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Sexta-feira , Outubro 31, 2003
Child, I'll be the truth for you
Faça um favor a você mesmo: ouça já Somewhere Across Forever do stellastarr*. E faça da sua sexta-feira um dia bem melhor.

Posted at 12:39 by spectorama ::

Que dia é hoje?
Hoje é o Dia das Bruxas.

Mas bem que poderia ser o Dia das Mães.

Posted at 12:15 by spectorama ::

Quinta-feira, Outubro 30, 2003
O menino que vivia de pijamas
Eu quero o meu sono de volta.

Parece desespero.

Mas é apenas um sorriso.

Posted at 22:23 by spectorama ::

A melhor banda de ROCK deste país
Os meus amigos Walverdes em preto e branco estão aqui e agora.

Posted at 19:58 by spectorama ::

Quarta-feira, Outubro 29, 2003
Garotas superpoderosas
Você já sabe que adoro crianças. E agora estou começando a escrever histórias para elas. A primeira será uma aventura infanto-juvenil. Mas tenho idéias de pequenos contos para gente mais pequena ainda. A seguir, apresento algumas heroínas que venho criando nas últimas semanas.

Cubinho de Açúcar - Uma menina que vivia na Islândia que transformava a neve em sorvete com o toque de suas doces mãos. Dizem que, quando crescer, será capaz de tirar o amargo da boca até do mais mal humorado dos esquimós.

Cherry Girl - Um dia todas as lojas da Kopenhagen amanheceram com as portas violadas. Assalto? Atentado terrorista? Não! Era apenas a líder do Esquadrão Cereja, que organizou o maior seqüestro de bombons de cereja da história da humanidade.

Drummer Girl - Era uma vez uma guriazinha que sofria nas mãos da irmã cheia de razão e vontades. Aí ela descarregava toda a revolta em uma bateria de brinquedo que ganhara de presente de um sapo de walkman.

Manchester Girl - Quando ficou grávida, a Dona Gansa decidiu que o seu bebê seria alimentado por canções. Por motivos que até hoje ninguém conseguiu explicar, ela apenas colocou bandas de Manchester para a sua filhinha ouvir durante a gravidez. Dizem que a criança veio ao mundo cantando Smiths. Mas há controvérsias: o médico jura ter ouvido New Order.

Litte Stripe - A Drummer Girl um dia conheceu um garoto chamado Joãozinho White. Ele sempre estava com uma guitarrinha de brinquedo debaixo do braço. E, então, os dois decidiram montar uma banda. E a Drummer Girl adotou o nome artístico de Little Stripe.

Menina Arte - A vida não era fácil para esta garotinha de cabelos moicanos. E nem era por causa do penteado. É que a coitadinha via arte em todo lugar. E muitas vezes não era compreendida. Como naquela vez em que leu um livro de biologia e decidiu fazer uma pintura do tamanho da lua.

Nina Girl - Tudo começou quando a menina encontrou uma foto da cantora Nina Hagen nas caixas de sapato que estavam escondidas no armário de sua mãe. Gostou tanto, mas tanto daquela alemã, que montou uma barriquinha de maquiagem na rua. Tem crianças que vendem limonadas, outras vendem sonhos.

Pink Girl - A melhor amiga de Nina Girl decidiu ser manicure depois que descobriu o esmalte cor de rosa. Os seus pais disseram que não teria muito futuro. Mas, já adulta, todo mulher queria ter as unhas pintadas pela menina que fazia os dedos brilharem no escuro quando o homem certo entrava na sala.

Real Girl - Era apenas uma garota real. Comum como todas as outras crianças de sua idade. Mas quando o Pequeno Maestro da Música Barroca a viu pela primeira vez, tudo mudou. Continuava normal, claro. Mas a realidade se tornou mais linda do que qualquer ilusão.

Flor do Dia - Todo dia esta menina acordava perfumada com cheiro de flores diferentes. Tinha dias que era margarida, outro rosa. Às vezes begônia, às vezes hortênsia. Mas à tardinha, quando a noite chegava, os seus braços desabavam como pétalas murchas. Até que o Menino Cravo apareceu em sua vida e a convidou para viver em seu vasinho de barro.

