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Sábado, Agosto 30, 2003
Click, click, click
Muitas fotos novas ali no photoblog.

Posted at 00:48 by spectorama ::

Convite da patroa!
Neste sábado (30/08) na FunHouse você confere os Gianoukas Papoulas no show de lançamento de seu EP, "Gianoukas Papoulas". O show marca o retorno da banda aos palcos paulistanos e brinda com o público a reabertura da casa mais bacana de São Paulo - a FunHouse abre suas portas com um ano de muitas festas e nova decoração. Mais a simpatia, a jukebox e a molecada que faz da FunHouse um dos melhores lugares de cidade estará toda lá, pronta pra fazer o seu sábado ficar na história.

Confira o Serviço:

Sábado, 30/Agosto/2003 Show da banda Gianoukas Papoulas (de SP) - em mais uma festa D.e.L.i.C.i.O.U.s. com participação da Detroit [Rock City]

-> Djs convidados: Bezzi (Rockerz) e Sylvie Piccolotto (Baby Borderline)

-> Djs D.e.L.i.C.i.O.U.s.: Ale Ricci, Fabio Otubo e Maurício

-> Para entrar: $5 mulheres - $8 homens

-> Venda de EPs e Camisetas Gianoukas Papoulas (qualidade Candyland).

-> Onde: FunHouse R. Bela Cintra, 567 - Consolação - São Paulo - SP Tel.: 011 3259-3793


Posted at 16:07 by spectorama ::

Pelo amor de Deus!
Ah, tá.

Wilco no Brasil.

Ah, tá.

Querem que o cara aqui morra.

Ah, tá.

Posted at 13:19 by spectorama ::

Quinta-feira, Agosto 28, 2003
As chaves dos seus sentimentos
O rock nacional está me surpreendendo novamente. O primeiro disco da banda brasiliense Prot(o) é uma estréia empolgante. Guitarras superbem trabalhadas, estruturas quebradas e refrões pegajosos. E muita energia. Até agora não sei se é punk, rock, mod, pop. Só sei que é um daqueles discos que aceleram a nossa vida. E isso é bom demais.

Posted at 20:34 by spectorama ::

Quarta-feira, Agosto 27, 2003
Your love is the place where I come from
A música pop entrou na minha vida muito antes de rótulos, carimbos, conceitos e preconceitos. Simplesmente chutou a porta e, sem pedir licença, tomou conta de tudo. Do meu tempo, do meu dinheiro, da minha sanidade. E eu poderia ser um ouvinte muito mais normal, se não fossem os amigos punks da adolescência, os críticos da revista Bizz e as publicações importadas. Ou seja, acabei me fechando em mundo habitado por bandas alternativas. Para romper essa barreira foi preciso muito tapa na cara e uma certa dose de maturidade.

Mas aí eu me deparo com uma edição especial de Four Thousand Seven Hundred And Sixty-Six Seconds - A Short Cut To Teenage Fanclub, quase tenho um treco, gasto uma nota no álbum e, quando coloco o disco para tocar, fico imaginando o que 99,99% da população mundial tem na cabeça? Sim, porque é bem provavél que apenas 0,01% já ouviu falar dos escoceses mais legais do rock. O que é muito triste. Afinal, é difícil acreditar que iria existir tantos conflitos bélicos se mais gente gostasse de Teenage Fanclub. Poucas bandas no mundo são tão felizes, tão melódicas, tão contagiantes.

E este disco é uma jóia só. 19 das melhores canções dos caras e mais 3 inéditas (só para fãs como eu ter uma desculpinha para comprar). É uma maravilha atrás da outra. Por isso, se você não conhece Teenage Fanclub, fica aqui o meu recado de louco: OUÇA JÁ.

É obrigatório.

E quando eu digo obrigatório estou querendo dizer obrigatório, entendeu?

Posted at 19:46 by spectorama ::

E o livro vai para...
É injusto, mas apenas um leitor pode levar o livro Além Das Portas, de Randall Neto, para casa. Agradeço a todos que enviaram as suas respostas. Prometo que cada uma vai receber um e-mail de volta.

