Terça-feira, Setembro 30, 2003
Go or go ahead
Alguns discos simplesmente possuem braços. Alguns dão as mãos para gente. Outros nos abraçam. Tem aqueles que nos seguram quando estamos caindo. E existem discos que nos agarram e nos fazem girar no céu. E depois nos soltam. E aí a gente voa, flutua, sente o estômago na boca.
Eu costumava achar o Rufus Wainwright um cara superestimado. Mas depois de ouvir o novo álbum Want One só me resta pedir desculpas ao cara.
Ainda estou no meio de nuvens ao som de Go Or Go Ahead e 14th Street.
Sei que a queda será dolorosa.
Mas hoje em dia qualquer coisa que faça o seu coração bater mais forte vale a pena.
Afinal de contas, é tão raro lembrar que temos um coração.
Posted at 13:16 by spectorama ::
Sexta-feira , Setembro 26, 2003
Um dos melhores discos do ano, 40 anos depois
Ainda não li uma resenha decente sobre o melhor disco de 2003 e o segundo melhor de 1963. Por isso, decidi deixar a modéstia de lado e escrever a minha.
Chain Gang Of Love - The Raveonettes
O dia em que Phil Spector perdeu a cabeça
O mundo ainda não sabe toda a verdade por trás do crime cometido pelo produtor e compositor Phil Spector em fevereiro de 2003. O fato é que, durante 40 anos, um dos maiores gênios da música pop reinou sozinho no estilo que ajudou a inventar. Outros artistas bem que tentaram, mas desde que criou o seu wall of sound com o lançamento do compacto de Be My Baby, interpretado pelas fabulosas Ronettes, Spector jamais foi superado no quesito canções pop adolescentes, cheias de vigor, tensão sexual e inocência ao mesmo tempo. Egocêntrico, continuou isolado em sua mansão em Los Angeles, apenas saboreando o gosto da vitória. Até que decidiu sair da toca para produzir a péssima banda Starsailor e, sem querer, ouviu em um estúdio as primeiras mixagens do primeiro álbum dos dinamarqueses do Raveonettes. O mundo, então, caiu para Spector. Arrasado, voltou para Los Angeles, passou semanas enchendo a cara e, depois de uma discussão banal, assassinou a atriz e amante Lana Clarkson com um tiro de revólver.
Agora, mais de seis meses depois do crime, chega às lojas de todo o mundo o disco que fez Spector surtar. A pergunta é: Chain Gang Of Love é tão bom assim? Não se deixe enganar pelas comparações excessivas com os já lendários irmãos Reid do The Jesus & Mary Chain, muito menos caia no papo furado de que o Raveonettes é mais uma ótima armação que surgiu no rock dos anos 00. Por trás da camada de microfonia inspirada na corrente de Jesus & Maria, e de todo o conceito de filmes B dos anos 60, está a melhor seleção de canções teen desde que o mundo cor de rosa das girl groups perdeu espaço para a rebeldia e lisergia do rock. O duo Sune Rose Wagner e Sharin Foo superam até mesmo outro produtor contemporâneo de Spector, o maluco George Shadow Morton, responsável pela antológica Leader Of The Pack na voz das Shangri-Las.
Chain Gang Of Love é muito mais do que um álbum. É uma verdadeira jukebox. São 13 faixas e 13 hits instantâneos. De baladas doces como Remember e Gang Of Love a roquinhos para animar o salão como That Great Love Of Sound e Let's Rave On. Tem música para paquerar as garotas na praia (Noisy Summer) e para estreiar a carteira de motorista (Untamed Girls). Tudo muito rápido e direto, sem blah-blah-blah porque ninguém aqui agüenta mais rock pretensioso. Quando você menos espera, o disco acabou. O jeito é apertar a tecla repeat e deixar rolar.
E se nas letras de Spector a sexualidade era muito contida, em Chain Gang Of Love a hsitória é outra. Afinal, nós estamos em 2003. Adolescentes se beijam antes mesmo de se tornarem adolescentes. O sexo está por toda a parte. O Raveonettes sabe disso e deixa os hormônios falarem mais alto. Fantasias, ninfomaníacas, fetiches, transas sem compromisso. Está tudo aqui. Mas a essência é a mesma das velhas canções pop dos anos 50 e 60: estamos vivos apenas para sentir o coração bater mais forte por alguém. Seja de paixão, seja de dor. O resto é conseqüência.
Phil Spector pode passar o resto de sua vida na cadeia. Claro que é um triste fim para o homem que nos deu a melhor música de todos os tempos. Mas é preciso dar um desconto para o cara. Ele sempre quis criar a banda definitiva de rock pop. Apostou tudo nos Ramones quando produziu o álbum End Of The Century em 1980. Não deu certo. Vinte anos depois a banda de seus sonhos surge na Dinamarca. E ele estava lá, perdendo tempo com o Starsailor. Qualquer um perde a cabeça com isso.
