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Sexta-feira , Novembro 28, 2003
The good life, como diria o meu amigo Rivers Cuomo


Confesso que tenho problemas.

Quando começo a ouvir Weezer eu não consigo parar. Vou do primeiro ao segundo ao terceiro ao quarto álbum em questão de horas. E tem uma música que é o auge da felicidade.

It's in the photograph
It's in the photograph
It's in the photograph of love


Agora, toda vez que tenho fome abro a geladeira.

Posted at 16:45 by spectorama ::

Quarta-feira, Novembro 26, 2003
A música dos meus olhos
O grave de nossos aparelhos de som parece estar equalizado em algum lugar da década de 80. Em quase todos os discos de bandas novas ouço ecos de grooves imortalizados por baixistas como Peter Hook da dupla Joy Division/New Order, Les Pattinson do Echo & The Bunnymen, Steve Severin do The Banshees e Simon Gallup do The Cure. É verdade que reciclar faz bem ao meio ambiente, mas às vezes eu me pergunto por que este súbito amor aos anos 80. Qual o sentido de tudo isso? E foi assim, buscando explicar o rock'n'roll, que quase sem querer consegui entender um pouco mais sobre a minha própria vida.

Explico: ontem decidi ouvir o primeiro álbum da banda British Sea Power. Já nas primeiras notas do baixo reconheço influências do Joy Division e dos Bunnymen. Um cara mais preconceituoso diria que é mais um genérico. Mas o disco vai crescendo em melodia, harmonia e arranjos. Na oitava faixa, a perfeita Carrion, fiquei com vontade de me ajoelhar e gritar finalmente!. Sim, finalmente alguém fez o que tanto esperava. Afinal, o rock dos anos 80, principalmente o pós-punk inglês, conseguiu como ninguém unir a urgência do do it yourself com a melancolia. As grandes canções da década são aquelas que mexiam com os seus pés tanto quanto mexiam a sua alma. E a tal reciclagem de bandas como Interpol, Elefant, Walkmen e Coldplay (e, veja bem, destas não gosto apenas de Interpol) muitas vezes fica no meio do caminho. Não conseguem passar por esta encruzilhada. Mas o British Sea Power realizou o quase impossível em Carrion. É instigante e introspectiva. É rebelde e romântica. É microfonia e melodia. Tudo ao mesmo tempo. Está ali-ali com clássicos como The Cutter dos Bunnymen e Ceremony do New Order. Só as harmonias vocais valem o download.

E o que isso tem em comum com a minha vida?

É simples. De repente, eu me dei conta que há tempos estava vivendo em constantes reciclagens. E que estava precisando de algo novo. Que seja eu, mas que seja melhor.

Mas agora encontrei a minha Carrion. É instigante e introspectiva. É rebelde e romântica. É microfonia e melodia. Tudo ao mesmo tempo. Está ali-ali com clássicos como Audrey Hepburn, Isabella Rossellini, Winona Ryder e Dona Teresa.

Deixa eu dançar mais um pouco, então.

Carrion está no repeat.

A música pode até não tocar para sempre.

Mas o meu coração agora tem pilhas alcalinas.

Posted at 13:23 by spectorama ::

Terça-feira, Novembro 25, 2003
Você dorme, eu faço pedidos


Sim, eu quero dormir, Bryan Ferry, fotografias, palavras sacanas, The Jam, tatuagens, conversas, cigarros, cerveja, New Order, danças, planos, viver um dia de cada vez, moicanos, The Smiths, aprender a gostar de David Bowie, realizar o impossível, sonhar, acordar, sexo, lentes de contato, Peter Saville, calças jeans, tornozelos, beijos, caipirinha de saquê, sorrisos, Nick Knight, enxoval do Paul Smith, histórias, passado, presente, futuro, conversas pelo MSN, e-mails, telefonemas, sushi, sashimi, negui toro, livros, rascunhos, poesia, stellastarr*, mensagens subliminares, Dona Irene, Aninha, Doutor Rui, comida da Adê, Blondie, análise, cherries, Björk, baladas, Maria Bonita Extra, zirconia, pulseira de couro, felicidade, pimenta, abraços, dedos, língua, pele, bateria, Rufus Wainwiright, amigos divididos, amigos multiplicados, cupidos, mistermatch, missmatch, Will & Grace, cinema, Lucía e o Sexo, tranqüilidade, privacidade.

