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Quarta-feira, Dezembro 17, 2003
Happy christmas, John... Happy christmas, Yoko...



Você pede para que eu deixe de lado nós dois. Quem sabe um tempo para todos estes sentimentos que despejo neste site, neste blog, neste diário. Fotografias que nunca conseguem expressar toda a beleza e paz e tranqüilidade e amor que o seu sorriso, o seu olhar, o seu jeito me trazem. Mas não posso, não consigo, não evito. Logo vamos virar a página de 2003, e desejar um feliz ano novo agora é impossível. Porque agora a felicidade deixou de ser um desejo. É somente realidade. Ontem, hoje, amanhã. Que sintam inveja. Que me achem um idiota. Que me acusem de estar colocando a minha inspiração em textos não produtivos. Quero pensar apenas naqueles que abrem sorrisos largos comigo. Com a gente. Você consegue ver? Consegue perceber? Nós estamos mudando o mundo. E é assim, com esperança & amor & respeito & certezas & amizade & prazer, que quero dar férias ao spectorama.

Até o ano que vem para quem fica.

Até daqui a pouco para quem me completa.

Posted at 11:21 by spectorama ::

Sexta-feira , Dezembro 12, 2003
Outra música que faz todo sentido nos dias de hoje
Por que gostar de Shane MacGowan? Porque o cara fundou os Pogues, uma das bandas mais legais de todos os tempos. Porque o cara é o Wander Wildner do Reino Unido. E principalmente porque o cara fez um dos duetos mais fodas que já ouvi com a Sinéad O'Connor. Se você nunca ouviu Haunted, baixe agora mesmo. Sente só o drama.

Sinéad:
Do you remember that sunny day?
Somewhere in london in the middle of nowhere
Didn't have nothing to do that day
Didn't wanna do nothing anyway

Shane:
You got a way of walking
Sinéad:
you got a way of talking
Shane:
And there's something about you
Sinéad:
And now I know I never ever wanna be without you

Both:
I wanna be haunted by the ghost
I wanna be haunted by the ghost
I wanna be haunted by the ghost
I wanna be haunted by the ghost
Sinéad:
Of your precious love
Of your precious love

Shane:
First time I saw you standing in the street
You were so cool you could have put out Vietnam
Sinéad:
All the girls ask "what's he like?"
I said "he's kind of shy but that's the kind of girl I am
He's my kind of guy"

Both:
I wanna be haunted by the ghost
I wanna be haunted by the ghost
I wanna be haunted by the ghost
I wanna be haunted by the ghost

Sinéad:
Of your precious love
Shane:
Of your precious love
Sinéad:
Of your precious love

Shane:
I've build my world around you
I'll bless the day I found you
Sinéad:
I'll stay beside you
I'll never leave or tell you all those
Doth:
Llies that you'd never believe

Both:
I wanna be haunted by the ghost
I wanna be haunted by the ghost
I wanna be haunted by the ghost
I wanna be haunted by the ghost
Sinéad:
Of your precious love
Of your precious love

Shane:
You got a way of walking
Sinéad:
You got a way of talking
Shane:
And there's something about you
Sinéad:
That's the kind of girl I am he's my kind of guy
Shane:
And now I know I never ever wanna be without you

Sinéad:
I wanna be haunted by the ghost
I wanna be haunted by the ghost
Shane:
I wanna be haunted by the ghost
I wanna be haunted by the ghost
Sinéad:
And now I know I never ever wanna be without you


Existe uma versão também com os Pogues e a cantora Cait O'Riordan que está na trilha do filme Sid & Nancy. Aliás, uma das cenas mais bonitas é ao som dessa música: Sid e Nancy se beijando sob uma chuva de lixo. Lindo.

Posted at 15:24 by spectorama ::

Quinta-feira, Dezembro 11, 2003
Cash & Apple
Vou dizer uma coisa para vocês. Father And Son, aquela música do Cat Stevens que o Flaming Lips plagiou, na voz de Johnny Cash e da Fiona Apple é um daqueles momentos pára tudo que eu vou morrer.

Puta que pariu.

Depois as pessoas não entendem por que eu amo tanto ouvir música.

Posted at 18:48 by spectorama ::

Pop vigilantes
Existem muitas bandas que gosto mais do que New Order. Mas poucas são tão importantes para a música pop quanto este agora trio de Manchester. Proponho que a gente faça uma estátua para os caras.