Agora, é a sua vez.
Ouça Chain Gang Of Love e perca a cabeça, os quadris, o coração, a alma, os pés, os braços, as pernas, os cabelos, as palmas, a vergonha.
Isso é ser pop.
Isso é ser jovem.
Isso é ser feliz.
Posted at 12:15 by spectorama ::
Quinta-feira, Setembro 25, 2003
Barbada do ano
Whereabouts, do bardo canadense Ron Sexsmith.
Fourfold Remedy, da banda indie Velocette.
Innervision, do moderno Jimi Tenor.
In The Air, do casal country folk The Handsome Family.
Chore Of Enchantment, do excelente Giant Sand.
Mark Hollis, do grande vocalista do Talk Talk.
Chill Out, do sensacional KLF.
Bed, da sexy Juliana Hatfield.
Mad Dogs & Englishmen, clássico de Joe Cocker.
Todos importados. Todos lacrados. Todos por apenas 6,90 reais na Siciliano.
Eu amo discos.
E comprá-los baratinhos tem um gosto a mais.
Posted at 23:24 by spectorama ::
Quarta-feira, Setembro 24, 2003
Perfect from now on
Música para o final de tarde: Kicked It In The Sun do Built To Spill. Guitarras preguiçosas para mentes lesadas.
Posted at 18:39 by spectorama ::
Before sunrise
O meu amigo mineiro James informa que o filme Antes Do Amanhecer, de Richard Linklater, vai ganhar uma continuação. Conheço pelo menos uma dezena de pessoas que sempre sonhou com isso. Cheguei até a prometer que escreveria um conto do reencontro dos personages de Ethan Hawke e Julie Delpy. Mas acho a história tão perfeita que não me arrisquei a meter a mão.
Lembro que comprei o roteiro do filme em Londres em um dia chuvoso. Como eu era jovem, dias chuvosos me deixavam felizes. Quando li aquele texto, rolou uma identificação imediata. Os personagens tinham quase a mesma idade que eu, os sentimentos eram parecidos, a incapacidade de assumir um relacionamento era algo que me atormentava.
Vais ser legal ver aqueles dois um pouco mais maduros. Como eu. Mas, veja bem, eu disse um pouco.
P.S.: Falando em mineiros, aceito doações de garrafas do refrigerante Mate Couro. Compro, troco, faço qualquer negócio.
Posted at 11:25 by spectorama ::
A lógica dos ouvidos
Nada acontece por acaso. Só agora li no encarte do álbum de Ben Kweller o agradecimento ao Jeff Tweedy e sua banda Wilco. A minha música é uma grande árvore genealógica. No lugar de galhos, guitarras, contrabaixos e baquetas.
I got my name by rock and roll.
Posted at 11:14 by spectorama ::
The kids are all right
Eu já disse que sou louco pelos meus sobrinhos?
Pois é.
Sou louco por eles.
Posted at 11:10 by spectorama ::
A felicidade do dia de hoje
Ben Kweller no aparelho de som.
Um dia de sol.
Coisas surpreendentes acontecendo.
Se não fosse por um ou dois pequenos detalhes, poderia dizer que estou 100% feliz.
Mas, ok, vai lá.
90% já está mais do que bom.
Posted at 11:07 by spectorama ::
Terça-feira, Setembro 23, 2003
Lábios interrompidos
É fato: os lábios da Angelina Jolie me incomodam.
Posted at 20:18 by spectorama ::
Segunda-feira, Setembro 22, 2003
Wanna see me disco?
Deceptacon do Le Tigre.
Provavelmente uma das 50 melhores músicas de todos os tempos.
E o remix da coletânea Yes New York é uma belezinha.
Posted at 19:37 by spectorama ::
Smoke on the water and Hellacopters in the sky
Se eu tivesse uns doze anos, provavelmente iria fazer de tudo para comprar uma guitarra depois do show do Hellacopters.
E o Ian Gillan mais parecia o meu vizinho. Não consegui ver nem a lenda, nem o rock'n'roll. Vou reclamar no Procon.
Posted at 18:33 by spectorama ::
Ah, eu amo o rock
Dois discos que acabo de ouvir que foderam com toda a minha lista de melhores do ano: os novos Killing Joke e Café Tacuba. O primeiro é assustador de tão pesado, com Jaz Coleman cantando como nunca e Dave Grohl destruindo tudo na bateria. O segundo é rock cheio de energia e criatividade direto do México. O quê? Não gosta de Café Tacuba? Preste atenção neste detalhe: três faixas foram produzidas por Dave Fridmann, o quinto elemento por trás de bandas como Flaming Lips e Mercury Rev. Não é para qualquer um.
Posted at 18:30 by spectorama ::
Sexta-feira , Setembro 19, 2003
Pelas barbas de Bob Dylan
E as coisas ficaram estranhas
e eu deixei crescer
a barba de Bob Dylan
Estou vivo.