Mas o texto que mais me emocionou foi o da Manoela Assayag. Confira.

Olá.

Vou contar um tantinho sobre o primeiro livro "sério" que me fez querer ler de verdade, de montão em montão - porque eu já lia um bocado, mas livros para a escola ou os infanto-juvenis da Vagalume, que eram ótimos, por sinal. Era 2000 e eu estava na 7ª série. Nunca tinha muito o que fazer no recreio, por ser meio desajeitada e difícil, então comecei a ler. E eu lia. Biografias (muitas), histórias de grandes companhias (Coca-Cola, Mc Donald's), mitologia grega. Um dia, contudo, chegou O livro. Minha mãe me entregou "Hora da estrela" em uma edição dos anos 80, com um desenho todo simbólico na capa. De primeiro instante, eu pensei: Clarice Lispector - quem é essa, meu Deus, quem é essa esquisita de nome esquisito? E eu abri o livro. E achei mais esquisito ainda. A pontuação era diferente e tinha fluxo de consciência - claro que eu não sabia que tinha esse nome. Tinha a Macabéa. Tinha o narrador contraditório. Tinha tudo aquilo de a história ser menos importante que a mente do narrador. E eu achei tudo estranho. Fui ler o prefácio. Lá dizia - e disso ainda lembro - que a Clarice também escrevia contos, e falava do conto da macaca e do conto da flor com espinhos e do conto do aniversário de uma velhinha bem velhinha. E me bateu um estalo que eu já tinha lido aqueles contos no paradidático do colégio, meio que sem prestar atenção. E então eu resolvi encarar a sra. Clarice Lispector com mais segurança. E voltei a ler o livro, li tudo de uma vez. Menos de um dia. E achei o livro tão tocante, mas tão tocante que parecia estar falando da porção egoísta de cada um de nós. E era tão bonito aquilo de o narrador ser indiferente, tão indiferente e a pobre da Macabéa sofrendo, mas ninguém se importando com a coitada, porque ele que importava, ela não tinha valor, ela era vã, pobre Macabéa, como era vã. Eu achei tão, mas tão bonito que considerei aquele o melhor livro que eu já tinha lido até então. Até então e até hoje, porque só Dom Casmurro, Cem anos de Solidão e Como ser Legal ocupam o mesmo espaço. E eu adoro ler. E eu leio de tudo, até bulas de remédio. E eu comecei a ler muito, muito mesmo. Até três livros ao mesmo tempo. E um dia eu comecei a escrever, mas essa história fica para uma próxima. :P

Ok, isso não é o suficiente para ganhar o livro do Randall, mas eu queria o livro, então eu tentei.

Abraços.
Manoela Assayag.


Parabéns, Manoela. Por favor, envie o seu endereço para mim, ok?

Posted at 11:18 by spectorama ::

Terça-feira, Agosto 26, 2003
This is the day
E na época em que eu nem sabia o que significava indie, This Is The Day, da banda inglesa The The, alegrava as minhas tardes pós-colégio. Caramba. Ela continua sensacional até hoje.

É legal também lembrar da cena final do filme Empire Records, quando Liv Tyler dança essa música no teto da loja. Lindo, muito lindo.

Posted at 20:42 by spectorama ::

Indie? Eu?
Enquanto algumas pessoas ainda acreditam que apenas indies perdem tempo lendo o que escrevo, um ilustre leitor me escreve dizendo que não entende quase nada deste blog. E quer saber como conheço as bandas que cito aqui. Assim que sobrar uns minutinhos, envio a resposta a você, José. E, quem sabe, até tento explicar aqui o que é este tal de mundo indie. Se é que vale a pena gastar tinta escrevendo sobre isso.

Posted at 20:36 by spectorama ::

Mauricio Takara
Eu escrevi poucos releases na minha vida. Acho que uns 4 no máximo. Mas nenhum me deu tanto orgulho quanto o do Mauricio Takara. Porque o cara é foda. E é uma honra poder escrever um release para ele. Quer ler? Clique aqui.

