Quinta-feira, Julho 31, 2003
A promessa
Descobri que apenas a verdadeira boa música pode curar toda a loucura que está o meu trabalho. Por isso, a partir de agora só irei ouvir álbuns lançados originalmente na década 70. É a minha promessa até o final de agosto. Hoje o dia começou com...
...Let's Get It On (Deluxe Edition), Marvin Gaye. O disco já é um clássico, mas os bônus são ainda mais sensacionais. É impressionante como o cara conseguia produzir verdadeiras sinfonias soul. A faixa-título é pura perfeição. Posso ficar horas viajando em apenas um de seus intrumentos. No momento, estou doidão pela bateria.
...Catch A Fire (Deluxe Edition), Bob Marley & Wailers. O legal dessa edição é a versão jamaicana do álbum. É muito mais crua e direta, sem perder a leseira tradicional de Marley. Com certeza, um dos melhores discos da minha lista pessoal.
Posted at 17:09 by spectorama ::
The sun goes down
Sam Phillips morreu.
Vou ouvir Elvis Presley para homenagear o cara.
Posted at 10:33 by spectorama ::
Quarta-feira, Julho 30, 2003
O disco da hora
É difícil dizer qual é o meu disco ao vivo predileto. Mas hoje arrisco dizer que um dos Top 10 é o Live da banda americana Built To Spill. Lançado em 2000, o álbum é perfeito em tudo. A parte gráfica é sensacional, o repertório é maravilhoso e a performance é impressionante. Acredito que Built To Spill não faz um som tão fácil de digerir, mas depois que você se permite mergulhar no rock melódico-progressivo-noise dos caras não existe mais saída. É viciante. Costumo dizer que, neste disco em especial, as duas guitarras da banda fazem sexo. É literalmente foda.
Sem falar na versão de quase vinte minutos para Cortez The Killer de Neil Young.
Dica: ouça com fones de ouvido. No canal direito está uma guitarra. E no esquerdo, está a outra.
Posted at 23:15 by spectorama ::
Terça-feira, Julho 29, 2003
Vamos flutuar?
spectorama continua dando presentinhos. Baixe aqui Ladies And Gentlemen We're Floating Space, a segunda melhor música de todos os tempos, na versão que contém citação de Can't Help Falling In Love.
Posted at 22:45 by spectorama ::
Ele é o nosso Jeff Tweedy
Tenho planos de escrever um texto sobre Jeff Tweedy e Maurício Takara, mas o tempo deixou de existir. Você não sabe quem é Maurício Takara? Adianto: se a música brasileira for justa, ele será um dos nomes mais importantes do cenário pop, rock e MPB nos próximos anos. Ele está em todas, é talentoso como poucos e de uma humildade surpreendente. Assim que o trabalho diminuir, escrevo aqui.
Enquanto isso, meu amigo, faça um favor para você mesmo: ouça Hurtmold. Não seja como o idiota aqui que demorou anos para descobrir esta maravilha de banda paulista.
Posted at 14:59 by spectorama ::
Segunda-feira, Julho 28, 2003
Não leu?
Você ainda não fez o download gratuito de Quando Eu Tiver 64? Clique agora e aproveite. É só até agosto.
Posted at 09:36 by spectorama ::
Sexta-feira , Julho 25, 2003
A volta dos que não foram
Milagre!
Hoje tem primeiro parágrafo.
Posted at 12:10 by spectorama ::
Nem sabia que isso existia
Hoje é o dia do escritor.
Parabéns aos meus amigos escritores, aos meus desafetos escritores, aos meus ídolos escritores e, principalmente, aos meus leitores que também são co-autores de tudo que escrevo.
Posted at 11:33 by spectorama ::
Todo mundo junto: SÓ MULHER PELADA!
Que porra de droga o Diego Medina, o cabeça por trás da Video Hits, anda tomando? Seja lá qual for, Só Mulher Pelada No União, de sua nova banda Os Massa, é impressionante de tão simples, boa e pegajosa. Ouvir em um show deve ser muito legal.
spectorama, que é uma mãe para você, disponibiliza agora a música para baixar aqui.
Posted at 10:25 by spectorama ::
Quarta-feira, Julho 23, 2003
Mais presentes
spectorama é um cara muito legal. Baixe aqui a canção de Tougher Than The Rest com o The Mendoza Line.
Posted at 20:11 by spectorama ::
Quarta-feira, Julho 23, 2003
Palavras do Chefe
Qual é a sua música predileta de Bruce Springsteen? A minha, por diversos motivos, é Tougher Than The Rest. A razão número um é porque Tunnel Of Love foi o primeiro disco que comprei do The Boss, ainda em vinil na década de 80. Além da melodia perfeita, a letra dizia tudo o que um adolescente inseguro queria ouvir: some girls they want a handsome Dan/ or some good-looking Joe/ there are some girls who want that sweet-talking Romeo/ but round here, baby/ you learn you get what you can get/ so if you're rough enough for love, honey, I'm tougher than the rest. Talvez o cara tenha sido o culpado pelo meu excesso de romantismo, mas o fato é que levei aquilo a sério.
