca e feliz. Porra, inspetor, até gostaria de ter fodido com ele, porque aquele puto do caralho é um traidor, onde já se viu trocar o rock pelo reggae? Você sabe muito bem que o novo presidente é contra assassinatos políticos. O presidente, inspetor, é um viadinho que acha que rock é aquelas babas que canta, desse jeito vai acabar morto também. Era o suficiente. Russo não podia mais aguentar tanta provocação. Você vai agora comigo pra Corporação, tenho certeza que está por trás disso. Tatoo, surpreendentemente, entrou no carro sem que Russo dissesse alguma palavra. Eu vou, inspetor, mas já adianto que você não vai gostar de saber a verdade. Parágrafo quarto. Russo não suportava as rádios de rock. Mas enquanto levava Tatoo para a delegacia não pôde pedir para que o motorista trocasse de estação. Ele conhecia aquela música repleta de guitarras distorcidas e andamento acelerado. E, acima de tudo, conhecia a voz que gritava versos de amor ao rock'n'roll. O motorista cantava junto, Puxa, inspetor, é a quarta música da banda de seu filho que toca na rádio, ele deve estar ficando famoso. Russo, então, lembrou que deveria ter uma conversa séria com o seu primogênito. Mas, por mais que fosse contra a carreira de músico, não poderia negar o talento do filho. Nossa, inspetor, você deve estar cheio de orgulho, esse som é bom pra caralho, tô até a fim de produzir um disco deles. Mais provocação. Escute aqui, seu criminoso vagabundo, quero que fique longe dele. Tatoo, sem pedir permissão, acendeu um cigarro. Talvez seja tarde demais, talvez seja ele que não consiga ficar longe de mim. Russo não conseguia acreditar no que estava ouvindo. O seu filho tem culhão, ao contrário do pai, inspetor, tem muito culhão, e ele sabe quem entende das coisas, e quem entende de punk rock sou eu, Tatoo, o cara que melhor grava guitarras no país, e se você quer saber mesmo, inspetor, o seu filho tem tanto culhão que até aceitou fazer uns servicinhos pra gente. Com o pé esquerdo, Russo pisou no freio do carro. Desce, seu filho da puta, desce desta porra que quero falar contigo. Parágrafo quinto. Com o primeiro soco no rosto, Tatoo quebrou um dente. O sangue se confundia com o vermelho da barba, e ele continuava sorrindo. O que você tá querendo dizer, hein, me diz logo a verdade seu velho punk. Não adianta bater em mim, inspetor, isso não vai amenizar as coisas, como você acha que a banda do seu filho anda tocando tanto nas rádios de rock? Russo começou a ficar tonto. Hein? Hein, inspetor, pensa, porra, coloca este cérebro pra funcionar, você acha mesmo que era eu que matava todo aquele bando de traidores, tudo fazia e faz parte de uma troca, quem mata pelo rock'n'roll ganha fama, porque você é burro demais pra perceber que os roqueiros radicais ainda têm muita grana, e jornais, revistas, canais de televisão, sites na internet, rádios, tudo. Outro soco no rosto. Um nariz quebrado. Vem, bate mais, me arrebenta, se isso vai fazer você esquecer que o seu filho é um dos meus, é um dos nossos. Russo desferiu um pontapé no rosto de Tatoo, que, ajoelhado, caiu sobre a areia da beira da estrada. Deixou o corpo ensanguentado para trás e entrou no carro. Vamos pro local do crime, agora, rápido, e se o capitão perguntar por que demoramos tanto, você vai responder que eu tava resolvendo um problema de família. O motorista, assustado, pisou fundo no acelerador. Nervoso, Russo deu um soco no rádio, E desliga essa porra, caralho, não aguento mais ouvir rock'n'roll.



Posted at 09:46 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Terça-feira, Novembro 19, 2002
Indies e MPB
A verdade é que hoje não vou publicar mais posts curtíssimos com mensagens subliminares. Agora, neste exato momento, quero expressar aqui a minha opinião em relação a uma discussão iniciada em outros blogs que leio. Tudo começou com uma crítica ao Caetano Veloso por causa de seu desejo de gravar uma música do Nirvana. E, sem enteder exatamente os motivos, acabei sendo alvo de quem acredita que existem pessoas que jogam pedra na MPB porque idolatram tudo que é feito lá fora. Já disse e repito: o meu gosto musical não tem nada a ver com nacionalidade. Cresci ouvindo rock, como conheço pessoas que cresceram ouvindo MPB. A minha preferência é uma questão de lógica e, claro, de gosto também. E não me considero melhor nem pior por isso.

Sei que muita gente acredita que sou um defensor da cultura indie (para quem não sabe, indie vem de independente). Claro que várias bandas que cito em meus textos não fazem parte do referencial de muita gente. E não falo delas por pensar que assim serei um cara cool ou coisa parecida. Falo porque sou um apaixonado. E quando estou apaixonado, seja por uma banda, um livro, um filme, um amigo, uma mulher, não escondo. Porque meu coração é aberto, e é ele que digita as minhas palavras.

Apesar de ter uma visão mal humorada em relação ao mundo indie, não posso negar que faço parte dele. Mas, veja bem, em dezembro completo 30 anos. Aos 25 eu até poderia julgar alguém pelas músicas que ouvia. O espírito adolescente - aquele que me faz sorrir enquanto ouço agora o novo álbum do Foo Fighters - ainda existe. Só que, ainda bem, amadureci um pouquinho.

