Terça-feira, Abril 29, 2003
With a little help of my friends
Eu nunca pedi muito para você, meu caro leitor. No máximo uma frase. Sei que não ando cumprindo o meu trato, mas espero que você entenda que tenho muita coisa para fazer.
De qualquer forma, hoje tenho um pedido especial. Devido a indefinição da minha atual editora, a Conrad, em publicar ou não o meu novo romance, e ainda a minha vontade de profissionalizar a minha carreira de escritor, fechei contrato com uma agente literária. E ela acredita que tenho potencial para entrar em uma grande editora.
A princípio, a minha agente irá negociar com cinco editoras, além da própria Conrad. E isso pode demorar. Mas você pode colaborar para que este processo se torne mais rápido. Basta enviar um e-mail para as editoras sugerindo a publicação de um livro meu. Eu me sinto meio bobo fazendo isso, mas quero muito que você leia Cassino Hotel o quanto antes. Você faria isso por mim? Então, o que está esperando? Escreva. Os links dos e-mails estão aí embaixo.
W11
Rocco
Record
Companhia Das Letras
Objetiva
Conrad
Obrigado! E peça para os amigos também enviarem e-mails!
Posted at 13:28 by spectorama ::
Segunda-feira, Abril 28, 2003
Fomos, mas voltamos
Você passa a vida toda pensando que a melhor coisa que veio de Minas Gerais é o pão de queijo. Até nutre uma certa antipatia em relação ao tal Clube Da Esquina. E aí você pisa em Belo Horizonte e, em menos de dez minutos, tudo muda. O povo de lá é o mais hospitaleiro que conheci em toda a minha vida. São pessoas maravilhosas como Rodrigo James, Angela Azevedo e Ludmila Azevedo que fazem você acreditar que existe bondade no mundo. Ainda pude conferir as gravações do disco da banda gaúcha Wonkavision no estúdio do John do Pato Fu. Aliás, ele e a Fernanda Takai também sofrem deste mal mineiro de receber bem as pessoas.
Por enquanto é isso, uai.
Ah, e só para constar: eu quero morar na Savaaaaaaaaaaaaaaaaaaaasssssi.
Posted at 15:57 by spectorama ::
Terça-feira, Abril 22, 2003
Pão de queijo e filme puxado
spectorama avisa: logo estaremos em Belo Horizonte. Não temos post novos, mas a seção de fotografias está com imagens bem legais. Descobri as maravilhas de puxar o filme. Agora ninguém me segura.
Abraços e beijos.
A gente se vê por aí.
Agora deixa eu ir lá comer o meu pão de queijo.
Posted at 21:52 by spectorama ::
Quarta-feira, Abril 16, 2003
Lomógrafos
Eu não sou o único maluco viciado em lomografia. Na seção de fotografias existe o registro borrado e desfocado de mais doidos como eu.
Posted at 14:58 by spectorama ::
Make up Lou Reed
Hoje é dia de Lou Reed.
Mesmo maquiado o cara é legal.
Posted at 11:16 by spectorama ::
Terça-feira, Abril 15, 2003
Vamos flutuar
Acredito que já publiquei no antigo spectorama trechos do romance inacabado Senhoras E Senhores Nós Estamos Flutuando No Espaço. É uma tentativa de escrever ficção científica. Talvez eu termine. Não sei. Mas aqui está um trecho para você.
Queria eu ser bailarina.
Às vezes giro a cápsula por entre meteoritos e imagino que estou dançando num palco em pleno século XX. Nova Iorque. Londres. Paris. Esqueço, então, a solidão de minha vida. Este sofrimento sem dor, esta dor sem grito, este grito sem voz. O Controlador repete incansavelmente que este é o preço que pagamos para nos tornarmos heróis. Talvez ele esteja certo. Mas é difícil acreditar que estou fazendo algo heróico dentro desta cápsula de proporções minúsculas. E heróis têm nomes. E sou apenas um número: 2401-Y. Nem Joana D'Arc, nem Jackie O. Somente mais um entre os milhões de humanos que flutuam no espaço, esperando pelo dia de voltar à Terra para fazer parte do Grande Pulmão.
