Terça-feira, Dezembro 17, 2002
A frase em negrito foi enviada por Lea
Eu perco você todos os dias, e, mesmo assim, pela manhã sempre volto a lhe procurar, tropeçando pela calçada, gritando o seu nome, arrastando o meu desejo por entre as paredes sujas de uma cidade em decadência, perseguindo as sombras de suas curvas, guiado pelo cheiro do mar, o sal de sua pele, o gosto do seu beijo, e quando você me olha é sempre assim, Muito prazer, meu nome é Ana, acho que já o vi em algum lugar, e tenho vontade de falar Sim, há meses que nos encontramos, há meses que dedico a minha vida a você, há meses que tento entender os caminhos de sua memória, mas não digo nada, apenas deixo que o meu sorriso lhe inspire confiança, e espero o momento em que você irá me contar toda a sua não história novamente, aguardo as suas lágrimas para que os meus dedos toquem pela primeira vez o seu rosto, tremo cada vez que você me olha como se perguntasse Seu idiota, você não vai me beijar não?, e então você diz Estão inventando meu passado agora, sou como uma personagem à espera de seu escritor, e nossas mãos se tocam, e nossos poros se procuram, eu me jogo aos seus pequenos pés e repito Quero fazer de nossa vida um livro, de passado, presente e futuro, mas quando acordo você já não está mais lá, e enquanto bebo sozinho o meu café antes de sair em sua busca, olho para todos livros de minha biblioteca, suspiro e rezo a Deus para que um dia todos possam ler a nossa história.
Leia também o parágrafo da Menina do Didentro.
Posted at 12:13 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
Quarta-feira, Dezembro 04, 2002
A frase em negrito foi enviada por Tatiane F
Eu falei que não era como os outros. Você sorriu, assim de um jeito cúmplice, e, segurando a minha mão, disse sem dizer que acreditava em mim. Nem percebeu o clichê da frase, ignorou com risadas o fato de eu ser tão ordinário quanto os outros. Mas já estávamos velhos e cansados e despedaçados demais para esperar por pessoas diferentes, especiais, que nos deixariam sem fôlego, mas que, no final, revelariam-se iguais a nós. E então abrimos a porta. Deixei que você contasse histórias para eu dormir, gargalhasse no volume máximo nas madrugadas, batesse palmas paras as crianças na rua. Você deixou que eu caísse aos seus pés ao ouvir as suas teorias sobre livros, dramatizasse cada uma de nossas discussões, lambuzasse as suas coxas com brigadeiro feito em casa. Agora você deve estar sentada em frente ao seu piano, comendo os doces da minha festa de aniversário, tentando acreditar que fui capaz de simplesmente desaparecer. Sou capaz de ouvir a sua voz dizendo "Vem logo, vem, o gosto do brigadeiro já não é mais o mesmo sem você". Mas eu já disse que não sou como os outros. A felicidade não me atrai. E, além do mais, eu não gosto de doce. Sempre preferi o amargo.
Leia também o parágrafo da Menina do Didentro.
Posted at 13:04 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link