Então, quero deixar dois recados aqui.

Aos indies xiitas que acreditam que os personagens de Alta Fidelidade são legais porque massacram quem não ouve as coisas que eles gostam: lembrem-se que Nick Hornby estava tirando uma com vocês.

Às pessoas que acham que não gosto de Caetano Veloso porque ouço coisas desconhecidas como Roky Erickson e Dealership: eu posso parecer burro, mas não sou tão estúpido assim.



Posted at 14:07 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Peace, love and understanding
Pessoas reclamam que não entendem o que escrevo aqui.

Eu também não entendo.

Então estamos quites.



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Segunda-feira, Novembro 18, 2002
Girlfriend in a coma
Uma frase: um parágrafo.

Disseram que está parecido com Fale Com Ela. Mas não saio de casa para ver o amigo do Caetano. Muito menos o próprio.



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Pill hill serenade
Mark Lanegan: Field Songs.

O cara canta melhor de cabelos curtos.



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Dealerkids
Dealership: TV Highway To The Stars.

Adolescentes ligados em 220 volts em noites de baile de formatura.



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Isso é que é alt country
Roky Erickson: All That May Do My Rhyme.

A insanidade é bela. Dá até vontade de tirá-la para dançar.



Posted at 14:12 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Para gostar de ler
Charles Dickens: Grandes Esperanças.

Para quando as palavras fogem.



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Oh, my corazón
The Clash: Spanish Bombs.

Você nem imagina o amor que tenho por esta música.



Posted at 11:50 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Thank you friends
Big Star: Third/Sister Lovers.

Os anos 70 eram legais.



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Quinta-feira, Novembro 14, 2002
Double you
Eu e a Sylvie vamos escrever uma matéria sobre os 10 melhores álbuns duplos de todos os tempos. Quer ver a nossa lista?

London Calling - The Clash
The Beatles (White Album) - The Beatles
Mellon Collie & The Infinite Sadness - The Smashing Pumpkins
Exile On Main Street - The Rolling Stones
Blonde On Blonde - Bob Dylan
Being There - Wilco
Physical Graffiti - Led Zeppelin
The Lamb Lies Down On Broadway - Genesis
Drukqs - Aphex Twin
The Dark Side Of The Moon - Pink Floyd

Está bom para você?



Posted at 22:48 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Desilusões
O primeiro parágrafo e a Menina do Didentro estão desiludidos.



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14 de anos de tio
Há 14 anos a coordenadora do colégio batia à porta da sala de aula para avisar: Takeda, a sua mãe acaba de ligar para avisar que o seu sobrinho nasceu. Eu, que sempre adorei crianças, senti toda a felicidade do mundo. É uma pena que hoje estou longe para dar um abraço no guri, mas gostaria de registrar aqui que tenho os sobrinhos mais legais da face da Terra. Agora que o Gabriel está completando 14 anos, acho que vou parar de dar brinquedos. Talvez esteja na hora do japinha ganhar uns discos de rock. Ando pensando na coleção completa dos Beatles. Ou talvez uns discos de metal. Aceito sugestões.



Posted at 12:16 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

I sit and watch as tears go by
As Tears Go By. Primeira versão de Marianne Faithfull. Dá até vontade de chorar.



Posted at 09:36 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Quarta-feira, Novembro 13, 2002
Os 30 discos dos meus 30 anos - Parte Sete
Automatic - The Jesus & Mary Chain

As grandes bandas de rock and roll são capazes de emocionar tanto, mas tanto, que chega um dia em que você simplesmente daria toda a sua vida para fazer parte delas. Beatles, Stones, Ramones e Sex Pistols são apenas alguns exemplos. Mas eu nunca tive a pretensão de estar em um palco ao lado de John Lennon ou de Joey Ramone. Aos 15 anos de idade, tudo o que queria era ter o sobrenome Reid e tocar no Jesus & Mary Chain. Na verdade, a minha paixão por estes escoceses começou aos 13, graças a uma loja de discos chamada Realejo. Foi lá que Wander Wildner, então vocalista da lendária banda punk gaúcha Replicantes, convenceu este pobre mortal que valeria gastar uma grana gravando uma fita cassete com alguns compactos do Jesus. Até hoje lembro do exato momento em que coloquei a Sony EF 60, azul e transparente, no meu aparelho de som. Saí do banho, entrei no quarto e apertei o play. Quando ouvi Just Like Honey percebi que as coisas nunca mais seriam as mesmas. E, como havia previsto, não foram.

Apesar de ser um fã desesperado de Echo & The Bunnymen era pelo Jesus que eu realmente pulava, gritava, tocava guitarras imaginárias e ensurdecia os vizinhos com as suas canções tão melódicas e barulhentas no volume máximo. Eu precisava ser um Reid, com uma atitude docemente punk, roupas pretas e estilo cool. Outras bandas tentaram, e ainda tentam, mas ninguém jamais conseguiu colocar no mesmo caldeirão rock and roll clássico, pop bubblegum dos anos 60 e o som de Detroit com tanta energia e paixão. Sem falar que os caras são responsáveis pela versão mais linda do mundo para My Girl, aquele clássico dos Temptations.