É por isso que digo: Ian Curtis é foda (qualquer um que escreva Ceremony e Atmosphere merece o meu total respeito), mas o seu suicídio é um divisor de águas para nós amantes de música.

Posted at 13:42 by spectorama ::

Quarta-feira, Dezembro 10, 2003
No need to be afraid
Acontece sempre em dezembro. Entro em um processo de ouvir e ouvir e ouvir John Lennon. Na maioria das vezes os seus álbuns oficiais não saem do meu CD player. Mas, de vez em quando, começo a devorar novamente a caixa Anthology. Entre tantas raridades, a emoção bate mais forte quando ouço as gravações caseiras de Lennon. Essas demos, para mim, é o meu ídolo desnudo. É possível perceber que ele está cantando as suas canções para Yoko Ono. Talvez para receber a aprovação de sua esposa. Talvez apenas para declarar mais uma vez o seu amor incondicional.

Agora, estou cansado, com sono e com uma parte de mim implorando para que eu deite em minha cama. No entanto, ouço Real Love e, assim meio sem querer, percebo que durante 30 anos de minha vida fui apenas um ensaio mal gravado de um homem. Hoje, ao acordar depois de mais um aniversário, sinto que finalmente estes rascunhos estão se transformando em demos caseiras, abertas, expostas, vivas. Demos cheias de erros e acertos, como as de Lennon, mas que mostram um caminho muito melhor pela frente.

E não tenho pressa. Quero que a demo de minha vida seja sempre assim, tão bela e aconchegante. Porque quando gravamos definitivamente já não há mais volta. E eu tenho muito ainda para viver. Nós temos, aliás.

Posted at 21:06 by spectorama ::

Terça-feira, Dezembro 09, 2003
É pelos olhos dela que me sinto mais vivo


Ano zero.

Ou ano um?

Enough about me.

Enough about us.

Nem sempre podemos dividir a nossa felicidade.

É uma pena.

Mas hoje é dia de festa.

Beijos para todos, beijos para mim.

Posted at 13:54 by spectorama ::

Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
Como diz a Dona Irene, ela é um presente todos os dias


Uma visão minimalista dos meus 31 anos. Porque um dia a gente aprende a gostar de aniversários.

31 anos esperando você

1972 - Mais cinco anos até ela nascer.
1973 - Mais quatro anos até ela nascer.
1974 - Mais três anos até ela nascer.
1975 - Mais dois anos até ela nascer.
1976 - Finalmente ela é concebida.
1977 - Ela nasce.
1978 - Ela completa um ano.
1979 - Ela completa dois anos.
1980 - Ela completa três anos.
1981 - Ela completa quatro anos.
1982 - Ela completa cinco anos.
1983 - Ela completa seis anos.
1984 - Ela completa sete anos.
1985 - Ela completa oito anos.
1986 - Ela completa nove anos.
1987 - Ela completa dez anos.
1988 - Ela completa onze anos.
1989 - Ela completa doze anos.
1990 - Ela completa treze anos.
1991 - Ela completa quatorze anos.
1992 - Ela completa quinze anos.
1993 - Ela completa dezesseis anos.
1994 - Ela completa dezessete anos.
1995 - Ela completa dezoito anos.
1996 - Ela completa dezenove anos.
1997 - Ela completa vinte anos.
1998 - Ela completa vinte e um anos.
1999 - Ela completa vinte e dois anos.
2000 - Ela completa vinte e três anos.
2001 - Ela completa vinte e quatro anos.
2002 - Ela completa vinte e cinco anos.
2003 - Ela surge em minha vida, e me completa.


Posted at 10:37 by spectorama ::

Sexta-feira , Dezembro 05, 2003
People say I'm crazy...
Um dia de chuva no Central Park, em Nova Iorque, o frio, o Natal que se aproxima, crianças correndo lembrando o final do romance O Apanhador no Campo de Centeio. Sempre imaginei um início de dezembro assim. E, no entanto, nem ao menos o visto americano tenho em meu passaporte. Porque eu, que mal consigo oferecer flores à primeira mulher de minha vida, tenho este desejo maluco de visitar Strawberry Fields e rezar por John Lennon em uma manhã de 8 de dezembro. Já disse muito sobre o meu ídolo maior. E, mesmo ouvindo mais Stones do que Beatles, ainda sinto que há muito para dizer. Às vezes, quando penso que tudo que escrevo é excessivamente real e passional e confessional, tenho vontade de largar tudo e tentar ser um publicitário melhor. Mas é na música de Lennon que encontro a resposta. Acredito que ele não era o gênio nos Beatles. Ele era somente coração. E é isso que peço às vésperas de completar 31 anos. Quero ser um cara adulto com um coração de criança. E hoje é assim que me sinto.