Sim, eu quero.

Você quer?


Posted at 17:58 by spectorama ::

Pictures of us
Em tempo: colocar fotografias no blog do spectorama é algo muito especial. E pessoal. Mas você não precisa saber tudo, não é mesmo?

Aliás, ali no photo blog tem uma série que fiz em um show da banda Cansei de Ser Sexy.

Posted at 17:40 by spectorama ::

The Decline of British Sea Power
Estou chapado com a banda inglesa British Sea Power. Das melhores estréias que ouvi nos últimos anos.

Posted at 17:37 by spectorama ::

Sábado, Novembro 22, 2003
Feeling like Fred Astaire



Doctor,
What is happening to me?
Palpitations
My mind's diseased
Even my vision is impaired
I'm losing my hair
Cos when I hold her in my arms
I feel like Fred Astaire

Lovesick
My temperature's high
Just met a girl
Who believes we can fly
I'm a millionaire
And when I hold her in my arms
I feel like Fred Astaire

I believe in happiness
I believe in Love
I believe she fell to earth
from somewhere high above
I believe in Hollywood
Don't believe that Love must bring despair
Cos when I hold her in my arms
I'm just like Fred Astaire

He said love is just a disease
A plague for the naïve
These days no one believes
These days no one believes

Meteors may strike the earth
Nations live and die
I'm the boy who got the girl
Who showed me how to fly
We can cross the race divide
Bridge a gap that wasn't really there
I'm gonna hold her in my charm
Just like Fred Astaire


Posted at 13:22 by spectorama ::

Sexta-feira , Novembro 21, 2003
Que seja piegas, mas que seja... vivo
Algumas coisas é melhor não explicar pelo simples fato de que os motivos nem sempre são palpáveis. Gostaria de poder pegar no ar a razão de todo o meu amor, admiração, respeito e carinho por uma banda independente de Porto Alegre. Mas toda a minha racionalidade se desmancha quando o assunto é a Superphones. Nos últimos dias tenho passado horas e horas mergulhando a minha vida em um par de olhos verdes. E cada vez que tento entender toda essa hipnose, a única coisa que me vem à cabeça é: eu a enxergo. Provavelmente deve ser isso que acontece também com a Superphones. Eu consigo ouvi-los. E muito provavelmente ninguém os ouve como ouço.

Ontem conversei com o ex-baixista Marcelo Kalil, que, mesmo em Londres, ainda é uma parte viva da banda. Lá na capital inglesa, ele mixou o primeiro álbum da Superphones ao lado de seu irmão Sérgio. São duas pessoas talentosas que apareceram em minha vida. Primeiro, com as suas canções. Depois, com a amizade. E ele me deu a boa notícia de que o disco está pronto e será masterizado até o final de dezembro. Poderia tentar dizer aqui a emoção que isso me traz, mas vou poupá-los do meu costumeiro exagero.

A questão é que o querido Scooby, que está lá no nono andar sorrindo para nós, havia me convidado para escrever o release do CD. Antes de pegar o elevador da vida, nós conversamos muito por ICQ, e na pastinha com o seu nome existem diversos MP3s que ele me enviara. Tremendo, falei ao Marcelo que queria cumprir o que prometi ao Scooby. Ele disse que o convite ainda estava de pé e, desde então, sinto um aperto no peito só de pensar no momento em que irei colocar o álbum no meu discman para começar a escrever o release. E tenho certeza de que este texto será escrito mais com lágrimas do que com palavras. Afinal de contas, a Superphones também não usa notas em suas canções. O que existe em tudo que ouvi é apenas o som de um coração batendo.