E tenho consciência de que qualquer fã de Jesus sabe que o álbum fundamental de sua carreira é justamente o primeiro, o Psychocandy. Eu ainda prefiro o segundo, o lindo Darklands, mas concordo que Psychocandy mudou a história do rock. No entanto, o disco que guardo com mais carinho é o Automatic, de 1989. Não é uma escolha ruim, uma vez que ali estão clássicos como Head On e Halfway To Crazy. E, se você for um detalhista como eu, irá concordar que poucas vezes uma banda de rock conseguiu fazer algo tão bom com uma bateria eletrônica. Mas a verdade é que Automatic marcou um dos momentos mais importantes destes meus quase 17 anos dedicados à música: em 1989, o Jesus esteve no Brasil para promover o álbum. E, claro, lá estava eu.

Era meio surreal pensar que uma banda como o Jesus viajaria para o Brasil, e que iria tocar em Porto Alegre ainda por cima. Só que, quando dei por mim, já era o segundo da fila no dia em que a bilheteria do Teatro da Reitoria da UFGRS abriu. O primeiro, se não me engano, era o Castor Daudt, naquela época guitarrista e baterista do De Falla. Mas a grande surpresa mesmo aconteceu no dia do show. Era uma quarta-feira à tarde, e eu estava em uma livraria comprando um exemplar do extinto jornal de música inglês Melody Maker. De repente, surge uma colega de aula, a Vivienne Stephanou, que assinava Vivienne Westwood, dizendo que o Jesus estava passando o som no teatro. Saímos correndo e fomos direto para a Reitoria da UFRGS, que, ainda bem, era pertinho dali. Chegamos junto com uma van. E quem saiu de dentro dela? Os irmãos Reid. Foi a primeira vez que tive uma atitude de fã. Abri a minha Melody Maker na página que tinha fotografia deles - veja só que coincidência - e não pensei duas vezes. Pedi um autográfo para o William, mas o cara olhou para o meu jornal e disse We don't like these funcking things. Simpático, não? Não consegui alcançar Jim. O irmão mal educado me fez perder segundos preciosos. De qualquer forma, não iria desistir tão fácil. Fiquei plantado no lado de fora do teatro, ao lado da van, ouvindo a passagem de som (eles tocaram April Skies e eu quase chorei), e esperando por eles. Na volta, fui mais bem sucedido. Ganhei um autógrafo de cada irmão. E eles ainda assinaram na Melody Maker.

Nem preciso dizer que o show está entre os cinco melhores da minha vida. Foi muito, mas muito barulhento, e Jim cantou sem olhar uma única vez para a platéia enquanto William comandava tudo com a sua guitarra. E o baterista, minha nossa senhora, conseguiu reproduzir todas as batidas aceleradíssimas de Automatic. Fiquei embasbcado, lá na primeira fila, vestindo uma camiseta da banda.

Agora, mais de uma década desde aquele dia maravilhoso, ouço Between Planets no volume máximo e ainda me dá uma vontade danada de sair feito uma mola dançando e berrando baby, you drive me crazy, don't come around here no more. E quando olho para esta capa, com a mesma estrela que William desenhou abaixo de seu autógrafo, lembro que sou um cara muito, mas muito feliz. Simplesmente porque tive o meu momento com uma das bandas do meu coração. Pode ser pouco para você, mas para mim, ora, para mim é motivo de lágrimas.



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A trilha-sonora de nossas vidas
Vou ser obrigado a refazer a minha lista de melhores discos do ano. Acabo de adquirir o álbum Behind The Music da banda sueca The Soundtrack Of Our Lives. Psicodelia e rock and roll de alto nível. Vou ouvir bastante porque a patroa vai seqüestrar logo-logo. E, putz, que nome de banda.



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Amigos eletrônicos
Quando você é criança a televisão é uma espécie de babá eletrônica. Aí você cresce e descobre que às vezes ela ainda é uma boa companheira. No meu primeiro mês em São Paulo, morando em um flat, eu passava horas vendo o canal de compras Shop Tour. E sabe por quê? Porque os apresentadores praticamente conversam com você. Soa deprimente? Talvez. Mas o fato é que até hoje sou meio fã de Shop Tour.



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Man on the moon
Já que falaram tanto de Automatic For The People do REM, decidi começar o dia ouvindo este grande disco. Excelente.



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Terça-feira, Novembro 12, 2002
Deborah, do you recall?
Promessa é divída. Publico agora o texto que tem a pretensão de ser a continuação da história da canção Disco 2000 da banda Pulp. Para entendê-lo melhor, é preciso saber a letra escrita por Jarvis Cocker. É isto. Divirta-se.

Disco 2002

Primeira Estrofe

Eu poderia resumir os meus últimos doze anos apenas apontando as linhas do mapa do metrô. Aos vinte, estava aqui, na Zona 5, em uma pequena casa com telhado de madeira barata no subúrbio sujo de fuligem. Aos trinta e dois, na Zona 1, vivendo em meio aos prédios e pessoas e músicas e bares que formam a cidade que as agências de viagens costumam chamar de capital da Inglaterra. É fácil, então, entender por que tantos olhares de espanto enquanto ando nervosa pela sala da casa de meus pais. No espelho de bordas enferrujadas acima da lareira, percebo que, na busca desesperada por estilo, acabei me tornando um manequim de plástico, que a cada estação tem a sua roupa trocada na vitrine da loja. Esta sensação de familiaridade, de raízes, começa a me deixar nervosa. Os vizinhos e parentes dizem "Deborah, sentimos muito", "Deborah, agora você vai ter que cuidar do seu pai", "Deborah, a sua mãe era tão prestativa", e tudo o que desejo é voltar para a minha estação de metrô, ver pessoas interessantes e sair para beber sozinha em um bar freqüentado por jovens milionários. No entanto, o único refúgio que encontro é o meu antigo quarto.