I'm just sitting here watching the wheels go round and round, I really love to watch them roll, no longer riding the merry-go-round, I just had to let it go..

É isso. Estou aqui, vendo a vida passar e, pela primeira vez em anos, não sinto que estou envelhecendo.

Encontrei a fonte da juventude.

E suas águas não são azuis.

São verdes.

Posted at 22:57 by spectorama ::

Fragmentos de um poeminha...


A tua beleza européia não é daqui. É surreal de tão linda. Um pouco de Picasso, um pouco de Dali... A tua beleza em preto e branco não é lógica. Vira e revira a minha cabeça. Tem efeito de copos e mais copos de vodca...

Posted at 13:35 by spectorama ::

Palavras ao sol
O verão de suas pernas. O sol dos seus olhos. O céu de sua pele. A praia de sua boca. Eu me afundo em pensamentos de areia ao som de Johnny Nash. I can see clearly now the rain is gone. Não há mais chuva. Eu tenho uma mãe mineirinha. Eu tenho uma rrrrriot sister. Eu tenho a voz de um pai em meus ouvidos. Deveria ser fácil ser feliz, não é mesmo? Talvez seja. Sim, sim. All I have to do is dream. Os meus trinta anos chegando ao fim. Mas beijar você é nascer de novo. Sou o rock-a-steady dos anos 60. Um reggae pop. Bobo, tolo, ingênuo. A fool for you. Mas, veja, as nuvens estão indo embora. Stir it up, stir it up, stir it up. Acenda. Apague. Acenda. Apague. This is the summer of love.

Posted at 10:00 by spectorama ::

Quinta-feira, Dezembro 04, 2003
Come together
A culpa, por incrível que pareça, é do cantor gaúcho Wander Wildner. Quando eu tinha uns 13 ou 14 anos, ele trabalhava em uma loja de discos em Porto Alegre chamada Realejo. Não sei quem era o contato deles na Europa, mas o fato é que eles sempre tinham discos importados para gravar em uma K7 por uma quantia irrisória. E às vezes também faziam uma compilação do que melhor estava acontecendo no rock britânico. Um dia o Wander me indicou a Seleção Realejo II. Entre maravilhas como New Order, The Pastels, The Pogues e The Men They Couldn't Hang, havia uma canção que durava pouco mais de um minuto e era a perfeição pop. Era Velocity Girl e a banda se chamava Primal Scream. Desde então, sou fã, fã, fã, fã, fã, fã e mais fã ainda de Bobby Gillespie e seus amiguinhos.

Agora, tenho em mãos - e nos ouvidos - a coletânea Dirty Hits, que a banda acaba de lançar. Sem querer me exibir, mas a minha versão é australiana e vem com um disco bônus só com remixes. Coisa mais linda. É uma pena que não há nenhum registro dos dois primeiros álbuns. Além de Velocity Girl, sinto falta da balada definitiva I'm Losing More Than I'll Ever Have (que, quando caiu na mão do produtor e DJ Andrew Weatherall, transformou-se no clássico do indie dance Loaded, impulsionando de vez a carreira do Primal Scream). Mas, de qualquer maneira, Dirty Hits é fundamental.

Os mais críticos irão acusar a banda de mudar conforme a moda. Em 18 faixas eles vão do indie dance ao rock'n'roll, passando por experimentações dub, flertes com o punk eletrônico e ao mais puro eletro. Além de muitas drogas, eu não sei o que se passa na cabeça de Bobby Gillespie. No entanto, todos estes estilos fazem muito sentido quando se trata de Primal Scream. Já tive a oportunidade de vê-los ao vivo e, puta que pariu, eles mandam muito bem.

Refletindo sobre a maravilhosa coletânea do Primal Scream, cheguei a algumas conclusões da minha própria vida. Às vezes, as nossas amizades são como as canções tão diferentes umas das outras de Bobby Gillespie. Mas que parecem que deveriam estar unidas por algum motivo. E não há nada melhor na vida do que descobrir que você está certo. Nem mesmo ouvir Come Together vinte vezes seguidas.