Enquanto eu tiver os discos do Wilco sempre estarei vivo.
Posted at 18:30 by spectorama ::
Terça-feira, Setembro 16, 2003
Eu estava devendo um texto sobre este disco
Yankee Hotel Foxtrot - Wilco
É uma noite de terça-feira quando ele ouve a voz feminina repetindo Yankee Hotel Foxtrot. O cansaço amarra as suas pernas. A cerveja diminui os seus reflexos. De onde vem essa voz? Yankee Hotel Foxtrot, Yankee Hotel Foxtrot, Yankee Hotel Foxtrot. Tropeçando no gramado, caminha em direção à casa. As três palavras são repetidas e repetidas, até que ele olha para o rádio-amador no canto da sala. São três horas da madrugada. Quem é o maluco que quer conversar agora?
O velho caderno de códigos, com anotações escritas a lápis desde a sua infância, dá a pista. YHF é a denominação que Israel usa para a rádio de sua agência de inteligência. Mas ele não poderia captar este sinal. A freqüência utilizada é muito acima da utilizada pelo rádio-amador.
Ele hesita por alguns segundos.
A voz não vai embora.
Não resta mais nada a fazer.
"PX2-233 na escuta. Câmbio."
"Até que enfim."
Até que enfim. Quem está do outro lado não é um usuário de rádio-amador. E essa voz.
"Quem está falando?"
"Você não reconhece a minha voz?"
"Sim, quero dizer, sim, ela me soa familiar, mas não sei quem é."
"Você promete que vai acreditar?"
"Isso é uma brincadeira?"
"Acho que você passou por poucas e boas hoje pra eu ficar brincando contigo."
"Quem é?"
"Promete? Que vai acreditar?"
"Ok, ok, prometo..."
Ele ouve a respiração. E, sentindo um perfume feminino perto de sua boca, sabe qual será a resposta. Mesmo que seja impossível de acreditar.
"Sou eu."
Sim. É ela.
"Onde você está?"
"Estou em algum lugar no ano de 2003."
"Não..."
"Você prometeu."
"Mas..."
"Certo. Eu sabia que seria impossível de você acreditar. Pois bem. Ontem passei na sua antiga casa, essa mesma em que está agora, e deixei um bilhete embaixo de um tijolo solto da escada da varanda. Vai lá."
Nervoso, ele demora a encontrar o tijolo. E sente o coração apertar quando vê um bilhete escrito a mão com a foto de sua ex-mulher vinte anos mais velha.
"É você..."
"Sim, sou eu."
"Mas como?"
"Não interessa como. Interessa apenas por quê."
"Por quê?"
"Você está ouvindo uma música ao fundo?"
"Mais ou menos."
"Pois são as suas canções."
"As minhas canções?"
"Sim, as suas canções."
"Você quer dizer que daqui a vinte anos vou ter discos gravados?"
"Não... Infelizmente não."
"Infelizmente?"
"Desculpe destruir os seus sonhos, mas você é apenas um acomodado bancário."
"Bancário? Eu? Mas como podem ser as minhas canções, então?"
"Ah... eu fiquei tanto tempo sem ouvir rock, sabe, a idade faz isso com a gente. Mas quando peguei o CD destes jovens..."
"CD?"
"Disco, desculpe, disco... quando peguei o disco destes jovens parecia que estava ouvindo as suas canções. Só você conseguia ser poeta como Bob Dylan, rock como Neil Young, jazz como Steely Dan e experimental como os Beatles em uma única música."
"Você sempre gostou que eu cantasse pra você."
"E como gostava... Mas não é só isso."
"O que mais?"
"As letras, as letras dessas canções parecem que contam a nossa história."
"Como assim a nossa história?"
"História de pessoas que se amam, mas que se perderam em algum momento. Eu sempre pensei que se lhe abraçasse forte, você sempre me amaria com um dia me amou, mas então adormeci na cidade que continuava piscando, no que estava pensando quando deixei você voltar?. Isso não é familiar? Não é por isso que está bêbado agora? Ou Eu me pergunto por que nós ouvimos poetas, quando ninguém se importa. Não é você?"
"É, acho que sim. Mas não sei o que você quer dizer com isso."
"O nosso amor, o nosso amor é tudo que temos, lembra? Você repetia essas palavras enquanto eu arrumava as coisas."
"Estou sonhando, não?"
"Não. Você não está sonhando. Estes meninos cantaram a nossa história, vinte anos depois... Olha: Eu sinto saudades da inocência que conheci, tocando covers de Kiss, belo e chapado. Somos nós."
"E o que você quer dizer com isso?"
"Que toda canção é uma volta."
"Como?"