O que mais me emocionou na conversa com o Marcelo foi a sua frase este é o disco de nossas vidas. Como eu escrevi ontem no blog da banda, este será o release de minha vida.

Afinal, às vezes penso que escrever livros é a parte mais irrelevante desta minha obsessão pelas letras.

O que importa é escrever sentimentos.

Talvez estes sentimentos nunca estarão à altura do que vejo e ouço.

Mas se você conseguir pegá-los em sua mão, por um segundo que seja, já terá valido a pena.

Porque o que importa não é o disco ou o livro que está em sua prateleira.

O que importa é o que fica marcado na alma.

Posted at 22:52 by spectorama ::

Quarta-feira, Novembro 19, 2003
Turquoise days
Nós voltamos para trazer de volta a magia ao rock'n'roll, disse Ian McCulloch em 1997 sobre o retorno do Echo & The Bunnymen. Por mais que acredite que a banda é meio decadente, que o último álbum seja dispensável, que nenhum show dos caras vai ser melhor do que em 1987, por mais minhocas que coloque na cabeça, não há como fugir da verdade. Sim, os coelhinhos trazem magia à minha vida. E não tenho dúvidas de que é a banda do meu coração.

Pois ontem decidi levar um pedacinho do meu coração para conhecer outro pedacinho do meu coração. Não sei se um gostou do outro, mas pelo menos os Bunnymen fizeram um belo show. Apenas clássicos, algumas surpresas como Heads Will Roll e Rust, um Will Sergeant inspiradíssimo e um bem humorado Ian McCulloch. É bom saber que eles ainda me arrepiam, apesar de que ontem não era preciso muito para me emocionar.

A parte engraçada foi logo quando apagaram as luzes e, de repente, ouvi um casal gritando Valeu, Spit!!!. Para quem não sabe, Spit é o nome do personagem do meu livro. Assustado, olhei para trás e vi um casal rindo para mim. Nunca sei como agir em uma ocasião dessas. Por isso, retribuí o riso.

Estes têm sido dias mágicos.

Ou, quem sabe, turquesas.

Posted at 09:13 by spectorama ::

Segunda-feira, Novembro 17, 2003
Stop your crying
Jason Pierce, o Spacemen por trás da maravilhosa banda Spiritualized disse em sua pequena obra-prima Stop Your Crying: nothing hurts you like the pain of someone so close to you/ I feel so broke inside but I'll devote my life to loving you. Não tenho o talento e o gênio de Pierce. Já que não posso escrever canções, escrevo aqui um pequeno guia para você tentar amenizar a dor de alguém que gosta muito.

18 Dias Para Fazer Você Parar De Chorar

Primeiro Dia - Recupere o adolescente que existe em você e passe o dia tremendo até que finalmente consiga convidá-la para sair. À noite espere o DJ tocar algum hit dos anos 80 (não se preocupe, hoje em dia um hit dos anos 80 sempre vai lhe perseguir) e a beije como se este fosse o primeiro beijo de sua vida. O que, no final das contas, não deixa de ser verdade.

Segundo Dia - Passe os dedos pelo rosto enquanto as lágrimas escorrem do seu rosto. Quando a pele esquentar, o choro terá evaporado. E apenas restará uma ex-bochecha inflada esperando pelo seu carinho.

Terceiro Dia - Dê de presente um sapato preto com uma tira no tornozelo. Ela vai achar que é de bom gosto, mas, na verdade, é de bom prazer mesmo. À noite, depois que você se sentir seguro o bastante para ir além de um simples abraço, você irá entender o que estou falando.

Quarto Dia - Arranje um vale-sashimi para o ano inteiro. Ou melhor, para o resto da vida.

Quinto Dia - Encha a casa de chocolate. Sorvete de chocolate, bombom de chocolate, doce de chocolate, bolo de chocolate, mousse de chocolate, beijo de chocolate, rock de chocolate, sexo de chocolate, beijo de chocolate, telefonemas de chocolate, travesseiros de chocolate, flores de chocolate, orquestra de chocolate, chocolate de chocolate e até cigarro de chocolate.