Posted at 20:12 by spectorama ::

Mais Wonkastories
Quando estivemos em Belo Horizonte em abril, eu e a Sylvie visitamos as gravações do disco do Wonkavision nos estúdios do John. A história desse encontro, escrita originalmente para a Zero, você pode ler agora no Baby Borderline.

Posted at 15:17 by spectorama ::

Wonkasongs
Surpresas são sempre boas.

Eu fiquei de queixo caído quando ouvi o álbum que a banda gaúcha Wonkavision gravou com o gente finíssima John (sim, o guitarrista do Pato Fu).

O que era bom ficou melhor.

E o que era ruim ficou ótimo.

Você também vai se surpreender.

Posted at 12:42 by spectorama ::

Última semana
Em dois meses, mais de 1700 pessoas fizeram o download do livro-blog Quando Eu Tiver 64. É pouco? Talvez, mas levando em consideração que o esforço de divulgação não foi tão grande assim, eu me sinto satisfeito.

E esta é a última semana que o arquivo estará disponível. Baixe o seu aqui.

Posted at 10:08 by spectorama ::

A rede é um mar de intolerância
As pessoas estão levando muito a sério os seus blogs e listas de discussão por e-mails.

Maldita internet.

Posted at 10:05 by spectorama ::

Segunda-feira, Agosto 25, 2003
Pensamentos walverdianos
O Mini é um cara sábio. Veja só o que ele escreveu no blog da Walverdes há alguns dias.

Vícios Esquisitos

Isso acontece comigo e, pelo que tenho conversado, com bastante gente ao redor: mania de ficar entrando em blog de uma pessoa que você considera abobada, trouxa, mangolona. Mesmo assim, você sempre acaba indo lá. E se irrita. E acha o cara um trouxa, um mangolão, um abobado. E volta inúmeras vezes. Não ganha nada com isso, apenas irritação.

Em Manhattan, o personagem do Woody Allen diz que criamos pequenas neuroses cotidianas pra não precisarmos nos ocupar dos problemas mais profundos. Como somos doentes.


Posted at 18:09 by spectorama ::

Promoção leia o novo! A sua chance de ganhar chegou!
É chegada a hora do sorteio da semana. O presente de hoje é Além Das Portas, romance de estréia do goiano Randall Neto. Sabe aqueles livros que faz você querer ler mais? Pois é. Além Das Portas é um deles. Por isso, é ótimo para quem está começando a se aventurar no mundo maravilhoso dos livros. É uma pena que o livro não teve a edição que merece. Mas são detalhes do mundo independente.

Para ganhar a sua cópia basta enviar um e-mail para mim dizendo qual foi o livro que fez você querer ler sem a obrigação escolar. E, claro, quero saber os motivos. A melhor resposta ganha. Envie a sua para bemybaby@spectorama.com. Boa sorte.

Posted at 13:04 by spectorama ::

Psycho Coupland
O grande Alessandro Psycho, designer da Detroit Rock City, acaba de voltar de Detroit. Diz ele que, depois de ter assistido a uma apresentação dos Dirtbombs, descobriu que nunca havia ido a um show de rock'n'roll na vida. E ainda dançou ao lado da Meg White, baterista daquela bandinha que não gosto, mas que adoraria ver ao vivo.

E Psycho trouxe para mim uma cópia do último romance de Douglas Coupland. Hey Nostradamus! tem tudo para ser o melhor livro do meu escritor predileto desde Microservos. Li apenas 30 páginas, mas parece sensacional. Depois comento mais.

Posted at 12:43 by spectorama ::

Que se fodam os comentários
O meu amigo Eduardo Nasi é que tem razão. Comentário em blog é o e-mail do autor. Na última semana, entrei em duas discussões bobas em comentários de blogs que me tiraram do sério. Talvez eu tenha algum problema de comunicação, mas algumas pessoas insistiram em ver coisas onde havia apenas uma opinião. Assumo a minha parcela de culpa, já que não consigo ficar sem abrir a boca, ou melhor, a caixa de comentários. Porque pessoas, meu amigo, pessoas sempre têm pensamentos demoníacos. Daí para ser mal interpretado é fácil, fácil. E, veja bem, eu não excluo o meu cérebro da categoria pensamentos demoníacos.