"Que você tem que voltar pra mim. Agora. Vamos, dá tempo. É só me pedir desculpas. Não deixe que a gente seja apenas uma canção. Não deixe que a falta de comunicação faça com que o arrependimento esteja sempre ao nosso lado."
"Ainda não consigo entender o que você quer dizer."
"Quero dizer que sinto saudades de quando você dizia eu sou o homem que te ama. Quero dizer que você tem que morrer se quiser estar vivo. Quero dizer que tenho restrições sobre muitas coisas, mas não sobre você."
"Eu..."
"Não diga mais nada. Apenas volte."
"Mas..."
"Todo momento é tarde demais."
E sem câmbio, a voz feminina desapareceu.
Ele ainda conseguiu caminhar até a varanda. Olhou para a foto, pensou em fazer alguma coisa, mas apenas adormeceu.
No outro dia, a foto não estava mais em suas mãos. Talvez tenha sido o vento. Talvez tenha sido um sonho. A única certeza que tinha é que não poderia se atrasar. Logo o seu novo aluno de violão chegaria para a primeira aula. E ele não queria deixar o pequeno Jeff Tweedy esperando.
P.S.: Essa história foi inspirada no filme Frequency, de Gregory Hoblit. E contém letras livremente traduzidas do álbum Yankee Hotel Foxtrot, de autoria de Jeff Tweedy.
Posted at 17:31 by spectorama ::
Sexta-feira , Setembro 12, 2003
Johnny Cash, 1932-2003

Milhões de pessoas em todo o mundo estão agora escrevendo as suas linhas de adeus ao gênio Johnny Cash. Jornais, revistas, websites e canais de televisão irão mostrar a retrospectiva de seu trabalho, relembrando a sua importância para consolidar o rock'n'roll como arte.
Eu não queria escrever. Ouço a sua versão para In My Life, dos Beatles, e tenho vontade de acender uma vela, rezar, agradecer por tudo. Mas os meus dedos formigam mais uma vez, e penso em uma história.
Era uma vez um garoto tímido, meio desajeitado para os esportes, que viveu boa parte de sua adolescência lendo quadrinhos e livros complexos demais para a sua idade. Até que encontrou na música o seu destino. Ele nascera para os seus discos.
Mas o garoto só tinha preconceitos em sua cabeça. Preferia o som afetado dos Smiths à verdadeira revolução de Elvis Presley. Dava bola para os Beatles, mas ignorava a importância de selos como Stax, Motown e Sun. Aí ele conheceu a música de um cara chamado Roy Orbison. E o velhinho de óculos trouxe com ele um cowboy que atendia pelo nome de Johnny Cash.
Cash abriu um novo mundo para o garoto, que a essa altura do campeonato já era quase adulto. Ele descobriu que violões às vezes poderiam ser mais distorcidos que guitarras. E não poderia deixar de sorrir ao perceber que Cash envelheceu com dignidade, ousando e experimentando sempre.
Esquece.
Apaga.
Esta história não é a sua.
Na verdade, a história que me vem aos dedos é a história de pessoas como eu e você. Pessoas que passam dias tentando descobrir qual é o sentido de estar sozinho no mundo, qual é o sentido de procurar a prometida alma gêmea, qual é o sentido de se apaixonar se a gente sabe que um dia a paixão vai embora. Pessoas que batem a cabeça centenas de vezes no mesmo lugar. Pessoas que magoam e são magoadas. Pessoas que olham para o lado, fingindo que não são com elas, que esse papo todo de amor não existe, que é balela, que somos independentes, que duas pernas se sustentam sem ter que pedir ajuda. Mas, porra-caralho-porra-caralho, nós estamos aqui para afundar. Entende? Afundar.
Afundar, mergulhar, afogar. Como Cash e sua amada June. Que se viram, que se apaixonaram, que lutaram, que foderam com a vida dos outros até que um ficasse com o outro. Que cantaram o seu casamento, que dedicaram discos um para o outro, que fizeram filhos como se faz amor. Que nasceram um para o outro, que morreram um para o outro.
Coisas assim não acontecem todo dia.
Ou a gente é que é burro demais e não aprende a lição.
Mas volto agora para a minha insignificância.
Não há história maior que a HISTÓRIA.
E Cash escreveu a sua com louvor.
Um beijo, um abraço, um muito obrigado e todas as lágrimas que os meus dedos podem chorar.
In my life, I love you more.
P.S.: O blog do spectorama nunca publicou uma foto. Mas hoje decidi abrir uma exceção.
Posted at 12:51 by spectorama ::
12:51
O novo compacto do Strokes é tipo assim Strokes. O que é bom por um lado. E ruim por outro.
Mas as palmas são profissionais.
Posted at 10:42 by spectorama ::
Quinta-feira, Setembro 11, 2003
Os discos e os deuses
Dois discos que entraram fácil na lista dos intocáveis: Yankee Hotel Foxtrot e Live 1975. Wilco e Bob Dylan, respectivamente.
