archives

Maio, 2004
Abril, 2004
Março, 2004
Fevereiro, 2004
Janeiro, 2004
Dezembro, 2003
Novembro, 2003
Outubro, 2003
Setembro, 2003
Agosto, 2003
Julho, 2003
Junho, 2003
Maio, 2003
Abril, 2003
Março, 2003
Fevereiro, 2003
Janeiro, 2003
Dezembro, 2002
Novembro, 2002
Outubro, 2002
Setembro, 2002
Agosto, 2002
Julho, 2002
 










 
 

Quarta-feira, Março 31, 2004
This is the faith I'm leaning on


Ela, não sem razão, às vezes pede para que eu não escreva tanto sobre nós dois. Existe, claro, um certo receio de ter a vida exposta. E sempre existem aquelas pessoas que torcem o nariz, torcem contra, torcem para o barco afundar. Não sou tão pretensioso a ponto de afirmar que é inveja. O meu lado otimista vê esses comentários como sinal de descrença. E para quem não crê na felicidade tenho apenas flores a oferecer. Rosas com cheiro de esperança. A mesma esperança que ela me mostrou há cinco meses.

Hoje acordei e me dei conta de que tenho sido uma pessoa ordinária. Ordinária no sentido de comum. Sou um filho menos carinhoso do que deveria ser, sou um bom amigo às vezes, sou um irmão mais distante do que desejo. Tive algumas idéias legais durante a minha carreira publicitária. Escrevi alguns textos que eu mesmo gosto. Tenho uma coleção de discos bem interessante. Nada de extraordinário, para ser bem sincero.

Mas quando fico alguns segundo olhando ela dormir, com os pés sempre para fora dos lençóis... é nesse momento que sinto que sou especial. Que sou tocado. Que sou abençoado. Que faço parte de algum plano maior. Que não estou sozinho. Que estou fazendo algum bem.

Não sei exatamente o motivo, mas agora fiquei com vontade de ouvir a canção Hard Drive, escrita por Ben Lee e interpretada por Evan Dando. Talvez a letra não tenha nenhuma ligação com o assunto, mas vou colocá-la aqui mesmo assim.

This is the town I'm living in
This is the street I'm walking down
These are the friends I'm visiting
These are the clothes I'm wearing
This is the house I'm building here
This is the girl I'm marrying
This is the chord I'm strumming now
This is the faith I'm leaning on
This is the child I'm bearing now
This is the love that I've always had
This is the face I make when I'm sad
This is the town I'm living in

These are the feet I'm standing on
These are the hands that built a world
This is the bed I'm sleeping in
This is the shirt I'm buttoning
This is the pace I'm moving at
This is the tune I'm humming now
This is the road I'm walking down
These are the lips that form my words
This is the stone that I wanna turn
These are the people that I love
These are the eyes that look up above
This is the town I'm living in

This is the hard drive
This is the ocean
Have you ever felt yourself in motion?


Posted at 11:33 by spectorama ::

Terça-feira, Março 30, 2004
Um sonho de gargalhada
Talvez eu realmente esteja vivendo uma felicidade nunca antes conquistada. Na madrugada de hoje, simplesmenti gargalhei enquanto dormia. Não sei se estava sonhando com algum episódio do Saturday Night Live ou com a mulher mais bonita do mundo. Ela, aliás, começou a me balançar. Ficou preocupada, coitada. Por alguns instantes, achou que eu estava chorando. Foi hilário. Lembro de ter ouvido as minhas risadas também. Isso é inédito. Mas, bem, toda essa avalanche de sentimentos é inédita.

E isso é bom.

Posted at 19:46 by spectorama ::

Segunda-feira, Março 29, 2004
De 21 a 31 anos em 41 minutos e 17 segundos
É preciso ser um pouco fã e outro tanto perdulário para adquirir o Blue Album Deluxe Edition da banda Weezer. E já que sou os dois, acabei comprando ontem o disco que saiu oficialmente na terça-feira passada lá na terra do Bush. A embalagem é linda que só vendo. No entanto, o que mais me impressiona é o fato do disco soar tão bom mesmo dez anos depois. Ou seja, eu tinha 21 anos quando comprei o primeiro do Weezer e ficava pulando feito um maluco ao som de Holiday. E hoje sou quase um ancião e ainda fico emocionado com essas melodias tão ingênuas e grudentas e estas guitarras que mais parecem um soco no estômago. Assim que sobrar um tempinho, escrevo mais sobre o disco. Afinal de contas, hoje é segunda e eu estou saindo de uma dor de garganta daquelas.