Suede Girl - Era uma menina glam que vivia com o rosto cheio de glitter e dançava rock dos anos 70 vestindo sapatinhos vermelhos de camurça. Os seus pais foram processados pelos magnatas da indústria de música para crianças, mas o juíz, fã de David Bowie, não quis levar o caso adiante.

Sunny Girl - O sonho de todos veranistas: para onde a garotinha ia, o sol ia atrás. Com o perigo de racionamento de água em São Paulo, o Governo do Estado pagou suas férias em Paris para que pudesse chover por aqui. Dizem que foi vista em um show do Wannadies na última sexta-feira.

Menina Manteiga - Uma criança que sofria de enxaqueca. Mas preferia dizer que era apenas manteiga. Aí um dia ficou tomando banho de sol e nunca mais teve enxaqueca na vida. Provavelmente a manteiga derreteu.

Star Girl - Era uma vez um poetinha que vivia recitando para as estrelas. Até que percebeu que sempre que falava, surgia uma estrela cadente no céu. Um dia, essa estrela se tornou uma menina porque queria ficar mais perto do poetinha. Nunca mais saiu voando por aí. No entanto, hoje brilha mais do que nunca.

Canibalzinha - A guria era tão gulosa, mas tão gulosa, que um dia viu uma bochecha fofa de uma amiguinha e decidiu que precisava comer aquele balãozinho de carne. A mordida foi grande, mas não causou um grande acidente. Apenas vergonha para a Dona Gansa.

Posted at 14:07 by spectorama ::

Terça-feira, Outubro 28, 2003
Quem tem um amigo tem tudo - Parte 1
Mais do que leitores, escrever me deu bons amigos. Alguns estão aqui por perto, muitos não. A Érika Ramos era assídua freqüentadora dos comentários que um dia habitaram este blog. E ela assinava erika.recife, como se quisesse sempre nos mostrar que vive lá naquela terra maravilhosa que é Pernambuco. Fiquei sabendo que ela nem queria me conhecer quando esteve em São Paulo para assistir ao show do Coldplay. Apenas entregou o CD do excelente Badminton ao meu amigor-escritor Randall Neto, que conheceu aqui no spectorama, e disse que era para ele me entregar. Acho que ela ficou com medo da minha fama de rabugento e recluso. Mas, por um desses acasos que fazem de nosso dia-a-dia algo mais suportável, eu e a Érika vivemos um outubro do cão. E, meio que desesperados, acabamos trocando diversas confissões, conselhos e devaneios pela internet e telefone. Não sei se consegui ser um bom amigo tanto quanto ela foi para mim. No final, as coisas não deram muito certo para nenhum de nós dois. Mas não vamos desistir. Somos teimosos e persistentes demais para deixar de acreditar no que a vida tem de mais precioso. E, além do mais, outubro já está indo embora.

O fato é que ontem encontrei um antigo texto que escrevi logo que me mudei para São Paulo, em 2001. Um jornalista colocou em minhas mãos o álbum Picture Perfect, da banda paulista Maybees (que atende hoje por Ludov e trocou o inglês pelo português). Achei o disco irregular, mas uma música me tocou demais. É redenção em forma de canção pop. Lembro que costumava acordar aos domingos e a colocava para tocar bem alto. Gostei tanto que acabei escrevendo um textinho bobo em cima dela, tentando passar o clima ao mesmo tempo melancólico e esperançoso da letra. O nome da música é Erika. E o texto fala muito sobre o momento que a minha nova amiga lá de Récife está passando.

E agora é a hora de deixar os meus presentes. Primeiro, a música para baixar aqui. Depois, o texto para ler.

E muito, muito obrigado Érika. Eu continuo rabugento, recluso e achando que o ser humano não é a melhor invenção do mundo. Mas, de vez em quando, aparecem pessoas que me fazem acreditar que este é um bom lugar para se viver.