Alguns anos depois, caiu em minhas mãos o álbum Acoustic do duo britânico Everything But The Girl. A versão deles para Tougher Than The Rest é de deixar qualquer um com o coração em pedaços. Eram tempos complicados e a voz de Tracey Thorn me fazia ir em frente. Aliás, fui tão em frente que decidi vender o pouco que tinha para passar uma temporada na Europa. E, depois de dois meses de mochila nas costas, voltei a Barcelona para passar mais uns dias na minha cidade predileta antes de pegar o avião de volta. E, em uma noite qualquer, lá estava eu em um pub irlandês em Barcelona quando o meu amigo Brian pegou o seu violão e disse que iria cantar uma de suas canções preferidas. Eu simplesmente fiquei chapado com Tougher Than The Rest com o sotaque irlandês do cara.
Tudo isso é para contar que em abril deste ano simplesmente ignorei o CD que vinha encartado na edição da revista inglesa Uncut. São dois volumes apenas com covers de Springsteen. Ainda não ouvi o disco dois (aliás, se você tem um e quiser vender, fale comigo AGORA), mas acabo de conseguir o primeiro em um balaio. Na verdade, comprei apenas por causa de Badly Drawn Boy cantando a linda Thunder Road. Mas, quando chego em casa, descubro que há uma versão exclusiva de Tougher Than The Rest com o The Mendoza Line. Linda, linda, linda. E agora, ouvindo essa pequena obra-prima pop, sabe o que me vem à cabeça? Sim, sou um cara óbvio, você sabe disso. Só consigo pensar na minha garota, com o seu sorriso de três metros, com a sua voz cantando Everything But The Girl no chuveiro (apesar de toda a sua predileção por rock de garagem). E ela sempre me diz que Springsteen nos Estados Unidos é visto como um amigão, um conselheiro, um oráculo. E ela, como sempre, tem razão.
Quando estou ao seu lado, sinto que sou mais forte do que qualquer coisa.
Tudo o que ela precisa fazer é dizer que me ama.
O resto é fichinha.
Posted at 00:00 by spectorama ::
Segunda-feira, Julho 21, 2003
Como eu posso agradecer?
O prefácio que escrevi para o livro-blog Quanto Eu Tiver 64, que está disponivel para download aqui mesmo no spectorama, já entrega a boa nova: o meu próximo romance Cassino Hotel será lançado pela Editora Rocco. Não divulguei a notícia oficialmente porque estava apenas esperando o contrato ser assinado. Pois agora está. Mais do que comemorar, quero agradecer a todos que enviaram e-mails às editoras. É por isso que decidi presentear você com o arquivo gratuito de Quanto Eu Tiver 64. Então é isso: obrigado, de coração e com todas as letras.
O lançamento de Cassino Hotel ainda não está agendado. É possível que aconteça apenas na Bienal Do Livro De São Paulo, em abril de 2004. Talvez saia antes, talvez saia depois.
Ah, e já assinei o contrato para um novo livro, que também será lançado pela Rocco. Tenho, a partir de hoje, 18 meses para entregar os novos originais. Ainda não sei sobre o que irei escrever, mas prometo deixar você informado.
Obrigado mais uma vez.
Agora, peço licença porque vou colocar Transplants bem alto e tentar me recuperar do excesso de trabalho do final de semana.
Beijos e abraços multiplicados por mil.
Posted at 17:57 by spectorama ::
Domingo, Julho 20, 2003
Seven more minutes
The Rentals.
Eta bandinha bem boa.
Posted at 19:42 by spectorama ::
Sábado, Julho 19, 2003
Smile, babe, smile
Para relaxar por uns minutos, decidi colocar mais fotinhas novas lá no photo blog.
Posted at 23:24 by spectorama ::
Smiths e a publicidade
A maratona no trabalho continua.
Nessas horas, só o disco Strangeways Here We Come salva.
Posted at 22:58 by spectorama ::
Os Blochs
Hoje tem Tom Bloch na Fun House aqui em São Paulo.
Tenho uns 60 layouts para entregar até segunda às 8 da manhã.
Mas o mundo pop me chama.
Posted at 13:15 by spectorama ::
Sexta-feira , Julho 18, 2003
A mulé não pára de falar
A Erika Palomino pode ter uma coluna em um dos maiores jornais do país. Mas dessa vez ela ficou para trás. Porque o spectorama falou primeiro no Daniel Belleza.
Posted at 10:39 by spectorama ::
Só acredito vendo (e ouvindo)
Estão prometendo muitos shows para o segundo semestre.
Começo a ficar desconfiado.
Posted at 10:36 by spectorama ::
Quinta-feira, Julho 17, 2003
Da série: por que diabos ninguém mandou eu parar antes?
Um pequeno conto escrito em 1992. Era uma época em que eu lia muito Raymond Carver.
Decisões
Marina dirige o seu Fiat Uno 1.6R amarelo, 90, com pressa. É preciso levar o seu namorado à parada de ônibus. Carlos Miguel trabalha em um escritório de contabilidade em uma insignificante cidade da região metropolitana da capital. Ele está atrasado. O garçom trocara os pedidos. E o café estava frio.
Enquanto enfrentam o trânsito, Marina imagina se é isso o que deseja para a sua vida: levar e buscar o marido à parada de ônibus. Se ao menos Carlos Miguel a esperasse com um buquê de flores. Mas não. Marina está entediada. Pensa seriamente em terminar o namoro.
Chegam na parada. Beijam-se rapidamente. Carlos Miguel entra no ônibus. Abre o jornal.