Ah, mas quando estou dançando tudo diferente é. Sinto que estou viva, que não estou sozinha. Parece que finalmente encontrei a razão e o sentido de fazer parte de tudo isso, como se o meu verdadeiro ato heróico fosse ser uma dançarina no espaço. Porque tenho certeza que no solo de algum planeta uma criança está apontando para o céu e dizendo "Olha, uma bailarina lá em cima". E casais de namorados fazem pedidos para mim, pois sou também uma estrela cadente. Sou o rastro de luz que desenha círculos perfeitos enquanto os outros dormem.
E há também 0912-K.
Toda vez que começo a movimentar a minha cápsula, ele se aproxima. Vem daquele jeito descordenado, irresponsável, rebelde até. A sua cápsula parece que irá perder o controle com tamanha velocidade, mas 0912-K é provavelmente o melhor piloto entre todos nós. Já ao dar os primeiros passos de minha dança, vejo as labaredas laranjas de seu motor no ar. Tão rápido ele chega perto de mim. E assim fica enquanto executo o meu balé particular.
Nós não podemos conversar, nós não podemos nos tocar, nós não podemos saber o que o outro pensa. O Controlador um dia avisou para que ficássemos distantes, mas não há nada que eu possa fazer. 0912-K não obedece. E, confesso, nem eu. Porque talvez o único motivo de minha dança é a platéia solitária de 0912-K.
E se não é permitido qualquer tipo de comunicação, ninguém é capaz de nos impedir de trocarmos olhares. Há este asséptico vidro nos separando, é verdade, mas consigo vê-lo. E ele sorri, com a boca e com os olhos. Existe um brilho que ofusca até mesmo a mim, que estou tão acostumada com as estrelas e as suas explosões.
Sim, queria eu ser uma bailarina. E se não fosse pedir demais, gostaria que, ao chegar em meu camarim, lá estivesse ele me esperando. Com rosas vermelhas que nunca toquei e cheirei, e no entanto sei que tanto emocionam uma mulher. Com braços abertos no convite do abraço que nunca senti. Com todos os seus sorrisos banhando com realidade o meu sonho.
0912-K.
É para você que danço agora.
Posted at 19:23 by spectorama ::
Soninho, papai do céu
Eu acho que preciso hibernar.
Posted at 18:13 by spectorama ::
My friend Graham
Graham Coxon deixou o Blur. Mas está melhor do que nunca em seu quarto álbum solo.
The Kiss Of Morning é o disco do dia.
E me dá vontade de querer ser amigo do Graham.
Posted at 15:19 by spectorama ::
Segunda-feira, Abril 14, 2003
Electric mainline
Eduardo Palandi é um cara sábio. Acabo de ler em seu blog que este promissor advogado também considera Ladies And Gentlemen We're Floating In Space, da banda inglesa Spiritualized, uma das dez melhores músicas da história. Concordo com você, querido Palandi. E digo mais: está em terceiro lugar no meu ranking particular. Só perde para Be My Baby das Ronettes e Come Together do Primal Scream.
Posted at 14:23 by spectorama ::
Ninguém entende um mod
Descobri que na Zona Leste de São Paulo existe uma cena mod. Jovens de ternos andando de lambretas e ouvindo The Jam e Jovem Guarda. Deve ser uma extensão de Porto Alegre (notícias do Sul afirmam que existem muitas pessoas da capital gaúcha que ainda vivem nos anos 60). De qualquer forma, é legal saber disso. Dá até vontade de ouvir The Jam.
Posted at 14:15 by spectorama ::
Cold cold heart
Paulistas não entendem de frio. É só a temperatura baixar um pouco que todas as mulheres estão nas ruas com as suas botas, blusas de lã e jaquetas. E eu aqui, de camiseta. Será que sou eu o destemperado?
Posted at 14:09 by spectorama ::
Para quando o Júnior nascer
O meu filho só vai ouvir glam rock quando tiver uns vinte e poucos anos. Antes disso, nem pensar.
Posted at 14:07 by spectorama ::
Sexta-feira , Abril 11, 2003
O sol, o frio, a saudade
Recebi informações que a temperatura caiu em Porto Alegre. E que tem sol lá. Isso merece um verso de Ben Harper: every time I hear you laughing, it makes me cry, like the story of life, is hello goodbye... she's only happy in the sun.