Posted at 13:35 by spectorama ::

We are a family
Você sabe que encontrou o sogro certo quando empresta para ele um livro sobre o John Lennon.

Posted at 13:24 by spectorama ::

Coral do colégio
Open Field Church sexta na Funhouse foi bizarro. Ou será hilário? Ou será genial? Diversão garantida. Deu até vontade de subir no palco e cantar junto.

Posted at 10:57 by spectorama ::

Teoria da conspiração
E se o publicitário que contratou o cantor de pagode for amigo do outro publicitário que havia contratado o mesmo cantor antes? E se os dois publicitários, mesmo trocando farpas em público, passassem os finais de semana juntos em ilhas e praias particulares? Tomando uísque - porque cerveja é pop demais - e rindo da cara de pessoas como nós que ficamos discutindo ética e o futuro da credibilidade da classe artística. Hipótese ou não, polêmica é uma das mídias mais valiosas que existe. Você não paga nada e aparece em tudo que é lugar.

Posted at 10:51 by spectorama ::

Sexta-feira , Março 26, 2004
Spartans
Saturday Night Live meio que virou um vício.

E meio que virei fã do Will Ferrel (pô, o cara até me fez chorar em Elf).

Posted at 14:28 by spectorama ::

Mais notícias do Cassino Hotel
Passei boa parte da semana trabalhando nas sugestões apontadas pela revisão da Rocco nos originais de Cassino Hotel. Confesso que teve horas em que pensei em apagar todo o arquivo e escrever outro livro. Mas, no final, acredito que o saldo é positivo. É certamente o livro que precisava escrever naquele momento.

Agora vou mergulhar no mundo dos samurais antes que o meu prazo exploda.

Posted at 13:24 by spectorama ::

Lições do fenômeno Jay Z
Chegará um dia em que faremos bootlegs de livros.

Se é que já não fazemos.

Posted at 13:19 by spectorama ::

Experimenta
Eu até queria discutir mais sobre ética e estética, mas, sabe como é, sou publicitário.

Posted at 13:15 by spectorama ::

Quarta-feira, Março 24, 2004
Cinema cão
Depois de dezenas de tentativas frustadas, finalmente conseguimos assistir a Dogville. Vamos aos fatos.

1. O cara escreve um roteiro foda daqueles.
2. O cara monta um cenário foda daqueles.
3. O cara cria uma forma de passar os créditos foda daqueles.

Eu não estou nem aí se o filme é uma fábula que critica a sociedade americana.

Que se fodam as mensagens, as metáforas e a semiótica.

O filme enquanto cinema é bom pacas e é isso que interessa.

Posted at 17:42 by spectorama ::

O fantasminha camarada
Parece que já caiu na rede o álbum A Ghost Is Born do meu amado Wilco. O sucessor da obra-prima Yankee Hotel Foxtrot será lançado oficialmente apenas dia 8 de junho. Mas algumas cópias promocionais foram distribuídas e daí para a internet é um pulo. O parece do começo do post é porque ainda falta uma faixa (segundo a assessoria da banda serão 12 canções). É difícil falar de um disco do Wilco. Acredito que a banda cria álbuns para serem ouvidos por inteiro. E assim em MP3 meio que perde a graça. Até porque não é algo de fácil consumo. Desde ontem tento ouvir com calma, entre um job e outro. A impressão, por enquanto, é positiva.

De qualquer forma, apenas gostei do Yankee Hotel Foxtrot quando tive o CD em minhas mãos.

Posted at 17:37 by spectorama ::

Quinta-feira, Março 18, 2004
Sparkys dream, Eduardos dream, our drem
O coração bate forte, as mãos suam, o pulmão mal consegue respirar. Ele hesita antes de apertar a campainha. Dá dois passos para trás. E se ela não gostar dos meus cabelos? E se ela desistir do encontro? E se ela não curtir o programa que planejei? Agora, azar. Chegar até aqui e desistir seria jogar meses de conversas, telefonemas e bilhetes fora. Linda, ela abre a porta. Os cabelos loiros soltos, brilhando mais do que as estrelas que começam a aparecer. E o sorriso, que vai muito além de dentes e lábios, em uma conjunção perfeita de calcanhares no ar e sobrancelhas arqueadas, ah, o sorriso mostrando as primeiras pistas de que esta noite será inesquecível.

