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Segunda-feira, Novembro 15, 2004
Democracia no mundo das jóias
Eu nunca disse aqui o nome da mulher mais bonita do mundo. Pois bem. Chegou a hora. Afinal, o motivo é nobre. Ela é designer de jóias e está participando de um concurso. A votação é via internet e você pode ajudar. Aliás, nem é ajuda porque o broche que ela criou é muito bonito e atual. Algo assim electro punk rocker. Então vai lá no site da Escola Arte Metal e, na categoria revelação, vote em Helena Rezende. A gente vai ficar bem feliz.

Posted at 09:45 by spectorama ::

Sexta-feira , Novembro 05, 2004
CSS Suxxx
Há quase um ano, quando eu e ela ainda estávamos começando a sair juntos, tive o prazer de assistir ao primeiro show da banda Cansei de Ser Sexy. A melhor forma de descrever aqueles 15 ou 20 minutos é citar o lendário Tony Wilson, o cara por trás do selo Factory e do clube de Manchester Hacienda. Depois de ver os Sex Pistols em sua cidade, ele não conseguia pensar em outra coisa. Para Tony, aquela noite havia sido histórica. Um amigo seu, então, disse "mas só tinha umas 40 pessoas no show". Sempre irônico, Tony respondeu com uma pergunta "e na Santa Ceia tinha quantas?".

É um certo exagero dizer que aquela noite de sábado em São Paulo foi histórica para as 50, 60 pessoas que lotaram uma loja de móveis na Heitor Penteado. Eu mesmo nunca vi tanta falta de organização e técnica em uma banda. A querida Aninha sempre disse que não é preciso tocar bem. E é claro que ela tem razão. Mas eu acredito que é importante saber não tocar bem. Quem lembra do impacto do primeiro álbum do Jesus & Mary Chain tem uma certa idéia do que estou falando. Hoje, o CSS está profissionalizando o seu amadorismo. Só que, desde o primeiro show, a banda já mostrava que era profissional em uma coisa: em divertir, em mexer com as pessoas, em nunca causar indiferença. Isso é mais do que talento (porque talento, a Lovefoxxx e o Adriano Cintra, por exemplo, têm de sobra). É atitude.

Só que, bem, hoje à noite começa o Tim Festival. Está certo que a maioria das pessoas que olha a escalação não conhece nem 10% dos nomes que vão fazer o meu final de semana muito melhor. Mas, pô, é o Tim Festival. E o CSS vai estar lá, dividindo o palco com os 2 Many DJs. Então, meus amigos, não há como negar que aquele primeiro show foi histórico. E eu, de uma certa forma, tenho orgulho em fazer parte disso, acreditando e apoiando o CSS desde o primeiro grito da Lovefoxxx.

E Aninha, fique tranqüila. Tudo vai dar certo. E, se de Deus quiser, daqui a alguns anos vou ter o maior orgulho de deixar o meu filho se divertindo com a tia mais cool do mundo enquanto eu aproveito para jantar a sós com a mulher mais bonita do mundo.

Posted at 09:17 by spectorama ::

Quarta-feira, Novembro 03, 2004
Tem gente que compra revista para ler, tem gente que prefere ver mulher nua
Cassino Hotel foi indicado na seleção de livros da Revista Bravo. A pequena resenha, se é que podemos chamar de resenha, não foi tão favorável... mas de qualquer forma é uma surpresa ver o livro por lá.

Ainda no campo da mídia, saiu na Revista Sexy deste mês uma mini-entrevista comigo. A entrevista, realizada pelo Jardel Sebba, foi muito divertida. Abaixo, você pode ler a versão integral.

1. Você, como uma geração inteira, começou publicando seus textos na internet para depois passar ao impresso. E seu livro é cheio de referências que parecem, ainda que enviesadas, autobiográficas, como a idade do protagonista, a cidade natal dele, o gosto pela música pop. A geração que começou ou se alavancou nos blogs está fadada a escrever romances sobre si própria, sempre? No seu livro, onde acaba o romance e começa a terapia do autor?