E, a partir de agora, o spectorama não vai mais ter um sistema de comentários. Além disso, eu nunca mais vou colocar um "a" sequer no blog de alguém.

Melhor assim.

Ou então vou ter que entrar em uma aula de boxe.

Posted at 12:34 by spectorama ::

Sexta-feira , Agosto 22, 2003
Let's rave on
Malditos escandinavos!

Eu não consigo parar de ouvir o novo álbum do Raveonettes.

Álbum que acabou de sair no Brasil, inclusive.



Posted at 18:58 by spectorama ::

Quinta-feira, Agosto 21, 2003
Top 10, em agosto
Os melhores discos do ano até agora. Na opinião, claro, de spectorama.

1. The Chain Gang Of Love, The Raveonettes
2. Think Tank, Blur
3. Vulnerable, Tricky
4. Baby I'm Bored, Evan Dando
5. When Loneliness Fucks You Up, Arthur Franquini
6. Sumday, Grandaddy
7. Feast Of Wire, Calexico
8. M. Takara, M. Takara
9. Long Before Daylight, The Cardigans
10. Nocturama, Nick Cave And The Bad Seeds



Posted at 20:02 by spectorama ::

Here comes the love gang
Sim, eles se parecem com Jesus & Mary Chain. E Cramps. E Shangri-Las. Mas azar. Os desgraçados fizeram o disco mais bonito, barulhento, apaixonante e empolgante que ouvi em 2003.

The Chain Gang Of Love dos Raveonettes é o melhor álbum do ano. E sabe por quê? Porque ele me faz ter 14 anos de novo.



Posted at 17:47 by spectorama ::

Quarta-feira, Agosto 20, 2003
Dylan, sempre Dylan
Uma resenha do disco da noite.

Bootleg Series Volume 5 - Live 1975 - The Rolling Thunder Revue
Bob Dylan
Nota 10


"Judas!", grita uma voz no álbum The Royal Albert Hall Concert de Bob Dylan. Este clássico pirata, lançado oficialmente em 1998, registra uma das primeiras apresentações elétricas do até então bardo do folk, acompanhado pelos canadenses da The Band. Não é à toa que o fã inglês acusa Dylan de traidor. O que a platéia de Manchester presenciou, naquela noite de 17 de maio de 1966, não lembrava em nada o clima acústico do início de sua carreira. Até hoje é impossível não ficar surpreso com tanta energia saindo das caixas de som.

O que muita gente não sabia é que, nove anos depois, Judas acabou se tornando o verdadeiro Demônio. E, ao contrário do que os religiosos afirmam por aí, este anjo caído é capaz de nos levar ao céu. Porque depois de ouvir o novo lançamento da série Bootleg de Dylan, The Rolling Thunder Revue, não resta dúvida de que você encontrou o Paraíso. E o caminho até lá não poderia ser melhor: 22 canções que mostram por que o rock'n'roll é este verdadeiro objeto de paixão e obsessão,

A Rolling Thunder Revue, na verdade, era um espetáculo circense montado por Dylan. Dentro de um ônibus, mais de 50 pessoas, entre músicos, artistas e amigos, fizeram diversas apresentações pelos Estados Unidos em 1975. Depois de exorcizar o fim de seu casamento no álbum Blood On The Tracks, gravado ainda em 1974, tudo o que Dylan mais desejava era se divertir. Ou, quem sabe, se sentir vivo novamente. E foi o que ele fez. Juntou uma banda que reunia músicos como o guitarrista T. Bone Burnett (hoje um dos mais importantes produtores americanos), a cantora folk Joan Baez, o ex-Byrd Roger McGuinn e o guitarrista Mick Ronson (mais famoso por tocar com David Bowie), e caiu na estrada. Com gente tão diferente no palco era de se esperar um verdadeiro caos. Mas o que fica claro neste disco, desde a abertura com Tonight I'll Be Here With You, é que a beleza de tudo foi justamente isso. Aqui, o caos é quem manda. O resto é pura emoção.