Sexto Dia - Diga que, mesmo com tanto chocolate, ela ainda está bem magrinha.

Sétimo Dia - Passe metade do seu dia contando todas as pintinhas do seu corpo. Batize cada uma com nome de estilistas famosos. De Paul Smith a Vivienne Westwood. Assim, quando ela ficar nua você poderá dizer que sempre está bem vestida.

Oitavo Dia - Acorde às 6 da manhã para transar.

Nono Dia - Acorde às 6 da manhã para conversar.

Décimo Dia - Acorde às 6 da manhã para declarar a sua paixão.

Décimo-Primeiro Dia - Faça uma lavagem cerebral e esqueça o seu rosto por algumas horas. E fique com os olhos brilhando quando a ver novamente.

Décimo-Segundo Dia - Passe mais uma hora procurando pintinhas até descobrir uma do dedo do pé. E batize de Manolo Blahnik.

Décimo-Terceiro Dia - Faço um pequeno seqüestro. Não deixe que ela levante da cama. Mas esteja certo de que há um disco do Smoke City por perto.

Décimo-Quarto Dia - Reproduza fotos de Helmut Newton em sua casa. Mas não deixe o rapaz do laboratório ver, nem cometa a insanidade de enviar alguma para um amigo. Você não vai quer outros homens literalmente babando por ela, vai?

Décimo-Quinto Dia - Acorde às 3 da tarde para transar.

Décimo-Sexto Dia - Invente histórias de príncipes, princesas, dragões e castelos. Coloque um pouco de ficção e fantasia na sua vida.

Décimo-Sétimo Dia - Durma de mãos dadas. Sinta o seu corpo relaxar quando está na mesma cama que você. Feche os olhos. E perceba que o ser humano é capaz de voar.

Décimo-Oitavo Dia - Não canse de dizer o quanto ela é especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial, especial e especial.

Se nada disso funcionar, repita a operação por mais 18 dias. Ou dê um jeito de ser amigo do Jason Pierce para ganhar um pouco do seu talento por osmose.

Posted at 23:20 by spectorama ::

Um pouco de intimidade...
As pessoas falam em maturidade, mas a fronteira que me separa de uma vida mais adulta é desviada por caminhos cheios de músicas, letras, livros, imagens e beijos. Não quero a segurança do amanhã, apenas a felicidade de hoje. Porque viver para mim é ainda lembrar cada frame da seqüência do museu do filme Curtindo A Vida Adoidado. Quando, ao som de Dream Academy e sua arrepiante versão de Please Please Please Let Me Get I What Want, conseguimos descobrir exatamente quando Cameron consegue se enxergar e perceber quanta angústia existe dentro de sua alma.

Demora, eu sei, demora muito para que a gente consiga enxergar o próprio umbigo e conseguir assumir que errou, que está se escondendo por trás de coisas que não lhe fazem bem, que mentir para você mesmo é a pior espécie de auto-sabotagem.

Como o Cameron, agora escuto Dream Academy e vejo quem sou. Peço desculpas aos amigos, aos inimigos, às minhas vontades. Peço desculpas até para quem já foi muito importante, mas, por favor entenda, nem eu, muito menos você, nascemos sabendo tudo. E o fato de termos acertado durante um tempo não significa que o erro não iria chegar um dia. Chega de angústia, não é verdade? Se é para doer o coração, que ele doa de paixão.

Estes dias são os meus days off.

Agora, quero apenas curtir a vida.

Adoidado? Não. Acompanhado.

Porque agora, neste momento, tenho o que quero.

Desculpe o desabafo.

Um beijo, um queijo e um solo de oboé.

Posted at 11:06 by spectorama ::

Domingo, Novembro 16, 2003
I'm open, wide open, I'm so open
A cidade que nos une musicalmente talvez seja Manchester. Dizem que é feia até não poder mais. Pensei em conhecê-la em 1997, mas decidi passar mais uns dias no frio de Londres. Mas as canções que saem daquela cidade compensam toda e qualquer falta de beleza. Só por ter nos dado New Order e The Smiths, Manchester merece ser considerada um patrimônio da humanidade.

