Quarta-feira, Fevereiro 19, 2003
teste
ok....
Posted at 14:21 by spectorama :: link
A frase em negrito foi enviada por Keka
Tenho o mundo dentro de mim, mas às vezes parece que tudo se resume em uma única esquina. Você pede para eu ficar, diz palavras bonitas, sorri desse jeito quase infantil. E talvez seja isso mesmo o que somos. Duas crianças brincando de marido e mulher, como vizinhos que fingem que as bonecas são os seus filhos. Mas agora é tarde, escureceu, está na hora de voltar para a casa. Quero as árvores da Doutor Timóteo, quero o cachorro quente do Rosário, quero o colo de minha mãe, quero o chimarrão no Parcão, quero a Ipiranga vazia em uma madrugada de quinta-feira, quero a incerteza de um inverno gelado. Desejo tudo o que você não pode me dar, e sei que o você pode me dar é tudo o que um dia desejei. Mas hoje eu queria voltar para Porto Alegre. Esta é a minha manha, esta é a minha lágrima, este é o meu solução no meio da noite. Você pode ficar aí, parado, quieto, desiludido, com o orgulho ferido. Ou então, quem sabe, pode decidir dobrar a esquina. É só um passo. E a minha cidade é sua.
Posted at 13:14 by spectorama :: link
Sexta-feira , Janeiro 17, 2003
A frase em negrito foi enviada por Joice
Ela seguiu as pegadas antes que o mar as levassem embora. Assim, sem saber quem iria encontrar, se iria encontrar, se encontrar ainda fazia parte de seu dicionário. Não escolheu, apenas aceitou o caminho que a areia lhe mostrava. O cheiro de chuva e sal, o sol mergulhando sobre as ondas e o relógio avisando que era hora de estar em casa. Mas já não podia voltar. Procurou as cores no céu, lembrou de uma velha canção que dizia "você é o arco-íris em minha alma", mas, dessa vez, a tempestade não trouxe consigo a bonança. A resposta, quem sabe, estaria ali, no final daquelas pegadas, sob os pés que sustentavam a esperança disfarçada de carne. Ele disse que se chamava Carlos, quis saber se havia espaço debaixo de seu guarda-sol. "É só uma chuvinha de nada", falou, "mas, você vê como são as coisas, não tenho medo do mar, mas tenho medo da chuva". Ela sorriu, arrastou a sua cadeira para o lado, fechou o livro, teve vontade de dizer que não sabia nadar, mas achou bobagem, que ele não fosse entender a piada. Quinze, vinte, trinta minutos. Ela perdeu a noção de tempo enquanto desejou aquela pele desbotada deixando pequenas manchas de calor sobre o dourado de suas pernas. Mas nada disse. "Obrigado", ele agradeceu quando a chuva se foi, "obrigado". E levantou sem olhar para trás, deixando na areia as pegadas que aqui terminam. Pedras, castelos de areia, crianças correndo, um pequeno desespero, e, de repente, o mar levou os seus olhos para onde temiam chegar. Teve medo de ir mais longe, mas tudo o que queria era molhar o seu corpo junto ao dele. "Que se foda", disse para si mesma. Sim, ela poderia se afogar por entre as ondas. Mas, você sabe, ninguém morre duas vezes.
Posted at 20:55 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
Terça-feira, Dezembro 17, 2002
A frase em negrito foi enviada por Lea
Eu perco você todos os dias, e, mesmo assim, pela manhã sempre volto a lhe procurar, tropeçando pela calçada, gritando o seu nome, arrastando o meu desejo por entre as paredes sujas de uma cidade em decadência, perseguindo as sombras de suas curvas, guiado pelo cheiro do mar, o sal de sua pele, o gosto do seu beijo, e quando você me olha é sempre assim, Muito prazer, meu nome é Ana, acho que já o vi em algum lugar, e tenho vontade de falar Sim, há meses que nos encontramos, há meses que dedico a minha vida a você, há meses que tento entender os caminhos de sua memória, mas não digo nada, apenas deixo que o meu sorriso lhe inspire confiança, e espero o momento em que você irá me contar toda a sua não história novamente, aguardo as suas lágrimas para que os meus dedos toquem pela primeira vez o seu rosto, tremo cada vez que você me olha como se perguntasse Seu idiota, você não vai me beijar não?, e então você diz Estão inventando meu passado agora, sou como uma personagem à espera de seu escritor, e nossas mãos se tocam, e nossos poros se procuram, eu me jogo aos seus pequenos pés e repito Quero fazer de nossa vida um livro, de passado, presente e futuro, mas quando acordo você já não está mais lá, e enquanto bebo sozinho o meu café antes de sair em sua busca, olho para todos livros de minha biblioteca, suspiro e rezo a Deus para que um dia todos possam ler a nossa história.