Mas claro que alguém tinha que colocar ordem na casa. E o manda-chuva da banda é o baixista Rob Stoner, que dá um show particular. Nas canções mais pesadas é possível perceber que ele está segurando toda a base enquanto os outros fazem o que bem entendem. E a guitarra de Mick Ronson faz um dos crossovers mais improváveis da história do rock: riffs e frases glam em meio a solos de slide e gaita de boca. Coincidência ou não, Dylan se apresentava sempre maquiado durante os shows.

O repertório é baseado no álbum Desire, que seria lançado em 1976, com direito a discurso antes de Hurricane (escrita para o pugilista Rubin Hurricane Carter, que fora preso injustamente) e o violino insandecido de Scarlet Rivera. Mas o melhor é a transformação pela qual passaram velhos clássicos como It Ain't Me Babe, A Hard Rain's A-Gonna Fall e Just Like A Woman, recriadas em improvisos de tirar o fôlego. E até nas canções acústicas Dylan parece possesso. Poucas vezes a sua voz teve tanta força como nas baladas It's All Over Now Baby Blue e Love Minus Zero/No Limit.

The Rolling Thunder Revue é uma prova clara do artista que é Bob Dylan. Um cara que se reinventa sempre, seja sobre a bandeira do folk, do country, do rock'n'roll, do vaudeville. Não, isso não é ecletismo. Eclético é quem tenta encontrar em vão um pingo de talento pulando de estilo em estilo. O inglês de 1966 é que tem razão. Dylan é um traidor. Traidor como só os gênios conseguem ser.




Posted at 22:52 by spectorama ::

Terça-feira, Agosto 19, 2003
A pieguice no ano 2001
Brega? Talvez. Mas leia de qualquer jeito.

Mesmo com dois cobertores sobre o seu corpo, as suas pernas continuavam geladas. Droga, ele pensou, quem mandou acreditar naquela história de que não existe frio em São Paulo. Sim, existe frio em São Paulo, um frio tão cortante que ele mal sentia as suas pernas. Por isso, em um ato quase desesperado, encolheu o corpo, colocou a cabeça debaixo dos cobertores e, em um abraço, formou uma bola compacta e firme. Vai passar, vai passar, ele falava em voz alta. No entanto, as suas pernas insistiam em ficar frias. Pareciam dois blocos de gelo que algum desatento deixou cair sobre a sua cama. Em uma nova tentativa de espantar o frio, ele se deitou de bruços, pegou um de seus travesseiros e o jogou sobre os pés. Por um breve momento, respirou aliviado. Até que, do nada, começou a tremer novamente. Ah, não, ele gritou, assim não dá, desse jeito não durmo nunca. Com raiva, levantou da cama e, correndo, procurou uma calça em seu armário. Era só o que faltava, reclamou, não tenho nenhum abrigo ou moletom comigo. Sem escolha, pegou um jeans qualquer e vestiu. Voltou para debaixo dos cobertores, sorrindo, como se tivesse derrotado a temperatura baixa da madrugada de São Paulo. Mas, de repente, voltou a sentir calafrios. A cama parecia estar sendo invadida por um terremoto. Nada que ele fizesse parecia acabar com aquela tremedeira. Ele olhou para o relógio ao lado da cama. Puta que o pariu, pensou, já são quatro da manhã e tenho que acordar às oito. E foi então que aconteceu. Antes de desviar o olhar do relógio, viu o porta-retrato. Aquele sorriso, aqueles olhos, aquelas mãos. E, finalmente, conseguiu entender o que se passava. Esticou o braço, pegou o telefone que estava ao lado do relógio e discou um número que os seus dedos sabiam de cor.

"A-alô?", ela disse com voz de sono.
"Olha", ele falou, "acho melhor você vir pra cá".
"Hã?", ela bocejou.
"Vem pra cá, vem. As minhas pernas acabaram de pedir você em casamento."




Posted at 23:05 by spectorama ::

Meu caso de amor com uma câmera fotográfica
Eu amo a minha LC-A. Amo mesmo esta câmera. É sempre uma supresa depois da revelação. Dê uma olhada aqui.