Aliás, aprenda comigo.
Aqui está Deus.
Aqui está Jesus Cristo.
E aqui estão Bob Dylan, John Lennon e Elvis Presley
E na ala de Jah está Bob Marley.
Heresia?
Heresia é não aumentar o volume do aparelho de som.
Ouça no volume máximo.
Viva no volume máximo.
Amém.
Posted at 20:06 by spectorama ::
Bookcrossing
Liberei um Nick Hornby, um Hanif Kureishi e um Vladmir Nabokov.
Espero que alguém libere um meu.
Vou ficar bem feliz.
Posted at 15:31 by spectorama ::
And I say baby, baby, baby I love you baby, baby, baby
Eu vou dançar com você na lua. Ladies and gentlemen, we are floating in space. As nossas roupas brancas. Os grãos de arroz irão voar em câmera lenta. O sol não é uma estrela. É somente o seu sorriso que me faz girar em torno de você. Nós somos meteoros sem direção. Almas que sugam como se fossem buracos negros. O rabo de um cometa queimando os olhos. A explosão do universo. Boom. Boom. Boom. Bang. Bang. Bang. E nascemos de novo. E dançamos de novo. E nos amamos de novo. E cantamos de novo. E mergulhamos de novo. Love minus zero/no limit.
Você me ensina a dançar.
Eu lhe ensino a rimar.
Posted at 13:03 by spectorama ::
Quarta-feira, Setembro 10, 2003
I'm living at the edge of the world
Nós éramos jovens.
Calças rasgadas, tênis sujos, uniforme do colégio rabiscado com hidrocor, tardes caminhando sem destino pelo Bom Fim, procurando discos no centro de Porto Alegre, tentando encontrar formas da mesada durar mais, trabalhos em grupo na biblioteca do colégio, risadas, baseados escondidos do quarto da empregada, a rádio Ipanema no aparelho de som, sentar na calçada da rua, bicicletas acorrentadas na frente do supermercado, burgueses privilegiados sem muito com o que se preocupar.
Sim, nós éramos jovens.
E não entendíamos direito a razão de tanta melancolia em uma canção do The Cure.
Hoje, ouvindo cada sussurro de Robert Smith em Disintegration, eu já posso entender melhor.
Éramos.
Passado.
Melancolia é não poder fechar os olhos e afundar no tapete enquanto ouvimos um disco tão bonito como Disintegration porque precisamos trabalhar, pagar as contas, cumprir o horário.
Os nossos pais sempre nos ensinam a sermos responsáveis.
Nem imaginam o mal que estão fazendo.
Posted at 14:56 by spectorama ::
Quando o Radiohead vale a pena
The Bends (a música), Fake Plastic Trees, Killer Cars e, sobretudo, No Surprises.
Quatro maravilhas.
Mas muito pouco para ser considerado genial.
Posted at 14:39 by spectorama ::
Diálogos imperfeitos
"Nós precisamos fugir."
"Por que essa obsessão?"
"Obsessão?"
"É... obsessão em fugir. O que há de errado agora?"
"O problema não é o agora. O problema é o aqui."
"Só você não consegue perceber que o aqui não poderia ser mais perfeito."
"O que existe de perfeito aqui? São quase três horas da madrugada, estamos sujos, fedendo a cigarro, com os ouvidos apitando... Cansei, cansei dessa vida. Não quero mais ficar esperando a noite chegar pra poder sentir o meu coração bater enquanto pulamos de bar em bar."
"Não fala bobagem."
"Desculpe. Mas bem que avisei que não era uma boa companhia."
"Já disse: não fala bobagem."
"Preciso de um banho. Os meus cabelos estão imundos."
"Quem se importa com a sujeira dos seus cabelos?"
"Vou me importar com o quê?"
"Com a gente, ué. Nós dois. Talvez isso seja a perfeição."
"Que perfeição?"
"Ah, diabos. O que você quer que eu diga?"
"Não quero que diga nada. Apenas me mostre um sinal de perfeição."
"Hummm... As suas unhas. Sim, as suas unhas combinando com o seu batom. Isso é perfeito. Um rosa perfeito, que tal?"
"Às vezes acho meio sem sentido ficar me maquiando se ninguém vai me notar."
"Eu noto."
"Você sempre nota. Não tem mais graça."
"Você é que não nota."
"Eu? Eu não noto o quê?"
"Que talvez os meus lábios estejam loucos pra serem coloridos de rosa. Que as minhas costas querem pedaços do seu esmalte."
"Eu tô com fome. Quero um chocolate bem macio derretendo na minha boca."
"Você tá surda?"
"Não... é apenas fome."
"Não tenho nada que possa derreter na sua boca... Mas..."
"Já sei. Vamos mandar tudo pros infernos."
"E?"
"E não vamos trabalhar amanhã."