Leia também o parágrafo da Menina do Didentro.
Posted at 12:13 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
Quarta-feira, Dezembro 04, 2002
A frase em negrito foi enviada por Tatiane F
Eu falei que não era como os outros. Você sorriu, assim de um jeito cúmplice, e, segurando a minha mão, disse sem dizer que acreditava em mim. Nem percebeu o clichê da frase, ignorou com risadas o fato de eu ser tão ordinário quanto os outros. Mas já estávamos velhos e cansados e despedaçados demais para esperar por pessoas diferentes, especiais, que nos deixariam sem fôlego, mas que, no final, revelariam-se iguais a nós. E então abrimos a porta. Deixei que você contasse histórias para eu dormir, gargalhasse no volume máximo nas madrugadas, batesse palmas paras as crianças na rua. Você deixou que eu caísse aos seus pés ao ouvir as suas teorias sobre livros, dramatizasse cada uma de nossas discussões, lambuzasse as suas coxas com brigadeiro feito em casa. Agora você deve estar sentada em frente ao seu piano, comendo os doces da minha festa de aniversário, tentando acreditar que fui capaz de simplesmente desaparecer. Sou capaz de ouvir a sua voz dizendo "Vem logo, vem, o gosto do brigadeiro já não é mais o mesmo sem você". Mas eu já disse que não sou como os outros. A felicidade não me atrai. E, além do mais, eu não gosto de doce. Sempre preferi o amargo.
Leia também o parágrafo da Menina do Didentro.
Posted at 13:04 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
Segunda-feira, Novembro 25, 2002
A frase em negrito foi enviada por Radociou
Os números vermelhos do relógio avisam que é hora você acordar. A sua silhueta descansa perto de meu ombro e pede para que eu deixe você dormindo mais alguns minutos. Ou é apenas o meu desejo de vê-la sem máscara, medo e insegurança que me impede de balançar o seu corpo suavemente. Mas os seus olhos abrem de repente. E não diz bom dia, não olha para mim. Sai da cama com cuidado para não tirar o lençol do lugar. Ignora a minha presença de forma hábil, como se pensasse que ainda estou dormindo. Ouço o barulho do chuveiro, da toalha secando os seus cabelos, da escova de dentes movimentando-se dentro de sua boca. Você aparece na porta do quarto. Quando finalmente olha para mim, percebo que está vestida com a sua mácara, com o seu medo, com a sua insegurança. Você fala "Adeus", e é impossível não acreditar no que sente. E então viro o meu corpo para o lado. A porta de casa se fecha. E não ouço o barulho das chaves girando. Sim, você deixou as suas cópia aqui. Já está na minha hora, eu sei. Mas não quero me levantar hoje porque o dia amanheceu cedo demais.
Leia também o parágrafo da Menina do Didentro.
Posted at 12:01 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
Sexta-feira , Novembro 22, 2002
A frase em negrito foi enviada por Nanda
Agora que descobri que preciso de você desesperadamente, por favor aja como um bom vencedor. Nada de sorissos irônicos dizendo "ah, eu já sabia". Nada de ir-voltar-ir-voltar. Nada de desvios de rotas em noite de bocas próximas demais. Nada de desculpas em cima da hora. Nada de provocações, vestidos em caixas de presente, sapatos novos deixados na recepção do meu escritório. Nada de falsa modéstia ao me colocar em um pedestal. Porque estou aqui. Ridiculamente desesperada. E você... bom, você é tudo.
Leia também o parágrafo da Menina do Didentro.
Posted at 15:15 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
A frase em negrito foi enviada por Goolie Hannah Lui
Quando decidiu que não valia mais a pena, dirigiu para longe. Uma estrada qualquer, cuja visão do horizonte não trouxesse lembranças. À noite, parou em um restaurante. Não existe nada pior do que trabalhar em um restaurante de beira da estrada, pensou. Ficar sempre no meio do caminho. Ou será que existe? Chegar ao final, quem sabe. Por isso, sorriu à garçonete quando pegou a bolsa de gelo. Perguntou pelo banheiro. Atravessou o salão, seguindo a direção que lhe foi dada, e olhou para os lados. Queria ter certeza de que não havia ninguém. A gilete deslizou pela sua pele como um corpo em um sábado à noite. Deitado, colocou uma bolsa de gelo ao redor dos pulsos. Afinal, se era para acabar com a dor, que não tivesse dor.