Posted at 17:44 by spectorama ::
Um cara, um violão
Ben Harper sempre foi sensacional em baladas. E o novo álbum Diamons On The Inside não decepciona: When She Believes e She's Only Happy In The Sun são muito, muito bonitas.
Posted at 15:23 by spectorama ::
Tem algum leitor de Porto Alegre?
A Livraria Cultura abriu uma filial na minha amada Porto Alegre. A Conrad avisa que o meu livro está lá para vender. Não, não é o novo. É o primeiro mesmo. Se você não estava encontrando o coitado em lugar algum, apareça na Cultura.
Posted at 15:13 by spectorama ::
Michael, Sandy & Junior
Muita gente está falando sobre o documentário sobre o Michael Jackson que passou na Bandeirantes. Eu já havia visto na Sony e, claro, fiquei de boca aberta. Fiquei impressionado com a parte em que ele faz compras em uma loja de Las Vegas. E nem foi por causa da grana que gastou. Foi por causa do mau gosto mesmo. Mas o fato é que fiquei pensando... será que a Sandy e o Junior não vão estar doidões assim também aos 40 anos? E será que a Xuxa não possui parentesco com o Michael? E se ele realmente for o Peter Pan? A Liz Taylor é a Sininho? Ah, este mundo pop...
Posted at 10:51 by spectorama ::
Confissões de sexta
Eu gosto muito do hotel Maksoud Plaza.
Posted at 10:30 by spectorama ::
Cool sounds
Vou assumir o meu lado publicitário e começar o dia ouvindo Thievery Corporation.
Posted at 10:28 by spectorama ::
Sexta-feira , Abril 11, 2003
Junkie
Algumas pessoas cheiram cocaína.
Eu ouço discos.
Posted at 00:00 by spectorama ::
Aviso
Coloquei na seção de fotografias uma série da banda campineira Suite Number Five em um show na Fun House.
Posted at 17:18 by spectorama ::
O surto da tarde
Estou aqui ouvindo o álbum Yankee Hotel Foxtrot do Wilco e estou quase tendo um ataque de Eduardo Palandi: DÁ VONTADE DE BATER NO PEITO E GRITAR EU AMO ESSA BANDA.
Ah. E quero registrar aqui o meu agradecimento ao jornalista e músico Daniel Benevides. Se não fosse por causa de uma resenha dele na revista Bizz, eu nunca saberia que uma das partes do excelente Uncle Tupelo havia formado o Wilco. O ano era 1996. Logo que fechei a revista, encomendei o disco AM. E desde então tenho vontade de sentar em uma mesa de bar com Jeff Tweedy.
Posted at 14:59 by spectorama ::
Quarta-feira, Abril 09, 2003
O ladrão de frases
Escritor mostra a sua vida no primeiro parágrafo.
Posted at 15:35 by spectorama ::
Please, please, please do not go
O primeiro Violent Femmes é muito foda.
Posted at 12:29 by spectorama ::
Meus ouvidos adolescentes
Descobri o que acontece com os meus ouvidos. Eles sofrem de ejaculação precoce. Eu preciso gostar de uma música nos primeiros trinta segundos.
Posted at 11:08 by spectorama ::
Corra já para a livraria
Atenção: a Editora Do Autor acaba de lançar uma caixa com os três livros de J.D. Salinger que possui em seu catálogo: O Apanhador No Campo De Centeio, Nove Estórias e Franny & Zooey. Com exceção do primeiro, os outros dois títulos estavam há anos sem ganhar uma edição nova. Parece que todos os textos passaram por uma revisão ortográfica. Pessoalmente, acredito que mereciam uma nova tradução. Na verdade, o meu sonho era ler O Apanhador No Campo De Centeio traduzido por Caio Fernando Abreu, outro fã assumido de Salinger.
Posted at 10:57 by spectorama ::
Terça-feira, Abril 08, 2003
Fotomaníaco
Sei que às vezes parece que uso Photoshop em minha fotografias. Mas, acredite, não há um retoque. O segredo é a minha fiel companheira Lomo LC-A e um pouco de sorte. Em algumas fotos utilizei o que os americanos chamam de x-processing, ou seja, uso filme de slide 35 mm e revelo em processo normal. Hoje tem uma imagem que não sei o que é. Não lembro mesmo. Vai lá e vê se consegue me ajudar a descobrir o que fotografei.