Segunda Estrofe

O telefone celular toca no mesmo instante em que procuro o meu isqueiro no bolso do casaco. O display pisca o nome Jon. Finalmente encontro o maldito isqueiro, perdido entre recibos de cartão de crédito e pacotes de balas diet. "Alô", eu digo enquanto acendo o cigarro, "espero que você saiba que esta não é uma boa hora pra ligar". "Ou não", responde ele imediatamente, como se a nossoa conversa fosse milimetricamente arquitetada por um grupo de roteiristas de seriados de televisão. "Não se faça de durona, sei que quer conversar", completa. E Jon diz que entende as mulheres. Não, eu não quero conversar. Agora, neste exato momento, quero ser histérica. Gritar que a dor é minha, que ontem à noite, enquanto ele dormia em minha cama, chorei sozinha trancada no banheiro. E que as lágrimas caíram mais ao perceber que a tristeza de ter que voltar para a Zona 5, em pleno sábado, era maior do que a de perder uma mãe. Mas ele quer conversar. "Não sei por que você não quis que eu a acompanhasse, pensei que fôssemos namorados", diz em um tom de autopiedade. Abro o meu armário. Na parte interna da porta, em caneta hidrocor, estão anotados todos os nomes de meninos da escola que um dia se mostraram tão deprimentes quanto Jon. Martyn, por exemplo, adorava falar com o peito estufado que vira os meus seios na garagem de meus pais. A verdade é que nem coragem para me beijar ele tivera. Apostei a minha popularidade namorando os meninos mais desejados da escola, e mal sabia que esta escolha iria valer para toda a minha vida. Talvez Jarvis tivesse razão. Quem? Eu disse Jarvis? Desligo o telefone sem me despedir, espero que Jon entenda o recado, e desço as escadas correndo em busca da Senhora Cocker.

Ponte

"Deborah, querida, você precisa de alguma coisa?", a Senhora Cocker pergunta como se estivesse falando com uma criança de treze anos. "Eu só queria ter notícias do Jarvis", digo com a voz trêmula. Ela sorri ao mesmo tempo em que os seus olhos se enchem de lágrimas. Mães são assim mesmo. Nunca esquecem. Ela e minha mãe sempre tiveram o sonho de ver os seus dois filhos casados. "Por que não pergunta para ele?", ela diz. "Ele está na fonte, lá no final da rua", continua. "Obrigado", agradeço e me dirijo com pressa à porta. E quando coloco as mãos na maçaneta sinto que estou na ponta dos pés feito uma criança de cinco anos de idade.

Refrão

Sorrisos são como códigos de barras. Dizem quem você é, quanto você vale, o que você traz consigo. São etiquetas permanentes, com todas as informações necessárias para que um possa reconhecer o outro. Entre os diversos homens vestindo o uniforme do Arsenal, assistindo ao jogo de futebol no telão colocado à frente da fonte, naquele mesmo lugar onde costumávamos torcer pelo English Team nas Copas do Mundo, enfim, entre todos estes operários gordos e suados, é pelo sorriso que imediatamente reconheço quem procuro. Sim, ele já não é mais o adolescente que batia à minha porta, e por lá ficava horas esperando pela minha saída que nunca acontecia. A cerveja, o trabalho braçal e o típico descuido masculino fizeram com que perdesse a sua aparência inocente. Mas quando sorri, ao ouvir uma piada provavelmente de mau gosto de seus amigos, Jarvis coloca para fora o carinho que, mesmo sem admitir, sempre desejei ao meu lado. E quando os seus olhos me encontram, não sinto que estou sendo observada pela minha roupa, pelos meus cabelos, pelo meu corpo esculpido em sessões de academia e massagens localizadas. Pela segunda vez no dia, tenho a impressão de estar desnuda. Este é o problema de voltar para casa. O ônus de pegar o metrô e descer na Zona 5 é reencontrar a garota que tentei esquecer. Mas não é tão ruim assim. Nunca é tarde demais. Nunca.