"Tô doida pra saber o que vamos fazer", suspira ela enquanto aperta o cinto de segurança do carro.
"Nós vamos assistir a uma ópera", ele responde com a certeza de que está impressionando.

Mas a resposta apenas faz desaparecer o seu sorriso.

"Uma ópera?", ela pergunta com surpresa.
"Você não gosta de ópera? Ué, pensei que toda menina gostasse de ópera. Sabe como é, romantismo e tal."
"Ah, mas ópera é coisa de velho, você não acha?"
"Mas essa não é uma ópera qualquer", diz ele ao apertar a tecla play do aparelho de som, "essa ópera é pop".

E, antes que ela possa perguntar o que diabos é ópera pop, o carro estaciona na esquina das ruas Sauchiehall e Hope. Por alguns segundos, ela acredita que está sonhando. Coisas assim não acontecem na vida real. Mas, afinal de contas, quem é que está preocupado com a vida real? Isso aqui é rock'n'roll. E eles estão em Glasgow, na esquina das ruas mais importantes para a música pop escocesa nas últimas três décadas. Foi aqui, nas mesmas Sauchiehall e Hope, que nomes como The Jesus & Mary Chain, Primal Scream, Teenage Fanclub, The Pastels e Belle & Sebastian despontaram para o cenário mundial. E é nestas ruas que Nice Man, na verdade mais um projeto de Francis McDonald, atual baterista do Teenage Fanclub e líder do BMX Bandits, apresenta a sua ópera pop.

"Tá vendo?", diz ele ao tirá-la para dançar ao som de Fallin In Luv, "isso é que é ópera pop".

E ela não resiste e dança sob o luar de Glasgow. Mas como poderia resistir? Afinal, é rock pop sabor verão. Um pouco de Big Star aqui, um pouco de Byrds acolá. E em 19 canções, ouvimos as aventuras amorosas de um cara comum. "É hora de arranjar uma namorada e se apaixonar", Nice Man canta em Fallin In Love. Mas é "tão difícil de conseguir aquela garota", confessa em Get That Girl. Até que finalmente os dois estão de mãos dadas em Your Hand In Mine. Mas, como todo homem, Nice Man sente medo do compromisso e sonha com outras garotas em Daydream Girls. E, lógico, perde a sua garota perfeita, e sente o mundo inteiro cair em Loser. Com o coração quebrado, Nice Man amadurece em Grey Hair, e assume que os seus cabelos estão ficando brancos e não há nada que possa fazer a não ser tocar a bola para frente.

Depois de pouco mais de 40 minutos, o nosso casal está extasiado de tantas danças e emoções ao som de Nice Man e a sua ópera pop. É hora de deixar Sauchiehall e Hope para trás e voltar para casa.

Ele abre a porta do carro e acompanha os passos lentos de sua amada até a varanda. Apesar de ainda não acreditar em tudo o que aconteceu, ela não consegue esconder o seu sorriso. Mas agora o sorriso é ainda mais perfeito. Porque, antes que ele consiga dizer adeus, ela mistura o seu sorriso com o dele.

E só consegue pensar em como este tal de Nice Man é um cara legal. Ah, se é.


O texto acima é o release que escrevi para o disco de Nice Man, que foi lançado aqui pela gloriosa Slag Records. Mal sabia eu que, mesmo de uma forma mínima, estava ajudando o grande Eduardo Ramos a realizar um sonho. Não só o dele, mas o meu e de milhares de amantes do bom rock. A turnê brasileira de Nice Man (ou melhor, Francis McDonald) ano passado foi o impulso que o Du precisava para trazer o Teenage Fanclub. Eu pensei que nunca iria ver uma das bandas que mais me marcaram na vida, mas ainda bem que existe gente que vai lá e faz.

O Du acaba de me convidar para escrever o release da turnê do Teenage Fanclub, que irá passar por Curitiba, São Paulo e Recife. A sua única exigência foi: tem que ser EMO. Agora ouço os discos desses escoceses mestres da boa melodia e penso que não há como não ser emo. Estou até com medo de ser brega. Mas uma coisa é certa. Como disse ao Du hoje pela manhã: não vou escrever este texto com palavras. Vou escrever com lágrimas.