Posted at 18:31 by spectorama ::
Morpheus
Acho que uma mosca tse-tse me mordeu. Estou com muito sono.
Posted at 17:37 by spectorama ::
Segunda-feira, Abril 07, 2003
Wilco: desde 1996 fazendo sempre o melhor para você
O mundo pop ficou abalado com o novo álbum do Radiohead. Perdi as contas de quantas vezes li que os caras de Oxford estão mudando a forma de se fazer música pop. Vamos deixar bem claro: o que eles fazem já deixou de ser pop há anos. Pode ser vanguarda, alternativa, sei lá o quê, mas não é pop. Porque quem está mostrando ao mundo como se faz música pop para o novo século é o Wilco. Na internet já dá para baixar o Kamera EP. Depois de ouvir as seis músicas, é possível perceber vários elementos da atual fase do Radiohead na banda de Chicago. Mas a diferença é que Jeff Tweedy sabe escrever melodias como ninguém. É pop de primeiríssima qualidade. Afinal, o primeiro quesito para uma música ser pop é não ser chata. Coisa que o Radiohead esqueceu há tempos.
Posted at 23:29 by spectorama ::
Essa é a única verdade
Eu estou aqui, pensando no meu amigo Randall (que vive um dos momentos mais importantes de sua vida), no meu amigo Giba (que logo será papai), e aí decidi tentar colocar alguma coisa para fora. Talvez seja ridículo demais todas essas palavras. Mas há tempos deixei de mentir para parecer um cara mais cool. Como o Randall e o Giba, eu sou apenas um cara com pelo menos uma certeza na vida.
Outras pessoas irão dizer que você é louco, careta, impulsivo e todos os adjetivos que surgem com a palavra casamento, a instituição falida com a qual alguns de nós ainda insistem em se associar, então dá vontade de sair correndo, de comer todas as menininhas que vê pela frente, de beber todos os copos que jamais bebeu em toda a sua vida, de recuperar a adolescência que de repente se viu presa em um nó de gravata, acredita, sim, que está caminhando em direção à forca, os últimos passos de um homem, as grades de um carandiru com móveis escolhidos a dedo em lojas de decoração, mas, caralho, que porra é essa, que pensamento pequeno é esse, que covardia é essa, outras pessoas que se fodam, você deveria pensar, e o meu corpo caminha sozinho pelo apartamento, às vezes sinto que preciso bater a cabeça na parede para entender, para descobrir como ser menos egoísta, como cuidar de alguém, como esquecer que eu sou eu, como lembrar que ela sou eu, que agora tudo aqui dentro é vice-versa, que mulheres bonitas são apenas mulheres bonitas, gostosas, com bundas mais perfeitas, com seios maiores, com sorrisos marotos, mas que não preciso de nada disso, que o meu compromisso, por incrível que pareça, o meu compromisso é com a liberdade, e, sim, outras pessoas que se fodam, que engulam os seus preconceitos, que entendam como piada o meu desejo de envelhecer em dois, levante a voz, grite comigo que somos a escória do universo, a vergonha da classe média, o retrato ambulante da burguesia, mas que somos homens que, ainda bem, deixamos o sangue correr pelas veias, outras pessoas irão dizer que somos sentimentais, sensíveis, maricas, e etc e tal, mas, droga, o cara que decidiu mergulhar nesta vida não é homem, não é mulher, é apenas um cara, um cara que passa os dias contando as horas para segurar a mão de Sylvie, Laura, Alessandra em uma noite de inverno, então, por favor, me dá licença, o frio está chegando a São Paulo, preciso ir, vou deixar os nossos leitores aqui, com outras pessoas, porque, para mim, para você, uma pessoa apenas basta.
Posted at 22:53 by spectorama ::
Maldito hobby
Talvez este site não tenha textos novos. Mas fotos sempre tem.
Posted at 18:08 by spectorama ::
De Dylan para Brett
Tem soundtrack nova no Argumento.
Posted at 12:15 by spectorama ::
Eu agradeço...
Agradeço a todos que ajudaram este blog a ter mais de 60 comentários.