Terceira Estrofe

Jarvis ajeita os cabelos com as mãos quando percebe, e acredita, que estou caminhando em sua direção. "Oi, Jarvis", digo tentando ser mais simpática possível. "Deborah", ele fala e dá um passo à frente. O seu abraço parece cobrir todo o meu corpo. Ele deve ter engordado mais de dez quilos desde a última vez que nos vimos há seis anos em uma noite de Natal. "Sinto muito pela sua mãe", diz sem jeito, mas com sinceridade, "não me senti à vontade pra ir ao enterro, desculpe". "Tudo bem, Jarvis", falo, "sei que hoje é dia de jogo". Ele leva as mãos ao rosto, envergonhado. "O jogo já terminou?", pergunto, "porque eu queria conversar com você". Ele ajeita novamente os cabelos. Nossa, como são oleosos. "Já, já terminou, ganhamos, desculpe, sei que isso não importa, mas, bem, o que você tava dizendo mesmo?", as suas palavras saem nervosas. "Só queria conversar, não sei, quem sabe beber alguma coisa, de repente eu estava lá, pensando em como organizar a vida sem a minha mãe e, não sei, simplesmente me dei conta que precisava me reconectar com o passado, com a minha infância, com a minha adolescência", falo como se nós fôssemos íntimos. Ele ouve boquiaberto. "Desculpe, Deborah, mas não tô entendendo", diz. "A verdade Jarvis é que deixei de ser eu mesma no momento em que decidi que deveria te esquecer se quisesse ser alguém na vida", desabafo. Você vê como são as coisas. Anos de terapia e em menos de 24 horas descubro por que diabos me tornei esta mulherzinha desprezível e infeliz que sou hoje.

Quarta Estrofe

Tenho vontade de chorar. De ser mais uma vez histérica. De correr de volta ao cemitério e pedir desculpas à minha mãe. Que filha é essa que tem vergonha de sua própria família? Que filha é essa que não é capaz de visitar a sua mãe em um hospital? Que filha é essa que se irrita com o fato de ter que ir em um funeral em um sábado porque é preciso desmarcar o cabelereiro? Até um jogo de futebol é mais plausível que um cabelereiro que cobra mais de cem libras para cortar as suas pontas. Mas não choro. Apenas olho com tristeza para Jarvis, que, coitado, não entende nada. "Sei que nada disso faz sentido, mas queria te dizer que não havia nada de errado contigo Jarvis, ao contrário do que fiz você pensar, você valia muito mais do que todos aqueles garotos idiotas com quem saí", mais uma vez desabafo. "Mas, Deborah, você chegou com dois anos de atraso", ele diz sorrindo. "Hã?", não entendo o que quis dizer. "Você não deve lembrar, mas naquele concurso de talento da décima série, eu cantei uma música que escrevi pra você, que dizia que a gente iria se encontrar aqui mesmo nesta fonte no ano 2000", explica Jarvis, "e agora estamos em 2002". A minha barriga dói. Acho que agora vou chorar. A melodia era tão linda, e mesmo assim eu disse a todos que ele estava sendo ridículo. "E o que mais dizia a música, Jarvis?", quero saber. "Que você estaria casada, que eu iria conhecer o seu filho em um domingo qualquer, essas coisas", ele conta. "Você errou", falo, "não sou casada, nem tenho filhos". Mais um sorriso. Quero outro abraço, quero ser coberta por completo de novo, quero sentir o que nunca tive coragem de sentir.

Ponte

"Deborah, você aceita tomar um café comigo?", Jarvis pergunta ainda sorrindo. O telefone celular volta a tocar. Jon o display avisa. Mas tenho um chamado mais importante. Jarvis este sorriso diz. "Aceito, claro", respondo no exato momento em que aperto a tecla off do aparelho.

Refrão

O café esfria enquanto falamos de nossas vidas. Ele diz que sente inveja de meu dia-a-dia no centro financeiro de Londres. Eu aposto tudo que tenho na certeza de que ele se diverte muito mais. E aposto tanto que combinamos um outro café amanhã à noite. Jarvis me acompanha mais tarde no caminho para o metrô. "Será que você pode cantar aquela música pra mim de novo?", peço. "Algumas coisas, Deborah, são melhores no passado", diz ele, "mas posso escrever uma música nova". Nós sorrimos juntos. E agora, enquanto a Zona 5 se transforma em Zona 1 na velocidade do metrô, descubro que a morte às vezes faz com que você nasça novamente. É uma metáfora barata, eu sei, mas sou assim mesmo. Uma suburbana de pensamentos baratos, ordinários e medíocres. E já não vejo nenhum mal nisso.



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Photo girl
Minha garota faz fotos sensacionais de shows.

Vai dizer que não é para ficar orgulhoso?

Em breve, colocaremos mais fotos legais para você.



Posted at 17:05 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Gimme shelter
Chega de brincadeira parte dois.

O dia de hoje começa com Let It Bleed dos Stones.



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Segunda-feira, Novembro 11, 2002
Disco 2000 - a promessa
No dia 30 de outubro de 1995 coloquei pela primeira vez os pés em Londres. Para um maluco por música pop, a capital inglesa é muito mais do que um dos melhores passeios turísticos do mundo. Respirar o mesmo ar que os Beatles é mais do que meio caminho andado para entender por que as canções dos britânicos possuem uma melancolia única, em um misto de paixão contida e agressividade regada a álcool.

Pois bem. Neste 30 de outubro era lançado um dos álbuns definitivos do brit pop nos anos 90. Depois de anos de ostracismo, a banda Pulp consegue criar uma obra-prima, repleta de belas melodias, arranjos grandiosos, visual chique-retrô e letras que transitam entre o irônico e a poesia com a mesma genialidade. Exagero? Ouça Different Class e comprove. É daqueles discos que vicia e cresce a cada audição.

Voltando a Londres: todos os muros da cidade estampavam cartazes com a capa de Different Class. E o disco era destaque também em todas as lojas de discos, das gigantescas como a Tower Records às pequeninas no So Ho. Decidi entrar no hype e comprei o meu. Só ouvi mais de um mês e meio depois, quando voltei ao Brasil. E desde então Different Class possui um significado especial.