Oi, meu nome é Erika, ela diz, sorrindo por ser tão óbvia, como se seis meses de distância pudessem apagar dois anos de alegrias, lençois e refeições compartilhadas, surpreso, ele permanece em silêncio, com o copo de cerveja na mão, os pés acompanhando a batida pop que vem lá do palco, desculpe, ele fala, não pensei que fosse encontrar você por aqui, ela arqueia as sobrancelhas e infla as bochechas, nossa, ele pensa, ela continua a mesma, e não pode evitar o susto ao sentir um frio na barriga, o coração acelerar, aliás, ele completa, não pensei que a gente fosse se encontrar tão cedo, tão cedo, ela pergunta, nossa, João, seis meses é muito tempo, muito tempo pra quê, ele quer saber, como assim, ela não entende, seis meses é muito tempo pra esquecer, pode ser, mas não pra mim, pelo visto você queria que eu já tivesse esquecido, né, afinal, aparece na minha frente dizendo o seu nome, desculpe, ela diz, foi apenas uma brincadeira, ele tenta desviar o seu olhar dos olhos dela, ergue o pescoço para tentar ver a vocalista cantar, ela balança a cabeça, e fala tô invandindo o seu território, né, o quê, ele pergunta, invadindo o seu território, ué, shows de rock fazem parte de sua vida, não da minha, ela responde, ah, ele fala, mas deste aqui sempre pensei que você fosse gostar, é tão gostoso, não acha, e então ele já não pode mais desviar os seus olhos e, de repente, percebe um brilho naqueles olhos que sempre refletiram o seu futuro, droga, ele sussurra, nunca esqueci você, sei que as minhas desculpas não vão apagar todas minhas mentiras, mas sempre quis você de volta, ela continua balançando a sua cabeça, no palco a banda substitui as guitarras por violões, e ela diz eu sei, e o seu corpo começa a dançar, fazendo círculos perfeitos ao som da melodia que diz "make a world a better place to live in", e ela repete eu sei que você sempre me quis de volta, e quer saber, ela continua, acho que já é hora da gente fazer deste mundo um lugar melhor pra gente viver, agora é a vez dele sorrir, então ele deixa o copo de cerveja em uma mesa qualquer, e pergunta você quer dançar, ela apenas estende a sua mão direita para o alto, e os dois giram, giram, giram pela pista, como se aquele pedido de dança fosse, quem sabe, um novo pedido de desculpas, um novo pedido de uma segunda chance e, desculpe por ser tão breguinha, um novo pedido de namoro.

Posted at 23:08 by spectorama ::

Mais uma
stellastarr* só poderia ser de Nova Iorque.

Mas, na minha modesta opinião, atropela todo povo de lá no seu disco de estréia. Com exceção do Walkmen e dos Strokes.

Surpresa do dia, um dos discos do ano.

Posted at 13:00 by spectorama ::

Maybe all I need is a shot in the arm
Como diz o meu amigo Fabio Bianchini, ilustre jornalista catarinense, eu até iria ao Tim Festival se não tivessem anunciado o Wilco. Agora só consigo pensar em caralho, o Wilco não vem.

Posted at 11:13 by spectorama ::

When I forgot how to talk I sing
Eu poderia explicar toda a minha vida apenas com as canções do Wilco.

Posted at 11:11 by spectorama ::

Segunda-feira, Outubro 27, 2003
Wonderful world
Troquei o Wannadies por Wilco.

Pelo menos continuo no W.

Posted at 17:41 by spectorama ::

Walverdes em Perus
E no domingo acompanhei a Walverdes até Perus, aqui em São Paulo. É uma experiência e tanto passar a noite na AmpGalaxy e no outro estar ali ao lado da periferia. Discursos socias à parte, a banda sócia de meu apartamento está cada vez melhor no palco.

Posted at 12:56 by spectorama ::

Singalong
Johnny Slut não me surpreendeu como DJ. Mas a sua performance foi sensacional.

Confesso que teve uma hora em que gostaria de estar dançando Wannadies.

E sábado tem Laurent Garnier.