Posted at 12:11 by spectorama ::
Quinta-feira, Abril 03, 2003
This is the face I make when I am sad
Ethan Hawke conduz ao seu peito as mãos de Anne Bancroft e diz Está ouvindo isso? Isso é o som de um coração partido. O mundo da música pop constantemente repete a cena dessa excelente adaptação de Grandes Esperanças, de Charles Dickens, estrelada também por Gwyneth Paltrow. Alguns dos melhores álbuns da história foram compostos assim, tentando traduzir em canções as dores, incertezas e desilusões de um amor aos pedaços. Blood On The Tracks de Bob Dylan, Walls And Bridges de John Lennon e Forever Blue de Chris Isaak são apenas três exemplos que agora me vêm à cabeça. Este último, inclusive, reproduz uma carta que Isaak escreveu para a sua ex-namorada. Mais exposto, impossível.
Ano passado foi a vez do imprevisível Beck. Sea Change é o seu trabalho mais pessoal e, provavelmente, mais bonito. Sem dúvida, um dos melhores discos de 2002. Agora, chegou a hora de Evan Dando. Há mais de cinco anos sem lançar algo novo, o líder da saudosa banda Lemonheads volta solo e com a alma nua em Baby I'm Bored. A grande ironia é que o álbum não é apenas o som de um coração se quebrando. Ao longo das doze faixas, Dando dá pistas de que o seu coração voltou a bater com força e paixão, deixando de lado muito mais que problemas sentimentais, mas também um furacão causado por drogas, brigas com gravadoras e bloqueio criativo. All My Life, por exemplo, é dor e arrependimento em estado bruto: all my life I thought I needed all the things I didn't need at all, canta ele com uma voz que parece pedir abrigo. E, assim, em um clima pop e folk, com arranjos simples, nós somos levados à redenção de The Grass All Wine Coloured. Repetindo apenas I'm in the grass all wine coloured grass temos um homem reencontrando a paz em um dia de sol. Quem sabe o mesmo dia em que a foto da capa de Baby I'm Bored foi tirada. Afinal, a mulher que ali aparece é a atual noiva de Dando.
Ajudado por amigos talentosos, como o produtor Jon Brion (o cara por trás dos melhores trabalhos de Aimee Mann) e o australiano Ben Lee (o namorado da atriz Claire Danes, que compôs All My Life e a linda Hard Drive), Dando criou um dos discos mais heartbroken que já ouvi nos últimos anos. E o melhor de tudo é que, desculpe o trocadilho, Baby I'm Bored também traz grandes esperanças para quem ouve.
E esperança nunca é demais.
Principalmente quando o som de um coração partido parece ecoar pela casa inteira.
Posted at 18:14 by spectorama ::
Você consegue ouvir a chuva no meu coração?
Está chovendo no primeiro parágrafo.
Posted at 17:44 by spectorama ::
Os 30 discos dos meus 30 anos - Parte Oito
Surfer Rosa - Pixies
Eu não sinto cheiro. Sim, é uma confissão bizarra, mas a verdade é que o meu olfato é preguiçoso. A razão para isso, acredito, seja a bronquite asmática que me acompanhou durante toda a infância, até um doutor alternativo receitar um xarope com gosto de morango. Mas o estrago já estava feito. O meu nariz nunca mais foi o mesmo, e acabei adquirindo uma pré-disposição a ficar gripado. Hoje tudo está estabilizado, graças ao meu comprimido diário de Supradyn. Só que no final dos anos 80, a gripe era uma espécie de menstruação masculina para mim: uma vez por mês ela aparecia, às vezes fraca, outras mais forte.
No entanto, as dores no corpo, a coriza, os espirros, nada me impedia de ir ao centro de Porto Alegre para comprar os meus discos. Em uma tarde de terça-feira, eu estava praticamente me arrastando pelas ruas, mas, mesmo assim, peguei o ônibus em direção à Galeria Chaves. Revirando as novidades da Casa Coelho, fiquei extasiado com a foto de uma mulher com os seios desnudos. Uma espanhola, em uma pose sensual, uma imagem em tons sépia de tirar o fôlego. Eu já tinha lido sobre aquela banda em uma antiga Bizz, por isso decidi ouvir o disco na própria loja. Achei tudo muito barulhento, sujo, mas fui capturado pelo contrabaixo básico e a doce voz de uma mulher. Era a quinta faixa do Lado A do álbum Surfer Rosa. A música se chamava Gigantic, a banda atendia pelo estranho nome de Pixies, e a dona da voz assinava Ms. John Murphy. E, não é preciso dizer, tirei a agulha do vinil no meio de Gigantic mesmo e imediatamente levei o disco para a casa.