"Por que você muda de assunto?"
"Eu não mudei de assunto. Você que mudou. Eu só disse que queria fugir."
"Você está fugindo."
"Não, eu continuo aqui, agora."
"Está fugindo de mim."
"Fugindo?"
"Não se faça de louca. Você sabe que tá fugindo."
"Você prefere chocolate doce ou amargo?"
"Eu não gosto de chocolate."
"Tá, mas se gostasse..."
"Doce, sei lá."
"Então, por que você vai querer alguém amarga ao seu lado?"
"Você não é amarga."
"Você nunca me experimentou."
"Isso é uma provocação?"
"Você merece beijos doces. Isso não posso dar."
"Isso é uma provocação, eu sei."
"Não, não é. É apenas a verdade."
"Será que você nunca vai enxergar a única verdade?"
"Que única verdade?"
"Que não há nada de errado com o agora, muito menos com o aqui. Há algo de errado com você."
"Não tenho culpa se você vê coisas em mim que nem a minha mãe vê."
"Não seja injusta com a sua mãe."
"Não adianta puxar o saco dela."
"Você tá mudando de assunto de novo."
"Quero mudar de vida."
"Tome."
"O quê?"
"Tome a minha vida. Não é muita coisa, mas é tudo o que tenho."
"Você vai dar tudo o que tem por mim?"
"Cada um tem a sua obsessão. A minha é não desistir de você."
"Nós precisamos fugir."
E eu nunca mais tive notícias dos dois. Às vezes, quando estou na janela de meu apartamento, fumando o meu cigarro enquanto ouço um dos meus discos prediletos, vejo duas estrelas dançando. Uma valsa no céu azul escuro agora cor de rosa. Beijos doces amargos macios àsperos estalam. Eu queria perguntar como estão. Mas logo eles fogem de mim.
Posted at 09:47 by spectorama ::
Terça-feira, Setembro 09, 2003
Independente futebol clube
Dezessete dos meus trinta anos foram dedicados à música pop. Música é tão importante, mas tão importante, que não há um dia em que não acorde pensando no que vou ouvir. E em quase duas décadas sempre torci o nariz para o rock nacional. Principalmente o independente, que sempre pareceu algo sem personalidade. Referências todo mundo tem. Difícil é encontrar gente com talento. Mas a questão é: procurando você encontra. Não adianta ficar com o nariz torcido para sempre. Até porque música a gente ouve, não cheira.
E os meus ouvidos nunca foram tão abertos à produção nacional indeopendente como em 2003. Tom Bloch, Hurtmold, Forgotten Boys, Arthur Franquini, Prot(o), Violins, Wonkavision, Grenade e muitas outras bandas produziram ótimos discos neste ano. E tem para todos os gostos: pop ultrapegajoso, rock elaborado, hardcore, experimentações instrumentais e pós-punk reciclado. Tudo gravado com qualidade, pronto para tocar em qualquer rádio.
Mas o disco que mais me surpreendeu foi gravado em 1999 e lançado só em 2002. É importante saber estas datas porque um ouvinte mais desavisado vai dizer que os pernambucanos do Badminton foram abduzidos pelo fenomenal álbum Yankee Hotel Foxtrot do Wilco. As texturas country conduzidas por violões e piano podem até lembrar os arranjos da banda americana, e o tom melancólico despojado de Felipe Vieira remete à voz de Jeff Tweedy. Mas e daí? O disco de estréia Petroliana ainda assim consegue soar criativo, rico e, por que não, original. Além disso, é delicioso do início ao fim. E, convenhamos, é preciso tirar o chapéu para uma banda que não faz você apertar o botão skip do CD player.
O mais interessante é que mesmo com letras em inglês e um clima country rock com pitadas de punk típico do país do fast food, o Badminton coloca um pouco de peixe na telha e cartola no cardápio. Canções como Let Me Surf transportam você direto para as praias maravilhosas de Pernambuco. Ripsaw é Ramones com chapéu de cowboy em cima de uma prancha de surf. E a belíssima Bonnie's Sugarkisses é a balada perfeita para uma noite de luau.
Longe do circuito cada vez mais organizado da música indpendente brasileira, o Badminton tem tudo para cair no esquecimento. Mas spectorama irá fazer a sua parte. E, você sabe, eu sou mala. Quando gosto de alguma coisa, gosto tanto que encho o saco de todo mundo.
Então é isso.
Se o seu negócio é ser feliz, escreva para os caras e peça o seu disco.
Agora, se o seu negócio é torcer o nariz, fique com os seus discos do Belle & Sebastian e continue reclamando que nada acontece no Brasil.
Escreva para Felipe Vieira acessando aqui.
Está curioso? Baixe Let Me Surf agora.