Movin' On Up


Autobahn 66

A minha amiga e irmãzinha Carmela, por exemplo, vivia em seu mundo de teorias cibernéticas na cidade de Porto Alegre. Apesar dos cabelos arrepiados, ainda faltava alguém para arrepiar a sua pele. Enquanto isso, aqui em São Paulo, Fabris (aka Coração Gigante) deixava toda a população feminina de queixo caído com o seu jeito trip hop de ser. Ah, sim, eles tinham muita coisa em comum. Mas a Carmela é a fofura de Movin' On Up e o Fabris está mais para Autobahn 66. Neste meio tempo, conheci a minha Miss Lucifer e acabei me transformando em Rocks. E, não sei exatamente por qual motivo, decidi que já era hora de jogar flechas por todos os lados. Hoje, graças ao mistermatch aqui, dois dos meus melhores e mais queridos amigos estão juntos e felizes. Às vezes me acho responsável demais pelos dois e faço o que não devo, mas, como em um disco do Primal Scream, na vida tudo acaba se ajeitando.


Miss Lucifer


Rocks

Ontem, Carmela disse que nós somos o quarteto do ano. Talvez seja exagero. Mas quando lembro de minha Miss Lucifer, e imagino os meus dois amigos juntos, ah, não tenho como não concordar.

Agora, só falta a gente trocar os dirty hits por dirty kisses.

Posted at 14:49 by spectorama ::

Quarta-feira, Dezembro 03, 2003
Curti também...
O Albergue Espanhol. Muito, muito legal. Se você gosta da minha literatura, provavelmente irá se divertir com este filme.

Posted at 18:02 by spectorama ::

Curti...
Hidden Cameras. Música evangélica gay. Muito legal.

Posted at 17:55 by spectorama ::

Estes pés dançam, o meu mundo começa a girar


A música possui um novo sentido agora que os seus olhos verdes dançam sem perder o contato com os meus castanhos escuros. Ontem decidi levar para a casa um disco muito sexy de uma banda inglesa chamada Cosmetique. Quem deve ter mais informações sobre a banda é o querido Juliano Zappia, jornalista que mora em Londres e que trouxe o álbum para vender aqui no Brasil. Eu nunca tinha ouvido falar dessa dupla, mas me parece uma mistura de Jesus & Mary Chain, Blondie e Ladytron. Zero Maintence Girlfriend e Cosmetique devem fazer um puta estrago na pista de dança, na sala de meu apartamento, na minha cama e, quem sabe, no meu coração. Muito bom, muito bom. Principalmente se você estiver bem acompanhado.

Posted at 12:39 by spectorama ::

Segunda-feira, Dezembro 01, 2003
Novembro que Fernando Pessoa nos deu


A felicidade surgiu em uma fotografia que não consegui esquecer. Uma sensação de estar voltando para casa. Aquela súbita pontada que surge cada vez que coloco novamente os pés na minha Porto Alegre querida. Assim, de um jeito diferente, meio ficção, meio hollywood, aquela fotografia me fez sentir falta de algo que não sabia que um dia tive.

Escrevo este texto ao som de No Surprises, uma das únicas canções que provam a tal genialidade do Radiohead, e nunca dois versos fizeram tanto sentido. A job that slowly kills you e a minha pretensão de levar à fotografia um pouco de esperança. E you loook so tired and unhappy e a minha insistência em não tentar mudar a minha própria vida.

Agora, depois de um longo caminho e algumas curvas tortuosas, a fotografia deixou de ser apenas uma imagem. E, ao contrário do que Thom Yorke canta, os machucados foram curados em um novembro mágico e, sobretudo, poético.

Aliás, é com poesia que encerro este texto. Em algum ano do final da década de 80, li a obra completa de Fernando Pessoa em tardes infinitas na biblioteca da escola. E apenas guardei na memória um único trecho. Naquela época não sabia por que havia decorado aqueles versos. Mal sabia eu que era para usá-los hoje.

Quando te vi amei-te já muito antes:
Tornei a achar-te quando te encontrei.
Nasci pra ti antes de haver o mundo.
Não há cousa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida fora,
Que o não fosse porque te previa,
Porque dormias nela tu futuro.


Posted at 10:07 by spectorama ::