Posted at 20:27 by spectorama ::

Segunda-feira, Agosto 18, 2003
Vamos falar baleiês?
Eu sou uma criança mesmo.

O melhor filme do ano até agora é Procurando Nemo.

Pelo menos para mim.



Posted at 20:46 by spectorama ::

Filho de peixe?
Adoro assistir ao programa Sportscenter, da ESPN Brasil, antes de dormir. E estou cada vez mais surpreso com a falta de carisma do repórter André Kfouri. O cara não herdou nada do pai. E olha que nem sou fã do Juca.



Posted at 20:45 by spectorama ::

O folk e o punk
A música da semana é Holding Your Hand, da cantora Thea Gilmore. Ouvi ontem em um programa antigo do Jools Holland. Linda balada folk.

E o disco da semana é The Question Is No, coletânea da lendária banda Fastbacks. Tipo assim, Ramones encontram Carpenters na Seattle dos anos 80. Tão divertido quanto essencial.



Posted at 19:05 by spectorama ::

Promoção leia o novo! Participe!
spectorama agora também dá presentinhos.

Ontem, eu e a Sylvie descobrimos que temos vários livros repetidos em casa. Livros que ganhamos para divulgação, mas que eu já havia comprado antes. São 6 livros. Dois do Daniel Galera, dois do Daniel Pellizzari e mais dois do Randall Neto. Vamos dar um por semana. Mas serão 3 aqui e 3 lá no site da Sylvie.

Vou começar a promoção com um exemplar de Dentes Guardados, a elogiada estréia do gaúcho Daniel Galera. Para ganhar, basta você responder a seguinte pergunta: O título do livro faz uma referência a qual escritora brasileira?. O primeiro que responder aqui na caixa de comentários ganha.

Participe!



Posted at 15:14 by spectorama ::

Sexta-feira , Agosto 15, 2003
Hell is around the corner
Conclusão do dia: Maxinquaye, primeiro álbum do Tricky, é simplesmente do caralho. Daqueles discos que você pára e pensa: como é que fiquei tanto tempo sem ouvir uma maravilha dessas?.



Posted at 14:08 by spectorama ::

Quinta-feira, Agosto 14, 2003
Deixe as borboletas, simplesmente deixe
Mais um texto perdido. Inspirado em Badly Drawn Boy.

"Eu não gosto de me sentir assim..."
"Pois deveria."
"Será? Será que tô preparada pra tudo isso? De novo?"
"A gente nunca tá. Você sabe disso."
"Mas esta alegria não combina comigo... estou suspirando demais, estou sorrindo demais, estou sendo gentil demais..."
"E isso não é ótimo?"
"É... quero dizer... não sei. Não sei. Só sei que passo dias curtindo as minhas noites egoístas, dos meus cigarros de madrugada, do céu escuro sem estrelas do inverno, e de repente parece que amanheceu e o sol está batendo à minha porta."
"E então?"
"Então o quê?"
"Vai ficar parada aí, sozinha no escuro, ou abrir as janelas pro sol entrar?"

Ela deixou o café pela metade, beijou o meu rosto e saiu pela porta do restaurante. E hoje, excepcionalmente, não choveu em São Paulo.




Posted at 23:10 by spectorama ::

Crocodiles
Eu tento fugir da verdade.

Mas é só ver um clip da banda, em uma navegada descompromissada na net, e pronto.

Eu amo Echo & The Bunnymen.



Posted at 22:31 by spectorama ::

Quarta-feira, Agosto 13, 2003
A ficha caiu
Hoje, conversando sobre o Cassino Hotel (para quem não sabe, o meu segundo romance), decidi ler alguns trechos do livro. Assim, de forma aleatória. É impressionante como simplesmente não me vejo como o autor daquelas palavras. Existem partes que foram praticamente jorradas. Comecei a escrever e escrever e escrever e, quando percebi, cheguei a um texto carregado de emoção. Talvez até demais. Acredito que coloquei partes de mim que eu mesmo não conhecia. Acho que isso é o que as pessoas chamam de ficção.