Quando pára no primeiro semáforo, Marina percebe que Carlos Miguel esquecera um envelope dentro do carro. Olha para o espelho retrovisor. Dá ré. Estaciona ao lado do ônibus, já de motor ligado. Buzina. Da janela, Carlos Miguel vê Marina acenando, com o envelope em sua mão direita. Ele fala com o motorista. Desce e vai até o carro.
No exato momento em que Carlos Miguel pega o envelope, acontece a explosão. O ônibus está em chamas.
Marina e Carlos Miguel sofreram queimaduras leves e algumas escoriações. Nenhum sobrevivente entre os que estavam dentro do coletivo. O seguro pagou um Fiat Mille usado, branco, para Marina. No hospital, nas idas e vindas da emergência, decidiu não terminar o namoro com Carlos Miguel.
Posted at 23:14 by spectorama ::
Meu nome é trabalho
Desmoronou mais uma tonelada de trabalho em minha mesa.
Acho que irei sumir durante uns dias.
Mas vê se aparece por aqui de vez em quando.
Posted at 22:43 by spectorama ::
Leia, leia, leia
Já ultrapassamos a barreira de mil downloads do livro-blog Quando Eu Tiver 64.
Você não sabe o que é?
O negócio é o seguinte: até agosto um arquivo em pdf estará disponível para baixar aqui. É curioso para quem leu o meu primeiro romance, e pode ser um motivo para quem ainda não leu. Sei lá. Faz o seguinte: lê e depois decide.
Posted at 22:40 by spectorama ::
Terça-feira, Julho 15, 2003
Angels
Curti o novo Panteras. Belas garotas. Belas cenas de ação. Bela trilha sonora. Coisa bem machista, né? Mas, putz, Cameron Diaz de biquíni e a Lucy Liu dando chicotada é demais.
E as camisetas metal da Drew Barrymore são tri também.
Posted at 15:25 by spectorama ::
Ceremony
Minha garota me deu de presente um DVD do New Order. O show é do ano passado, acho. Putz, os caras estão muito gordos. Mas a banda continua ótima. Estou quase coroando o Peter Hook como o melhor baixista de todos os tempos.
Posted at 15:21 by spectorama ::
O meu amigo ranzinza
Eduardo Palandi pensou que eu nunca mais iria querer falar com ele por causa do texto sobre os Pixies. Oras, como disse no post abaixo, não dá para levar o rock tão a sério. Eu não quero perder a oportunidade de falar sobre o que vejo de estranho (veja bem, nem acho errado os mal humorados) por aí, mas muito menos quero perder os amigos.
Posted at 15:17 by spectorama ::
Segunda-feira, Julho 14, 2003
Os ranzinzas do jornalismo musical
Toda revista de música pop no Brasil tem o seu mal humorado. A saudosa Bizz já teve em seu staff o rei dos ranzizas, o até agora insuperável André Forastieri. Insuperável porque ele sabia combinar polêmica e diversão na dose certa. Quando você vê o Forastieri hoje, grisalho, de bermudas e camiseta, atrás de uma mesa de empresário, tocando uma das maioras editoras de revistas do país com um sorriso moleque no rosto, não há mais dúvidas. Ele não se levava a sério. Afinal, tudo isso é apenas rock'n'roll.
A Zero, que acaba de ganhar o Prêmio Dynamite De Melhor Revista De Rock, está se tornando especialista em gente mal humorada. Alexandre Petillo, o seu ex-editor, seguia uma cartilha previsível para destruir discos e artistas: era contra os hypes estrangeiros (porque os nacionais ele amava), assumia uma postura homofóbica e vivia afirmando que rock bom era como se fazia no tempo dele (e olha que mal tinha completado 25 anos de idade). Mas, dentro dessa loucura, até que o Petillo era coerente. Era fácil saber quem seria o seu próximo alvo. O problema é que ele se levava a sério demais, o que não é novidade, já que a maioria das pessoas hoje se levam muito a sério.
Agora que o Petillo não faz mais parte do staff da Zero, alguém teria que assumir o posto. Mas, em vez de um, ganhamos na nova edição, que está nas bancas, dois mal humorados. Pretendo, neste humilde texto, analisar cada uma das resenhas ranzinzas, explicando a diferença entre discordar do senso comum e posar de um dos donos da verdade (sim, hoje em dia a verdade tem vários donos, aliás, é praticamente uma sociedade de capital aberta). Não quero em nenhum momento ir contra os direitos de expressão da revista. Só quero apontar um caso cada vez mais comum no jornalismo cultural brasileiro. Algo que não acho saudável porque não dá margem ao leitor para que tire as suas próprias conclusões.
Em tempo: tenho plena consciência de que também sou um velho maleta aqui no spectorama, detonando Radiohead e Belle & Sebastian, por exemplo. Mas assumo que sou um cara implicante e chato. Além do mais, isso aqui é um blog pessoal e não um site de cultura ou uma revista de circulação nacional.
Caso Um: Eduardo Palandi Versus Pixies
Por que diabos uma revista de música possui uma coluna para criticar um álbum considerado fundamental pela grande maioria da crítica e público? Para contestar, causar discussão, fazer com que a gente cresça, acredito eu. Não é o caso do texto escrito por Eduardo Palandi sobre o disco Doolittle, da banda americana Pixies. Com todo o carinho e respeito que sinto pelo autor, a sua crítica é um desserviço aos novos ouvintes e um desrespeito a toda uma geração influenciada pelo quarteto de Boston.