Posted at 12:54 by spectorama ::

Sexta-feira , Outubro 24, 2003
Aplausos!
Já que eu não sei tocar porcaria nenhuma, eu me candidato a ser batedor de palmas para as bandas independentes. Até porque uns clap-clap podem fazer muita diferença.

Posted at 15:52 by spectorama ::

A little by little
Aí ó: Wannadies dá vontade de dançar até morrer.

Posted at 14:36 by spectorama ::

Quinta-feira, Outubro 23, 2003
Para quando você encontrar a sua Margot Tenenbaum
A minha obsessão pelo filme Os Excêntricos Tenenbaums é tanta que cheguei a implorar à dona da locadora para que me vendesse o DVD. Claro que eu poderia comprar em uma loja qualquer, mas existe um certo tom dramático de fã por trás deste ato que não posso evitar. Além disso, paguei baratinho, baratinho. Nem duas dezenas de reais.

Desde a semana passada eu vejo e revejo uma das minhas cenas prediletas. Já devo ter falado trocentas vezes sobre ela aqui no spectorama, mas não custa repetir. O tenista heartbroken (Luke Wilson) espera a menina-do-casaco-Fendi (Gwyneth Paltrow, perfeita, perfeita, perfeita) na saída do porto. Ela desce do ônibus. O mundo gira em câmera lenta. Nico, com aquela sua voz entorpecente, canta These Days. E ela se aproxima, devagar, devagar, com um sorriso escondido no meio de seu olhar blasé. Caralho. Eu amo esta cena. Em poucos segundos o diretor conseguiu mostrar um dos principais conflitos do filme sem um único diálogo.

E se eu vivesse mesmo em um filme como andam dizendo por aí? Que música eu gostaria que tocasse quando aquela mulher caminhasse em minha direção? Pois então. Fiz uma coletânea com 10 músicas (porque os melhores discos têm sempre 10 músicas) e 1 bonus track.

The Green Line Soundtrack

1. She's A Star - James - O início já é épico: um piano ao fundo e uma guitarra quase espacial. A voz de Tim Booth anuncia que está chegando uma estrela. Uma das mais lindas canções de uma das mais queridas banda de Manchester.

2. Dreams Never End - New Order - Mais Manchester com uma das melhores bandas de todos os tempos. Ideal para quando aquela mulher está no balcão do bar e você está dançando na pista. Aí ela demora para comprar a long neck e só consegue ultrapassar a multidão quando o baixo único de Peter Hook faz a cama para as batidas dançantes do bom e velho New Order.

3. Do You Realize - The Flaming Lips - Imagine o centro de São Paulo. Milhares de formiguinhas. E você só consegue enxergar uma pessoa. Aí você ouve o som de violões sobrepostos e a voz de Wayne Coyne falando do rosto mais bonito do mundo. E de pessoas flutuando. Pessoas não. Uma mulher. Voando acima da multidão em sua direção.

4. That's Entertainment - The Jam - As cordas do violão vem e vão em uma batida, desculpe o clichê, irresistível. O sotaque britânico de Paul Weller canta os primeiros versos e o estrobo da pista de dança piscam no ritmo de um dos maiores clássicos do punk. Ela não caminha: dança. E você parado, estático, hipnotizado. Faça alguma coisa, homem, faça alguma coisa.

5. Rebel Rebel - David Bowie - É preciso atitude para andar estes poucos metros que separam você daquela mulher. E existe algo mais sexy e poderoso do que os riffs de Rebel Rebel? Até eu que não gosto de Bowie sou obrigado a concordar que é uma grande música. Pena que não é o Mick Ronson na guitarra. E não esqueça: we like dancing and we look divine.

6. Sunday Girl - Blondie - Debbie Harry é a loira das loiras do rock'n'roll. A prova disso são os versos em francês que ela canta nesta maravilha pop. E não importa se aquela mulher não é loira. Tudo o que você quer dizer é hurry up, hurry up.

