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O casal de cegos, de braços dados e compartilhando
a mesma bengala, caminha pelo centro da cidade. Sem maiores explicações,
de repente forma-se um tumulto ao redor. Escuta-se gritos, barulho de
vitrines quebrando, sirenes. Um arrastão invade o calçadão:
uma verdadeira maré humana separando o casal de cegos. Perdidos,
tentam em vão um reencontro. Tateeiam o ar, chamam pelo nome. Desesperado,
o homem cai ao chão. E, quando sente um pisar em seu peito, prendendo
toda sua respiração, reconhece o velho perfume da mulher
amada e que jamais poderá ver, quem dera, tocar.
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