O fato é que nas últimas semanas ando ouvindo muito James, uma das mais queridas banda da cidade. Mas apesar de serem amados em seu lar, Tim Booth e companhia nunca tiveram reconhecimento fora da Inglaterra. Injustiça ou não, a questão é que o show de despedida do vocalista (e, provavelmente, da banda também) rendeu um disco para lá de emocionante. E, depois de tanto ouvir o álbum, decidi que já era hora de comprar o DVD.

Hoje, enquanto perdia a hora na cama, percebi por que amo tanto James. Existe um senso de entrega em suas canções com o qual me identifico. A banda parece estar apaixonada com o seu público. E não tem medo de mostrar isso. Até pouco tempo sempre confundi este tom excessivamente passional com o épico, quando temos a impressão de que o mundo está caindo em nossos ouvidos ao ouvir uma canção. Agora, sei que James nada mais é do que uma pessoa abrindo o seu corpo, expondo a sua alma, arrancando o seu coração e jorrando palavras. É uma banda? É. Mas poderia ser eu. Poderia ser você. São apenas canções? São. Mas poderiam ser o que você sente. Poderiam ser o que sinto.

Quando vi através de olhos verdes Tim Booth, e sua interpretação lacrimejante, descobri que às vezes não preciso dizer mais nada. Ele já disse tudo. Pelo menos por hoje.

You're not alone in this world, show me your mind, open your mind, step outside of yourself and see something else, I'm open, wide open, I'm so open, wide open, I'm running to you my whole life through, hoping to see something new for me...

Sometimes when I look deep in your eyes I swear I can see your soul, sometimes when I look deep in your eyes I can reach your soul, sometimes when I look deep in your eyes I can touch your soul...

I'm so alone tonight, miss you more than I will let you know, miss the outline of your back, miss you breathing down my neck...

She's a star, she's a star, she's a star...

Posted at 20:23 by spectorama ::

Sexta-feira , Novembro 14, 2003
Saudades
Mais uma sexta-feira, mais um parágrafo.

Posted at 15:56 by spectorama ::

Uma pergunta
Como não viver em um filme quando você está ao lado de uma Audrey Hepburn?

Posted at 09:11 by spectorama ::

Quinta-feira, Novembro 13, 2003
As palvras não ditas
O que dizer de uma canção de 12 minutos sobre um cara tentando explicar para um amigo como é a sua garota e, mesmo assim, não consegue encontrar palavras? Pode parecer engraçado, mas quando se trata de Kevin Rowland e seu Dexy's Midnight Runners a gente só pode esperar uma obra-prima. E o mais legal é que no meio de This What She's Like ele simplesmente desiste de falar, enquanto o baixista Billy Adams continua perguntando, e sai dando urros em meio a uma avalanche de soul celta. A questão é essa: às vezes não há nada que você possa falar. É uma mania chata essa dos seres humanos de ficar tentando encontrar explicação para tudo. O mundo deixou de ser mais colorido quando aprendemos a racionalizar.

De qualquer forma, aqui está o final do diálogo de Kevin e Billy. Eu queria muito saber que palavra em italiano é essa.

- Oh, I see, I see she must be something.
- Yeah, she is.
- Well how did all this happen?
- Just all at once really.
- The italians have a word for it.
- What word what is it?
- A thunderbolt or something.
- What, you mean the italian word for thunderbolt?
- Yeah, something like that. I don't speak italian myself. Do you understand?
- No.
- But I knew a man who did.
- Well, that's my story: the strongest thing I've ever seen.


Posted at 12:51 by spectorama ::

Quarta-feira, Novembro 12, 2003
The chemistry between us
Às vezes parece que existem pessoas que possuem a tabela periódica de nossas vidas.

Posted at 16:19 by spectorama ::

Segunda-feira, Novembro 10, 2003
Salva-vidas
A minha sexta-feira foi salva.