7. She's In Fashion - Suede - A vida é uma passarela. Ela desfila. Os seus olhos agem como máquinas fotográficas. E lá vem ela. Você não sabe se aplaude. Você não sabe se senta e observa boquiaberto. Você não sabe se bebe mais um copo. Existem mulheres que possuem estilo até mesmo na hora de mostrar que você não é para elas.

8. Birthday - Sugarcubes - O mundo dá voltas em câmera lenta novamente quando o primeiro sucesso na voz de Björk começa a tocar. Você pensa que está novamente em 1989. Mas não. Apenas os sentimentos são de 1989. Lá fora continua 2003. E a sua alma se quebra como a bateria de Birthday. Mágico, mágico, mágico.

9. Out Of Time - Manic Street Preachers - Clássico dos Stones em uma linda homenagem dos Manics. Só a introdução orquestrada já garante a entrada triunfal que aquela mulher merece. Está certo que a letra fala de desencontro, mas a música é tão boa que melhora qualquer clima.

10. Please Please Please Let Me Get What I Want - The Smiths - Esta canção não se explica. Uma cena ao som dessa pequena obra-prima é para você levantar da cadeira do cinema e aplaudir de pé.

Bonus track

11. I'll Keep It With Mine - Nico - Eu também quero Nico na minha trilha sonora. E escolhi a minha predileta do álbum Chelsea Girl. O violino de John Cale é perfeito para recriar esta composição de Bob Dylan. E a voz de Nico, ah, a voz de Nico é, como dizem as pessoas fashion, tudo.

Posted at 15:18 by spectorama ::

Quarta-feira, Outubro 22, 2003
Needle in the hay
Elliot Smith, um dos cantores e compositores mais talentosos da atualidade, faleceu nesta última terça-feira. Isso é muito, muito, muito triste..

Jonas, meu amigo, fique bem por aí.

Posted at 10:11 by spectorama ::

Fato
Às vezes, quando respiro, parece que o ar não é suficiente. E eu não sei se são os cigarros que fumei ontem à noite.

Posted at 09:58 by spectorama ::

Eu poderia não dizer nada, mas...
Eu queria dançar igual ao Tim Booth da banda James.

Posted at 09:47 by spectorama ::

Terça-feira, Outubro 21, 2003
Yoshimi battles the Pink Robots
Eu esqueci de falar quando aprendi a escrever. E não sei se as minhas frases fazem sentido. Tento encontrar um ponto de equilíbrio, mas tudo o que vejo é falta de comunicação. Às vezes exagero, às vezes hesito. Eu queria apenas dormir sobre o teclado do meu computador.

E sonhar.

De qualquer forma, sábado tem mais um show dos meus amigos da Walverdes aqui em São Paulo. É na Outs, que fica em algum lugar da Augusta. Se você perdeu o trio gaúcho na Funhouse, bah, não deixe de ir.

Vou pedir ao Mini, vocalista-guitarrista-irmão, uns livros de budismo emprestados. Vamos ver no que vai dar.

E sábado também tem o doido Johnny Slut discotecando na AmpGalaxy. Vou ver se troco uma vida de blah-blah-blah por nag-nag-nag.

Posted at 15:51 by spectorama ::

Tha way I feel makes me want to scream
Os discos não caem na minha mão por acaso.

After thirty years I've become my fears
I've become the kind of man I always hated
I am pulled apart, and my swollen heart
has flipped out of the pan into the fire
I am in love insane with a sense of shame
that I threw stones at the condemned and
now I'm slated


Sentir medo é muito foda.

Posted at 10:25 by spectorama ::

Segunda-feira, Outubro 20, 2003
Sit down next to me
É foda quando você não consegue nem escolher os discos que vai ouvir. Há uma semana não saem da minha bolsa Getting Away With It... Live do James, Chain Gang Of Love do Raveonettes, Anthology dos Ramones e Want One do Rufus Wainwright. Tenho saudade da época em que os meus discos eram suficientes para mim.