Não gosto de ficar relendo os meus textos porque a vontade de reescrever não termina nunca. Mas quando li o último capítulo, senti, com toda a pieguice do mundo, uma dor no coração. Pela primeira vez desde que coloquei o ponto final na história, em março deste ano, tenho a consciência de que acabo de colocar mais um filho no mundo. E o que é mais surpreendente: ao contrário do Clube, quando eu não sabia o que estava fazendo, agora tenho a sensação de missão cumprida.

Não faço a mínima idéia se Cassino Hotel é um livro bom ou ruim.

Sei apenas que é muito mais do que o livro que gostaria de escrever.

É, acima de tudo, o livro que gostaria de ler.



Posted at 19:59 by spectorama ::

Leia o novo e o verdadeiramente novo
A Companhia Das Letras relançou todos os livros (de seu catálogo, claro) do Hanif Kureishi. Tudo com projeto gráfico novo, superbonito, à altura do autor. O Buda Do Subúrbio, O Álbum Negro, Intimidade e O Dom De Gabriel já estão em uma livraria próxima de você. É uma pena que não pude ir a Parati para ver e ouvir um dos meus escritores prediletos.

Falando em Parati, nunca é demais lembrar que três dos melhores autores jovens do Brasil estão juntos no livro Parati Para Mim. É um projeto superbacana da Planeta, que dá espaço ao talento de João Paulo Cuenca, Chico Mattoso e Santiago Nazarian. Já tive a oportunidade trocar idéias com o J.P e o Santiago. Recomendo com toda a certeza.



Posted at 19:34 by spectorama ::

Terça-feira, Agosto 12, 2003
Pare tudo e ouça já
In My Life, dos Beatles, na voz de Johnny Cash.

O que dizer?

Pelo amor de Deus.

Dá para sentir a dor da perda de sua esposa em cada verso.



Posted at 22:26 by spectorama ::

Este lado do paraíso
Acabei de comprar a edição espetacular da Cosac & Naify para o primeiro romance de F. Scott Fitzgerald. Preciso corrigir essa falha de minha bibliografia. Até porque li The Great Gatsby há tanto tempo que já esqueci como é a prosa de Fitzgerald.

O mais legal é o texto antes de Este Lado Do Paraíso começar.

Posso resumir toda a minha teoria quanto à escrita numa frase: um autor deveria escrever para a juventude de sua geração, para os críticos da próxima e para os professores de todo o sempre, diz Fitzgerald.

Caramba. Ele disse isso em 1920? Caramba de novo.

Sem querer, Fitzgerald sempre foi o meu guru.



Posted at 17:40 by spectorama ::

The crystal lake
E eu estava quebrando a cabeça para encontrar a trilha sonora que dará o tom ao meu novo projeto literário. Mas é tão óbvio. Hoje acordei com a história na cabeça, com mais um personagem fechado e, quando estava saindo de casa, olhei para a pilha de CDs no escritório e vi o álbum The Sophtware Slump do Grandaddy. E aí pensei tecnologia, Deus, relacionamentos humanos... bingo!

Sou um cara mais calmo hoje, apesar de tudo.

Aliás, nunca é demais lembrar que Grandaddy fez o melhor show na última edição do Free Jazz Festival. Pena que pouca gente viu.



Posted at 12:06 by spectorama ::

Segunda-feira, Agosto 11, 2003
Para eu enlouquecer de vez
Está quase certo: o meu próximo romance terá como pano de fundo um massive multiplayer rpg.



Posted at 19:11 by spectorama ::

Sim, eu gosto
Reformulando: eu gosto de JJ72.

O Eurochannel pode ter uma imagem ruim, mas passa ótimos programas. Vi um especial do trio de Dublin e fiquei surpreso com o som. Já tinha ouvido algumas músicas do primeiro disco. Só que nada havia me emocionado. Mas quando vi o clip de Formulae ontem... well, well, meu queixo caiu. Acabo de baixar o álbum I To Sky e estou surpreso. Tipo assim, uma espécie Kate Bush encontra Radiohead, Smashing Pumpkins e Joy Division.