Desserviço porque dizer que Doolittle foi um hype em 1989 é desconhecer o mercado brasileiro musical da época. Em 1989, as informações chegavam muito mais tarde aqui, era simplesmente um martírio conseguir um disco importado e as publicações gringas eram difíceis de encontrar. É verdade que o Pixies foi muito aclamado, principalmente na Inglaterra, terra do selo deles, o lendário 4AD. Mas o Brasil dependia das informações da Bizz e não existia a internet. Ou seja, Doolitlle chegou às lojas quase sem passado (o álbum anterior, Surfer Rosa, havia sido lançado por aqui, mas pouca gente comprou) e ainda com um ano de atraso. Sim, nós apenas ouvimos Doolittle em 1990. Ele não foi um produto de hype, nem foi tão superestimado assim na época. Se hoje, mais de dez anos depois de seu lançamento, é um disco que figura fácil na lista de diversos críticos, músicos e ouvintes é justamente porque possui um valor quase indiscutível, afinal ele continua novo, vivo, clássico. E digo quase porque o resto é gosto, e gosto a gente discute sim, desde que com argumentos embasados, não algo como ...ora o instrumental beira a cafonice como em "Here Comes Your Man" e "La La Love You". Se o pop básico de Here Comes Your Man é cafona, bandas como Teenage Fanclub (que o Palandi gosta, inclusive) também são cafonas. Ora, o que um adolescente que nunca ouviu Pixies na vida ganha lendo isso? Nada. É desinformação. Informação seria dizer que a banda de Frank Black era nada mais do que uma reciclagem de Hüsker Dü, surf music e Big Black. No mínimo, o guri acabaria conhecendo mais duas bandas legais e aí iria formar a sua própria opinião.
Desrespeito porque o texto trata o álbum como imbecil. Acredito que poucos discos podem ser chamados de imbecis, até porque quem sou eu para dizer uma coisa dessas de um artista. Logo, se o álbum é imbecil, quem ouve também é. Eu me senti um idiota lendo a crítica. Porra, eu vivo para a música, coleciono discos desde 1985, a minha vida praticamente mudou quando ouvi Pixies pela primeira vez e, agora, descubro que por muito tempo adorei um álbum que soa como uma música de 40 minutos - e das ruins. Existe alguma coisa muito errada comigo e com os meus amigos que passávamos tardes chapados ouvindo o Doolittle no volume máximo, que aprendemos a amar o barulho, que chegamos a ter sonhos eróticos com a hoje baranga Kim Deal, baixista da banda. Somos todos uns imbecis que superestimamos um disco meia-boca. Mas se para gostar de Pixies eu tenho que me sentir um personagem de Wayne's World, foda-se. A partir de hoje, Mike Myers é o meu melhor amigo.
Para encerrar, o Palandi ainda afirma que gosta de Trompe Le Monde, o último disco do Pixies. É óbvio. Todo mundo sabe que Surfer Rosa e Doolittle são melhores. Mas mal humorado é assim mesmo. Tem que ser do contra.
Caso Dois: Luiz Cesar Pimentel Versus Nice Man
Novamente remando contra a maré, a Zero dá nota 3 a um álbum que agradou a quase todos críticos do Brasil. Ok, até acredito que uma opinião diferente sempre vale a pena, mas Luiz Cesar Pimentel, o diretor de redação da revista, se apegou à proposta de Francis MacDonald, o escocês por trás do projeto Nice Man, em escrever uma ópera pop, deixando a música de lado. Em primeiro lugar, quem quer comprar discos para encontrar boas letras, que compre um livro de poesia. Isso não significa que roqueiro tem que ser um iletrado. É sempre legal ouvir uma ótima letra, mas, convenhamos, o que importa no final é a melodia que faz você sorrir. E isso o álbum Sauchiehall & Hope tem de sobra.
Mas claro que é possível criticar um disco pelo seu conteúdo, digamos, intelectual. Desde que sem preconceito e de forma parcial. Luiz, no entanto, rotulou Nice Man como um loser, um nerd posando de bacana, um adolescente tardio em um ode à derrota. Então tá. Mostrar apenas um lado da moeda vale. Dizer que, na verdade, o álbum conta uma história não pode. Afinal, por que gastar mais duas linhas para dizer que Sauchiehall & Hope fala sobre um cara como qualquer um de nós, que conhece uma mulher, faz de tudo para ficar com ela, consegue o que quer até que põe tudo a perder por causa da mania masculina em não se contentar com uma pessoa só? Por que informar se é melhor polemizar? Por que causar identificação se é mais legal ser do contra? Talvez nem tenha sido essa a intenção do Luiz, mas que parece que é mau humor por mau humor, ah, parece. Aí é que pega. O cara se leva a sério demais, definindo o que o leitor deve ou não ouvir.