Se você é fã da banda como eu, acho melhor participar da minha campanha EU AMO O EDUARDO RAMOS. É rídiculo, eu sei. Mas quem se importa em ser ridículo quando se está prestes a assistir a um show como este?

Posted at 22:26 by spectorama ::

Dani, Eu, Dani, Ella
A Dani Ferreira é uma das melhores redatoras publicitárias de Porto Alegre. Não é puxa-saquismo. É fato: a menina é superpremiada. Mas não vem ao caso agora. A questão é que um dia a Dani, que nunca falou comigo nem me deu emprego, mandou um e-mail dizendo que tinha roubado um texto meu. Aí fui lá no seu blog e percebi que não parava de rir. Normalmente não curto muito esses blogs de garotas que ficam falando de coisas de, hum, garotas. Mas a Dani tem talento. E isso faz toda a diferença. Vai lá na casinha dela e se divirta. Ok, ok, talvez eu esteja puxando o saco dela mesmo. Ah, mas sei lá. Vai que um dia a Dani se torne uma poderosa diretora de criação e eu tenha que pedir emprego... Nunca se sabe.

Posted at 15:19 by spectorama ::

El Scorcho
Eu já disse que quando começo a ouvir Weezer não consigo parar.

Há dois dias que só ouço o excelente álbum Pinkerton. Levei um ano até gostar do disco. E desde então ele é o meu predileto do Weezer e um dos Top 10 da década de 90.

E essa música me deixa muito, muito, muito empolgado. Até volto a acreditar no rock.

Goddamn you half-Japanese girls
do it to me every time
oh, the redhead said you shred the cello
And I'm jello, baby
But you won't talk, won't look, won't think of me
I'm the epitome of Public Enemy
Why you wanna go and do me like that?
Come down on the street and dance with me

I'm a lot like you so please Hello, I'm here, I'm waiting
I think I'd be good for you and you'd be good for me

I asked you to go to the Green Day concert
You said you never heard of them
-How cool is that?-
So I went to your room and read your diary:
"watching Grunge leg-drop New-Jack through a press table..." and then my heart stopped:
"listening to Cio-Cio San fall in love all over again."

How stupid is it? I can't talk about it
I gotta sing about it and make a record of my heart
(How stupid is it? Won't you give me a minute
Just come up to me and say hello to my heart) How stupid is it?
For all I know you want me too and maybe you just don't know what to do or maybe you're scared to say: "I'm falling for you"
I wish I could get my head out of the sand 'cuz I think we'd make a good team
and you would keep my fingernails clean
but that's just a stupid dream that I won't realize
'cuz I can't even look in your eyes without shakin', and I ain't fakin'
I'll bring home the turkey if you bring home the bacon


Posted at 11:50 by spectorama ::

O garoto incrível
Falando em histórias em quadrinhos, o escritor Michael Chabon agora também está no ramo. Deve ser muito bom.

Posted at 11:44 by spectorama ::

HQs
Milagres acontecem.

Hoje tem primeiro parágrafo.

Posted at 11:42 by spectorama ::

Terça-feira, Março 16, 2004
My name is Rivers
Sou muito influenciado pelas comédias teens que o John Hughes produziu nos anos 80. Muito do que escrevi não existiria sem Pretty In Pink. Woody Allen também é uma influência forte. A música afeta o que escrevo porque só consigo escrever ouvindo música. E muitos textos surgem ou mudam conforme o que estou ouvindo. Por exemplo, se começo um texto ouvindo Weezer e termino com Wilco, a introdução vai ser ingenuamente feliz e o final mais melancólico. As minhas maiores influências literárias são os escritores J.D. Salinger, Caio Fernando Abreu, Julio Cortázar, Bret Easton Ellis, Marcelo Rubens Paiva e Douglas Coupland. Adoro Charles Dickens também. Acredito que seja normal as pessoas apontarem o Hornby como a minha maior influência, porque ele vende zilhões de vezes mais, apareceu antes de mim, é uma celebridade e tal. E eu gosto muito dele, para falar a verdade. Ele não é a minha maior influência, pelo menos no Clube a influência é Coupland e o seu Microservos. Mas ok. Podem falar o que quiserem. Penso que é rasteiro quando dizem que Hornby é o cara que inventou a literatura pop. Isso, para mim, é falta de informação. Não sei quem inventou a literatura pop, nem sei se isso existe. Na verdade, usei o termo pop para definir o que escrevo porque falo sobre pessoas da minha geração, porque produzo textos de fácil leitura tentando dar a eles um mínimo de qualidade. A questão é que escritores na linha do Hornby existem há décadas. Além disso, a maior característica dele não é o seu flerte com a cultura pop. É como ele consegue descrever tão bem o que se passa na cabeça dos homens. E mais: Hornby é realmente o maior escritor pop da atualidade. Pop no sentido de popular, de fazer parte da cultura pop, de entrar na vida da gente. E, ao contrário do que algumas pessoas comentam por aí, não tenho a pretensão de ser o seu equivalente no Brasil. Por que ser o maior disso ou daquilo? A queda é muito maior. Na verdade, a minha maior pretensão agora é ser o Rivers Cuomo, o líder do Weezer, da literatura. Putz, o cara gravou um clip com os Muppets! Imagina, se um dia eu escrever um romance sobre o Caco e a Piggy, com a autorização e tudo, posso morrer feliz.