Posted at 12:23 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
Segunda-feira, Novembro 18, 2002
A frase em negrito foi enviada por Jane
O branco brilha em meus olhos. Não há mais dúvidas. Estou em um quarto de hospital, conectado a tubos, aparelhos, soro. Elisa grita, chora, aperta a campainha, e logo estou rodeado por médicos e enfermeiras. O meu pulso é checado, botões são apertados, perguntas são feitas. Elisa segura a minha mão, diz que me ama, que sempre acreditou em minha recuperação, que esteve ao meu lado em cada dia destes oito meses. Oito meses? Ela fala que irá chamar os meus pais, os meus amigos, os meus irmãos, que isto merece uma festa. Mas ainda sinto a cabeça girar. Oito meses? Sim, explica, você passou oito meses em coma, depois daquele acidente, mas não vamos conversar sobre isso agora. E então Elisa me beija. Mas os seus lábios não são como os seus. Quero que Elisa me largue, quero voltar a dormir, quero encontrar você novamente. Você que sempre disse que tinha esta certeza, que nós nunca nos tocaríamos, que eu nunca iria sentir o repouso da sua boca. Ah, mas estava enganada. Muito enganada. Passei oito meses ao seu lado. Como na noite do acidente, preciso fugir novamente para você. Porque em vinte e um anos de vida, vivi oito meses. Alguém pode desligar esta máquina, por favor?
Posted at 15:34 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
Quinta-feira, Novembro 14, 2002
A frase em negrito foi enviada por Mu
Você age como uma mãe que projeta sonhos e desejos em seus filhos. Chega assim, com passos pesados, carregando o fardo de estar ao meu lado, e eu poderia lhe dar uma resposta adolescente. Não, eu não pedi para nascer. Não, eu não sou o único responsável. Não, eu não fui o único que disse sim, fechou os olhos e entreguei a vida em um beijo. Agora você vem me dizer que tudo não passou de engano, que as mentiras estão saindo debaixo dos móveis, que existem discos que não merecem perder a poeira. Mas hoje à noite vou amarrá-la na cama, fechar as cortinas, apagar as luzes e permanecer em vigília por dias, noites, semanas, meses, anos. Até que os seus olhos brilhem novamente e provem que as suas desilusões não são as minhas.
Leia também o parágrafo da Menina do Didentro.
Posted at 12:41 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
Quarta-feira, Novembro 06, 2002
A frase em negrito foi enviada por Julia
Nos azulejos brancos da cozinha o sangue desenha formas abstratas. E você dizia que eu não tinha talento para arte. Admiro a minha obra, roubo um cigarro do seu bolso, abro a torneira da pia. Lavo as mãos com detergente, sabão, esponja. Acendo o cigarro, olho para você, fumo até sentir os meus dedos queimarem. Só então decido o que fazer. Pego o telefone e faço uma ligação. A moça acha que é trote, mas eu insisto. Vinte minutos depois chegam os policiais. Fazem perguntas, digo a verdade, deixo que me levem. Antes de sair pela porta de nossa casa pela última vez, olho para trás, quero me despedir de você. Seu filho da puta. Você estava sorrindo. Filho da puta. Se eu pudesse faria tudo de novo, mas não posso, então resisto ao mundo caindo em pedacinhos.
Leia também o parágrafo da Menina do Didentro.
Posted at 12:33 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
Segunda-feira, Novembro 04, 2002
A frase em negrito foi enviada por Vica
Canções de ninar, tuas palavras no bate e volta dos travesseiros, troncos, coxas e pernas, meia-lua à espera de teu abraço. Canções de ninar, sono que chega devagar, em ondas feitas de lençóis, rugas de juventude, manchas aqui, acolá. Canções de ninar, dedos entre dedos, aceito o teu caminho, de olhos fechados, confiança cega, não vejo a hora. Canções de ninar, hálito que viaja do pescoço à boca, a suave melodia do teu corpo sobre o meu, leves piscadas são vaga-lumes à noite. Canções de ninar, portas abertas, armários desarrumados, agora que sou alimento, durmo sem medo do bicho papão.
Leia também o parágrafo da Menina do Didentro.