Posted at 21:54 by spectorama ::

Quarta-feira, Outubro 15, 2003
O sobrevivente
Em algum dia de 1997 um cano do banheiro do meu apartamento em Porto Alegre simplesmente quebrou. O quarto ficou inundado e, para o meu desespero, alguns CDs ficaram totalmente molhados. Sequei um por um, coloquei os encartes para secar na área, fiz todas essas coisas que os malucos fazem. Um dos discos que sobreviveu ao afogamento é o álbum 100% Fun de Matthew Sweet. Bom, muito bom. Doze canções para melhorar qualquer humor.

Posted at 12:52 by spectorama ::

Terça-feira, Outubro 14, 2003
You talk way too much
O Strokes novo é muito legal.

Depois da terceira vez desce que é uma beleza.

Posted at 15:55 by spectorama ::

Brand new old man
Aos poucos o furacão pessoal vai embora.

Não gosto de falar muito sobre a minha vida pessoal, mas estou preparando um texto sobre as minhas recentes conclusões.

E viva os meus cabelos brancos.

Posted at 15:51 by spectorama ::

Quarta-feira, Outubro 08, 2003
Ah, os anos 80...
Aumenta o som. E dance comigo.

Well... you didn't wake up this morning
'Cause you didn't go to bed
You were watching the whites of your eyes turn red

The calendar on your wall is ticking the days off

You've been reading some old letters
You smile and think how much you've changed
All the money in the world couldn't buy back those days

You pull back the curtains, and the sun burns into your eyes
You watch a plane flying across a clear blue sky
This is the day - your life will surely change
This is the day - when things fall into place

You could've done anything, if you'd wanted
And all your friends and family think that you're lucky
But the side of you they'll never see
Is when you're left alone with the memories
That hold your life together like glue

You pull back the curtains, and the sun burns into your eyes
You watch a plane flying across a clear blue sky
This is the day - your life will surely change
This is the day - when things fall into place


Posted at 20:59 by spectorama ::

Bocejo
O problema de trabalhar demais é que o único momento em que você tem para pensar na vida é justamente quando está na cama. Aí não dá outra. Você tem sono o dia todo.

Posted at 16:11 by spectorama ::

Mulder & Scully
Catatonia.

Taí uma banda que gosto muito.

Posted at 16:09 by spectorama ::

Movies of myself
Será? Será que vivo em um filme?

Posted at 16:08 by spectorama ::

Terça-feira, Outubro 07, 2003
Sigam-me os bons
Levon Helm, da lendária The Band, toca bateria em 14th Street, uma das melhores músicas do novo disco de Rufus Wainwright.

Para você ver como o guri é bom.

Posted at 23:13 by spectorama ::

Terça-feira, Outubro 07, 2003
MC Friends
Esqueci de dizer que num dias desses vi um episódio de Friends em que a Jennifer Aniston usava uma camiseta do MC5. Rock and roll? Patético? Tanto faz. Ela é linda e a camiseta era sensacional.

Posted at 01:41 by spectorama ::

Love, peace and harmony?
Ainda vou escrever um livro sobre o estrago que os Smiths fizeram na nossa vida. O problema não é que as suas canções nos tornaram pessoas mais sensíveis ou qualquer coisa parecida. Não, nada disso. A questão é que entendemos tudo errado. Os Smiths estavam aqui para nos avisar dos perigos do amor. Preste atenção nas letras. Na fina ironia. No gosto amargo. Que burrice. A gente entendeu exatamente o contrário.

Agora é tarde demais.

De qualquer forma, não custa nada lembrar: que banda do caralho.

Posted at 01:37 by spectorama ::

Mais fatos
Leitor diz que não estou escrevendo dos meus projetos. Veja bem: no momento estou envolvido em um roteiro de curta-metragem e em uma peça de teatro (que está mais do que atrasada). Nesse meio tempo, ainda tenho que escrever um livro infanto-juvenil e guardar forças para D.E.U.S., que será, sem dúvida nenhuma, o meu projeto mais ambicioso.

É incrível como não me levo a sério.

Depois de escrever este ambicioso me deu um acesso de riso.

Posted at 01:20 by spectorama ::

Good times for a change
E se eu disser para você que ainda me emociono ao ouvir a trilha sonora de Pretty In Pink?