E agora chegamos ao motivo deste post. A minha predileta do álbum é a empolgante Disco 2000. A letra conta a história de um cara que deseja se reencontrar com uma tal de Deborah, uma antiga paixão da escola, no ano 2000. Ao ouvir esta música hoje de manhã, eu me dei conta que, pô, estamos em 2002. Será que eles se reencontraram?

Entre todas as coisas que tenho que fazer (trabalho normal, livro novo, prefácio para um leitor-escritor, parágrafos), eu me comprometo em escrever um texto contando o reecontro dos personagens do Pulp. Até o final da semana irei publicar o conto aqui.

Era isso.



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You are the sunshine of my life
Chega de brincadeira.

A semana começa com Stevie Wonder e seu maravilhoso Talking Book.



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Sexta-feira , Novembro 08, 2002
Os discos das décadas
Segundo o grande Dago, o pessoal da Poplist (uma lista de discussão sobre cultura pop) sugeriu que todos fizessem uma lista com os dez melhores discos das décadas de 60, 70, 80 e 90. Já que hoje é sexta-feira, decidi perder o meu tempo fazendo uma. Deixei de fora muitas coisas. Principalmente porque sempre me dá um branco total na hora de fazer algo assim. Vamos lá.

Anos 60

The Velvet Underground & Nico - The Velvet Underground & Nico
The Beatles (White Album) - The Beatles
Astral Weeks - Van Morrison
Pet Sounds - The Beach Boys
Otis Blue - Otis Redding
The Doors - The Doors
All Things Must Pass - George Harrison
Plastic Ono Band - John Lennon
Chelsea Girl - Nico
Willy And The Poor Boys - Creedence Clearwater Revival

Anos 70

Blood On The Tracks - Bob Dylan
Exile On Main Street - The Rolling Stones
Rocket To Russia - Ramones
London Calling - The Clash
Marquee Moon - Television
Let's Get It On - Marvin Gaye
Never Mind The Bollocks - The Sex Pistols
Catch A Fire - Bob Marley & The Wailers
Harvest - Neil Young
In The City - The Jam

Anos 80

New York - Lou Reed
Ocean Rain - Echo & The Bunnymen
Brotherhood - New Order
Surfer Rosa - Pixies
Psychocandy - The Jesus & Mary Chain
Into The Dragon - Bomb The Bass
Don't Stand Me Down - Dexys's Midnight Runners
The Stone Roses - The Stone Roses
Document - REM
Strangeways Here We Come - The Smiths

Anos 90

Screamadelica - Primal Scream
Everything Must Go - Manic Street Preachers
Being There - Wilco
Nevermind - Nirvana
Surrender - The Chemical Brothers
Grand Prix - Teenage Fanclub
You've Come A Long Way Baby - Fatboy Slim
Wildflowers - Tom Petty
Dummy - Portishead
Coming Up - Suede



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O outro Dylan
O cara não chega nem perto do pai. Mas ouvir Wallflowers é ótimo em manhãs quase frias. E ainda dá vontade de fumar.



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Quinta-feira, Novembro 07, 2002
De todas as estrelas que eu já vi, você é o sol
Este manifesto foi escrito em 1997. Foi publicado no antigo spectorama. E acho que ainda reflete uma verdade

Manifesto Teenage Fanclub

Meninos de todo Brasil, é hora da gente esquecer todos estes séculos de machismo que carregamos dentro de nossos genes. Vamos tirar a palavra durão do vocabulário e buscar inspiração nos quatro garotos do Teenage Fanclub. Hoje ouvi todos os álbuns e singles que tenho dos caras e cheguei à uma conclusão: é possível ser um coração mole sem soar brega.

Então, amiguinhos, vamos abrir nossas almas e deixar a paixão entrar. Não há nada mais gostoso do que aqueles segundos de taquicardia cada vez que você vê aquela menina dos seus sonhos se aproximar. Não há nada mais lindo do que aquele rastro nervoso de dois lábios cortando o ar, quando eles se preparam para selar, no primeiro beijo, um carinho e um desejo mútuos. Não há insônia melhor do que aquela em que você passa a noite toda se revirando na cama, lembrando de alguém com pontadas agudas de saudade no coração. Não há bobagens mais perdoáveis do que guardar guardanapos, pedras, pedaços de canções, frases completas. Não há coincidências mais empolgantes do que quando a gente descobre coisas em comum com a menina amada, coisas estúpidas até - são apenas coincidências, eu sei, mas para muitos é destino. Não há calor mais aconchegante do que o abraço de um corpo que você reconhece num simples tato e que, mesmo assim, não se cansa de explorar. Não há gesto mais bonito do que duas mãos entrelaçadas.

E mesmo que toda esta felicidade dure apenas algumas horas e que alguém sofra depois, já terá valido a pena. Porque o que faz com que a vida seja algo decente de engolir são estes pequenos momentos de paixão, amor, respeito, carinho e romance. É esta busca para preencher o vazio que existe dentro de nós. Uma busca que, graças ao bom Deus, é eterna. Assim, eu posso ter certeza de que vou me apaixonar de novo (quem sabe sempre pela mesma pessoa), e que bandas como o Teenage Fanclub ainda irão existir.