Posted at 08:26 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
Sexta-feira , Novembro 01, 2002
A frase em negrito foi enviada por Guigo
A multidão se move em ondas na Avenida Paulista. Sou vítima do repuxo do mar de camisetas e bandeiras vermelhas. Prensado entre um, dois, três, quatro desconhecidos, tento remontar todo o meu dia em busca de uma explicação lógica que me traga até aqui. Mas tudo o que queria era ir ao cinema. E agora sou mais um apaixonado pelo novo Brasil que nasceu das urnas. Quero respirar, quero sair daqui, quero ficar longe de qualquer falsa esperança. Chega de ouvir discursos, música ruim. Minha casa, por favor, minha casa. Então, ela surge. É uma onda quebrando sobre o meu corpo. São olhos de redemoinho me fazendo girar, girar, girar. O seu rosto tão perto do meu, muito mais perto do que qualquer outro já esteve antes. Ela grita, urra, vibra. Tô feliz, muito feliz, acho que vou chorar, diz. Por causa de um presidente?, pergunto. Não é um presidente qualquer, responde ela, você sabe, você também tá aqui. Decido arriscar. Tô aqui só por causa de você, falo. Ela ri. E ri alto. Nossa, que lindo, que bonitinho, ela diz entre uma gargalhada e outra. A sua gargalhada parece iluminar toda Paulista, arrisco novamente. Mais risos. É que às vezes a felicidade nos pega de um jeito, mas de um jeito, que parece que o amor irradia da nossa alma como luz através dos poros, ela versa. Um poetisa, uma lutadora, uma brasileira. Decido apostar todas as minhas fichas. Jogo todo o meu abraço sobre o seu corpo e, então, deixo que o meu medo se afogue em sua esperança.
Posted at 15:09 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
A frase em negrito foi enviada por Jorgui
Os seus olhos brincam de esconde-esconde, mas o sorriso tímido que derrapa em seus lábios anuncia em silêncio a minha vitória. Você fala em esperar, em tempo ao tempo, em arrependimentos. Diz que desejos são tristes quando solitários. Exige que eu pare agora. Implora pelo meu silêncio. Mas o que você não sabe é que a minha paixão desconhece limites. E não tem auto-estima. Muito menos orgulho. Só o que me resta é repetir, repetir, repetir. O meu querer é insistente porque é verdadeiro. Por isso, vou repetir até me devorarem. Os seus dentes, a sua língua, os seus seios, o seu quadril, as suas pernas, a sua alma, os seus braços, as suas mãos. Até os seus olhos, enfim. Porque não, você não pode ficar atrás dessa muralha para o resto da vida.
Leia também o parágrafo da Menina do Didentro.
Posted at 09:47 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link
Quinta-feira, Outubro 31, 2002
A frase em negrito foi enviada por Natygirl
Seria um amor de verão adolescente. Se ela não tivesse 26 anos, e o agosto em São Paulo não marcasse 12 graus centígrados. Em silêncio, de óculos escuros apesar das seis horas da tarde, ela permanecia imóvel dentro do carro parado no estacionamento. Ele respirou fundo. Como todo homem, não sabia o que dizer em um momento como aquele. Apenas segurou a sua mão, falou que não havia por que ficar tão triste, prometeu escrever, telefonar e visitas de quinze em quinze dias, além de feriados prolongados em pousadas entre Minas Gerais e São Paulo. Ela soluçou, enrolou o cachecol sobre o pescoço, abriu a porta do carro e pediu para que ele não a acompanhasse. Desejava caminhar sozinha até o guichê, ouvir o barulho do carrinho de malas abafar o som de seu choro baixinho, e esperar o seu vôo entre uma página e outra de uma revista qualquer. Com um sorriso, ele obedeceu. Trocaram um beijo rápido, e logo ela já estava na fila do check-in. Antes que pudesse descobrir que em sua bagagem havia apenas saudades, ele surgiu ao seu lado, de surpresa. Nenhuma palavra, apenas um beijo. "Você esqueceu da sua passagem de volta", ele disse. Durante aquela viagem, ela sentiu vertigem pela primeira vez. Nervosa, arrependida, sentindo-se covarde, correu até o minúsculo banheiro. Pensou em atacar a si mesma então. E começou pelos cabelos. Ao colocar os pés em Belo Horizonte, já não era mais a mesma mulher. E muito menos sentiu que estivesse em casa.
Leia também o parágrafo da Menina do Didentro.
Posted at 09:12 by spectorama (que agradece a sua leitura) :: link