Ou seria melhor dizer a minha vida foi salva?

Posted at 11:07 by spectorama ::

Sexta-feira , Novembro 07, 2003
Ah, como é bom se sentir uma criança
Mais uma historinha quase infantil para você.

A Menina Que Dormia Na Diagonal

Eu poderia começar essa historinha com era uma vez. Mas por que sempre nos contam do passado? Será que a magia da vida não acontece mais nos dias de hoje? Pois então. Essa historinha começa assim no presente: é uma vez uma menina que só conseguia dormir na diagonal. Ok, ok, ok, você quer que eu explique melhor o que anjinhos significa dormir na diagonal. É simples, presta atenção. Cada vez que os pais da menina a colocavam para dormir direitinho na cama, retinha, retinha, no meio da noite ela começava a girar o corpo feito um ponteiro de relógio até ficar assim \. A mãe ficava preocupada porque o cobertor caía e o friozinho da madrugada não fazia bem para a asma da filha. O pai se perguntava o que havia feito de errado para que a sua princesinha dormisse daquele jeito. Ele tinha medo de que os seus sonhos ficassem todos tortos. Afinal, existem aqueles casos de pessoas que sonhavam de forma torta e acabaram se tornando adultos que nunca mais conseguiram realizar tarefas em linha reta. Eu sei que tem gente que não acredita nisso. Mas pense naquele seu amigo que vive caindo da bicicleta. Ou na sua avó que já bateu o carro na lixeira da rua umas vinte vezes. E o que dizer do tio que não consegue levar um garfo à boca sem sujar toda a calça de comida? Então, todos eles dormiam na diagonal. Por isso, a preocupação dos pais da menina. Consultaram médicos, cientistas, computadores, oráculos, fantasmas até. Mas nada. A menina continuou dormindo na diagonal. Só que, por um desses milagres da vida, ela se tornou uma adulta normal. Menos em um quesito: o beijo. Sempre que vai beijar alguém na boca, acaba beijando a bocheca. Ou o nariz. Ou a orelha. Qualquer coisa, menos a boca do coitado que está esperando um beijo todo apaixonado. Ela tinha que segurar com força a cabeça do garoto que queria beijar para que conseguisse tocar os seus lábios. Só que a força era tanta que ela já estava cansada. Até que um dia a menina conheceu um menino que não se importava com beijos. Ela não entendeu muito bem como alguém não se importava com beijos, afinal beijar é tão bom. Mas gostou do menino mesmo assim. E começaram a sair juntos, a dançar juntos, a caminhar juntos. Um dia o menino estava cansado demais e a sua casa era muito, muito longe. Aí a menina o convidou para dormir em seus castelinho. Ele ficou envergonhado, mas aceitou o convite. E, assim, os dois deitaram na cama. Qual foi a surpresa da menina quando, de madrugada, viu que não havia apenas um ponteirinho sobre o colchão e sim dois! Dois \\. Simetricamente tortos. O final dessa história é muito óbvio. Mas a gente sempre se recusa a enxergar o óbvio, não é mesmo? Então, aqui está o final para vocês: o caminho torto da boca da menina se encontou com o caminho torto da boca do menino. Hoje, ela não precisa mais de truques para beijar. E ele finalmente aprendeu o quanto beijar é bom.

Posted at 09:56 by spectorama ::

Quinta-feira, Novembro 06, 2003
Todo mundo coloca letras em blogs, então lá vou eu
Às vezes tudo o que você precisa na vida é de uma canção do Wannadies e de babysteps.

Então... dance comigo.