Era muito mais saudável a época em que o ideal de mulher de um adolescente era a Molly Ringwald. É mais real, mais saudável, mais palpável. Porque depois que descobri a Winona Ryder só quebrei a cara.

Fico só pensando nestes guris que vão dormir pensando na Cameron Diaz. Dá até dó.

Posted at 01:16 by spectorama ::

Fatos
Eu tenho 30 anos de idade.

Uso roupas de um cara de 20.

Penso igual a um garoto de 15.

Sou rabugento como um senhor de 50.

E tenho os olhos deslumbrados de um bebê de 3.

Essa é a matemática da minha vida.

Nada demais.

Não fosse o fato de que agora o mais importante é descobrir a minha geografia.

Posted at 01:11 by spectorama ::

Sexta-feira , Outubro 03, 2003
I hear you calling...
Por motivos que você irá entender quando ver a edição número 5 da revista Out!, de nosso ilustre Lúcio Ribeiro, decidi trazer comigo um álbum de uma banda portuguesa chamada Silence 4. Tudo para ouvir a versão de A Little Respect. Sim, aquele clássico do Erasure.

Interessante como todas as músicas que ouço me fazem afundar.

Daqui a pouco eu chego lá no Japão.

Posted at 10:51 by spectorama ::

Quinta-feira, Outubro 02, 2003
2 minutos e 22 segundos
Exatamente aos 2 minutos e 22 segundos de Go Or Go Ahead, sexta faixa de Want One de Rufus Wainwright, sou atropelado por tantos e tantos sentimentos que nem sei explicar.

Posted at 22:38 by spectorama ::

Leia o melhor
Trechos do livro de Gustavo Fischer. Para você ver quem é que manda.

"A moça do celular, já coordenando as atividades, pergunta se eu não quero ligar para casa ou para alguém, afinal é Natal. Eu pego o telefone, caminho em direção ao parapeito. O vento da noite já consolidada me recupera de muita coisa que eu achava trancada dentro de mim. Talvez se eu parassse mais para ver. Olho para trás, pessoas que nunca se encontram e nunca se verão de novo confraternizam. Ouço a música dos Megamen. Meu filho atente o telefone. Converso com ele e com todos em casa. Eu e minha mulher somos telegráficos e o choro fica escondido nos últimos segundos da bateria do celular. O rapaz da carta me entrega um copo de plástico com champanhe assim que retorno para a minha comunidade automobilística. Brindamos todos. Buzinas. Faço um brinde mental a John, Paul, George e Ringo, meus fabulosos Megamen. Baby you can drive my cara/ yes I'm gonna be a star/ baby you can drive my car/ and maybe I'll love you."

"Mas agora eu mudei minhas regras de investimento. Eu sou uma commoditie e isso não me assusta mais. Me pegue e me use, mas saiba que eu sou aquele que acumula e você aquela que gasta. É isso Sarah. Eu acumulo tudo, tudo que você fez do primeiro minuto ao último café despretensioso, eu somo e acumulo. Tudo conta. Essa é a merda toda de onde surge o sentimento. Eu que me julgava um ser humano consciente da desgraça do capitalismo agora me descobri acumulando onde jamais poderei fazer justiça social: dentro de mim mesmo."

"Me vi fotografado e exposto em telões gigantes e viajei escondido por dias e dias até que cheguei nas montanhas. E foi aqui que minha memória se soltou do meu corpo e vi multiplicado entre árvores, e em cada eu uma estranha anormalidade que deixou de me contaminar na cidade me perseguiu em lufadas de febre e gritos que ecoam de fora para dentro. E agora eu suponho que, se você estiver diante do meu corpo e lendo essa carta, há uma concreta possibilidade de que as montanhas sempre foram minhas muito antes que eu enxargasse o fim das coisas. Mas isso não tira a bravura dos seus olhos, que agora podem descansar de enfrentar minha sufocante lógica. Se cuide."


Posted at 21:55 by spectorama ::

Ah!
Então tá: What A Wonderful World com o Coldplay.