Eu não posso falar sobre uma geração. Até porque a internet não é uma causa, é apenas uma conseqüência: a rede, pelo menos para mim, foi a forma que encontrei para começar a divulgar o meu trabalho. A minha obsessão por textos mais contemporâneos, que retratam o que vivo, sempre existiu. Não escrevo sobre mim, escrevo sobre o que conheço. Cassino Hotel possui poucas pinceladas autobiográficas. É, na verdade, a tentativa de escrever o livro que eu queria ler e não estava encontrando nas livrarias.

2. Se você escreveu o que não encontra pra ler, não há nada de bom entre novos autores?

Há muita coisa boa. Gente como o João Paulo Cuenca e o Santiago Nazarian, por exemplo. Mas, quando escrevi o Cassino Hotel, pensei em um livro que falasse sobre relacionamentos humanos de uma foram mais real e exposta, com um apelo pop e sem medo de mexer com a emoção, e menos "literária".

3. Quem sobrevive dessa geração que nasce nos blogs, na sua opinião? Existe uma nova ordem na literatura brasileira que há de render frutos ou são casos isolados?

O que é sobreviver? Ficar para a posteridade? Ou continuar publicando? Para a posteridade, poucos vão ficar. Eu mesmo não tenho essa intenção. Mas acredito que o espaço para a publicação de novos autores irá aumentar cada vez mais. Nunca se viu tanta editora nova surgindo no Brasil, apostando em escritores inéditos. Só acho que, infelizmente, não existem leitores suficientes para absorver tantos livros. E quanto à nova ordem... tenho a impressão de que estamos vendo uma predileção pelo "maldito". Nada contra. Mas às vezes parece que é mais marketing e menos atitude.

4. Cassino Hotel é uma sucessão de tragédias, culpas e desencontros quase do começo ao fim. É a contramão da auto-ajuda?

Se for, espero que venda tanto quanto os livros de auto-ajuda. Já imaginou se eu inventei um novo gênero? Agora, falando sério: tive muito medo de que a história se tornasse melodramática demais. O texto do livro está sempre na corda-bamba. Um escorregão e eu caía no piegas. Mas decidi arriscar. Um amigo meu disse que lembra um enredo do Almodóvar. Segundo ele, foi um elogio. E, pensando bem, faz muito sentido.

5. Seu narrador não deu certo como rock star, no fundo, porque o rock gaúcho, com raras ressalvas, é algo como o chimarrão, só os gaúchos entendem e acham bom?

O meu rock star não deu certo porque gaúcho tem a mania de produzir cultura para consumo próprio. Não é nem uma questão de os outros entenderem ou não. É mais uma vontade de não querer ser entendido. No fundo, é uma puta pretensão nossa. Adoramos piadas internas. Eu tento
fugir disso, mas admito que Cassino Hotel é uma declaração de amor ao Rio Grande do Sul.

6. Você em princípio, quer sim ser entendido pelo público leitor Brasil afora. É o caso do gaúcho que fugiu aos seus?

Se for o mesmo caso de escritores como o Luis Fernando Verissimo e a Lya Luft, espero que sim. Mas acho que com a literatura os gaúchos conseguem ser mais "universais". É claro que existem autores que vendem muito somente no Rio Grande do Sul. Só que o problema mesmo é com a música. Que outra banda depois dos Engenheiros do Hawaii estorou nacionalmente? Não estou falando de artistas mais alternativos como o Wander Wildner, e sim de gente que vende milhões de discos em todo o país. Bandas como a Bidê ou Balde e Tequila Baby são tratados como Beatles em Porto Alegre, mas aqui em São Paulo são quase anônimos. Eu faço questão de dizer que sou de lá, mas não quero ser conhecido como um escritor "gaúcho" como se eu fosse um estrangeiro, passageiro de algum trem... opa, já estou viajando.

7. A julgar pelo perfil da popstar-virgem-filha-de-cantor-sertanejo do seu romance, podemos concluir que o autor tem uma tara na Sandy ou na Wanessa Camargo?

A Sandy é bonitinha, mas se eu me pegasse fantasiando com ela iria sentir que estava fazendo algo contra a lei. Até ontem a moça estava cantando "Maria Chiquinha" ou algo parecido... Agora, a Wanessa Camargo me passa uma sexualidade às vezes perturbadora. Confesso que as partes mais picantes do livro foram escritas com fotos sensuais da Wanessa ao lado do teclado do computador. Acho que foi por isso que deixei passar uns erros de digitação...