Apesar de ser um fã de rock barulhento como todo adolescente, o som dos Pixies em seu álbum de estréia parecia algo difícil de ser digerido. Tudo parecia muito tosco e, por incrível que pareça, bem produzido. Pois bem, naquela mesma tarde de terça-feira, cheguei em casa acabado. Estava literalmente apanhando da gripe. Decidi, então, deitar na cama. Mas antes coloquei o Surfer Rosa para tocar. Veja bem, em 1989 não existia aparelho de CD. Por isso, não pude programar para tocar apenas Gigantic. Decidi enfrentar todo o Lado A e coloquei o álbum desde o começo. Aumentei o volume até onde as quatro enormes caixas de som de meu quarto agüentavam. E me joguei sobre o edredom. O que aconteceu a partir dali foi uma espécie de revelação.
A bateria seca, quase tribal, de Bone Machine começou a martelar nos meus ouvidos e, de repente, entram aquelas guitarras agudas, o contrabaixo burro e a voz de hospício de Black Francis. Quando dei por mim, já estava cantando junto. E foi então que descobri que, apesar de tudo, aquela música era pop. Aí acabou o Lado B, saí correndo da cama, virei o disco e a maionese desandou de vez. Só de ouvir o início de Where Is My Mind? eu já tive certeza de que havia encontrado uma nova banda para amar. O mais surpreendente é que, depois de ensurdecedores 32 minutos, eu estava curado. A gripe havia ido para o espaço.
Empolgado com a minha aspirina musical, tratei de divulgar o Surfer Rosa na escola. Rafael Gerhardt, um de meus melhores amigos, também se apaixou pela banda. Juntos, criamos o Gigantic Fan Club, provavelmente o primeiro fã-clube dos Pixies no Brasil. A coisa não foi para frente porque ninguém mais queria fazer parte. Até mesmo a Rádio Ipanema, a rádio mais alternativa que já ouvi no país, não atendia aos meus pedidos e nunca tocava uma música dos Pixies. Mas tudo bem. Afinal, ser incompreendido é uma das melhores sensações que um adolescente roqueiro pode ter em sua vida.
Até 1991, quando a banda anunciou o seu fim, persegui de todas as formas os Pixies. Consegui discos e compactos importados, colecionava revistas com eles, achava que o mundo seria bem melhor se todos, pelo menos um dia, ouvissem um disco deles no volume máximo. O meu, pelo menos, foi. Além de ficar menos gripado, aprendi que nem sempre a perfeição é o melhor a se procurar. Foi uma lição punk tardia, é verdade. Mas, caramba, que lição.
Posted at 14:52 by spectorama ::
Ten storey love song
Em 1994 o segundo álbum do Stone Roses foi uma grande decepção. Mas agora Second Coming me parece um bom disco. Guitarreira e grooves substituíram as belas melodias, é verdade. Mas é muito legal mesmo assim.
Posted at 10:42 by spectorama ::
Quarta-feira, Abril 02, 2003
Threesome
Três excelentes livros acabaram de chegar às livrarias do Brasil: Uma Comovente Obra De Espantoso Talento, de Dave Eggers; Dentes Brancos, de Zadie Smith; e MInha Querida Sputnik, de Haruki Murakami. Um americano, uma inglesa e um japonês mostrando o melhor da literatura contemporânea mundial.
Posted at 15:21 by spectorama ::
Hail to the boredom
Conclusão do dia: Radiohead virou música de museu.
Posted at 13:41 by spectorama ::
Suor
Paredes e asfalto suam no primeiro parágrafo.
Posted at 13:40 by spectorama ::
Terça-feira, Abril 01, 2003
Outer space
Hoje é um dia espacial.
Com sons viajantes do Grandaddy no aparelho de som.
Fotografias surreais no photo blog.
E robôs no primeiro parágrafo.
Posted at 14:57 by spectorama ::