De qualquer forma, a minha bronca nem é com isso. O Luiz pode até dizer que só estou falando isso porque o release de lançamento do álbum é meu, mas o que me leva a escrever essas linhas é o 0 para a proposta adolescente aposentado. Como assim adolescente aposentado? Quer dizer então que roqueiro não pode ser adolescente? Pelo amor de Deus, o sentido do rock é adolescente. A própria atitude de Luiz, ao largar tudo para fazer a sua revista de música, possui algo de juvenil. E isso é que é legal no rock. É como ele consegue manter a cabeça jovem sem limite de idade. 15, 20, 30, 40, 50 anos. Não importa. Quem foi picado pela mosquinha do rock é um eterno adolescente. É esse sentimento que move o rock. Seja em uma banda de metal, seja em um grupo de rap, seja em um projeto power pop como de Francis MacDonald. E, como disse antes, até mesmo em uma revista. É uma pena que a Zero esteja crescendo. É cedo demais para isso. O mundo não precisa de jornalistas mal humorados ou que vivem contando as suas próprias experiências de vida para justificar a nota de um disco (é a pretensão da Pitchforkmedia fazendo escola). Afinal, adolescência é explosão de emoções, é energia, é hormônio em ebulição. Um dia, quem sabe, os jornalistas de música irão tirar a máscara de papai-sabe-tudo e colocar muito mais paixão na ponta dos dedos.
Não é tão difícil assim.
Pelo menos é o que eu acho.
E você? O que acha?
Posted at 19:31 by spectorama ::
Sexta-feira , Julho 11, 2003
Instruções de uso
Sobre o livro-blog Quando Eu Tiver 64 que está disponível para download gratuito aqui...
1. Obrigado pelos comentários e e-mails falando sobre a história. Eu tenho sérias restrições em relação ao livro. Para mim, o maior mérito é que foi escrito em tempo real. De qualquer forma, fico extremamente feliz que algumas pessoas gostaram das desventuras do Spit quase adulto.
2. Você pode enviar o arquivo por e-mail para os amigos (ou inimigos). Mas sempre que possível dê o link para o download. Assim, tenho controle de quantas "cópias" do livro foram baixadas durante o tempo que estipulei. Depos de agosto, você pode fazer o que quiser com a cópia. Menos, claro, publicá-la em papel sem a minha devida autorização. Citações são sempre legais, desde que a autoria seja creditada.
Obrigado mais uma vez.
Posted at 23:18 by spectorama ::
Tempe Perdido
Você quer saber como o Eduardo Spitzer e a Ana Teresa se conheceram?
Vou recuperar a história e logo coloco aqui.
Posted at 19:59 by spectorama ::
Quinta-feira, Julho 10, 2003
Um livro de graça para você
Não custa lembrar: você pode fazer download gratuito do livro-blog Quando Eu Tiver 64. Clique aqui e pronto. Você vai precisar do Adobe Acrobat Reader.
Mais de 400 pessoas já baixaram o seu.
O que você está esperando?
Aproveite que é só até agosto.
Posted at 16:25 by spectorama ::
Quarta-feira, Julho 09, 2003
Dançando no inverno
Ontem, enquanto caminhávamos até o banco, o meu colega de trabalho Fabricio disse que o nosso inverno mais parecia um verão europeu. É verdade. São Paulo está com um clima ameno, com um sol gostoso, mas às vezes bate um certo friozinho. Por isso, decidi elaborar um setlist especial para passar essas tardes de inverno amarelas se espreguiçando ao lado de quem amo. Foi tudo feito às pressas, por isso deixei de fora muita coisa. O básico é um rock com toques melancólicos, além de muito folk pop. Vamos, então, ao que interesssa. É importante lembrar que a lista segue uma ordem.
Lost Winter Volume I
1. Spit On A Stranger, Pavement - Ótima para abrir qualquer K7 ou CD pois possui uma bela introdução de guitarra e baixo. Os fãs mais malucos de Pavement não gostam tanto do álbum que contém Spit On A Stranger. Afinal, os caras soam mais produzidos do que nunca. Mas eu sou apaixonado por Spit On A Stranger. É uma quase balada com o vocal preguiçoso de Stephen Malkmus preparando o terreno para que a gente relaxe.
2. Don't Know Why, Ben Kweller - Agora aceleramos um pouco o clima. Mas ainda é tudo muito tranqüilo, com violões e a voz gostosa de Ben Kweller falando sobre o que ele mais sabe: as incertezas da adolescência. Ok, já somos um pouco velhinhos. Pelo menos alguns por aqui. Mas sente aí no gramado, feche os olhos e mande a maturidade se foder.
3. Sleep, Donovan - Na década de 60, os ingleses chamavam o cara de Bob Dylan britânico. Mas o velhinho budista tem o seu valor. Em 1996, gravou o álbum Sutras, produzido pelo fodaço Rick Rubin e acompanhado por gente como Flea, Nave Navarro e a galera do Heartbrakers de Tom Petty. Sleep é devagar, quase parando, com pianos e cellos injetando lerdeza em suas veias. Linda, linda, linda.
4. Mountain Of Regret, Graham Coxon - O ex-guitarrista da banda Blur fez um disco sensacional sobre o seu problema com drogas. Longe de seus ex-companheiros, Graham assume o seu lado lo-fi, com rocks básicos e baladas folks. Mountain Of Regret é a melhor canção de The Kiss Of A Morning. O clima é country, com direito até a pedal steel. E a voz do guri é de uma simpatia ímpar. Você está aí, jogado na grama, e então começa a bater os pés, balançar a cabeça e, quando menos percebe, bate palmas. Isso, não tenha medo do ridículo.