Você levaria a sério um escritor que faz uma declaração dessas? Pois então. Eu disse isso em 2002 em uma entrevista à extinta Play. Na verdade, todas as respostas foram muito bem pensadas para tentar trazer um pouco de despretensão em meio a tantos novos autores e suas piadas internas. Existe coisa mais chata que piada interna? Mas isso não importa. O que importa é que eu realmente acho o Rivers Cuomo um cara e tanto. Não sei se ele é um gênio de marketing, um plagiador com talento ou simplesmente um garoto que adora rock'n'roll. O fato é que admiro o estilo foda-se do Weezer. E admiro muito mais a relação que a banda tem com o público. É este tipo de proximidade e troca que procuro com os meus leitores. Apesar de que quase ninguém deixa comentário aqui, mesmo com uma média alta de visitas. Ou vai ver que vocês já se acostumaram com a minha falta de respeito em não responder e-mails. Desculpe, mas tempo é o que menos tenho.

De qualquer forma, o que quero dizer mesmo é que continuo adorando Weezer. E o primeiro disco, o chamado Blue Album, está completando 10 anos. Putz, estou ficando velho. E o desgraçado ainda consegue me empolgar. E muito. Dia 23 de março sai a edição especial do álbum, com um disco com bônus e um livrinho caprichado. Já encomendei o meu. Quando ele chegar vou arranjar um tempo para escrever um texto sobre a minha teoria de que o Weezer é o Queen da nova geração. E estou falando sério.



Posted at 13:27 by spectorama ::

Segunda-feira, Março 15, 2004
Like a rolling stone
Alguém Tem Que Ceder é, óbvio, um filme de Jack Nicholson e Diane Keaton. É uma dupla tão afinada que você até esquece que Nancy Meyers também tem muito mérito. Não pela direção, mas pelo roteiro (apesar do final deixar à mostra uma certa pressa em resolver a história). Esqueça a comédia romântica e seus clichês. O mais impressionante é observar a forma como o roteiro consegue levar às telas a palavra que, pelo menos para mim, define a diferença entre estar apaixonado e amar apaixonado: sintonia. Isso não quer dizer que é preciso gostar das mesmas coisas, fazer as mesmas coisas, saber das mesmas coisas. Sintonia é saber aceitar ser a pedra escura no meio das pedras claras, sem quebrar a harmonia (ou será que só assim conseguimos a harmonia?). Não é fácil, dá um medo danado de ficar perdido no meio de tantas pedrinhas claras, às vezes você não tem a mínima idéia do que fazer. Mas vale a pena. E se não vale, bem, acredito que você ainda não encontrou a pedra que completa o seu pote.



Posted at 13:25 by spectorama ::

Sexta-feira , Março 12, 2004
Scissors sisters
A minha irmã Karina, mãe do Menino Lucca, disse que escrevo de um jeito tão bonitinho. Isso me deixa muito feliz porque não parece aqueles elogios familiares. Ela poderia dizer que o seu irmão caçula é um gênio. E isso, com certeza, seria um exagero dos diabos.

O fato é que isso me faz lembrar de algumas coisas legais que marcaram a minha infância e adolescência. Tipo o dia em que a Karina pegou uma parte de um dos seus primeiros salários para me dar de presente um brinquedo Playmobil. Ou dos almoços no centro de Porto Alegre com a minha irmã mais velha, a Kátia. Ela sempre pagava sorvete para mim. Ou do dia em que a Sabrina disse para eu ler O Apanhador no Campo do Centeio, o livro que defininiu a minha vida.