Às vezes eu tenho vontade de me comunicar por meio de onomatopéias para dizer tudo o que sinto.

Triste isso para um escritor.

Posted at 21:48 by spectorama ::

Try me, surprise me
Eu queria que as coisas fossem diferentes.

Mas eu vou explodir o meu corpo de tanto ouvir o novo Rufus Wainwright.

Posted at 21:22 by spectorama ::

O meu amigo e ídolo Gustavo Fischer
A quarta-feira passou batida aqui no spectorama por descuido de uma cabeça que nos últimos dias parece não estar mais tão no lugar. Agora ouço um dos únicos álbuns que faz sentido (se você quer saber é o Raveonettes) e lembro que ontem um dos meus escritores prediletos lançou o seu primeiro livro em Porto Alegre. Eu deveria ter avisado aqui porque Gustavo Fischer é o cara que tento e tento e tento superar. Sei que nunca vou conseguir, mas continuo tentando. Cassino Hotel, por exemplo, foi escrito inspirado em sua prosa. A minha editora deveria contratá-lo, mas decidiu ficar com o clone.

Mas agora você já pode ler os contos sensacionais de Gustavo Fischer. Escreva para ele e peça a sua cópia de No Auto-Exílio Do Meu Headphone.

E veja como o Gustavo Fischer é legal: o prefácio do livro é meu. Dê uma lida no texto que escrevi e compre já.

A primeira vez que senti inveja de Gustavo Fischer foi em um sábado à tarde. Abri o jornal de domingo - aliás, se alguém puder me dizer por que a Zero Hora de domingo sai sempre aos sábados ficarei grato - e imediatamente procurei o segundo caderno. A intenção de ler matérias inofensivas, enquanto comia os meus croissants, logo veio abaixo quando vi o desenho do Calvin estampado na capa, acompanhado de uma manchete que dizia algo como Calvin & Suzy 20 anos depois. A idéia, ao mesmo tempo pretensiosa e genial, era uma troca de e-mails entre os famosos personagens criados pelo cartunista Bill Watterson. A diferença é que os pestinhas cresceram. E se tornaram dois jovens dos anos 90, com as suas incertezas, vícios e desesperos. Imediatamente me identifiquei com aquele texto contemporâneo, que fluía como um pensamento fragmentado e, por isso mesmo, soava tão real. Logo quis saber quem era o maldito que estava conseguindo fazer a literatura que sempre desejei produzir. Gustavo Fischer, o jornal dizia. Quem diabos é Gustavo Fischer? E assim, cheio de inveja e admiração, perdi a fome, e o Gustavo ganhou um fã. Invejoso, mas fã.

A internet logo aproximaria o fã do escritor. Nós participamos de diversos projetos juntos, e ainda tive a honra de ter um de seus textos na edição número zero da TXTmagazine.com. E este livro reúne uma boa parte do que Gustavo publicou na mídia digital. São 16 contos de... dar inveja.

No Auto-Exílio Do Meu Headphone é, como o próprio título sugere, uma viagem ao mundo particular de Gustavo. Mas não espere egotrips. Acelerado pela música pop, sempre no volume máximo, ele vê histórias de pessoas que, sem perceberem, estão sendo consumidas pela tecnologia e a indústria cultural. A partir disso, os seus contos transformam a realidade em absurdo e o absurdo em realidade, confundindo o leitor até que, pow, sentimos um soco no estômago. Afinal, Gustavo poderia estar falando da vida de pessoas como eu e você. E, acredite, não existe outro livro de autor brasileiro que consegue retratar com tanta poesia, melancolia e verdade o vazio dos jovens adultos pós-anos 90.

Poderia ficar dias escrevendo sobre o Gustavo. Mas a verdade é que tenho tanta inveja dele que fico inspirado a escrever as minhas próprias histórias. Então, peço licença para abrir um documento novo no Word e começar a copiá-lo. Eu sei que você não vai sentir a minha falta. Você está com o original.


Posted at 11:25 by spectorama ::