Little By Little

Do do do do do do do do do do do do do do
Do do do do do do do do do do do do do do

Electric-is-is-is-ity in my head
God knows how but we're getting close
My brain is buzzing this boy isn't dead
Oh no no, not as long as i am breathing
So gone but not missing
Nobody can deny
Us nothing

A little by little
And then a little bit more
Come on, come on, now we're almost there
A little by little
And then a little bit more
Come on, come on, now we're almost there
Come on, come on, now we're almost there

High or low oh no no no fi at all
We go where ever, doesn't matter o-o-oo
We got the vision we're writing the book
Whatever you haven't got we're stealing
So gone but not missing
Nobody can deny
Us nothing

A little by little
And then a little bit more
Come on, come on, now we're almost there
A little by little
And then a little bit more
Come on, come on, now we're almost there
A little by little
And then a little bit more
Come on, come on, now we're almost there
Come on, come on, now we're almost there

Do do do do do do do do do do do do do do (Come on come on)
Do do do do do do do do do do do do do do (Now we're almost there)


Posted at 18:30 by spectorama ::

A aurora chegou
Há alguns meses recebi um e-mail de Beto Cupertino, vocalista e guitarrista da banda Violins. Ele havia falado com o meu jovem amigo Jonas Lopes, provavelmente o guri que conheço que melhor escreve sobre música, sobre a possibilidade de eu emprestar as minhas palavras no release do seu primeiro álbum. Eu sempre me sinto muito honrado com um convite desses, mas, ao mesmo tempo, tenho medo porque preciso gostar muito de algo para escrever sobre. Depois de algumas mensagens, o Beto me enviou os MP3 das músicas. A minha primeira reação foi de estranheza. Confesso que não entendi muito bem qual era a daqueles goianos. O Beto desconfiou da minha insegurança e aí eu pedi uma cópia em CD. Eu queria ouvir aquelas músicas longe do trabalho, longe do computador, no meu discman e no volume máximo. Corta para uma quarta-feira. Jogo da seleção na televisão. Eu estava me preparando para ver o que seria uma bela pelada e aí, bum, acaba a luz. Decidi, então, ouvir o disco do Violins na varanda do meu apartamento. E, de repente, tudo se encaixou. Eu havia descoberto o sentido de Aurora Prisma, o título deste álbum tão bonito, e, no momento em que isso aconteceu, uma instantânea paixão nasceu. Como diz o próprio Jonas, paixão instantânea é o que há. O resultado dessa paixão você pode encontrar no release que escrevi para o Violins.

Mas não vou colocar o texto aqui não. Visite o novo site do Violins e leia.

Posted at 10:41 by spectorama ::

A volta
Milagre! Hoje tem primeiro parágrafo.

Posted at 08:27 by spectorama ::

Quarta-feira, Novembro 05, 2003
Eu pensei que estivéssemos em novembro
Smoke City e Groove Armada têm efeitos de Bomba H em dias frios como este.

Posted at 14:35 by spectorama ::

Terça-feira, Novembro 04, 2003
O pequeno Jason que vivia no espaço
Era uma vez um menino chamado Jason. Um dia ele leu Sonho de Uma Noite de Verão e ficou encantado com uma de suas personagens. De tanto pensar nela e viver como se estivesse no espaço, ganhou o apelido de Spaceman. E desenhava corações no ar com bolhas de sabão. Quando cresceu Jason formou uma banda. Você pode não acreditar nesta história. Mas se não sente o mundo parar ao ouvir Spiritualized, bem, sinto dizer que está na hora de procurar um médico. Você pode ser uma pessoa sem coração e nem desconfiar disso.

C'mon baby stop your crying, c'mon baby stop your crying now.

Posted at 22:10 by spectorama ::

Parece miopia mas é apenas uma bela canção pop
Tem vezes que você olha para o azul do céu e enxerga tudo verde.

Posted at 13:32 by spectorama ::

Morangos e canções
Lá pelos idos de 1989 e 1990, no auge da explosão indie-dance, eu costumava ouvir uma versão muito legal de Strawberry Fields Forever de uma banda chamada Candyflip. E hoje, em uma súbita saudade de morangos, decidi ir atrás da música no SoulSeek.

Então, cante comigo: let me take you down cause I'm going to strawberry fields....

Posted at 10:51 by spectorama ::

Sun is shining
O sol está aparecendo.