E elas também me davam discos.

Às vezes me bate uma saudade danada da minha mãe.

Mas, putz, tenho três irmãs maravilhosas ao meu lado.

Pena que nem sempre me dou conta disso.



Posted at 11:56 by spectorama ::

Terça-feira, Março 09, 2004
Alexandre, o Grande e seus amigos literários
Deixa eu contar uma história para você. Pode parecer que é sobre a minha vida. Mas, na verdade, é sobre um cara que atende pelo nome de Alexandre Linares. Em 2001, ele trabalhava na Conrad Editora. Aí um dia passou pela mesa do editor Rogério de Campos e viu alguns originais jogados no meio de uma pilha de papéis. Eram quatro livros (de autores diferentes e, com exceção de um, hoje todos possuem obras publicadas ou em vias de) que faziam parte de um projeto idealizado pelo meu irmão-rock Gustavo Mini Bittencourt. O Rogério disse que iria jogar fora. O Alexandre disse que queria ler. E colocou um dos originais na mochila. O calhamaço de papel A4 encadernado ficou alguns dias esquecido nas costas do cara. Até que em um engarrafamento em São Paulo, ele sentiu a necessidade de ler algo no ônibus. Mas só tinha aquele livro. E ele leu. E gostou. E fez campanha na editora para que publicasse aquele livro.

Você já deve desconfiar que o livro é o meu Clube dos Corações Solitários. O fato é que nunca agradeci ao Alexandre como deveria ter agradecido. Mas não vou dizer obrigado agora. Apenas vou falar que o cara é foda. E, junto com mais alguns amigos, acaba de lançar a Amauta, a mais nova editora do país.

Quinta-feira, dia 11, tem lançamento do primeiro título da Amauta. É o livro Crimes Exemplares, do escritor valenciano Max Aub. Vai ser lá na Livraria Belas Artes, às 19 horas. Só perdôo o fato de não terem me convidado para ler alguns trechos da obra porque tenho péssima dicção.

Ah, fica aqui o meu abraço e carinho ao J, um dos fundadores da editora. As conversas que tive com este jovem autor-agitador foram fundamentais no processo de produção de Cassino Hotel.

É isso aí.

Parabéns e sorte ao Alexandre, ao J e ao Barbão.

Nós leitores agradecemos.



Posted at 21:43 by spectorama ::

Segunda-feira, Março 08, 2004
Não há nada de errado com o amor
Buil To Spill é o nome da banda. E quando eu começo a ouvir... bem, não paro mais. Aclamada pela crítica, mas quase desconhecida do grande público, este excelente combo capitaneado por Doug Martsch sabe como ninguém mesclar melodias pop, pegada rock, climas progressivos e psicodelia. E sabe como tratar uma guitarra. Muito foda. Além do mais, não é qualquer banda que consegue soltar três discos primorosos na seqüência. E são eles que ensurdecem os meus vizinhos nesta noite de segunda.



There's Nothing Wrong With Love é de 1994. Belas canções de amor com arranjos nada convencionais. Ouça Big Dipper. Se não se empolgar, pode ter certeza: você não nasceu para ouvir rock.



Perfect From Now On é de 1997. Os caras assinaram com uma grande gravadora e nem quiseram saber. Lançaram um disco com 8 longas canções, cheias de climas e melodias arrepiantes. Chega a dar raiva de tão bom.



Keep It Like A Secret é de 1999. Aqui Doug Martsch eleva o seu amor pelas guitarras à enésima potência. Às vezes eu passo horas só ouvindo a introdução de Time Trap.

Se você conhece e gosta, ótimo.

Se não conhece, corra atrás.

Você pode até não gostar.

Mas pelo menos eu fiz a minha parte.



Posted at 22:49 by spectorama ::

Little house of savages
Você reconhece a sonoridade da atual safra de Nova Iorque nas canções da banda The Walkmen. Mas o novo álbum Bows + Arrows só reforça a impressão que tive depois de ouvir o disco de estréia Everyone Who Pretended To Like Me Is Gone. Os caras estão um passo à frente de sua geração.