Posted at 09:52 by spectorama ::
Segunda-feira, Setembro 08, 2003
O meu mantra
Escrevo para você no Dia dos Namorados do ano 2001. É o primeiro Dia dos Namorados que passo com a sua mãe, e hoje completam exatos 46 dias desde o nosso primeiro beijo. Eu sei que você deve estar imaginando que sou um louco, que talvez seja cedo demais para escrever uma carta para você, que o meu desejo de que a sua mãe seja a sua mãe possa ser algo precipitado. Mas não há mais nada a fazer. Simplesmente tenho esta certeza, uma verdade dentro de mim que jamais existiu, e hoje tudo p que desejo é tentar colocar em palavras o que sinto. Porque o momento é especial, e não quero perder nenhum pedaço desta emoção. Eu poderia lhe convidar para tomar um sorvete e contar como conheci a sua mãe, como foi que me apaixonei, como percebi que um dia você iria nascer, mas prefiro registrar agora, tentando transferir para a revista da Tia Carmela todo o brilho de meus olhos.
E a história que quero lhe contar inicia mais ou menos assim: a noite em que vi a sua mãe pela primeira vez senti a palavra "fim" se formando em minha vida. Seu sorriso, este mesmo sorriso de três metros que você herdou, tocou o meu corpo. E todos os meus 28 anos se fecharam como se fossem um livro. Conhecer sua mãe não era apenas virar uma página. Era, sobretudo, começar de novo, do zero, do nada, em um livro escrito a dois. Mas, como nada vem tão fácil nesta vida, eu e sua mãe sequer trocamos meia dúzia de palavras naquela noite. Foram necessários dias na Itália, corações quebrados, e-mails não respondidos e uma semana de ligações de longa distância até eu poder ver novamente aquele sorriso na saída do metrô. E, já naquele momento de taquicardia, tive a certeza de que eu iria encontrar repouso nos lábios macios de sua mãe, enquanto a noite de São Paulo surgia na varanda do apartamento.
Sua mãe mudou o rumo de minha vida. Ela, com as suas diversas personalidades apaixonantes, fez com que eu descobrisse que a certeza de que encontramos a pessoa que amamos não vem com o tempo. Certeza não se constrói. Ou você tem... ou você não tem. E, graças aos bons deuses da música soul, eu e a sua mãe tivemos a sorte de tê-la. Uma certeza que dividimos juntos cada vez que beijamos, transamos (se você ainda não sabe o que é isso, pergunte para a sua mãe, ok?), planejamos, conversamos, ensinamos, aprendemos, gargalhamos. E, assim, dia após dia, eu e a sua mãe nos misturamos.
E uma vez misturados, não havia mais como voltar atrás.
Pois em uma madrugada de sábado, menos de três semanas depois de estarmos juntos, a sua mãe me abraçou e, com os olhos cheios de lágrimas, disse:
- Eu quero ser a sua esposa.
Desde aquele dia, percebi que eu e a sua mãe iríamos dividir o nosso amor com você. Olha, eu sei que muita gente não acredita em mim. Mas a sua mãe acredita. E isto basta para eu saber que um dia você vai estar aí, lendo esta carta.
Um beijo do tamanho do mundo, meu amor. E torço para que um dia você também tenha esta certeza.
Com amor,
Papai.
Posted at 20:32 by spectorama ::
Os livros e os sites
O novo romance de Douglas Coupland é tão bom que merece um site só dele. E acessar Hey, Nostradamus! é uma experiência sensacional. O vídeo promocional é simplesmente imperdível.
Aproveite e visite também o site do livro Salam Pax: The Baghdad Blogger. O vídeo promocional foi produzido pela mesma empresa do Hey, Nostradamus! e tem trilha de Aphex Twin. Precisa dizer mais?
Posted at 15:22 by spectorama ::
E na estante...
A Rocco acaba de lançar dois livros muito legais. Middlesex, de Jeffrey Eugenides. E Demonologia, de Rick Moody. Vale a pena conferir.
Posted at 12:48 by spectorama ::
Recife não tem só peixe na telha
De Recife chega um dos melhores discos independentes que ouvi nesse ano. O nome da banda é Badminton. E em Petroliana faz uma mistura de Wilco e Beach Boys.
Gostei mesmo.
Let Me Surf e Bonnie's Sugarkisses não saem do aparelho de som.
Posted at 11:42 by spectorama ::
Os cientistas
O show do Coldplay ainda está batendo forte no coração. Queria até escrever um texto decente sobre o assunto, mas quero me limitar a ser um simples espectador. Às vezes é chato demais ter opinião.
De qualquer forma, a melhor resenha que li até agora é de autoria de José Flávio Júnior e está lá na Usina do Som. Acho que o cara conseguiu traduzir tudo o que senti.