E a baixista é muito bonita. Tem um cabelão loiro de matar...



Posted at 19:06 by spectorama ::

Formulae
Eu acho que gosto de JJ72.



Posted at 16:14 by spectorama ::

Quinta-feira, Agosto 07, 2003
Coupland é o senhor
Como você pode ver no post abaixo, ainda continuo obcecado por Douglas Coupland. Acho que preciso ler o seu livro novo, Hey Nostradamus!.



Posted at 21:09 by spectorama ::

Notícias do meu cérebro
Os contratos chegaram do Rio de Janeiro. Agora a ficha caiu. Fui pago para escrever outro livro. E agora? Desde que acertamos com a Rocco, há mais de um mês, já tive todas as crises possíveis sobre o assunto. A Sylvie foi obrigada a lembrar todas as idéias de romances que um dia eu fiz a coitadinha ouvir. O fato é que joguei no lixo os projetos Putas e Quase Sem Querer (apesar deste ser o título provisório do segundo livro para a Rocco). Aí fiquei pensando e pensando e pensando. E então o meu irmão-rock começou a falar sem parar do novo álbum de Richard Ashcroft. Ouvindo aquelas músicas que falam sobre religião e todos os seus questionamentos, acabei descobrindo que é sobre isso que quero escrever. Resultado: há uma semana venho amarrando uma história sobre Deus, família, tecnologia e amor. Tenho um desafio e tanto pela frente: tentar transformar tudo isso em algo com a minha marca, que é falar sobre a vida real.

Tudo isso pode mudar.

Vamos ver.

Enquanto isso, preciso de tempo para uma reunião com os produtores de teatro para bater o martelo em relação ao texto que iremos tentar encenar.

O tempo não pára.

Infelizmente, porque o que mais preciso neste momento é de tempo.



Posted at 21:03 by spectorama ::

Quarta-feira, Agosto 06, 2003
Veja, veja agora
Tem fotos novas lá no photo blog.



Posted at 21:34 by spectorama ::

Quarta-feira, Agosto 06, 2003
Catch my fire
Qual é a sua música mágica? Aquela que faz o seu humor melhorar? Que faz o seu corpo relaxar? Que faz você esquecer de todos os problemas? Que faz você fechar os seus olhos? Que faz a sua boca sorrir? Que faz você salivar? Que faz o mundo se tornar um lugar mais legal para se viver? Que faz explodir sentimentos inesperados dentro de você?

A minha, acredite, é Stir It Up do Bob Marley.

Além do mais, é sexy até não poder mais.

Aliás, se eu fosse dono de uma casa de strip-tease, as meninas só poderiam tirar a roupa ao som de Ramones, Marvin Gaye e Bob Marley.



Posted at 00:37 by spectorama ::

Foi em 1963
A melhor música de todos os tempos completou 40 anos.

Isso merece um texto.

Vou pensar em algo, arranjar tempo e depois publico aqui.



Posted at 21:41 by spectorama ::

Segunda-feira, Agosto 04, 2003
E agora?
Eu preciso de tempo.

Eu preciso de idéias.

Eu preciso de uma voz.



Posted at 23:07 by spectorama ::

Sexta-feira , Agosto 01, 2003
Man on a mission
Muito antes de Bittersweet Symphony estourar lá pelos idos de 1997, eu já era um grande admirador da banda britânica The Verve. Durante muito tempo fui obcecado por canções como The Drugs Don't Work e On Your Own. E, mesmo assim, nunca fui muito ligado na carreira solo de Richard Ashcroft, a voz e alma da banda.

Mas em algumas opiniões você simplesmente confia. O meu irmão-rock Mini falou tanto no álbum Human Conditions de Ashcroft que não tive escolha. Fui obrigado a conferir. O disco é realmente ótimo, repleto de belas melodias e arranjos elaborados. Eu havia esquecido o quanto a voz de Ashcroft é tão aconchegante. Ela parece abraçar você.

Não vou me estender no assunto. Leia o que o mestre zen Mini escreveu e dê um jeito de ouvir este disco.

Acredite.

É redentor.



Posted at 23:08 by spectorama ::