5. She's Got A New Spell, Billy Bragg - O mestre das canções de protesto do Reino Unido também tem coração. E o cara é tão foda que fez algo irresistível apenas com um violão, uma guitarra e uns tamborzinhos aqui e acolá. Sim, você não está ficando louco. O mundo agora parece ser um lugar bem melhor para se viver.
6. Impossible, The Charlatans - Sim, sim, Charlatans é uma banda de um hit só. Isso, claro, se você nunca quis perder o seu tempo para ouvir os outros discos da banda. Us And Us Only, por exemplo, não tem nada daquele ranço britpop, indiedance ou qualquer coisa parecida. E Impossible é o ponto alto do disco. Um violãozinho esperto, um piano digno das melhores baladas dos Stones, uma gaita de boca de arrepiar. É o pop perfeito acompanhando os raios de sol.
7. Metal Firecracker, Lucinda Williams - Já que o clima é folk, vamos para onde tudo acontece. Lucinda Williams, acompanhada dos riffs de guitarra capiras de Steve Earle, transporta a gente para Nashville. Rock amargo sobre separação, com citação de ZZ Top e tudo. É para chorar e dançar.
8. Hesitating Beauty, Wilco + Billy Bragg - O camarada Bragg reaparece dando uma legítima festa junina com o meu amado Wilco. É provavelmente a canção mais country que Jeff Tweedy já cantou. E uma das mais deliciosas também. Fala de uma menina que está indecisa quanto ao casamento. Quer dizer, ela quer, mas fica hesitando. Essas mulheres...
9. For You (I'd Do Anything), Roky Erickson - Internado nos anos 70 por porte de maconha, o ex-líder do 13th Floor Elevators nunca mais foi o mesmo depois de sua temporada no hospício. Mas talento é talento. E, com ajuda da galera do Butthole Surfers, lançou um ótimo álbum em 1994. Produzido no Texas, não é de se espantar que o som puxa mais para o acústico. O legal dessa música é que ela tem uma guitarra meio psicodélica ao fundo, lisérgica, sabe como é, estamos falando de Roky Erickson.
10. How I Long, Gorkys Zycotic Mynci - Pisamos no freio de novo. Aqui o que importa é sentir o verão em nossos corações. Belas harmonias vocais, melodia em progressão, violino caindo como folhas das árvores e um solinho de guitarra no final para acabar de vez com todo e qualquer stress. É uma das canções-chave da coletânea.
11. The Weight, Travis - Um pé nos anos 70, outro nos anos 00. Clássico da The Band revisitado em grande estilo pelo Travis. Dá vontade de pegar a estrada, sentir o vento frio no rosto, fugir para os pampas. E por que não?
12. Through Your Skies, January - Só depois de pisar na Inglaterra você começa a entender como os britânicos conseguem escrever canções cheias de melancolia. Esse sentimento estranho está no ar, mesmo que, à noite, todo mundo afogue tudo em um pub. Pouca gente notou, mas a banda January teve um disco lançado no Brasil ano passado. E Through Your Skies é apenas uma das belezas escondidas de I Heard Myself In You. Dá para ficar viajando horas no pedal steel da música.
13. A Parting Gesture, The Bluetones - Você já teve vontade de caçar borboletas ao ouvir uma música? Pois é exatamente isso que sinto ao ouvir esta beleza de balada dos já desaparecidos Bluetones. Com aquele ritmo pára-começa e com uma guitarra dialogando com o vocal, é perfeita para ficar dando saltinhos pela grama. Assim, que nem duendes. Mas cuidado: o seu final é tão dilacerante que os mais sensíveis vão cair no choro.
13. These Days, Nico - Nem preciso dizer nada. Nico é covardia. A voz da mulher parece que vem com amaciante. Por isso, deite aí, saboreie o violino, e não esqueça de dizer adeus antes de flutuar.
14. In The Aeroplane Over The Sea, Neutral Milk Hotel - Pouca gente conhece o projeto folk psicodélico de Jeff Mangum. Mas quem conhece sempre acaba se apaixanando. Não é fácil. Apesar de ter uma pegada pop, tudo soa meio desafinado, estranho, e os ruídos colocam você no meio de uma estrada de cogumelos. Mas que é muito bonito, ah é.
15. NYC - 25, The Olivia Tremor Control - Para continuar a nossa tarde com gosto de ácido, nada melhor que os parentes mais normaizinhos do Neutral Milk Hotel. É hora de fazer o sinal da paz, vestir as roupas do Sargento Pimenta e beijar quem você ama.
16. One Man Guy, Rufus Wainright - Beijou? Então vamos continuar no clima romântico. Estique a toalha na grama, tire os sapatos, role os seus corpos. Acima, só o céu. E o estiloso Rufus cantando uma das mais bonitas canções de seu pai. Aliás, é tão bonita que às vezes não acredito que alguém conseguiu fazer algo tão simples e, ao mesmo tempo, clássico.
17. Your Hand In Mine, Nice Man - O amor é bobo, mas o pop salva tudo. Essa baladinha de Nice Man é tão gostosa que você só pode fazer uma coisa: andar por aí de mãos dadas, curtindo o sol, cantando juntos, com os passarinhos fazendo coro.
18. Sleep The Clock Around, Belle & Sebastian - Trilha sonora para brincar de pega-pega por entre as árvores. Ou ficar sentado em um banco de praça, tomando um sorvete, e acompanhando o ritmo com os pés. É a única música que consigo ouvir do Belle & Sebastian. Poucas vezes a banda justificou tão bem o fato de ter uma dezena de integrantes. São tantos barulhinhos bons que até arrisco uma dança tímida. Sem falar no belo arranjo de metais no final.