8. Quando chamam o teu trabalho de "literatura pop", não parece "literatura para quem não gosta de ler"?

Música pop é música para quem não gosta de ouvir, sei lá, Mozart?

9. O litoral do Rio Grande do Sul é mesmo o mais feio do Brasil?

Só não é o mais feio por causa das gaúchas. Vocês entendem de mulheres, por isso devem saber do que estou falando. Nas praias do Rio Grande do Sul você chuta um castelinho de areia e surgem cem gostosas. Com tanta mulher bonita, quem é que fica preocupado se o mar não é azul como o de Santa Catarina? Só se você for um metrossexual que acha que curtir a paisagem não inclui perder a cabeça com o fio-dental da mulherada.


Posted at 11:48 by spectorama ::

Terça-feira, Novembro 02, 2004
Earth angel, the one I adore, love you forever and ever more
Eu, que sempre digo que prefiro a música à literatura, acredito que a maior vantagem de se estar em uma banda é que você não assume toda a responsabilidade sozinho. Até mesmo quem segue carreira solo tem com quem dividir os méritos e deméritos. Afinal, um disco é o resultado de um esforço coletivo. Agora, o escritor é um artista solitário que, para piorar, trabalha com um produto que não conta com a vantagem da identificação imediata.

Sim, eu sei que é uma filosofia barata. Mas tem lá o seu fundo de verdade. E, de qualquer forma, falar sobre isso é só uma desculpa para eu escrever sobre o meu primeiro ano de namoro ao lado dela. De uma certa forma, viver um relacionamento é quase como estar em uma banda. E, se isso for verdade, até conhecê-la só consegui emplacar alguns hits. Sim, alguns hits com algumas bandas. Alguns foram ótimos, outros nem tanto. Mas as bandas, por mais que os integrantes tentassem, não davam certo. E nem é uma questão de ser bom ou ruim. Vejam o caso dos Beatles, por exemplo. Eles eram perfeitos e, bum, um dia implodiram.

Mas agora é diferente. Pela primeira vez sinto que não estou namorando. Estou fazendo música. Música e não hits instantâneos. Eu e ela estamos escrevendo um álbum, e não compactos. Não estamos nos importando com o sucesso. Com o ego, com os pequenos egoísmos, todas essas coisas que são capazes de separar Lennon & McCartney, Morrissey & Marr e Strummer & Jones. Nós queremos fazer a nossa melhor música, respeitando sempre o que cada um pensa. Ouvindo, conversando, resolvendo.

Nós não somos um hype.

Somos soul.

E, mesmo 365 dias depois, estamos apenas começando.

Posted at 19:54 by spectorama ::

Fotodocumentário
Um feriado sem a mulher mais bonita do mundo é uma boa desculpa para testar um brinquedo novo. No caso, uma câmera digital. Aqui está um fotodocumentário sobre estes quatro dias.


É claro que só pensei nela.


Procurei apartamentos.


Conheci o Vianna Bar.


Bebi com o meu amigo Júnior.


Acordei e já fiquei com sono.


Lavei muita roupa.


Assisti ao ótimo documentário Mate os Seus Ídolos.


Comi qualquer coisa em um restaurante qualquer de um shopping qualquer.


A Mostra deveria ter duas vezes por ano.


Fiquei testando a câmera.


Péssimo filme.


Bebi mais um pouco com os meus amigos tatuadores.


Os japoneses são muito doidos.


A trilha-sonora oficial do feriado.


O meu sobrinho Lucca direto de Porto Alegre.


Fui jantar na casa da minha irmã.


O meu Game Boy foi raptado.


Fui ao Parque da Mônica.


Brincamos de autorama.


Ele não é lindo?


O cansaço chegou...

E eu ainda apartei o que seria uma briga do jornalista José Trajano e um mesário lá no local onde justifiquei o meu voto. Mas, infelizmente, não tirei foto alguma.

Posted at 16:32 by spectorama ::