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Ovelha negra
O conto abaixo foi escrito às pressas para um projeto que não vingou. Não gosto do texto o suficiente para colocá-lo na gaveta. Por isso vou tranformá-lo em um post. Assim, logo ele será esquecido.

Eu, Tu, Ela (Amor Underground)

Uma vez por semana, às quartas-feiras, durante quatro horas, das oito à meia-noite, quando acreditas que estou em um bar com os amigos, não penso um segundo sequer em ti. Apenas faço sexo. Ela me espera sempre com um sorriso no rosto, não pergunta como foi o meu dia, assume o clichê que lhe fora reservado, não oferece um copo de uísque, cerveja, nada. Apenas faz sexo. Mas é só eu gozar pela última vez que logo voltas à minha cabeça. E dessa forma esquisita, enquanto eu a observo tomar um banho, vestir a roupa, e caminhar em minha direção para uma despedida rápida, começo a falar contigo, assim, como se te narrasse a minha infidelidade.

Eu sei. Tu queres saber como eu a conheci. Entre tantas mentiras, a verdade é que ela já existia antes de nós. E existiria ainda se eu e tu não fôssemos tu e eu . Como surgiu não faz diferença. Porque aqui o corpo estranho és tu.

Mas hoje não é uma noite como as outras. Ela senta em meu colo, tento evitar o seu movimento, digo Ah, chega, daqui a pouco tenho que estar em casa, me deixa arrumar os sapatos. Colocando o seu braço direito em volta de meu pescoço, ela fala Não quero sexo, aliás, é sobre isso que quero conversar, pra mim também chega, acho que estamos levando isso a sério demais. Opa, suspiro, Tu deve estar dizendo que não estamos levando isso a sério. Não, corrige ela, É isso mesmo, estamos levando a sério demais esse negócio de não levar a sério. E então, sem que eu possa pará-la, ela me beija. As minhas mãos procuram os seus seios, mas ela segura com força os meus punhos. Tu me quer? Sim, te quero, agora, de novo, tira essa calcinha e senta em cima de mim. Mas não foi tu que disse chega, que disse que tem estar em casa? Mudei de idéia, tira a calcinha logo, vai. Sim, eu mudei de idéia. Sei que estou te esquecendo novamente. Mas ela me olha de uma forma diferente. É como se tu estivessses me olhando. Enfim, ela põe as cartas na mesa, Se tu me quer, diz que me ama, me faça esquecer quem sou, me tire daqui, por favor, cansei de viver assim, à beira de tua vida, sendo a pele marginal que te dá prazer.

Esposas geralmente querem saber como são as amantes de seus maridos. Tu não deves ser diferente. E se isso é tão importante assim, tens aqui a minha resposta. Ela não é tu, e não sendo tu, não é, portanto, o verbete perfeição em meu dicionário particular. Então, perguntas, por quê. Porque com ela, meu amor, não sinto culpa. Por favor, entenda. A culpa de te trair não é maior do que a culpa de te tocar.

Às vezes é melhor nada dizer. O silêncio não é apenas silêncio. É uma resposta muda. Por isso, espero até os seus olhos se encherem de lágrimas, o seu corpo desabar. Levanto do sofá, arrumo a minha gravata, confiro se meu cabelo já está seco. Ela respira fundo, tentando trazer para dentro de si o seu choro. Não olho para trás. Fecho a porta do apartamento. Penso em ti, no teu corpo me aguardando sozinho em nossa cama, no abraço que ele me dá em uma conjunção de braços, tronco, quadril e pernas. Tenho sono. E tu sabes que apenas consigo dormir ao teu lado.

Dirijo com pressa até a nossa casa. Penso se estou fazendo a coisa certa. Mas não é preciso gastar muito tempo nisso. Quando chego na esquina de nossa rua tenho esta certeza. Ela é a artista independente e ousada que rompe as barreiras do meu desejo. Tu és a celebridade pré-fabricada que está sempre um passo à frente do sucesso. E é assim que as coisas funcionam. Tu precisas dela para sobreviver. E vice-versa.

Boa noite.

Até quarta-feira que vem.



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Outono
Desde segunda-feira São Paulo amanhece com um clima de outono. A minha teoria é que este seja mais um dos efeitos Lula. Agora não existe mais primeiro ou segundo mundo. Igualdade é isso: é ter as mesmas estações do ano que os americanos e os europeus. Prepare-se. Porque neste Natal vai cair neve.



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Quarta-feira, Novembro 06, 2002
Lonely dance
Tive o prazer e a honra de ouvir em primeira mão as músicas do próximo CD da banda gaúcha Superphones. O disco ainda está em finalização, por isso não posso comentar nada oficialmente. Sou fã dos guris (se bem que agora tem uma guria no baixo) então não foi nenhuma surpresa o fato de eu ter adorado o que ouvi. É incrível o talento que eles têm para escrever belas canções pop. Acredite: é emoção pura.



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Winona no xadrez
Winona Ryder foi condenada. Será que ela vai precisar de cigarros? Será que ela vai precisar de visitas aos domingos? Será que ela vai precisar de alguém que leve disquinhos do Wilco para ela ouvir? Acho que até vestindo aquele macacão laranja dos presidiários ela fica linda.