E hoje um dos meus colunistas prediletos detona sem perdão o que foi, pelo menos para mim, o segundo melhor show da minha vida. Álvaro Pereira Júnior é, pelo menos, coerente. Nunca escondeu que não gostava da banda. Ele diz que a apresentação de Chris Martin é uma seqüência de clichês melodramáticos. Pode até ser. Sinceramente não pensei muito nesse assunto. O fato é que a música do Coldplay me emociona. E não há senso crítico que convença a minha alma do contrário. Mas em uma coisa eu não concordo mesmo com o Álvaro: não vejo muito sentindo nessa comparação com o Radiohead. Sim, existem elementos semelhantes. Só que a melancolia do Coldplay não parece ser tão triste quanto a do Radiohead. Também, o Chris Martin namora a Gwyneth Paltrow. Desse jeito, não tem como ser infeliz.
Posted at 11:36 by spectorama ::
Quinta-feira, Setembro 04, 2003
O Neo da música pop
Quando você é jovem acredita que pode tudo. Eu, por exemplo, pensei que pudesse ser um rockstar. Comprei um contrabaixo com uns dólares que ganhei da minha madrinha e decidi montar uma banda. Até descobrir que não conseguia cantar e tocar ao mesmo tempo. Sim, porque eu era tão estúpido a ponto de acreditar que poderia ser um vocalista. Resultado: decidi só ficar com o microfone. Gravei umas demos, fiz uns shows, paguei uns micos. Mas, pô, não dá. Você não pode tudo. Tem gente que nasce com o dom. Tem gente que é. Tem gente que simplesmente vai lá e faz. Eu não faço parte dessa gente. Mas Chris Martin, vocalista-pianista-guitarrista-frontman do Coldplay, faz. Não só faz como às vezes parece que é o Neo do filme Matrix. É o único. The only one. O cara que você estava procurando. E isso é tudo o que tenho a dizer sobre o show do Coldplay de ontem. Falar que foi lindo é redundância. Tentar encontrar uma lógica é racionalizar a emoção. Explicar que a banda é foda ao vivo é convencer quem não merece ser convencido.
É isso.
A noite de 03 de setembro de 2003 foi mágica.
E eu vi o predestinado.
O seu nome é Chris Martin.
Posted at 11:36 by spectorama ::
Terça-feira, Setembro 02, 2003
Fa Ce Lá
A gente fica aqui esperando pelo novo Strokes, babando pelo Interpol, chorando com o Walkmen. Mas o melhor disco da nova safra roqueira de Nova Iorque se chama Crazy Rythms da banda The Feelies.
Detalhe: é de 1980.
Se toda banda tivesse um baterista como o Anton Fier, o mundo seria bem melhor.
Como é bom redescobrir os nossos velhos discos.
Posted at 12:16 by spectorama ::
Terça-feira, Setembro 02, 2003
Motivos para ir ao show do Coldplay
Eu era mais um daqueles chatos que achava Coldplay uma banda de chorões. Em uma época em que Delgados, Wilco e reggae tocavam mais a minha alma, simplesmente não havia espaço para mais um hype vindo da Inglaterra. Até que em abril de 2001, a mulher com quem divido uma vida surgiu. E trouxe com ela dias ensolarados ao som de uma balada que ouvia na 89 FM aqui de São Paulo. Investiguei e não deu outra. A tal balada era Yellow, do álbum de estréia do Coldplay.
Até hoje não acho Parachutes grande coisa. Tirando Yellow, nada me empolga. Também nem precisava. É impressionante como a canção é contagiante, apaixonada, envolvente, superlativa. O refrão foi feito para você abrir os braços e cair em queda livre. Assim, caindo, caindo, caindo, igualzinho ao que a gente sente quando se apaixona.
Aí veio o segundo disco. Li que os guris ganharam o apoio do meu ídolo Ian Mcculloch. Coisa ruim não deveria ser. Mas nunca, nunca mesmo, pensei que A Rush Of Blood To The Head iria ser tão bom. Só os minutos finais da primeira faixa, Politik, já valem o investimento. É apoteótico. Mas tem muito mais. Tem In My Place, tem The Scientist, tem Green Eyes. Posso afirmar sem medo que a carga emotiva do álbum foi fundamental para o ritmo do meu romance Cassino Hotel (que sai até abril do ano que vem pela Rocco).
E amanhã tem show da banda aqui em São Paulo.
Confesso que nem estava tão emocionado com a notícia.
Mas aí decidi colocar A Rush Of Blood To The Head no som. E quer saber? Eu acho do caralho Coldplay. É muito mais punch do que qualquer White Stripes da vida. É muito mais violento do que qualquer Sepultura da vida. É muito mais fundamental do que qualquer Radiohead da vida. Porque música, para mim, não é aquela que mexe com os meus pés, que me faz bater cabeça, que serve como válvula de escape.
Música para mim é vida.
As outras bandas podem até ter mais energia.
Mas Coldplay tem mais coração.
E o coração é o que nos mantém vivos.
Posted at 00:29 by spectorama ::