19. Sleeping On Roads, Neil Halstead - Outra canção-chave dessa coletânea. Até porque um dos motivos da seleção é fazer a minha Sylvie ouvir esta pequena obra-prima. Sei que ela curte mais um rock'n'roll sueco, mas, sei lá, de repente um dia de sol pode mudar tudo. Além do mais, foi ela que me fez aproveitar a promoção do álbum lá na Velvet. Como já disse antes aqui no spectorama, o banjo simplesmente me deixa chapado. E tem gosto de inverno.
20. In The Grass All Wine Coloured, Evan Dando - Acompanhado dos músicos da excelente Calexico, o ex-líder do Lemonheads é responsável por uma das grandes canções do ano. É para o final de tarde, quando o sol já foi embora e o frio está chegando com mais força. Às vezes parece que está saindo fumacinha da boca de Evan Dando enquanto ele repete a única frase da música.
21. Baby, Os Mutantes - Aí, quando você chega em casa depois de uma tarde de inverno e sol, coloca no som uma das únicas coisas boas que Caetano Veloso fez na sua vida. A guitarra que mais parece um miado, o órgão retrô, o sotaque paulista. Abro a janela de minha varanda. Caralho, estamos em São Paulo. Mas vivemos na melhor cidade da América do Sul, enfim. Se é verdade, se é mentira, tanto faz. Um dia perfeito, o clima perfeito, as canções perfeitas, a companhia perfeita. Pelo menos hoje, sim.
Posted at 20:11 by spectorama ::
Segunda-feira, Julho 07, 2003
Aliás...
... este Sleeping On Roads de Neil Halstead é bonito demais. Até o Mini, vocalista da banda Walverdes e roqueiro exigente, ficou emocionado com o disco. A verdade é que o álbum tem um climazinho bom, para ouvir de olhos fechados, sentado no chão, com a namorada deitada em seu colo. Só o final da faixa-título, com o seu sutil duelo guitarra versus banjo, vale todo o investimento. Que não é muito, se você procurar na loja certa.
Posted at 23:20 by spectorama ::
Uma soundtrack para Marina
A minha coluna Soundtracks está atrasada. Porém, antes de publicá-la no Argumento.net, irei colocá-la aqui. Provavelmente os editores não vão gostar. Mas azar. É por um bom motivo: a coluna dessa semana é um presente tardio aos meus queridos amigos Giba e Ale, que acabaram de ganhar de presente a linda Marina. O linda é por minha conta, já que nunca a vi. Mas tenho certeza de que ela é um bebê especial. Então, aqui está. O texto é para vocês três, Gibs. Um beijo do tamanho do mundo.
"Two Stones In My Pocket" - Neil Halstead
Uma Canção Para Marina
Marina, pequena, você chegou ao mundo. E eu, mal educado que sou, nem dei boas vindas. Não vi o sorriso de seus pais. Muito menos os seus pequeninos olhos puxados refletindo o brilho de tanta felicidade. O mundo não adormece em São Paulo. E lá em Porto Alegre também não. Na casa do Giba. Na casa da Ale. Na casa de Malina, assim mesmo com li, como o Vô Chang deve dizer. A família que ao longe cresce. E o meu abraço? E o meu beijo? E o meu presente? E a minha lárgrima? A minha inveja, cadê? Eu poderia enviar fraldas pelo correio. Sei que fraldas custam uma fortuna. Ou um ursinho de pelúcia. Um panda com cheiro de eucalipto. Talcos, perfuminhos, roupinhas, brinquinhos. Tantos inhos e eu aqui. Sem saber o que fazer. Sem saber o que dizer. Um amigo perdido nesse cinza paulista. Um amigo desnaturado. Um escritor que perdeu as palavras no caminho de casa. Não estou aí, Marina, para lhe dar tudo o que quero. Porque presentes e palavras não bastam. Por isso, decidi dar a você com o que tenho de mais precioso. A minha música. Ou melhor, a música dos outros que acabam sendo minhas. Virei a prateleira de CDs. E revirei. E virei de novo. Encontrei velharias. Encontrei discos e bandas que o seu Papai Giba gosta. Até o som cool da Mamãe Ale pensei em separar para você. Mas queria algo meu. Algo novo. Uma canção de ninar que inspirasse os melhores sonhos em seu berço. Então, Marina, aqui está o seu presente. A sua canção de ninar. Está ali no álbum solo de Neil Halstead. Você sabe quem é? Bem, Neil está por trás de duas das melhores bandas que já surgiram na Inglaterra. Uma é o Slowdive. Essa, eu não gosto tanto assim. A outra, Marina, é o Mojave 3. E Mojave 3 é lindo. Um pop com pitadas folk para ouvir em dias de sol. Deitado no gramado. Comendo bergamotas. Tomando chimarrão. E o disco "Sleeping On Roads", de Neil Halstead, também é assim. Tranqüilo, tranqüilo. A faixa número dois é sua, Marina. Se chama "Two Stones In My Pocket", e fala sobre uma menina que atravessou o oceano para descobrir o mundo. E amou, amou, amou. Que, se você me permite dizer, é o que importa nessa vida. Aí um idiota quebrou o seu coração. É, Marina, ninguém disse que seria fácil. Mas a nossa heroína tem sorte. Ela sempre tem os braços de sua mãe para deixá-la segura. Assim como você. Mas, bebê, a sua sorte é ainda maior. Porque, além da melhor mãe, você tem o melhor pai. E isso, Marina, não acontece todo dia. Espero que goste do meu presente. Durma com os anjos. E não se preocupe. Em caso de emergência, lembre-se que você tem duas pedras no seu bolso.