Posted at 18:16 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

I'll be there for you
Nova temporada de Friends: se depender do primeiro episódio, tem mais é que terminar mesmo.



Posted at 17:05 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Sha-la-la-lah
Memory Motel dos Stones. Como é que fui passar 29 anos sem ouvir esta maravilha?



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Azulejistas
Artes em azulejos no primeiro parágrafo e no Menina do Didentro.

P.S.: Nos parágrafos não existe um sistema de comentários. Por isso, se quiser falar alguma coisa sobre os textos, escreva aqui.



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Teste de novo
Hello?



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Teste
Será que já temos comentários?



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Instante anterior
E mais: Bruno Medina, tecladista dos Los Hermanos, também bloga.

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Mais uma canção
Aliás, Bloco Do Eu Sozinho, dos Los Hermanos, é um álbum que só descobri em 2002. Com tanto falatório no ano passado, fiquei com um pé atrás, já que não havia gostado tanto assim do primeiro disco. Mas este Bloco Do Eu Sozinho é realmente maravilhoso. Adoraria poder fazer um projeto com estes hermanos.

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Cadê teu suín?
Hoje o dia começa com Los Hermanos.

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Terça-feira, Novembro 05, 2002
Discos novos antigos
Agora chegou a hora dos cinco melhores discos que descobri em 2002. Ao lado de cada álbum, coloco o responsável pela minha descoberta.

1. Exile On Main Street - The Rolling Stones (1972), apresentado por Sylvie Piccolotto.
2. Kind Of Blue - Miles Davis (1959), apresentado por Guilherme Dable, o Sapo da banda Tom Bloch.
3. Don't Stand Me Down - Dexy's Midnight Runners (1985), reapresentado à minha memória graças à loja de discos Velvet.
4. Some Girls - The Rolling Stones (1978), apresentado por Sylvie Piccolotto.
5. Time Out - Dave Brubeck (1958), apresentado à minha curiosidade pela loja de discos Disconcert.

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Segunda-feira, Novembro 04, 2002
Memory hotel
Cassino Hotel surgiu a partir de um conto inspirado no álbum We Love Life da banda inglesa Pulp. Tomou forma ao som de Yankee Foxtrot Hotel, obra-prima do Wilco. Mas hoje percebi qual é a verdadeira trilha-sonora do livro. É Rolling Stones, uma banda que ela me ensinou a gostar. Hoje fiz uma seleção em MP3 das canções que irão me guiar de agora em diante. Todas, claro, dos Stones. Em ordem alfabética, coloco aqui a lista.

1. Angie
2. As Tears Go By
3. Beast Of Burden
4. Blue Turns To Grey
5. Congratulations
6. Far Away Eyes
7. Get Off Of My Cloud
8. Gotta Get Away
9. Hang Fire
10. If You Need Me
11. If You Really Want To Be My Friend
12. Imagination
13. Let It Bleed
14. Let It Losse
15. Memory Motel
16. My Girl
17. Out Of Time
18. Ride On Baby
19. Rocks Off
20. Ruby Tuesday
21. Shine A Light
22. Silver Train
23. Some Girls
24. The Singer Not The Song
25. Till The Next Goobye
26. Time Is On My Side
27. Time Waits For No One
28. Waiting On A Friend
29. Winter
30. Worried About You
31. You Can't Always Get What You Want

Se o Clube é puro Beatles, Cassino Hotel será puro Stones. Talvez eu até mude o título para Memory Hotel.

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Pa-party
O milionário David Bonderman pagou sete milhões de euros para os Stones tocarem na sua festa de aniversário. O meu aniversário está surgindo no horizonte. E se eu tivesse dinheiro, traria um desses nomes para a animar a festa: Supergrass, Chemical Brothers, Weezer, Ben Kweller, Foo Fighters ou Cornershop. Se fosse uma festa mais intimista a atração seria a Norah Jones.

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Saia deste corpo que não te pertence!
Veja só: Phil Spector está sendo cotado para produzir a péssima banda The Vines. Primeiro, Starsailor. Agora Vines. O velhinho surtou? Perdeu o bom gosto? É o final dos tempos mesmo.

Posted at 13:00 by spectorama (que agradece a sua leitura) ::

Informação inútil
O novo Magnum Chocolate foi aprovado pelo controle de qualidade de sorvetes do spectorama.

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Livros do ano
Leitores pedem para que eu faça uma lista dos melhores livros do ano. Em uma decisão maluca, decidi ler um livro novo somente depois de terminar de escrever Cassino Hotel. Mas, claro, li vários até maio. De maio em diante, li outros em viagens de ônibus e avião. Ou seja, a minha decisão maluca não funcionou. O que estou querendo dizer é que li bem menos do que deveria. De qualquer forma, vou pensar em uma lista dos melhores livros do ano. Por favor, aguarde.

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Suaves melodias
Ouça as melodias do primeiro parágrafo e da Menina do Didentro.

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Sexta-feira , Novembro 01, 2002
O que fazer agora?
A minha lista de melhores do ano acaba de sofrer alterações. Life On Other Planets da banda inglesa Supergrass é sensacional de tão bom.

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A festa da democracia
Efeitos da eleição para presidente no primeiro parágrafo.

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Esconde-esconde
O primeiro parágrafo brinca de esconde-esconde com a Menina do Didentro.

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