E desde que cheguei aqui, há mais ou menos uma hora e meia, só consigo ouvir The Bluest Eyes In Texas na voz de Nina Persson.

Posted at 08:59 by spectorama ::

Segunda-feira, Novembro 03, 2003
The kiss of the sixties
Ainda no clima dos anos 60, publico aqui uma historinha boba escrita em 1997 ao som de Then He Kissed Me das Crystals. Uma composição e produção de, claro, Phil Spector.

Prostitutas não beijam na boca, Julia disse enquanto tentava se esquivar do abraço de João, os dois ali no meio da pista de dança, o som alto, as Crystals cantando "Then He Kissed Me", que droga, ele pensou, ela me dá a maior bola e agora não quer me beijar, e, então, ela perguntou, por que eu deveria lhe beijar, por quê, ora porque você está a fim de mim, eu sei, eu posso ver em seus olhos, mas Julia apenas repetia prostitutas não beijam na boca, por que, então, eu deveria lhe beijar, João falou qualquer coisa parecida como o que você quer, ela disse vamos sair daqui, a gente tem que ficar gritando, os dois foram para fora do bar, ele comprou outra lata de cerveja, ela preferiu uma água sem gás, João perguntou de novo o que você quer, Julia, então, disse o que eu quero, bem, eu não quero que o beijo seja uma coisa banal, eu quero o nervosismo do primeiro beijo, eu quero sentir o meu coração tremendo, eu quero sentir você ter a dúvida e o medo de que talvez eu não queira lhe beijar, eu quero ver você tremer cada vez que nossos rostos chegam perto e nenhum de nós dois têm a coragem e a convicção suficiente de ir adiante, eu quero paixão, mais do que atração, eu quero um beijo longo, molhado, suado, brigado, uma batalha de línguas, uma carícia de lábios, eu quero que as pessoas se assustem ao verem o nosso beijo, eu quero que sintam inveja, eu quero ficar excitada somente com um beijo, eu quero lhe querer tanto quando sentir seu gosto no meu gosto, porque o beijo, João, o beijo é o mais íntimo que uma pessoa pode chegar de outra pessoa, mais até do que sexo, porque o beijo significa tantos inícios, início de um namoro, início de uma transa, início de um casamento, porque o beijo é o começo de tudo e o fim de uma ansiedade quase sufocante, porque o beijo é a melhor medida do amor, você já viu que duas pessoas que se amam sempre trocam beijos, mesmo depois de anos de relacionamento, você já viu, sim, João, eu sinto atração por você, mas eu quero lhe dizer que, cuidado, eu não quero um beijo qualquer, sou como uma prostituta, tenho um preço alto pelo beijo, João, já meio assustado com aquele monólogo, perguntou qual seria este preço, Julia suspirou e disse você, como assim eu, você até o fim, até o fim como, João perguntou, até o fim e só, ele, então, pegou a mão esquerda de Julia e levou ao seu coração, você está nervoso, ela falou, está tremendo, é que descobri uma nova utilidade para o beijo, ele disse, ela quis saber qual, fazer uma mulher calar a boca, João falou no mesmo momento em que juntava seus lábios aos lábios de Julia, "Then He Kissed Me" com as Crystals vindo lá da pista de dança e, se me permitem um conselho, lembrem-se cada vez que forem beijar: prostitutas não beijam na boca.

Posted at 19:11 by spectorama ::

Jukebox
Existem dias em que você está se sentindo tão idiota que só uma coletânea de músicas dos anos 50 e 60 resolvem a situação.

Posted at 17:40 by spectorama ::

Sábado, Novembro 01, 2003
Time machine
Em 1989 eu ouvia Strangelove do Depeche Mode, Beat Dis do Bomb The Bass, Wave Of Mutilation do Pixies e Bring On The Dancing Horses do Echo & The Bunnymen. E deixava o meu corpo ser abraçado pelo colchão mais macio que já senti.

Máquinas do tempo existem.

Basta você abrir os olhos. Assim, bem devagarinho.

Posted at 22:21 by spectorama ::