Bows + Arrows está longe de ser uma obra fácil. Exige uma certa atenção, o que me lembra o depoimento do jornalista americano David Fricke no filme do Wilco. O cara diz que vivemos em uma sociedade muito imediatista, e que toda a produção - tecnológica, cultural e econômica - é feita para ser consumida agora. O que explica a dificuldade que os executivos da gravadora Reprise tiveram para entender o álbum Yankee Hotel Foxtrot. Segundo o escritor da Rolling Stone, o trabalho do Wilco tem belas melodias, ótimos arranjos, letras instigantes - só que você tem que se propor a ouvir.

E o mesmo acontece com este surpreendente disco do Walkmen. Entre arranjos nada ortodoxos, você encontra punch, melodia e muita paixão. Strokes e Interpol nos deram excelentes discos. Já o Walkmen nos dá o coração. Você vai recusar?



Posted at 16:11 by spectorama ::

Domingo, Março 07, 2004
Samba a dois
Um show do Los Hermanos é quase uma experiência antropológica. Não há hoje no país uma banda com um público tão variado como o deste quarteto carioca. A noite de sábado no Direct TV Music Hall não foi das mais memoráveis (principalmente por causa da péssima qualidade do som), mas é sempre bom ver uma casa lotada de indie rockers, novos hippies e modernos para celebrar a boa música. Só mesmo o Los Hermanos para ter a iniciativa de colocar a Banda Do Circo Garcia para abrir o show com marchinhas de carnaval e fazer garotos com camisetas do Weezer dançarem. E será que os jovens amantes da MPB reconhecem o Radiohead na linda Sentimental? Sim, é um paradoxo. Dos mais saudáveis, diga-se. No final, não importa se é samba, rock, ska ou hard core. O saldo é apenas uma banda em seu pique criativo em perfeita sintonia com o seu público. Seja ele qual for.



Posted at 22:45 by spectorama ::

Sexta-feira , Março 05, 2004
Os irretocáveis
Vou ser sincero com vocês. Realmente acredito que a última obra-prima (como obra-prima me refiro a discos irretocáveis) da música pop foi o álbum London Calling do The Clash. Amo tanto este CD que um dia até ameacei agredir um estagiário que teve a ousadia de chamar Rudie Can't Fail de reggaezinho porcaria. Provavelmente você irá pensar que sou um exagerado ou que não entendo nada de rock. Mas a minha opinião é essa. Bom, o fato é que há uns meses cheguei à conclusão que o Yankee Hotel Foxtrot do Wilco também é uma obra-prima. Demorou, mas surgiu mais uma.



Posted at 17:19 by spectorama ::

Time trap
Você começa a ouvir o som de uma guitarra de forma diferente depois que conhece Built To Spill. Provavelmente a melhor banda de rock em atividade depois do Wilco. Se é que o Built To Spill continua vivo.



Posted at 17:13 by spectorama ::

Quinta-feira, Março 04, 2004
Um beijo e um queijo (de minas)
Não é só a comida mineira que é bem temperada.

As mulheres também.



Posted at 22:17 by spectorama ::

Nada como ter uma sogra mineira
Você sabe que um futuro obeso lhe espera quando sente saudades do feijão mineiro.



Posted at 22:15 by spectorama ::

Morte e vida Celestina
Queria ter comparecido hoje ao lançamento do novo livro de Alexandre Soares Silva, mas o Dia Internacional Da Mulher me deixou preso na agência. Além do cara dividir comigo a mesma agente, tenho muita curiosidade em conhecer o seu trabalho. De qualquer forma, fica aqui a dica de leitura.



Posted at 21:42 by spectorama ::

Conclusão depois de ouvir o primeiro álbum do Franz Ferdinand
Esses jovens roqueiros andam ouvindo os mesmo discos.



Posted at 21:35 by spectorama ::

Assim é covardia
Eleanor Rigby é o título do próximo romance (acho que é romance) de Douglas Coupland. Este dado é suficiente para explicar o meu amor pelo cara.



Posted at 21:18 by spectorama ::

Paralelos
Vale a pena ler.



Posted at 21:10 by spectorama ::

Quarta-feira, Março 03, 2004
Ah, tá
Então tá, né? Pixies, Lemonheads, Teenage Fanclub e, quem sabe, Hot Hot Heat e Libertines no Curitiba Pop Festival? Isso é coisa séria, pessoal. Não podemos brincar com notícias assim. Tomara que dê certo.



Posted at 09:56 by spectorama ::