Posted at 23:06 by spectorama ::
Os 30 discos dos meus 30 anos - Parte Nove
Time Pieces - The Best Of Eric Clapton
"É impossível acreditar em alguém que toca guitarra vestindo um terno Armani", disse Jim Reid, um dos irmãos da banda escocesa The Jesus & Mary Chain, sobre Eric Clapton. O ano era 1988, e um adolescente altamente influenciável como eu não tinha como entrar em parafuso. Afinal, a minha pose era totalmente rock and roll. Daqueles que se dizia viciado em microfonias e três acordes tocados de forma tosca e barulhenta. Mas o problema é que a minha educação musical foi toda baseada na tão citada Rádio Ipanema. E lá os caras não tinham programação. Simplesmente colocavam no ar o que queriam. Como eu estudava de manhã, o meu horário predileto da Ipanema era a partir das quatro da tarde, quando começava o set do jornalista e músico Jimi Joe. E por mais que gostasse do rock dos anos 80, o careca mais odiado por Ian McCulloch (ele beijou o líder do Echo & The Bunnymen na apresentação da banda inglesa em Porto Alegre em 1999) não passava um dia sem botar no ar Layla, do projeto de Clapton chamado Derek & The Dominos. Jimi Joe até dizia Chegou a hora DAQUELA e eu já sabia que música iria ouvir. E, assim, o adolescente influenciável acabou se apaixonando por Layla.
Eu tentei de todas as formas lutar contra o meu gosto. Imagina se os meus amigos punks soubessem que o marmanjo aqui quase chorava ouvindo a parte lenta de Layla? Eles iriam arrancancar a minha camiseta dos Ramones. Mas em um sábado tudo mudou. Eu havia colocado o rádio-relógio para despertar às cinco horas da manhã porque queria assistir ao jogo da seleção brasileira de futebol nas Olimpíadas. E, por uma dessas coincidências malucas, Jimi Joe estava escalado para ficar na madrugada da Ipanema. E, às cinco horas daquela manhã de sábado fria, o meu rádio ligou no exato momento em que as guitarras dão lugar ao piano em uma das suítes instrumentais mais perfeitas da história do rock. Sim, era parte lenta de Layla que tanto me emocionava me acordando no inverno de Porto Alegre.
Pela primeira vez, deixei que o meu coração mandasse em mim. Porque, naquela manhã, descobri que música, pelo menos para mim, era muito mais que estilo, rótulo, conceitos e preconceitos. Era algo que iria me mover para sempre, independente de querer ou não. Eu tenho esta certeza de que vou levar apenas duas coisas comigo quando morrer: o amor que recebi e as canções que ouvi. O que, no final das contas, dá no mesmo.
Demorou ainda um ano até que comprasse o meu primeiro disco de Eric Clapton. Optei pela coletânea Time Pieces - Best Of Eric Clapton, lançada originalmente em 1982. Além de passar tardes ouvindo Layla, descobri outros clássicos como Wonderful Tonight e Let It Grow. E, claro, fui ao show do mestre no Gigantinho em 1990, quando pude presenciar uma atuação insana do percussionista Ray Cooper. Sim, Clapton estava vestindo um terno Armani. Sim, ele não parecia ter a mesma forma dos anos 70. Sim, eu ainda era um fã de punk rock. Mas, caralho, quando toda a banda parou em Layla e aquele piano invadiu o Gigantinho... senti um aperto no peito.
É isso.
Noventa e nove porcento da população respira oxigênio.
Eu respiro canções.
Posted at 21:40 by spectorama ::
64 motivos para você ler
Você já fez o download de Quando Eu Tiver 64?
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Clique aqui e aproveite.
Posted at 18:34 by spectorama ::
Dawson's geek
E ontem vi uns pedaços do último episódio de Dawnson's Creek. Simplesmente lamentável. Eta metalinguagem de meia-tigela.
Posted at 18:17 by spectorama ::
Bye, bye, Barry
Então a voz mais sexy do mundo pop se foi. O interessante é que a primeira coisa que pensei quando soube que o Barry White havia falecido foi no seriado Ally McBeal. Coisa de doente mesmo.
Posted at 17:23 by spectorama ::
Sexta-feira , Julho 04, 2003
Quando Eu Tiver 64
Faça agora o download gratuito do livro-blog Quando Eu Tiver 64 aqui. Se você não tem o Acrobat Reader, baixe no site da Adobe.
Até o final de julho vou colocar pelo menos uma vez por semana o link aqui. Depois o arquivo não estará mais disponível para download.
Posted at 23:35 by spectorama ::
Quarta-feira, Julho 02, 2003
Nós também temos pop de qualidade
Cosmotron do Skank.
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Posted at 17:06 by spectorama ::
Não foi dessa vez
VOLTAMOS!
Posted at 10:35 by spectorama ::

